segunda-feira, 14 de maio de 2018

Uma quimera chamada Ciro Gomes

As eleições de 2018 estão sendo as de maior expectativa desde 1989, quando foi a primeira depois de um longo tempo de ditadura militar. Hoje vivemos em uma ditadura diferente, mais sutil e a perspectiva da maior parte da população é do fim desta fase triste iniciada com um irresponsável golpe em 2016, em que as elites decidiram, com franca ajuda dos EUA, a eliminar os direitos da população e as riquezas do país. 

A finalidade era a de que o Brasil mantivesse a sua condição de sub-desenvolvimento, sem ameaçar a hegemonia dos EUA, além de manter as desigualdades, tranquilizando as elites brasileiras, fartamente remuneradas pelas grandes corporações mundiais fazendo-as continuar a ganhar grandes fortunas praticamente sem trabalhar, através do rentismo e da sonegação permitida de impostos.

Mas o golpe se mostra nocivo a grande parte da nação, sem excluir os que inicialmente eram favoráveis a ele, já começando a sofrer os prejuízos decorrentes. Quem não é rentista começa a desejar de forma quase desesperada pelo fim do golpe e o favoritismo de Lula, que causou a prisão decretada pelo Poder Judiciário, majoritariamente golpista, para que fosse possível um representante da impopular plutocracia pudesse ganhar a eleição de 2018.

A plutocracia havia tentado vários candidatos, todos fracassados. Mas a grande carta debaixo da manga para governar para os mais ricos está justamente do lado oposto da plutocracia, em alguém que ganha cada vez mais confiança das esquerdas mais ingênuas e que também começa a mostrar as suas garras, provando que o verdadeiro lado onde está não é o que aparenta estar. O nome desta carta debaixo da manga atende pelo nome de Ciro Gomes. 

Ciro Gomes, unindo as esquerdas para favorecer a direita

Ciro representaria nas eleições deste na uma esperança para as esquerdas. Assumiu uma postura anti-golpe e prometeu revogar as medidas nefastas aprovadas pela equipe de Temer. Vem dado palestras inteligentes e tem atraído muitos jovens com ideias progressistas e promessas de soluções realistas e práticas. Mas Ciro tem um passado que prejudica a imagem progressista que tenta associar a si.

Ciro tem um passado direitista. Sua educação política foi amamentando nas tetas do PSDB. Seu padrinho político é o mega-empresario direitista Tasso Jereissatti, representante da Coca Cola no nordeste brasileiro e dono de uma grande rede de shopping-centers. As relações com Aécio Neves não são de inimizade. Por motivos desconhecidos, com o tempo foi mudando de lado e hoje se torna o principal nome da esquerda após Lula, se associando com o PDT, fundado por Leonel Brizola, mas hoje ideologicamente rompido com seu fundador.

Mas atitudes assumidas por Ciro durante a sua campanha e as circunstâncias em torno dele denunciam que o candidato do PDT pode não ter rompido com as suas origens tucanas. Chamado frequentemente de candidato-abutre, por se aproveitar da retirada de Lula da corrida eleitoral, ele pode estar mostrando que o tipo de ave que ele é não é bem o de abutre. 

Ciro, candidato do Golpe?

Algumas coisas estranhas tem acontecido com Ciro e que deveriam fazer a esquerda apoiadora abri os olhos. Vários esquerdistas têm declarado apoio incondicional a Ciro tratando seu direitismo como resultado de boataria de grupos que tentam desestabilizar as esquerdas. Mas se esquecem que o próprio Ciro é que pode estar começando a desestabilizar o campo progressista.

Para começar, a grade mídia ate agora não fez nenhuma crítica destrutiva contar o político cearense, como ela tem feito com políticos do PT e de alguns partidos progressistas. Isso dá a impressão de que Ciro seria um plano B da direita caso fracassasse, como está acontecendo, os planos de criação de um candidato dos plutocratas.

O descaso que Ciro tem demonstrado em relação a Lula é outro fator a ser levado em conta. Depois de declarar que faria de tudo para evitar a prisão do ex-presidente petista, Ciro parece ter visto vantagem na prisão e segue a sua campanha percebendo que aos poucos começa a conquistar não apenas vários esquerdistas como também setores sensíveis da direita como o DEM, que na ditadura militar atendia pelo singelo nome de "ARENA", o partido dos milicos.

Foi revelado que Ciro seria o verdadeiro plano do PC do B, que teria lançado a jovem Manuela D'Ávila como uma espécie de balão de ensaio para com o tempo favorecer o pedetista cearense.  Lideranças do PC do B, incluindo a própria Manuela, já admitem apoiar Ciro na corrida presidencial.

Ciro vem assumindo compromisso de revogar as medidas do golpe, diante de muitos aplausos eufóricos. Mas quem o conhece diz que é papo furado e que com as alianças que pretende fazer, deverá desistir das revogações e se empanhar em apenas amenizá-las, para não prejudicar os interesses dos plutocratas que o apoiam.

Ciro e o sanduíche de traíra 

Mas o sinal mais grave de que Ciro pode trair os esquerdistas é a possibilidade deter como vice o magnata do aço Benjamin Steinbruch. Acontece que Steinbruch é um capitalista estereotipado, ex-presidente da CSN, famoso pela ganância e pão-durismo e que apoiou não somente o golpe quanto a reforma trabalhista. 

É de Steinbruch a asneira de que seria "moderno" o trabalhador segurar um sanduíche com uma mão e uma alavanca de máquina com a outra, dispensando o tempo livre para almoço, que seria descontado com a reforma. Uma declaração considerada ofensiva, mas que virou piada no país todo, reforçando a imagem negativa já associada ao magnata.

Apesar de apoiar o golpe, demonstra insatisfação com Temer, pois começa a se sentir prejudicado por algumas reformas. O que facilitaria a associação com Ciro Gomes, seu ex-subalterno na CSN. Resta saber se ele poderá ser vice-presidente da república, pois ele está quase garantido como o próximo presidente da FIESP, a entidade que agiu em 2016 como maestro dos manifestoches nos protestos a favor do golpe.

A entrada de Steinbruch como vice de Ciro é perigosa e sinaliza que desta forma, Ciro esteja querendo secretamente preservar o golpe, o que agradaria as forças conservadoras, traindo as esquerdas, levando o país a um caminho sem volta para se esborrachar de forma definitiva no despenhadeiro do sub-desenvolvimento. 

Streinbruch não é José Alencar

Bom lembrar que é um erro comparar a associação Ciro/Steinbruch com a de Lula com José Alencar.  Por mais defeitos que possa ter tido o falecido Alencar, o empresário tinha a mente aberta e não criou grandes barreiras para Lula realizar sua quase brilhante gestão. Nem mesmo o filho de Alencar, Josué, demostra ser mente aberta como o pai. Steinbruch é um golpista e será um verdadeiro freio de mão na gestão Ciro.

As esquerdas devem ter cuidado com Ciro. Melhor seria unirmos todos para tirar Lula da cadeia na marra. As leis não estão sendo respeitadas, o que permite uma retirada agressiva de Lula por uma imensa multidão, de forma revolucionária, como uma defesa contra os abusos da direita. As grandes mudanças políticas na história mundial sempre aconteceram de forma agressiva e deve ser a todo o custo manter Lula como principal opção das esquerdas para o Planalto.

Se ficarmos com planos M, B e C, poderemos nos dar mal e perpetuar o golpe, levando multidões à miséria absoluta e o país a condição de colônia exploradora de matéria prima. Até porque boa parte dos esquerdistas pró-Ciro estão muito bem de vida, com seus empregos estabilizados e muitos amigos e contatos que podem ajudá-los, criando uma imunidade aos danos que as reformas de Temer ainda tarão com a estabilização do Golpe, provavelmente incluída nos planos de Ciro Gomes.

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