terça-feira, 15 de agosto de 2017

Somente imbecis acham que Nazismo é de esquerda


Com a notícia do terrível ato neonazista ocorrido nos EUA, brasileiros mal informados começaram a retomar a tese cretina de que o Nazismo e ideais semelhantes são "de esquerda". Uma prova de que gente odiosa não está disposta ao menor raciocínio e que desconhece fatos históricos preferindo construir a compreensão da realidade com base em convicções próprias, como se temperasse uma comida a seu gosto pessoal. 

Eu, pessoalmente conheço um direitista enrustido que acredita nesta tese. Mas não vou citar o nome dele, pois não me interessa prejudicar os outros. Ele que procure se informar melhor para não ser objeto de chacota alheia. Provavelmente, se ele ainda usa redes sociais e insiste nesta tese, já deve ter virado piada para muita gente um pouco mais sensata que ele.

 A tese de que o Nazismo é de esquerda é idiota porque ideais de esquerda são construídos com base no altruísmo. Como uma ideologia oposta ao altruísmo e altamente genocida pode ser considerada "de esquerda"? Esta ideia é resultante de uma grande confusão com regimes stalinistas e similares.

O Nazismo nunca pode ser de esquerda porque é excludente e tem base na ideia de que existem seres humanos que são melhores e merecem ter exclusividade em muitos benefícios. Algo que vai contra os ideais de esquerda que enxergam todos os seres humanos como iguais e merecedores dos mesmos direitos. Quando erram, devem responder também da mesma forma, sem distinção.

Ah, quase eu ia me esquecendo: Hitler odiava a esquerda. Considerava socialistas seus inimigos mortais e perseguiu e matou muitos ideólogos de esquerda pois reprovava ideologias que pretendessem proteger as classes que considerava inferiores. Enfim, como o Nazismo poderia ser de esquerda se odiava a esquerda? A burrice da direita brasileira parece ignorar limites.

Stalin e o estereótipo equivocado das esquerdas

Josef Stalin usou o estereótipo socialista e comunista para definir a sua gestão, mas no fundo, sua gestão tinha características de fascismo. Eu considero o stalinismo uma espécie de fascismo. Apesar de estereótipo de "esquerda" frequentemente associado a Stalin, eu não o considero um esquerdista. Até porque Stalin mandou matar Trotski, este sim um verdadeiro esquerdista, o que sugere oposição ideológica entre eles.

Stalin gerou um estereótipo negativo para as esquerdas graças aos estadunidenses, sobretudo a Joseph McCarthy (Josef, Joseph, coincidência?) que definiu os esquerdistas típicos com as características de Stalin, que agia de forma muito parecida com Adolf  Hitler.

Para piorar ainda mais o estereótipo, o nome Nazismo vem de "Nacional Socialismo" com os direitistas se esquecendo que a palavra "socialismo" no caso da ideologia de Hitler, tinha sentido bem diferente da do Socialismo de esquerda. Se lembrarmos bem, há partidos de direita que usam a palavra em seus nomes, incluindo o famoso PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), de explícita linha capitalista neoliberal.

Extremistas de direita brasileiros são nazistas enrustidos

Outra coisa que os direitistas que alegam ser o Nazismo uma ideologia "de esquerda" se esquecem é que eles tem muita afinidade com as ideias defendidas pelos nazistas. Mas como o Nazismo gerou um mau estigma e nossas leis condenam ideias deste tipo, podendo levar extremistas para a cadeia, os extremistas brasileiros logo trataram de jogar a "bomba" para longe de suas mãos e recusar o rótulo que casa com a ideologia que defendem.

Para os extremistas brasileiros foi conveniente jogar o rótulo de "nazista" para as esquerdas. Para os extremistas é uma boa forma de criminalizar as esquerdas e tirar do caminho uma ideologia oposta a deles. Mesmo que não faça nenhum sentido, classificar o Nazismo como "de esquerda" enfraquece as esquerdas além de dar a esperança aos extremistas de ver esquerdistas na cadeia por "afinidade" ideológica com a mais genocida das ideologias.

Mas para que um pingo é letra sabe muito bem que os extremistas brasileiros se afinam totalmente com o Nazismo e ideais afins. Recusam o rótulo com medo de punições, mas se olharmos bem o repertório ideológico dos extremistas brasileiros, vemos de forma bem nítida a presença de ideais herdados do Nazismo.

É necessário lembrar que infelizmente se existem extremistas de direita no Brasil é porque devemos ter o maior cuidado possível. São todos assassinos em potencial.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Partidos conservadores trocam de nome: nova embalagem para conteúdo apodrecido

Alguém já me disse que a melhor forma de conservar algo antigo é colocá-lo em uma embalagem nova. Pelo jeito os partidos conservadores trataram esta frase como conselho e trataram logo de comprar roupas novas para os mortos-vivos. Vários partidos conservadores já trataram de mudar seus nomes. Mas mantendo suas velhas ideias, várias nocivas à população em geral.
O curioso é que em quase todos, os novos nomes tem relação a valores nobres e positivos, como se a simples utilização de um nome que transmita melhora e responsabilidade fosse o suficiente para transmitir essa ideia e ganhar confiança dos eleitores.

Mas alto lá! Estes partidos são os mais retrógrados que existem no país e com a mais absoluta certeza no cumprirão o que dizem em seus novos nomes. Até fazem parte de sua ideologia e seus interesses permanecer retrógrados, para que continuem lucrando e ferrando com aqueles que eles julgam ser seus adversários.

A hipocrisia é a constante nestas mudanças de nome. São as mesmas carinhas feias que fizeram plastica sem melhorar a sua linha de pensamento. E você os conhece muito bem. A saber:

DEM (Democratas) - MUDE (Movimento de Unidade Democrática)
PEN (Partido Ecológico Nacional) - Patriotas
PTN (Partido Trabalhista Nacional) - Podemos
PT do B (Partido Trabalhista do Brasil) - Avante
PSL (Partido Social Liberal) - Livres

Isso sem falar do "Partido Novo" que segue a mesma linha ideológica do PSDB, embora seja de fato um partido inédito. Tirando este, os outros evitam colocar a palavra "partido" no nome para forjar uma "anti-política". Fazer política sem política é algo sem sentido. Mas no Brasil, absurdos e contradições sempre foram permitidos.

Enquanto isso, partidos de esquerda seguem fazendo justamente o oposto: oferecem conteúdo novo com embalagens velhas, o que espanta os eleitores que certamente serão ingenuamente seduzidos pelas belas embalagens de conteúdo velho dos partidos de direita. Se as esquerdas não mudarem também, vão continuar perdendo.

Pena que quando abrirem as novas e belas embalagens sentirão aquele fedor de mofo dos tempos das múmias e aí será tarde demais para descobrir que foi atingido pela maldição dos antigos faraós. Esses mesmos "faraós" que realizaram o golpe e pretendem voltar legitimamente ao poder. 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Esperança para os coxinhas: PSDB vai pedir perdão

O que eu sempre desconfiei está prestes a acontecer: na tentativa de se recuperar e voltar ao poder, já que é o partido alugado pelas grades corporações estrangeiras, o PSDB vai lançar uma campanha de recuperação de sua imagem com direito a um pedido de perdão pelo envolvimento em escândalos políticos.

Claro que é um perdão meio cara-de-pau pois todo mundo sabe que o PSDB é totalmente corrompido (não escapa um, segundo Jucá) e que o esquema do Aécio todo mundo já conhece, incluindo os "ingênuos" Armínio Fraga e Luciano Huck, que fingiram ser traídos pelo partido.

Mas como não há uma campanha de ódio contra o PSDB, vai ser fácil convencer a população mal informada (incluindo muitos diplomados, de nível superior e pós-superior, que estudam apenas para se dar bem no mercado de trabalho) de que os tucanos "são gente honesta que entrou no esquema por ingenuidade", prometendo se recuperar e retomar o suposto estadismo que alegam ter vocação.

Enquanto isso, o PT segue levando murro na cara e insistindo em se manter de pé sangrando e cambaleando, ao invés de dar um pequeno sumiço para voltar fortalecido e combater o direitismo que destrói o país. 

Lula crescendo nas pesquisas não significa nada fora das teorias, pois o crescimento se dá apenas entre as pessoas que foram pesquisadas, que não são todos os brasileiros. Não é impossível Lula perder de forma humilhante nas eleições de 2018 e entregar o poder a um ganancioso capitalista que arruinará ainda mais o país e eliminar de vez os direitos dos brasileiros.

Porque se o PSDB recuperar a sua imagem, vai voltar ao poder e continuar as "reformas" que irão transformar o Brasil numa imensa África, com direito a extrema miséria e ao apartheid que separará pobres e abastados que declararão entre si a enrustida guerra civil que já transforma cidadãos em belicosos inimigos uns dos outros.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Achille Mbembe: A era do humanismo está terminando

ESPREMENDO A LARANJA: O cientista político e historiador camaronense, professor de universidades na África do Sul, Achille Mbembe é um dos maiores e mais importantes intelectuais da atualidade e fez um preciso e claro diagnóstico da política atual, além de fazer um alerta de como a humanidade será tratada neste início de século, muito diferente do que pensavam os antigos futurólogos e suas previsões mai otimistas sobre a época atual.

Esta entrevista com o cientista fez parte de um artigo publicado no Mail & Guardian da África do Sul e traduzido em português por André Langer e publicado na revista iHU da Unisinos e no site da revista Fórum. Leia abaixo parte do excelente artigo e o link para o texto integral vem logo em seguida.

A era do Humanismo estão terminando

Achille Mbembe, tradução de André Lianger - Site Instituto Humanitas - Unisinos

Não há sinais de que 2017 seja muito diferente de 2016.

Sob a ocupação israelense por décadas, Gaza continuará a ser a maior prisão a céu aberto do mundo.

Nos Estados Unidos, o assassinato de negros pela polícia continuará ininterruptamente e mais centenas de milhares se juntarão aos que já estão alojados no complexo industrial-carcerário que foi instalado após a escravidão das plantações e as leis de Jim Crow.

A Europa continuará sua lenta descida ao autoritarismo liberal ou o que o teórico cultural Stuart Hall chamou de populismo autoritário. Apesar dos complexos acordos alcançados nos fóruns internacionais, a destruição ecológica da Terra continuará e a guerra contra o terror se converterá cada vez mais em uma guerra de extermínio entre as várias formas de niilismo.

As desigualdades continuarão a crescer em todo o mundo. Mas, longe de alimentar um ciclo renovado de lutas de classe, os conflitos sociais tomarão cada vez mais a forma de racismo, ultranacionalismo, sexismo, rivalidades étnicas e religiosas, xenofobia, homofobia e outras paixões mortais.

A difamação de virtudes como o cuidado, a compaixão e a generosidade vai de mãos dadas com a crença, especialmente entre os pobres, de que ganhar é a única coisa que importa e de que ganhar – por qualquer meio necessário – é, em última instância, a coisa certa.

Com o triunfo desta aproximação neodarwiniana para fazer história, o apartheid, sob diversas modulações, será restaurado como a nova velha norma. Sua restauração abrirá caminho para novos impulsos separatistas, para a construção de mais muros, para a militarização de mais fronteiras, para formas mortais de policiamento, para guerras mais assimétricas, para alianças quebradas e para inumeráveis divisões internas, inclusive em democracias estabelecidas.

Nenhuma das alternativas acima é acidental. Em qualquer caso, é um sintoma de mudanças estruturais, mudanças que se farão cada vez mais evidentes à medida que o novo século se desenrolar. O mundo como o conhecemos desde o final da Segunda Guerra Mundial, com os longos anos da descolonização, a Guerra Fria e a derrota do comunismo, esse mundo acabou.

Outro longo e mortal jogo começou. O principal choque da primeira metade do século XXI não será entre religiões ou civilizações. Será entre a democracia liberal e o capitalismo neoliberal, entre o governo das finanças e o governo do povo, entre o humanismo e o niilismo.

O capitalismo e a democracia liberal triunfaram sobre o fascismo em 1945 e sobre o comunismo no começo dos anos 1990 com a queda da União Soviética. Com a dissolução da União Soviética e o advento da globalização, seus destinos foram desenredados. A crescente bifurcação entre a democracia e o capital é a nova ameaça para a civilização.

Apoiado pelo poder tecnológico e militar, o capital financeiro conseguiu sua hegemonia sobre o mundo mediante a anexação do núcleo dos desejos humanos e, no processo, transformando-se ele mesmo na primeira teologia secular global. Combinando os atributos de uma tecnologia e uma religião, ela se baseava em dogmas inquestionáveis que as formas modernas de capitalismo compartilharam relutantemente com a democracia desde o período do pós-guerra – a liberdade individual, a competição no mercado e a regra da mercadoria e da propriedade, o culto à ciência, à tecnologia e à razão.

(Leia o texto completo neste link)

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Leonardo Stoppa explica as razões do golpe de maneira bem simples

O economista Leonardo Stoppa é um dos melhores analistas políticos da atualidade. Muito bem informado, ele explica muito bem os bastidores da política em uma linguagem facilmente entendida por leigos e por pessoas que não estão por dentro destes bastidores.

Stoppa postou há pouco tempo um vídeo onde explica como foi possível o golpe de forma bem simples. Nele, você vai perceber porque a Dilma foi expulsa do poder e porque Temer não. É um vídeo curto, mas direto, onde em poucas palavras se sabe porque os deputados agiram de forma bem diversa nos dois casos.

Claro que o desejo dos EUA em impedir o desenvolvimento do Brasil e pegar para si as nossas riquezas é o motivo central do golpe. Mas aqui entendemos como se deu o processo através do congresso, que na realidade nunca representa o povo que votou mas sim os empresários e classes dominantes que patrocinaram as campanhas de seus ocupantes.

Veja o vídeo abaixo e entendam porque Dilma caiu e Temer ficou de pé.

sábado, 5 de agosto de 2017

Cadê a indignação dos brasileiros?

O Brasil mergulhou definitivamente no mais profundo caos. Não apenas a corrupção e a crise cresceram como vão crescer ainda mais, já que a população em geral não terá mais direitos nem salário e terá que apelar para o jeitinho brasileiro (pequena corrupção) para sobreviver.

Mas ultimamente não vemos grandes manifestações da população, a não ser quando a mídia ou organizações como a CUT chamam para as ruas. O povo brasileiro é conformista e obediente e necessita de uma liderança para que se diga o que fazer.

No próprio cotidiano vemos pessoas à procura de algum tipo de ordem, seja de um amigo, de pais, da mídia ou até de religiões. Brasileiros adoram ser mandados e vivem a procura de algum líder ou herói. Isso comprova que o brasileiro não sabe decidir por conta própria, algo coerente para o povo em sua infância coletiva de pouco mais de 500 anos de nação.

Essa inércia do brasileiro pelo menos revelou duas coisas: 1) Os protestos de direita de dias como o de 13/03/2016 foram uma farsa paga por entidades ligadas ao capital internacional; 2) Se a esquerda não coloca show musicais e personalidades famosas no palanque, ninguém vai aos manifestos.

Isso significa que seja de direita, seja de esquerda, o brasileiro não está o mínimo com vontade de protestar. Desde que se garanta e preserve futebol, carnaval, cerveja e as religiões, a vida do brasileiro pode até piorar bastante que ele terá as suas "fugas" para poder fingir que tudo está bem.

No vídeo abaixo eu falo mais coisas a respeito. Ouçam, compartilhem e divulguem.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

O patriotismo hipócrita dos direitistas

Dois fatos me inspiraram a escrever este texto, embora existam muitos motivos para eu tocar neste assunto. Um é a declaração de um fascista contra um imigrante sírio pedindo: "saia de meu país, o Brasil é meu". Outra é a escolha da data 7 de setembro para a estreia do filme que defende o ponto de vista da direita sobre o processo conhecido como Lava Jato.

Quanto ao fascista que atacou o imigrante sírio (este evidentemente um homem de bem que só queria trabalhar e viver pacificamente), eu estranho  seu "patriotismo". Porque o tal fascista fica incomodado com um simples vendedor sírio mas fica tranquilo diante das grandes corporações ianques e europeias que dão sinais claros de prejudicar a sociedade brasileira? 

Quanto ao filme da Lava Jato: porque a escolha do Dia da Pátria (revogado na prática pelo golpe) se o episódio mostra claramente a condenação subjetiva, sem provas de um político de esquerda, responsável pela melhor fase política que o país já teve. A escolha da data para o filme pretende tratar, diante dos olhos dos menos esclarecidos, como um "evento cívico" algo que pretende destruir a reputação de um presidente que conseguiu melhorar a vida dos mais carentes e tornar o Brasil competitivo no exterior, melhorando nossa imagem diante dos estrangeiros.

Estranho prejudicar alguém que beneficia tanta gente enquanto protege e até exalta verdadeiros sanguessugas como Temer e o próprio juiz Moro (personagem protagonista do filme), já responsáveis, apenas os dois, por uma avaladadora destruição do país para ser vendido a preço de banana para estrangeiros. Patriotismo sem a defesa da soberania? Você entregaria os bens da sua casa a estranhos? Eu não!

Noção distorcida e falsa de patriotismo

A noção de patriotismo da direita é completamente distorcida. Talvez para a direita, o que interessa é proteger a bandeira, o hino e a "seleção" brasileira de futebol. Sim, acredite. Futebol. Ou por qual motivo os direitistas colocam a camiseta da CBF quando querem demonstrar seu suposto amor pelo país? Fora estes três "símbolos cívicos" nada que haja neste país merece a defesa da direita. Se puder vender, que seja vendido a gringos, seja empresas, terrenos e até mulheres (né, Tucano Huck?).

A direita não pensa no Brasil como um país, mas como um gigantesco terreno onde eles podem fazer o que quiser e chamar os amiguinhos (os gringos). Como aquele cara que chama os amigos para uma festa, a direita entende ser dona de nossos bens e riquezas e por isso se acham no direito de entregar para quem quiser, caso não queiram mais possuí-los. 

Mas claro que eles vão fazer para os amigos, sejam ianques, europeus ou japoneses. Árabes, estigmatizados como "terroristas" não são amigos e por isso não perecem receber nosso bens, nem mesmo um mísero emprego. Por isso que o tal fascista fez com o sírio o que ele nunca faria com alguém vindo dos EUA. Mesmo que o estadunidense demonstre ser um terrorista de fato.

Apoiadores do golpe fogem da destruição do país pelos golpistas

Outra coisa a lembrar sobre o patriotismo da direita é que muitos ricos e parte da classe média alta brasileira já bate as suas asas para longe do Brasil. Várias celebridades estão se mudando para o exterior e curiosamente são as mesmas que apoiaram o golpe de 2016. Como deve ser bom sacanear com a vida dos outros para depois cair fora feito um covarde, protegido pelo distanciamento das atrocidades que acontecerão por aqui.

Na verdade, o falso patriotismo da direita tem mais a ver com a defesa de instituições (O Brasil como instituição e não como um lugar onde vivem seres humanos) e para "ficar bem na foto" patriotismo é um dos valores sociais e fingir estar a favor do Brasil transmite uma boa imagem. Quem se assume patriota é tratado como altruísta e responsável. E isso atrai o afeto e confiança de outras pessoas, além de inúmeros benefícios materiais.

Mas a destruição de tudo que temos de bom em nosso país mostra que este patriotismo alegado pela direita é pura fachada. Direitistas não se importam em ver o país sucateado desde que seja pelas pessoas "corretas", as grandes corporações que desejam devolver o Brasil à condição de colônia de exploração. 

Enquanto isso, os direitistas, sob o sol de Miami, riem da cara dos seus admiradores, que pensaram que estes fugitivos eram altruístas e patriotas. Não se fazem mais homens de bem como antigamente.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Direitistas se consideram "democráticos"

Direitistas vivem fora da realidade. trancados em sua farta vida de sucesso econômico e privilégios de diversos tipos. Egoístas e gananciosos por natureza, costumam medir a realidade de acordo com suas vidas pessoais e todos aqueles que não correspondem a farta vida que vivem são facilmente ignorados e descartados. Somente aquilo que já faz parte de suas vidas lhe interessa.

Vários direitistas vem declarado que "democracia" era quando os direitistas estavam no poder, governando apenas para as elites. Há inclusive os que recusam a classificar como ditadura os governos militares de 1964 a 1985. Pior: há quem diga que o holocausto alemão nunca aconteceu. Se há no poder alguém trabalhando em prol das elites, está tudo bem.

A desordem causada às classes oprimidas é surrealisticamente tratada como um tipo de ordem. Para garantir a ordem dos fortes é preciso arruinar com a ordem dos fracos. Como se ordem, progresso e democracia fossem prerrogativas dos mais fortes (ricos e poderosos). Como se quisessem privatizar a democracia e os direitos humanos, transformadas em propriedades privadas exclusivas dos mais ricos. Agora só falta privatizar o ar, pois a água já foi.

Num mundo onde direitos passam a ser exclusivos dos ricos, obrigando os mais fracos a quase morre para tentar - sem sucesso - obtê-los, tudo parece democrático para quem vive trancafiado em condomínios de luxo e trabalha em escritórios refrigerados em uma confortável poltrona.

Brasileiros só sabem o que é dor quando sentem na pela a tal dor. Não pensam a longo prazo e só aprendem no momento em que os danos aparecem. Brasileiros não são altruístas e o pouco de caridade que praticam não vai  muito além da sopinha aguada e agasalhos rasgados.

Pessoas naturalmente egoístas mas que se definem como boas, direitas e corretas só porque cumprem um conjunto de regras e rituais, já comemoram o golpe não como tal, mas como uma forma "diferente" de instaurar aquilo que entendem como "democracia" onde privilegiados e excluídos tentam viver de forma pacífica (ou passiva?) aceitando suas injustas condições.

Por isso que muitos direitistas vivem acusando os progressistas de "mimimi" quando alertam que não vivemos em uma democracia. Mesmo que haja algum nível de liberdade - senão eu não estaria aqui escrevendo - é evidente que não vivemos em uma democracia de fato, pois as decisões estão sendo feitas por poderosos empresários, invisíveis para a grande população, que beneficiam apenas a eles e aqueles (não todos) que os apoiam.

Os direitistas que ainda acreditam que estamos em uma democracia, vivem fora da realidade, trancafiados em um mundo fantasioso de sucesso econômico e fartura de bens e direitos. Melhor não dermos ouvidos aos direitistas. Essa gente com certeza tem algum problema mental que os incapacita de compreender a realidade como ela é, e não como parece ser.

domingo, 23 de julho de 2017

Lula criticou o PSOL. E ele está certo!

Lula deu há poucos dias uma histórica entrevista para o jornalista esportivo de mentalidade progressista José Trajano em seu canal Ultrajano. A entrevista foi transmitida ao vivo pelo YouTube e teve bastante repercussão. 

Mas um trecho da entrevista rendeu uma polêmica entre vários esquerdistas militantes ou simpáticos ao PSOL, partido formado majoritariamente por professores universitários e que tem fama de festivo e de priorizar causas secundárias em detrimento a causas essenciais.

Lula criticou algumas posturas comuns de vários integrantes do PSOL,numa crítica honesta e construtiva, mas que foi entendida como forma de ingratidão pelo partido ter reprovado publicamente a sua condenação, por motivos subjetivos, decretado por Sérgio Moro, juiz que age como advogado de acusação. Para o PSOL, defender Lula foi um favor que deveria ser retribuído com "respeito". Mas não houve desrespeito por parte de Lula. Leiam:

“(…) a única coisa que e desejo é que eles ganhem alguma coisa, eu quero que eles governem a cidade do Rio de Janeiro. Quando eles governarem a cidade do Rio do Janeiro, metade da frescura deles vai acabar. Eles vão perceber que não dá pra gente nadar teoricamente. Você não pode ficar na beira da praia falando ‘você dê uma braçada pra cá, uma braçada pra lá, levanta a cabeça…’. Entra na água e vai nadar, pô! Então eu quero que eles governem uma cidade. Depois que eles governarem uma cidade eles vão compreender que nem o Sarney, quando foi em 2006 [1986], que elegeu 323 deputados constituintes e 23 governadores, conseguiu governar”. E conclui afirmando que: “O problema é o seguinte: eles ‘se acham’. Sabe aquele cara que levanta de manhã, vai no espelho e fala, ‘espelho, espelho meu: tem alguém mais fodido que eu? Tem alguém mais sério do que eu? Tem alguém mais honesto que eu, mais bonito que eu, mais sabido que eu?”

Lula, por ser um esquerdista veterano e de conhecer os bastidores da política de forma bem objetiva e atenta, sabia o que estava dizendo. Integrantes do PSOL, sem entender  caráter construtivo da crítica, se sentiram ofendidos e exigiram um pedido de desculpas de Lula, como se o ex-presidente tivesse falado uma mentira. Não falou.

Acrescento que, apesar de admirar alguns de seus integrantes de forma isolada (Jean Wyllys é um dos caras mais inteligentes e sensatos de quem eu ouvi falar), não tenho muita confiança no PSOL. Ele é realmente festivo, prioriza causas que poderiam ser discutidas a longo prazo, faz apologia a decadência cultural (sobretudo ao horrendo "funk" carioca) e dá sinais de que pode virar direita com o tempo (como o PPS e o PV) o que faz os direitistas nutrirem um discreto respeito pelo PSOL.

O PSOL do Rio errou feio em recusar acordo com o PT e se aliar a Rede Globo. Acabou atraindo o eleitorado tucano e deixou aparecer a sua essência pequeno-burguesa (o que justifica a priorização de temas supérfluos em seu repertório ideológico), afastando o proletariado carioca. Sem querer acabou se aliando com a direita e se deu mal, perdendo para Crivella, que soube melhor conversar com os mais pobres, estranhamente atraindo para si o eleitorado do PT.

Claro que estamos em uma fase da história política que exige união das esquerdas. Mas mesmo assim, é bom a gente ficar atento, pois quem dá as mãos agora pode nos chutar depois. Observemos o comportamento dos PSOlistas e tire cada um a sua conclusão. Mas um pouco de auto-crítica por parte dos integrantes do criticado partido não faria mal.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Reforma Trabalhista: Enfim um problema real para o povo se preocupar

Uma atrocidade sem tamanho foi aprovada e sancionada no país: a chamada "Reforma Trabalhista". A medida, que visa cortar os direitos dos trabalhadores para não prejudicar o aumento do patrimônio e a elevação de qualidade de vida dos grandes empresários, deve ser posta em prática em pouco tempo, daqui a 120 dias e vai, com a mais certa das certezas, arruinar a economia como um todo.

É sabido que o golpe teve a intenção de favorecer lucros excessivos dos maiores empresários do país, que se achavam prejudicados com a distribuição justa de renda proposta pelas gestões petistas. Eles precisavam agir para manter seu nababesco padrão de vida, que os faz "melhores" que o resto da humanidade.

Ignorando qualquer tipo de ética, bom senso e respeito humano e desobedecendo qualquer tipo de lei, os empresários de grande porte, através dos políticos e juízes que os representam, fizeram o Brasil chegar aonde chegou: em uma ditadura capitalista que promete transformar o Brasil em uma "África".

Claro que para evitar o pânico entre a população, aproveitando-se da ignorância de boa parte do povo brasileiro, muito discurso está sendo feito para parecer que as reformas s]ao vantajosas para o trabalhador, sempre se baseando na utopia de que a nossa elite empresarial é generosa. Até um nome pomposo foi dado à reforma: "Modernização das relações de trabalho", apesar da prática nos devolver a uma situação similar aos primórdios da Revolução Industrial.

Especialistas em Direito, Economia e Administração estão perplexos. Confirmam o fato de que a reforma poderá gerar um gigantesco estrago na economia brasileira. O Brasil reduzirá drasticamente seu nível de desenvolvimento, retomando a sua vocação de colonia de exploração. Já se fala muito em revogação não somente da Lei Áurea, mas também da Independência do Brasil. 

O país se reduz desde já a fonte de commodities para consumo de países desenvolvidos, que encontram desde já as condições perfeitas para exploração: com mão de obra barata e vastos bens naturais que agora passam a pertencer as nações exploradoras.

E a malfadada corrupção? Não era o nosso maior mal?

O povo, ingenuamente, sempre direcionou toda a sua preocupação para a abstrata corrupção, cujo verdadeiro significado e os danos para a economia são desconhecidos de quase todos. Para muitos, corrupção é o ato de pegar o dinheiro pago do imposto e colocar nas contas particulares dos políticos. Embora esta seja uma das modalidades de corrupção, não é a unica. 

Corrupção é uma troca ilícita de favores praticada por mais de uma pessoa. Há modalidades de corrupção que não interferem de forma danosa na realidade cotidiana do povo. E a corrupção pode ser praticada por qualquer um, mesmo pelo mais pacato cidadão. Bom lembrar que corrupção é rotina os meios empresariais, embora muitos insistam em negar isso.

Já a reforma trabalhista, aceita silenciosamente pela população que considera a corrupção o nosso maior mal, gerará danos estratosféricos. Finalmente o brasileiro terá um problema real para poder se revoltar, já que só sabia reclamar de más atuações no futebol e de corrupção. 

Aliás, vai favorecer o surgimento de novas modalidades de corrupção, já que aos poucos a troca de trabalho por salário irá desaparecer, favorecendo a volta da escravidão (razão de ter posto a gravura da Escrava Anastácia para ilustrar esta postagem).

Algo tem que ser feito para esta reforma ser revogada. Mesmo que a CLT necessite de uma reforma, ela não pode ser substituída por algo típico dos primórdios da indústria mundial. Trocamos a CLT por algo que existia muito antes dela, eliminando todas as conquistas que vieram depois. 

É triste ver que os idealizadores desta reforma comete a sádica mentira de chamá-la de "modernização" quando se sabe que ela não é aplicada em nações mais humanitárias. Quem conhece o desenvolvimento da história da Administração sabe muito bem que a evolução sempre pendeu para o favorecimento dos trabalhadores. Exatamente o oposto do que pretende a "Reforma Trabalhista", já carinhosamente chamada de Revogação da Lei Áurea, um nome realista, que faz mais sentido para qo que ala pretende fazer.

Para quem duvidava que as nossas elites sempre foram escravocratas, a aprovação das "reformas" serve como boa prova disto. O Brasil é país do futuro... do pretérito. Seja bem vindo de volta ao Brasil colonial.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Condenação de Lula e aprovação da Reforma Trabalhista mostra para que foi feito o golpe de 2016

Há uma guerra sutil entre classes em nosso país. Os meios de comunicação fazem conta de que tudo está bem e age em prol da população, mas longe dos holofotes um silencioso holocausto se prepara para acontecer. A condenação, sem provas, de Lula por suposta corrupção passiva, um dia após a reforma que acaba com os direitos dos trabalhadores desmascaram as razões do golpe, que nunca teve como propósito combater a corrupção, mas combater a classe operária.

Com as duas decisões, além dos trabalhadores perderem a sua maior liderança, o melhor presidente que o Brasil já teve, perde também direitos, sendo obrigado a trabalhar mais ganhando menos, sem poder reclamar, já que os sindicatos serão enfraquecidos e a justiça do trabalho ficará inerte até ser extinta com o passar do tempo.  A escravidão deixa de ser criminalizada, desde que não seja devidamente justificada.

É uma situação muito pior que o regime militar, que em pese torturas e censuras, não mexeu em direitos trabalhistas. Os maiores empresários do país, além de outros tipos de ricaços, todos apoiadores das medidas, passam a ser os únicos beneficiários de direitos no país.

O Brasil finalmente se prepara a entrar em uma situação muito parecida aos mais pobres países da África, somada a características que lembram bem, com devidas alterações, com o holocausto nazista liderado por Hitler. 

Mas como os mais ricos pretendem sair com a imagem de bonzinhos, tudo está sendo feito de foma mais sutil possível, acrescentado por mentiras que podem ser facilmente aceitas por leigos, por analfabetos e pessoas com senso crítico e capacidade de análise limitados. Pessoas que ainda acreditam na grande mídia demonstram aceitar facilmente as atrocidades cometidas por golpistas.

As duas medidas são reversíveis. Lula poderá recorrer e ainda há chance de ser liberado na segunda instância. De acordo com as regras da Economia, a reforma trabalhista levará empresas de micro, pequeno e médio porte a falência em massa devido a falta de consumidores, que como funcionários, deixarão de receber salário, substituído por algo similar a uma mesada ou ajuda de custo, quando houver.

Lei Áurea e Independência do Brasil oficialmente revogados

Mas até o Brasil voltar a ser uma nação soberana, as medidas como a reforma trabalhista e outras que já foram aprovadas pelos golpistas matarão multidões que não terão mais condições dignas de sobrevivência e de saúde mínima. 

O fim dos direitos trabalhistas e a condenação de sua maior liderança, o ex-presidente Lula, revelam as verdadeiras causas do golpe: favorecer a ganância empresarial para que ricos possam manter seu padrão durante acrise do Capitalismo e facilitar a entrada de especuladores financeiros que agirão feito os antigos exploradores, devolvendo o Brasil à condição de Colônia de Exploração.

Revogadas finalmente a Lei Áurea e o Grito da Independência. A democracia durou muito pouco, assassinada por um bando de saqueadores. Resta saber quando esses saqueadores responderão pelo que fizeram.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Pesquisa sobre crescimento de ideais de "esquerda" pode ter sido uma farsa

Foi divulgado o resultado de uma pesquisa organizada pelo Datafolha, instituto de pesquisas ligado a Folha de São Paulo, que sugere crescimento dos ideais de esquerda entre os brasileiros, se aproveitando do alto índice de reprovação em relação ao governo Temer. De início personalidades de esquerda comemoraram, mas após ver os detalhes da pesquisa e comparar com a realidade, logo perceberam que não passou de uma farsa.

A suposta pesquisa tomou base em 16 perguntas ao mesmo tempo superficiais e subjetivas. Os resultados form influenciados por estereótipos. Por exemplo, se alguém disser que pobreza é resultado da falta de oportunidades, era considerado de "esquerda". se outro dissesse que a pobreza é resultado da preguiça, de direita. 

Também ignorou que a pobreza é resultado dos desequilíbrios típicos do Capitalismo, caracterizados, cá entre nós, pela ganância do grande empresariado. Muitos não gostam de falar em ganância por achar um conceito subjetivo e meio "piegas". Mas é fato de que a ganância empresarial destrói qualquer sistema econômico e é a verdadeira raiz das desigualdades sociais e das crises.

Há suspeitas de que a pesquisa surgiu para esconder crescimento real dos ideais fascistas. Sinceramente, na prática, eu não vejo um crescimento dos ideais esquerdistas. A submissão do povo brasileiro à instituições e lideranças e a influência das religiões, somadas a aversão tradicional do brasileiro a racionalidade, tem reforçado bastante uma onda de neoconservadorismo entre a população. Mesmo com os avanços tecnológicos, brasileiros tem sonhado em preservar ideais antigos com medo de perder privilégios e vantagens.

Mesmo a adesão de direitistas ao "Fora Temer" se dá mais por interesse particular de impedir fim de direitos do que por defesa de uma soberania nacional e bem estar de toda a população. Se polos opostos querem a mesma coisa, é por motivos bem diferentes. Enfim, ser contra Temer não significa ser "de esquerda". Até porque Temer tem se demonstrado um pouco frouxo para as crueldades que os direitistas - representantes das "elites" brasileiras - desejam para a população maia carente.

Para ser bem sincero, eu não acredito muito em pesquisas. Não as vejo sendo feitas a todo momento e a amostragem é muito pequena em relação as dimensões de nosso país. Entrevistar umas 1000 pessoas é insuficiente para demonstrar o que pensa mais de 200 milhões. Não raramente a maioria de uma pesquisa representa a minoria de uma nação. Ou seja, se os pesquisados tendem a favorecer a esquerda, se a pesquisa for estendida a um número maior de pessoas, o resultado pode virar e favorecer a direita.

O Brasil está um caos. Sem lideranças responsáveis, um judiciário corrompido, uma elite cada vez mais gananciosa e uma população dividida entre uma esquerda preocupada com "funks", drag queens e siliconadas empinando os traseiros e liberação de narcóticos e uma direita sádica a querer a morte de todos os pobres. Estou perdido.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Isso aqui virou o pior lugar do mundo para se viver

ESPREMENDO A LARANJA: Este maravilhosos texto, escrito por Flávio Gomes, serve de síntese sobre o que foi o golpe e como é o Brasil antes e depois dele. Infelizmente, vivemos numa luta de classes, com um desejo enrustido de criar uma espécie de apartheid, onde os benefícios seriam exclusivos de classes mais abastadas e a classe média que as apoia. 

Concordo totalmente com o texto e peço licença para publicá-lo na íntegra pois quem não possui Facebook merece ter acesso a um diagnóstico ao mesmo tempo brilhante e preocupante. É Flávio, realmente, o Brasil virou o pior lugar para viver. Mas para os coxinhas, isso não importa. Se o Brasil ir para o fundo do poço, o coxinha tem dinheiro o suficiente para fugir para os EUA ou Europa e mandar uma banana (não a fruta, mas o gesto) para os coitados que ficarem.

Traduzindo a frase italiana de abertura: Abandone toda a esperança vós que entrais aqui.

Isso aqui virou o pior lugar do mundo para se viver

Flávio Gomes - Publicado no Facebook - extraído do Diário do Centro do Mundo

Lasciate ogni speranza voi ch’entrate.*

O Brasil acabou de vez com a decisão do STF de reconduzir o criminoso Aécio Neves ao Senado. Assim como a de soltar o criminoso Não Sei o Quê Loures. Assim como a de não abrir imediatamente um processo contra o criminoso Michel Temer no momento em que apareceram as gravações dele negociando crimes com o pilantra Joesley, outro criminoso vagabundo, milionário vagabundo, exemplo mais bem acabado da elite econômica e industrial brasileira, composta por vagabundos — para encontrá-los, todos, é só ir à Fiesp e ficar olhando quem entra no prédio pela garagem.

Dilma Rousseff foi expulsa da presidência por alocar verbas federais para programas sociais, tirando dinheiro do próprio governo daqui e colocando ali para entregar a quem mais precisava. Uma manobra fiscal, cujo único beneficiário era aquele coitado que recebe Bolsa Família. A isso se deu o nome de “pedalada”. E foi o bastante para derrubá-la.

Movida pelo ódio aos pobres, a classe média brasileira atendeu de imediato ao chamado da mídia — Veja, Folha, Estadão, Globo, O Globo e seus satélites, incluindo as patéticas emissoras de rádio — e se vestiu de amarelo para ir às ruas louvar um pato inflável.

A isso chamou-se de movimento popular. “O povo resolveu tirar o PT do poder”. Não foi o povo. Foi a classe média turbinada pelos desejos e ordens daqueles que, no fim das contas, são seus porta-vozes e grandes prejudicados por governos que distribuem renda — sempre tiveram, e sempre quererão ter a maior fatia do bolo, se possível o bolo inteiro.

A classe média brasileira, composta pela pior espécie de gente que se possa imaginar, bateu panelas a cada pronunciamento de Dilma. Mandou-a tomar no cu aos gritos num estádio, vociferou palavras de ódio e misoginia. Pôde, sob o olhar deliciado de gente como ela — os donos da mídia –, finalmente expressar sem pudor seu ódio de classes que faz escorrer baba pela boca.

Fora PT!, gritavam. Luladrão!, Dilmanta!, corruPTos!, berravam, urravam, relinchavam, e depois tiravam selfies ao lado de soldados do pelotão de choque da PM. E pediam a volta dos militares. E seus semelhantes, como Lobão, Danilo Gentili, Otávio Mesquita, Roger, Regina Duarte, alguns atores, muitos colunistas e radialistas, jornalistas globais, subiam em carros de som para repetir o mantra: Fora PT. Apareceram movimentos como Revoltados On Line e MBL e coisas do tipo. Deu-se voz a esses animais de sela relinchantes.

E o Brasil mostrou sua cara verdadeira. Um país de merda dirigido por uma elite de merda que, no fundo, é idêntica aos deputados que tiraram Dilma da presidência, é idêntica ao Aécio e sua mala de dinheiro, é idêntica aos ministros do STF que negam habeas corpus a uma mulher que furtou um ovo de Páscoa para dar ao seu filho, mas fazem elogios rasgados ao senador flagrado em gravação pedindo propina, indicando o primo para pegar uma mala de dinheiro, um filho da puta sem tamanho que, no fim das contas, fica livre porque é julgado por filhos da puta iguais a ele.

E você, que cada vez que o Lula aparecia na TV, ou a Dilma, ou um petista qualquer, batia panela na varanda gourmet do seu apartamento, ou buzinava na rua, é um filho da puta igual, porque você é um igual. Não se iluda: você que bateu panela é igual, idêntico ao Aécio, você colocaria 500 paus numa mala e entraria correndo num táxi, você ligaria para um juiz para armar alguma putaria se pudesse, você mandaria matar seu primo otário se ele fosse pego, você armaria uma conversa no porão da sua casa para tramar alguma roubalheira, você já deve ter feito coisa parecida, portanto não se revolte, não fique indignado, você pensa igual, age igual, é um bosta igual.

Hoje o copo d’água transbordou. Não se sabe mais o que é preciso fazer para ser preso no Brasil. Ou para perder a vergonha e renunciar a um cargo público quando se é flagrado cometendo crimes hediondos como desviar dinheiro que poderia estar melhorando a vida de miseráveis num país miserável. Essa elite brasileira que chutou o PT do governo não tem vergonha de ser o que é. Você, paneleiro, não tem vergonha de ser esse merda que é. Você gosta de ser assim, admira quem é assim, se orgulha de ser assim.

Se você não é preto, nem pobre, nem petista, fique tranquilo. Não será processado por nada, não será preso, sempre haverá alguém para bater panela por você. São tantos os absurdos, as decisões amorais, abjetas, obscenas, que partem do Judiciário e salvam gente do Legislativo, que é quase impossível listá-los.

São esses criminosos que legislam, e que estão arrebentando com os direitos dos trabalhadores e estuprando os mais frágeis na questão da Previdência. Esses filhos da puta nem cogitam mexer nas suas aposentadorias, nos “direitos adquiridos” de magistrados e militares, querem que se foda todo mundo.

Claro que tem gente que aplaude. O projeto era tirar o PT, seguir ganhando dinheiro fácil com especulação, voltar à posição de superioridade sobre pobres diabos que trabalham de sol a sol e são escravizados por empresários milionários, sonegadores, vagabundos.

O Brasil é imoral demais, e aqueles que ainda têm algum resto de vontade de lutar por algo melhor estão cansados. O povo povo, aquele que mais sofre, que está sendo atirado de volta ao lugar onde sempre esteve, à miséria, ao descaso, ao desalento, não tem forças para brigar e já nem compreende mais o que está acontecendo.

Isso aqui virou o pior lugar do mundo para se viver.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A quem interessa a redução de direitos proposta pela reforma trabalhista?

ESPREMENDO A LARANJA: este excelente texto do juiz do trabalho e professor de Direito do Trabalho Jorge Luiz Souto Maior, publicado no ainda mais excelente site jurídico Justificando mostra de forma clara as consequências da reforma trabalhista que na prática, revoga a Lei Áurea, colocando trabalhadores em condições sub-humanas para que lucros aumentem com a redução de custos, enriquecendo ainda mais a já bem rica classe patronal. Um retrocesso a dar um gigantesco passo de mais de 100 anos para trás, jogando no lixo importantes conquistas nacionais.

A quem interessa a redução de direitos proposta pela reforma trabalhista?

Jorge Luiz Souto Maior - Site Justificando - São Paulo, 27 de junho de 2017

E as máscaras da “reforma” trabalhista não param de cair.

Primeiro, foi o relator da “reforma” trabalhista na Câmara, deputado Rogério Marinho que, no dia 17 de maio, em audiência pública no Senado Federal, confessou que a “reforma” é fruto de uma “ruptura do processo democrático“.
Depois, foi o próprio chefe do Executivo em exercício, em mais uma das tantas reuniões que fez com representantes do capital, no dia 24/05, que deixou claro que a “reforma” trabalhista seria uma forma de contornar a crise política.

Na sequência, em 30/05, em novo discurso feito para empresários, desta feita no Fórum de Investimentos Brasil 2017, apontando que não há plano “B” para o Brasil no que tange ao cenário político, o primeiro Presidente do Brasil denunciado por corrupção, reiterou que o governo continuaria comprometido com as reformas trabalhista e previdenciária.

No mesmo evento, acompanhando o chefe do Executivo, compareceram o Presidente do Senado Federal Eunício de Oliveira e o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e deixou bastante claro que a Câmara dos Deputados está comprometida com a agenda do mercado financeiro.

E qual é a agenda do poder econômico?

É a de se valer da instabilidade política para impor uma “reforma” trabalhista que, fragilizando os sindicatos e permitindo a redução de direitos, impulsione os seus negócios particulares, sem qualquer perspectiva de projeto de país.

Um dos pilares da reforma é o negociado sobre o legislado e, como o próprio nome diz, o que se propõe é um rebaixamento da proteção jurídica legal, ou seja, redução de direitos, sendo que a preconizada compensação com outros direitos não garante nada, ainda mais quando a reforma não traça parâmetros para essa comparação e quando, nos termos da própria proposta da “reforma”, a inexistência de compensação não gera a nulidade da negociação.
O negociado sem o parâmetro legal, com pulverização sindical e sem garantia de emprego, favorece o “dumping social”, isto é, a possibilidade do grande capital – que pode sair de uma localidade para outra – colocar os sindicatos em competição pelo menor custo como fator de preservação de empregos (ou, mais propriamente, de subemprego), por meio da ameaça de se retirar da cidade caso o sindicato não aceite a condição que outros já aceitaram em localidades diversas.

Esse negócio, ou seja, essa fórmula para aumentar lucros por meio da redução de custos, que se reforça com a “reforma” trabalhista, é, ademais, a postura natural das grandes empresas, conforme confessado, expressamente, pelo Diretor Titular do Centro das Indústria do Estado de São Paulo – CIESP, em São José dos Campos, Almir Fernandes. 

O conjunto dessas falas revela ao quê e a quem a “reforma” interessa.

O problema para os “negócios” é que essa “reforma” não respeita preceitos jurídicos mínimos fixados no processo legislativo específico da legislação do trabalho, estabelecido internacionalmente desde a criação da OIT, que é o diálogo social (tripartite), e que fere os princípios constitucionais da prevalência dos Direitos Humanos, da progressividade (melhoria da condição social dos trabalhadores) e da função social da livre iniciativa, da propriedade e da economia, com vistas à construção da justiça social, não é capaz de gerar segurança jurídica alguma às empresas que pretendam melhorar seu desempenho por meio da precarização do trabalho.

Diante da ilegitimidade e das inconstitucionalidades do PLC 38/17, que também afrontam a democracia, a Justiça do Trabalho certamente vai resistir, pois possui o dever funcional de preservar os valores jurídicos que a “reforma” ataca.

E o problema para a sociedade em geral é o risco de que, querendo-se levar adiante a tal “reforma” a qualquer custo, sejam perdidos todos os limites institucionais e se aprofunde o Estado de exceção, assumindo-se o regime autoritário, ao ponto de, inclusive se eliminarem as garantias da magistratura ou até mesmo de se extinguir a Justiça do Trabalho, uma instituição que demonstra sua seriedade e utilidade precisamente em razão dos ataques que vem sofrendo daqueles que conspiram contra a democracia e contra os interesses sociais, culturais e econômicos do país. 

E o que dirá a respeito a Comissão de Constituição e Justiça do Senado?

domingo, 18 de junho de 2017

Porque é um erro para micros, pequenos e médios empresários serem de Direita

Existem dois tipos de empresários: o grupo que reúne os micros, pequenos e médios e  o grupo que reúne os grandes, gigantescos e as corporações. Mas estranhamente os micros, pequenos e médios pensam como os grandes, por acreditarem que o rótulo "empresário" une todos os tipos.

Isso se dá porque os empresários de micro/pequeno/médio porte imaginam que os grandes assam pelas mesmas dificuldades, só que drasticamente aumentadas. O fato de acreditarem que o dono de uma gigantesca indústria é igual ao quitandeiro da esquina, mas com dificuldades aumentadas cria um sentimento de solidariedade nos pequenos que acreditam que os grandes passam por uma versão ainda mais complexa das dificuldades que os pequenos encaram.

Somando a este sentimento equivocado de solidariedade há a utopia de acreditar que um dia os pequenos serão os grandes, justamente por pensar que os grandes foram pequenos um dia. Quanto a isso, é preciso lembrar de alguns detalhes. 

O primeiro é que as grades foram pequenas em tempo muito remotos. Outra coisa a lembrar é que as empresas cresceram as custas do sofrimento dos trabalhadores, pois as relações trabalhistas eram desumanas, o que favorecia a ganância empresarial e o crescimento rápido das empresas. A falta de regras limitadoras e a falta de fiscalização favoreceram muitos abusos e muita corrupção e atos de desonestidade, fazendo com que houvesse imensa facilidade no crescimento das empresas.

É verdadeiro o fato de que o trabalho honesto nunce enriquece. Até traz dinheiro, mas não numa quantidade monstruosa. O trabalho de gestor, observado nos micros, pequenos e médios empresários - e raramente nos grandes e gigantes, que contratam outros para administrar e recebem ajuda de governos e instituições financeiras (Rentismo) - envolve muito esforço, desafios e nem sempre o retorno é garantido.

Pensamento de direita entre micros, pequenos e médios é um erro

Eu tive que fazer esta explicação para mostrar aos empresários que não são grandes que a adesão a ideais de direita é um grave erro. Ganância é uma trave que emperra qualquer empreendedorismo.  O desejo de querer mais que os outros tem sido a raiz de muitas crises. Quem acha que alguém ter mais que os outros seres humanos não atrapalha a economia está fora da realidade.

Dinheiro é omo sangue: para a economia estar bem, o dinheiro tem que se movimentar. Reter dinheiro para acumular fortunas emperra a economia como um todo, já que nela tudo funciona em cadeia, com um processo ligado ao outro. Distribuir renda é fazer circular dinheiro e quanto mais justa for a sua distribuição, maior o número de beneficiários.

O pensamento de direita que legitima a ganância é um erro para micros, pequenos e médios empresários. Não é para os grandes, que se perderem clientes, podem recorrer a governos e instituições financeiras para se manter ou se recuperar. Isso, além de ter um imenso patrimônio que garante um alto padrão de vida, impedindo danos por alguma falha econômica.

Os micros, pequenos e médios empresários não possuem esta ajuda. No máximo podem recorrer ao Sebrae, que exige retorno pela ajuda oferecida. Os empresários não-grandes agem como trabalhadores, passam por dificuldades e nem sempre o retorno esperado é alcançado. Pensar como direitistas é um erro que os torna pessoas insensíveis, possibilitando torná-los gananciosos e arrivistas, prejudicando o sistema ao invés de ajudá-lo.

Por isso precisamos da união dos empresários de micro, pequeno é médio porte para ideais progressistas, que visem o desenvolvimento da sociedade como um todo, mas sem abandonar a humildade, a honestidade e o bem estar coletivo. Ninguém vive sozinho e o mundo exige cada vez mais gestores altruístas que oferecem bem estar a funcionários e clientes, sem o utópico desejo de querer ser melhor que os outros e ter que legitimar a ganância destruidora da economia.

Humorista destaca diferença entre empresários de grande porte e os não grandes

Este vídeo abaixo serve para ilustrar o que estou dizendo. É do programa do humorista Gregório Duvivier, um dos poucos que seguem e mentalidade progressista em sua orientação política. Em uma sátira de telejornal, o Greg News, ele mostra a figura do empreCário (C grifado por mim), que é o empresário que não tem grade porte, e mostra as dificuldades passadas por este tipo de gestor. 

É recomendável assistir, sobretudo ´para os próprios micros, pequenos e médios empresários que por serem metidos a grandes, ficam naquela de pensamentos de direita, legitimando ganancia e falando mal de políticos altruístas, esperando um dia serem tão grandes quanto o dono da Coca-Cola.

sábado, 17 de junho de 2017

Desmoralizada, Direita prepara Frankestein para combater Lula

Do contrário que foi anunciado no começo do golpe, acabamos descobrindo que os corruptos não eram os que foram tirados na marra em abril de 2016 e sim os que tomaram o lugar a partir de então. A esquerda foi derrubada porque atrapalhou os interesses gananciosos das elites que pagaram inúmeras forças para difamar as esquerdas, sem qualquer tipo de prova. 

Agora, com a direita desonesta instalada no poder, protegida apenas pelo dinheiro dos grandes capitalistas, o Brasil se encontra sem rumo, sob o comando de uma evidente cleptocracia. Desmoralizada e com medo da esquerda altruísta voltar ao poder, as elites gananciosas querem por que querem um representante delas governando o país.

Secretamente as elites estão trabalhando em um candidato novo, a ser fabricado sob medida por publicitários de forma industrial e comercial. Até porque publicitários, grandes industriais e gigantescos comerciantes estão juntos, com outras forças retrógradas, a impedir que o Brasil seja um país justo e que criminalize a ganância que faz os ricos serem como são.

A decisão de construir uma espécie de Frankestein foi a opção escolhida por causa da desmoralização dos direitistas tradicionais. Ficou complicado utilizar as opções existentes para combater o incessante crescimento das esquerdas no favoritismo eleitoral para 2018.

A elite escravocrata- sim a nossa elite descende dos velhos senhores de engenho, senão no DNA, pelo menos ideologicamente - deseja lucrar muito investindo cada vez menos. para isso é necessário impedir a chegada de um trabalhista no poder. Derrubaram Getúlio, Juscelino, Jango e Dilma, de uma forma e outra. Querem derrubar Lula. mesmo que este ganhe, vão tentar sabotar sua gestão para que o Brasil nunca se desenvolva e sempre garanta um escravocrata no poder.

Para a direita, desmoralizada por denúncias que revelam sua incessante ganância, se encontra perdida em retomar a confiança de uma população que ao se educar, cada vez mais descobre a necessidade de aderir a ideais progressistas, de bem estar coletivo, algo que via contra a filosofia conservadora defendida pelo grande empresariado e forças afins.

Não sabemos quem será este Frankestein. Sabemos que será alguém novo, vindo das elites - talvez um pequeno burguês capaz de convencer o brasileiro médio - de um partido novo (mesmo que seja do Partido Novo, partido recém criado para servir de possível exílio dos tucanos arrependidos) e com postura de conciliador, mesmo que esta conciliação seja para convencer os pobres a abrir mão de direitos para preservar a ganância empresarial que governa o país.

Será alguém que represente o oposto de Lula: um jovem capitalista muito bem nascido no Sul/Sudeste que consiga esconder um conteúdo velho em uma embalagem nova, a impedir uma verdadeira justiça social que ameace os interesses dos maiores capitalistas brasileiros e estrangeiros, desejosos que o Brasil nunca se torne uma potência mundial.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Nunca fomos democracia nenhuma. Um país que não tem dignidade não sente indignação

ESPREMENDO A LARANJA: Excelente observação do professor Aldo Fornazieri, uma das maiores mentes pensantes do Brasil atual. A análise feita no texto sobre a realidade brasileira é algo que sequer é observado pelas esquerdas, otimistas em alguns aspectos. Não dá para ter este otimismo quando as lutas em favor de nossa dignidade são feitas de forma inócua, passiva, sem mudar estruturas. 

"Combatemos" os abusos das elites do jeito que estas mesmas elites querem e sempre acabamos nos ferrando. Por isso que em essência, a sociedade brasileira nada mudou desde 1500. Somos exatamente os mesmos de antes: nossa herança social é a mistura da ingenuidade dos nativos com a malandragem dos exploradores. Temos medo dos exploradores e preferimos o jeitinho para nos mantermos vivos. Uma gambiarra moral que nunca nos trouxe de fato a dignidade.

Leiam o texto e reflitam. Está mais do que na hora de criarmos meios de reivindicação que pudesse nos trazer a dignidade de fato, eliminando o excesso dos que tem demais: um verdadeiro assalto que as leis - e a tolice da meritocracia - transformaram em divisão justa de direitos e bens, que aprisionam o Brasil na mais humilhante condição subalterna perante o mundo.

Nunca fomos democracia nenhuma. Um país que não tem dignidade não sente indignação

Por Aldo Fornazieri - Portal GGN

O presidente da República foi flagrado cometendo uma série de crimes e as provas foram transmitidas para todo o país. Com exceção de um protesto aqui, outro ali, a vida seguiu em sua trágica normalidade. Em muitos outros países o presidente teria que renunciar imediatamente e, quiçá, estaria preso. Se resistisse, os palácios estariam cercados por milhares de pessoas e milhões se colocariam nas ruas até a saída de tal criminoso, pois as instituições políticas são sagradas, por expressarem a dignidade e a moralidade nacional.

Aqui não. No Brasil tudo é possível. Grupos criminosos podem usar das instituições do poder ao seu bel prazer. Afinal de contas, no Brasil nunca tivemos república. Até mesmo a oposição, que ontem foi apeada do governo, dá de ombros e muitos chegam a suspeitar que a denúncia contra Temer é um golpe dentro do golpe. Que existem vários interesses em jogo na denúncia, qualquer pessoa razoavelmente informada sabe. Mas daí adotar posturas passivas em face da existência de uma quadrilha no comando do país significa pouco se importar com os destinos do Brasil e de seu povo, priorizando mais o cálculo político de partidos e grupos particulares.

O Brasil tem uma unidade política e territorial, mas não tem alma, não tem caráter, não tem dignidade e não tem um povo. Somos uma soma de partes desconexas. A unidade política e territorial foi alcançada às custas da violência dos poderosos, dos colonizadores, dos bandeirantes, dos escravocratas do Império, dos coronéis da Primeira República, dos industriais que amalgamaram as paredes de suas empresas com o suor e o sangue dos trabalhadores, com a miséria e a degradação servil dos lavradores pobres.

Índios foram massacrados; escravos foram mortos e açoitados; a dissidência foi dizimada; as lutas sociais foram tratadas com baionetas, cassetetes e balas. A nossa alma, a alma brasileira, foi ganhando duas texturas: submissão e indiferença. Não temos valores, não temos vínculos societários, não temos costumes que amalgamam o nosso caráter e somos o povo, dentre todas as Américas, que tem o menor índice de confiabilidade interpessoal, como mostram várias pesquisas.

Na trágica normalidade da nossa história não nos revoltamos contra o nosso dominador colonial. Ele nos concedeu a Independência como obra de sua graça. Não fizemos uma guerra civil contra os escravocratas e não fizemos uma revolução republicana. A dor e os cadáveres foram se amontoando ao longo dos tempos e o verde de nossas florestas foi se tingindo com sangue dos mais fracos, dos deserdados. Hoje mesmo, não nos indignamos com as 60 mil mortes violentas anuais ou com as 50 mil vítimas fatais no trânsito e os mais de 200 mil feridos graves. Não nos importamos com as mortes dos jovens pobres e negros das periferias e com a assustadora violência contra as mulheres. Tudo é normal, tragicamente normal.

Quando nós, os debaixo, chegamos ao poder, sentamos à mesa dos nossos inimigos, brindamos, comemoramos e libamos com eles e, no nosso deslumbramento, acreditamos que estamos definitivamente aceitos na Casa Grande dos palácios. Só nos damos conta do nosso vergonhoso engano no dia em que os nossos inimigos nos apunhalam pelas constas e nos jogam dos palácios.

Nunca fomos uma democracia racial e, no fundo, nunca fomos democracia nenhuma, pois sempre nos faltou o critério irredutível da igualdade e da sociedade justa para que pudéssemos ostentar o título de democracia. Nos contentamos com os surtos de crescimento econômico e com as migalhas das parcas reduções das desigualdades e estufamos o peito para dizer que alcançamos a redenção ou que estamos no caminho dela. No governo, entregamos bilhões de reais aos campões nacionais sem perceber que são velhacos, que embolsam o dinheiro e que são os primeiros a dar as costas ao Brasil e ao seu povo.

No Brasil, a mobilidade social é exígua, as estratificações sociais são abissais e não somos capazes de transformar essas diferenças em lutas radicais, em insurreições, em revoltas. Preferimos sentar à mesa dos nossos inimigos e negociar com eles, de forma subalterna. Aceitamos os pactos dos privilégios dos de cima e, em nome da tese imoral de que os fins justificam os meios, nos corrompemos como todos e aceitamos o assalto sistemático do capital aos recursos públicos, aos orçamentos, aos fundos públicos, aos recursos subsidiados e, ainda, aliviamos os ricos e penalizamos os pobres em termos tributários.

Quando percebemos os nossos enganos, nos indignamos mais com palavras jogadas ao vento do que com atitudes e lutas. Boa parte das nossas lutas não passam de piqueniques cívicos nas avenidas das grandes cidades. E, em nome de tudo isto, das auto-justificativas para os nossos enganos, sentimos um alívio na consciência, rejeitamos os sentimentos de culpa, mas não somos capazes de perceber que não temos alma, não temos caráter, não temos moral e não temos coragem.

Da mesma forma que aceitamos as chacinas, os massacres nos presídios, a violência policial nos morros e nas favelas, aceitamos passivamente a destruição da educação, da saúde, da ciência e da pesquisa. Aceitamos que o povo seja uma massa ignara e sem cultura, sem civilidade e sem civilização. Continuamos sendo um povo abastardado, somos filhos de negras e índias engravidadas pela violência dos invasores, das elites, do capital, das classes políticas que fracassaram em conduzir este país a um patamar de dignidade para seu povo.

Aceitamos a destruição das nossas florestas e da nosso biodiversidade, o envenenamento das nossas águas e das nossas terras porque temos a mesma alma dominada pela cobiça de nos sentirmos bem quando estamos sentados à mesa dos senhores e porque queremos alcançar o fruto sem plantar a árvore. Se algum lampejo de consciência, de alma ou de caráter nacional existe, isto é coisa restrita à vida intelectual, não do povo. O povo não tem nenhuma referência significativa em nossa história, em algum herói brasileiro, em algum pai-fundador, em alguma proclamação de independência ou república, em algum texto constitucional em algum líder exemplar.

Somos governados pela submissão e pela indiferença. Não somos capazes de olhar à nossa volta e de perceber as nossas tragédias. Nos condoemos com as tragédias do além-mar, mas não com as nossas. Não temos a dignidade dos sentimentos humanos da solidariedade, da piedade, da compaixão. Não somos capazes de nos indignar e não seremos capazes de gerar revoltas, insurreições, mesmo que pacíficas. Mesmo que pacíficas, mas com força suficiente para mudar os rumos do nosso país. Se não nos indignarmos e não gerarmos atitudes fortes, não teremos uma comunidade de destino, não teremos uma alma com um povo, não geraremos um futuro digno e a história nos verá como gerações de incapazes, de indiferentes e de pessoas que não se preocuparam em imprimir um conteúdo significativo na sua passagem pela vida na Terra.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ciro diz que Lula divide brasileiros. Ciro está certo

Uma declaração dada por Ciro não tem sido muito bem digerida pelos esquerdistas mais fanáticos. Em uma entrevista para o site do canal alemão Deutche Welle, Ciro Gomes disse que não gostaria de ver uma situação eleitoral com Lula candidato. A justificativa:

"O Lula, do jeito que as coisas estão no Brasil, passionaliza imediatamente o ambiente, radicaliza uma divisão entre brasileiros simpatizantes do Lula e brasileiros que o odeiam. Dessa maneira, o país não terá a oportunidade de discutir o seu futuro, a complexidade dos seus problemas, a estratégia de superação desta crise monstruosa pela qual estamos passando".

Automaticamente a esquerda entrou em fúria, por entender a declaração como "Lula não serve para ser candidato". Usando a mesma linha de raciocínio de emburrecida direita, a esquerda esqueceu que o comentário se refere às circunstâncias e não ao Lula em si. E se analisarmos, Ciro estava certo. 

Reputação destruída graças a boatos e lendas

Ninguém aqui está contra Lula ser candidato. Eu gostaria que Lula voltasse a ser presidente, mas num cenário político mais tranquilo. O problema não está em Lula, mas o que ele representa para uma população majoritariamente alheia aos bastidores da política. Para muitos, assistir Jornal Nacional,  ler O Globo e falar mal de político, são o suficiente para "ter conhecimento sobre política".  

E justamente isso que tem transformado Lula em vilão, com base nos inúmeros boatos lançados na grande mídia - pessoalmente interessada em derrubá-lo - criando este clima de intolerância. Lula foi violentamente surrado pelos meios de comunicação, num ato bullying midiático a níveis nunca vistos no Brasil. Sem mover um dedo, Lula tem a sua reputação praticamente destruída.

Não apenas Ciro, mas também o presidente do PCO, Partido da Causa Operária, Rui Pimenta, faz também uma observação sobre a influência da reputação de Lula nas eleições. Mesmo que vença as eleições e consiga se manter no cargo de presidente, Lula será hostilizado. Como os opositores de Lula pertencem às elites, eles tem muito dinheiro, por isso capazes de influir na opinião pública e transformar atos de violência e manifestações de intolerância em atos de "legítima defesa". 

Bom lembrar um fato que é pouco comentado: de que o cargo de presidente da República é o cargo favorito ara ser vidraça para a população. É um "esporte" favorito do brasileiro (depois do hiper-estimado futebol) falar mal de presidentes da República. Curioso que existe leis que proíbem ofensas a presidentes, passíveis de punição.

Opositores de Lula não querem diálogo

Mesmo que Lula faça um excelente governo - ele promete fazer melhor do que fez, sem os erros que cometeu - a tradicional falta de racionalidade do brasileiro, reforçada pelo ódio contra estereótipos falsamente atribuídos à tendências progressistas, criará uma venda que tapará os olhos dos opositores diante do sucesso da gestão lulista. Conservadores não conseguem imaginar uma hipótese em que Lula esteja sendo difamado, vítima de incessantes mentiras.

A elite que nunca aceitou um presidente nordestino, sem diploma e com voz estranha, e que encontrou nos boatos sobre corrupção uma justificativa para legitimar seu odioso preconceito, não quer saber de boas gestões. A elite sempre quis e quer um representante dela na presidência, nem que seja somente para ficar deitado numa rede olhando para o céu, tomando whisky caro com uma linda adolescente deitada ao seu lado.

O comentário de Ciro Gomes, um cara que creio ser o melhor que a esquerda pode oferecer para concorrer à presidência, pois não tem o estereótipo negativo que assusta a direita, é sensato. O próprio, que é amigo pessoal do ex-presidente petista, já demonstrou em outras ocasiões ser a favor de uma candidatura Lula, mas em tempos mais calmos. 

Eu mesmo presencio constantemente demonstrações de ódio agressivo diante da simples pronúncia da palavra "lula". Em Niterói, cidade majoritariamente elitista (e de temperamento agressivo), o neo-conservadorismo não apenas está em alta como é incessante e agressivamente teimoso. Se depender de grande maioria dos niteroienses, Lula não somente não seria candidato como mereceria ser preso ou ate morto. Niteroienses preferem ter um sádico genocida na presidência da República do que um político progressista.

Elite gananciosa é o principal problema do país

A observação de que Lula não deveria ser candidato em 2018 é correta. Somos gratos pela excelente gestão de seus dois governos. Mas ele na presidência nos próximos anos, em clima de ódio coletivo, é atiçar a ira dos conservadores. Conservadores não querem diálogo e estão empenhados - sobretudo financeiramente - a derrubar a reputação de qualquer um que atrapalhe seus interesses gananciosos de poder e de divisão da sociedade em classes. 

Se depender das elites, o Brasil tem a obrigação de mergulhar em um "tranquilo" apartheid social. Lula atrapalha estes planos. Por isso deve ser derrubado, O papo de corrupção com pedalinho e apartamento jeca em Guarujá é apenas uma tentativa - infelizmente bem sucedida - de desmoralizá-lo e impedi-lo de concorrer a presidência para provavelmente ganhar.

O ódio a um presidente retirante, com estereótipos ligados à pobreza, é o verdadeiro motivo desse ódio. Conservadores sabem que Lula conhece os problemas do país e sabe como resolvê-los. E o principal problema do Brasil é a sua própria elite, autoritária, gananciosa, preconceituosa e teimosa. Isso explica tudo.

Mas enquanto esta elite for a maior beneficiada do país, é melhor que Lula e os petistas se aquietem e deixem a presidência para outra época. Melhor apoiar outro candidato progressista menos estigmatizado e esperar a "poeira baixar". Se insistir em triunfalismo, achando que está vencendo quando não se está, as coisas poderão piorar e levar a sociedade a uma sangrenta guerra civil. Isso já acontece no Oriente Médio. Queremos que aconteça aqui?

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Direita adere ao "Fora Temer" mas não larga as suas convicções

As pessoas estão felizes com a aparente unanimidade pela saída de Temer e de sua equipe. mas política é algo complexo e ainda é muito cedo para fazermos qualquer tipo de comemoração. Até porque se todos concordam com a saída do presidente golpista, discordam sobre os rumos do país após a saída dele.

O descarte de Temer, de sua equipe e do PSDB mostra que a direita nunca foi a favor de pessoas. Conservadores odeiam seres humanos. Gostam apenas de valores, patrimônio e instituições. Pessoas só servem quando são úteis para defender ou acumular as três coisas ciadas na frase anterior. Quando a utilidade acaba e/ou quando se tornam incômodas ou nocivas, a atitude é descartar.

Não pensem que os direitistas se arrependeram do golpe e se sentiram traídos. Conservadores conhecem muito bem seu aliados durante esta condição. O que acontece é que o golpe, do jeito que está andando, não consegue satisfazer a ganancia dos conservadores. Temer virou um molenga. Era preciso tirar para colocar algum troglodita com coragem para ferrar a população.

A adesão de grande parte da direita ao "Fora Temer" deve ser vista com desconfiança e não como uma atitude de rendimento. Conservadores têm interesses pré-definidos e se empenham muito com o objetivo de satisfazê-los. Fazem planos e gastam fortunas para que a realidade se molde com base exclusiva nas convicções conservadoras. é por isso que em pleno século XXI mudamos tão pouco. Por insistência dos conservadores em quererem que o senso comum aceite as coias do jeito que estão.

Aliás, devemos estar atentos. As foças conservadoras são traiçoeiras e adoram dar o bote na hora certa. É preciso encarar com desconfiança a adesão deles e imaginar que há um plano secreto por trás que pode ser até pior que o golpe executado por Temer.

A direita ainda vive no passado remoto. Sonha com um misto de Idade Média, Brasil Colônia e Alemanha Nazista. Ela fará tudo para que o século XXI nunca chegue no Brasil. Precisamos agregar ao "Fora Temer" tudo que estiver de acordo com este neoconservadorismo retrógrado. Senão, poderemos tirar Temer e colocar um maluco sádico a explodir totalmente o Brasil.