quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Lista de danos sofridos pela população brasileira com as decisões neoliberais do governo golpista

A grande mídia tem feito com que a população tivesse uma ideia errada de como funciona a política em nosso país. Controlada por grandes empresários, interessados em políticos que governem só para ela, divulga as notícias para que tudo pareça correto com o governo golpista instalado após uma intensa campanha difamatória contra os governos trabalhistas.

Mas agora está difícil aceitar as mentiras da mídia, que hoje se finge de traída pelo governo que ela colocou. Na verdade, tudo faz parte de um plano e a mídia só está fingindo para manter o apoio popular. A realidade mostra cada vez mais que o golpe de 2016 foi o maior erro ocorrido no Brasil e os danos já começam a aparecer, mostrando que com Lula e Dilma éramos felizes e não sabíamos.

Fiz uma lista de danos que são ou serão sofridos pelos brasileiros graças aos projetos que estão nos planos do governo golpista e das forças que o apoiam. Lendo bem esta lista dá para perceber que estamos todos fazendo a coisa errada quando os assuntos envolvem política, economia e educação.

Veja o que acontecerá com a população brasileira. Com esta lista, quem não odiava os golpistas, vai passar a odiar. E quem odiava, vai odiar mais ainda, um ódio ainda mortal.

- Manutenção e aumento da concentração de renda e das desigualdades sociais;
- Aumento de mortes de pobres por fome, doenças, violência e desastres;
- Aumento do desemprego;
- Maior dificuldade de entrada no mercado de trabalho;
- Flexibilização das leis trabalhistas e escravidão relativa tolerada;
- Dificuldades na reinvidicação de direitos por parte da população;
- Criminalização dos movimentos sociais e dos ideais progressistas;
- Fortalecimento dos partidos de direita;
- Descriminalização do Fascismo e ideais afins;
- Aumento da inflação;
- Aumento dos casos de corrupção praticados por políticos de direita e empresários;
- Piora nos serviços públicos;
- Desestímulo ao crescimento de empresas nacionais;
- Privatizações e venda de empresas nacionais a empresários estrangeiros;
- Obras públicas paradas e/ou abandonadas;
- Polícia mais violenta contra manifestantes pacíficos;
- Mídia oficial sendo única ou mais confiável fonte de informações;
- Possível caça e censura à mídia alternativa;
- Consagração do pensamento único (senso comum com uma única opinião);
- Aumento da polarização política da população (defensores dos ricos x defensores dos pobres);
- Perseguição a grupos minoritários (negros, mulheres, gays, ateus, anarquistas, etc.);
- Fortalecimento da influência religiosa no cotidiano;
- Retorno do ensino mecânico nas escolas, sem debates e com distorção de fatos históricos;
- Ensino cada vez mais focado exclusivamente para o mercado de trabalho;
- Redução da responsabilidade social a mero assistencialismo estereotipado (caridade paliativa);
- Quebra de pequenas e médias empresas e também de grandes empresas nacionais;
- Entrega de empresas públicas a iniciativa privada (não raramente menos cometente que o estado);
- Retorno do Brasil a sua condição de sub-desenvolvido, submisso às exigências estadunidenses.
- Flexibilização da soberania nacional;

Este é o "novo" Brasil. Seja bem vindo à Nova República Velha.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Sérgio Moro decide tirar férias para não pegar tucanos

ESPREMENDO A LARANJA: Sérgio Moro não é o melhor juiz para a Lava Jato. Ele até tem aprontado das suas, junto com a sua equipe. Age como celebridade, tem fãs e é bastante seletivo na escolha de quem vai julgar, coisas estranhas para um juiz. 

Fora o seu método ainda mais estranho de forçar os culpados a denunciarem petistas e aliados em troca de liberdade. Para completar, Moro é filho de um falecido tucano, foi visto ao lado de tucanos e sua esposa é uma advogada que defendeu um tucano. Realmente Moro, apenas um anos mais jovem que eu, é um juiz muito estranho.

Agora que a Lava Jato, muito mal executado em seu comando, gerando graves danos para a sociedade brasileira com um todo, Moro decide tirar férias nos EUA (onde vive viajando por motivos nunca revelados) quando justamente a Lava Jato ameaça pegar os tucanos, vários deles corruptos comprovados e portanto, culpados, merecendo a jaula sem julgamento.

Este texto abaixo, do excelente intelectual Leandro Fortes, é um desabafo sincero sobre a decisão do celebrado juiz-galã, que é, não único, mas grande responsável pela decadência em que o país se encontra.


Moro está Fugindo

Leandro Fortes via Facebook, Publicado no Amoral

A Operação Lava Jato, dentro de um contexto social e político honesto, teria sido um presente para o Brasil. Acho que ninguém discorda de que, um dia, seria necessário acabar com a cultura da corrupção que sempre ligou empreiteiros e políticos brasileiros.

O fato é que, em pouco tempo, foi fácil perceber que as decisões e ações demandadas pelo juiz Sérgio Fernando Moro estavam eivadas de seletividade. Tinham como objetivo tirar o PT do poder, desmoralizar o discurso da esquerda e privilegiar aqueles que, no rastro da devastação moral levada a cabo pelo magistrado, promoveram a deposição da presidenta Dilma Rousseff.

Hoje, graças à Lava Jato, a economia nacional está devastada, o Estado de Direito, ameaçado, e o poder tomado por uma quadrilha que fez do Palácio do Planalto uma pocilga digna de uma republiqueta de bananas de anedota.

Agora, quando os grupos golpistas ligados ao PSDB e PMDB começam a ser atingidos pela mesma lama que a Lava Jato pensou em represar apenas para o PT, o juiz Moro pensa em tirar um ano sabático, nos Estados Unidos.

Isso, obviamente, não pode ser uma coisa séria.

Um juiz de primeira instância destrói a economia e o sistema político de um país, deixa em ruínas 13 anos de avanços sociais, estimula o fascismo, divide a nação e, simplesmente, avisa que vai tirar férias de um ano?

Não se enganem: o que está havendo é uma fuga planejada.

E precisamos saber o porquê, antes que ela seja consumada.

A Operação Lava Jato, dentro de um contexto social e político honesto, teria sido um presente para o Brasil. Acho que ninguém discorda de que, um dia, seria necessário acabar com a cultura da corrupção que sempre ligou empreiteiros e políticos brasileiros.

O fato é que, em pouco tempo, foi fácil perceber que as decisões e ações demandadas pelo juiz Sérgio Fernando Moro estavam eivadas de seletividade. Tinham como objetivo tirar o PT do poder, desmoralizar o discurso da esquerda e privilegiar aqueles que, no rastro da devastação moral levada a cabo pelo magistrado, promoveram a deposição da presidenta Dilma Rousseff.

Hoje, graças à Lava Jato, a economia nacional está devastada, o Estado de Direito, ameaçado, e o poder tomado por uma quadrilha que fez do Palácio do Planalto uma pocilga digna de uma republiqueta de bananas de anedota.

Agora, quando os grupos golpistas ligados ao PSDB e PMDB começam a ser atingidos pela mesma lama que a Lava Jato pensou em represar apenas para o PT, o juiz Moro pensa em tirar um ano sabático, nos Estados Unidos.

Isso, obviamente, não pode ser uma coisa séria.

Um juiz de primeira instância destrói a economia e o sistema político de um país, deixa em ruínas 13 anos de avanços sociais, estimula o fascismo, divide a nação e, simplesmente, avisa que vai tirar férias de um ano?

Não se enganem: o que está havendo é uma fuga planejada.

E precisamos saber o porquê, antes que ela seja consumada.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

10 Medidas "Contra a Corrupção": O AI-5 do golpe de 2016

Os concurseiros que entraram no Ministério Público de Curitiba, por razões financeiras mais do que por razões de vocação profissional estão prestes a casar um dos maiores estragos na sociedade brasileira, ao lançar um projeto que supostamente pretende acabar com a corrupção, quando na verdade vai limitar direitos e colocar muito inocentes na prisão, com altos riscos de morte.

Por causa desse chilique de anti-comunismo, muitas forças retrógradas enfiaram nas cabeças ocas que era preciso tomar o poder, acabar com leis que beneficiassem a sociedade como um todo e partir para iniciativas que visem preservar as injustiças sociais, a má distribuição de renda e o poder hierárquico de vários setores da sociedade.

Os promotores liderados pelo fanático religioso Deltan Dallagnol, criaram um projeto chamado "10 Medidas contra a Corrupção". Para o senso comum , a corrupção se tornou o "Diabo" da religião neoliberal. Ninguém sabe o que é, como surge, mas todos querem combater, se esquecendo que a raiz da corrupção está nas injustiças que os direitistas desejam preservar. É como apagar incêndio com querosene.

Essas medidas na verdade não irão acabar com a corrupção, que só pode ser eliminada com a mudança das relações de poder, incluindo fim de qualquer tipo de privilégios e a eliminação de hierarquias. Na verdade pode até agravar, já que lendo atentamente as medidas, percebe-se que os fortes e privilegiados serão poupados para que fracos, sobretudo inocentes, possam pagar pelos erros que não cometeram.

Para se ter uma ideia da crueldade e injustiça do projeto, criado por promotores mercenários interessados em preservar seus privilégios profissionais, a presunção de inocência, item valioso da Constituição Federal, irá desaparecer. Agora todos são culpados até prova o contrário.

Indução ao crime legitimada por lei e outras atrocidades

E mais: segundo o projeto, está autorizada uma tentativa de indução ao crime, algo que em si é bem criminoso, para "testar" se um profissional tem "vocação para a corrupção". Será uma espécie de pegadinha em que a pessoa será colocada em uma situação onde poderá se corromper. Pessoas com déficit de atenção ou distúrbios que facilitam a "queda na lábia alheia" poderão se dar mal com as pegadinhas, que não passam de indução ao crime.

Quer mais? Você poderá ser denunciado sem saber quem o denunciou. Qualquer um poderá ser punido, independente de ter cometido ou não um delito ou crime (o que vale são as convicções, segundo o evangélico Dallagnol. Aleluia!), graças a negociações com um delator.

Um delator, em troca de liberdade, pode acusar quem quiser, só porque não vai com a cara. O juiz-celebridade Sérgio Moro conhece esta prática. Muitas injustiças serão cometidas por este método. Por exemplo, em estados como RJ e RS, em que futebol é etiqueta social, só o fato de não se gostar desta modalidade (o que despertaria antipatia alheia) poderá levar muita gente para a cadeia. O evangélico Dallagnol pode querer colocar na cadeia qualquer ateu, só pelo fato de não acreditar em Deus.

Outras atrocidades poderão ser cometidas em nome do "combate a corrupção". Nas medidas não há uma sequer que proponha o combate realmente efetivo contra a corrupção, o que lava a crer que as 10 medidas não passam de chilique anti-comunista que pretende prejudicar desafetos e proteger privilegiados. 

Os Golden Boys de Curitiba vão destruir a sociedade brasileira. Eles não conseguem imaginar o tamanho do estrago que farão com estas "novas leis" adequadas ao mais medieval dos tempos. Mas cristãos sonham com eras medievais, fazer o quê?

domingo, 27 de novembro de 2016

Não estranhem a repentina ojeriza a Temer: isso faz parte do plano golpista

De repente, da noite para o dia, sem uma razão convincente, os plutocratas e seus representantes - incluindo a mídia oficial e judiciário - começam a demonstrar sua reprovação a Temer. Fazem parecer que estão "decepcionados" com o presidente que colocaram na marra no lugar de uma presidenta honesta e esforçada. Mas para quem conhece os bastidores do poder, esta "decepção" é puro teatro. A eliminação de Temer para depois do final de 2016 é integrante do processo de golpe.

Michel Temer nunca foi um nome ideal para os plutocratas. Eles aceitaram pelo fato dele não ser progressista e principalmente por ser a única opção que daria uma aparência legalizada ao golpe. Temer é insosso, ideologicamente vazio e não tem uma personalidade marcante e imponente. Atuou como uma espécie de guarita para garantir a direita no poder após o golpe. Foi útil quando a elite queria.

Mas de acordo com as regras do jogo, é hora de Temer cantar para descer. Os plutocratas desejam mesmo alguém de "pulso forte" para levar adiante a destruição do país para moldá-lo aos gostos das grandes corporações e do governo dos EUA. Os moderados querem um tucano como Aécio Neves. Os extremistas querem o militar "rebelde" Jair Bolsonaro. Bem provável que a disputa fique entre estes dois que prometem babar ódio de suas bocas gananciosas.

Por enquanto Temer segue no tabuleiro político como um peão no jogo golpista. Ele sabe que vai ser descartado. Por isso que não se preocupou com a sua impopularidade. Ele é cúmplice na jogatina, conhece as regras. Sabe que sairá na hora certa de favorecer uma eleição indireta (sem participação do povo) para que a esquerda não volte ao poder e que sente no trono real um representante dos maiores empresários a tentar "arrumar" o país ao gosto dos mais ricos.

Por isso já começamos a ver direitistas nos unindo no coro do "Fora Temer", o que deve ser visto com desconfiança. Por tradição, os direitistas nunca desejaram o melhor para o país.

sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel Castro (*1926 - +2016)

Adeus, companheiro. Homens vão embora, o exemplo e as ideias permanecem. Muito obrigado pela coragem e exemplo para fazer a revolução. Vá em paz, como devem ir os grandes homens.


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Carta aberta de Edward Snowden ao povo do Brasil

ESPREMENDO A LARANJA: Edward Snowden é o verdadeiro altruísta. Ele, junto com Julian Assange, tem se empenhado em denunciar os bastidores da política e o que os poderosos fazem para que as populações se mantenham submetidas e nas condições precárias em que se encontram. 

Leiam abaixo a tradução do texto, escrito em 2013 pelo próprio Snowden, para o povo brasileiro, que ele sabe muito bem ser um dos povos mais controlados do planeta, vista a sua semelhança com os EUA e a sua capacidade de se superar quando encontra oportunidades.

Carta aberta ao povo do Brasil

Edward Snowden, publicado na Folha, Tradução de Clara Allain

Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.

Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.

Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.

Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.

A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria “segurança” –em nome da “segurança” de Dilma, em nome da “segurança” da Petrobras–, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.

Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.

Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.

A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.

Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é “vigilância”, é “coleta de dados”. Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.

Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima –em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas– e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.

Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.

Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.

Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!

Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.

Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.

A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.

Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.

A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.

Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.

Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordem que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.

Meu ato de consciência começou com uma declaração: “Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver.”

Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.

Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Para a elite, o Brasil não é o povo: é apenas a própria elite

O governo Temer já não esconde que é uma ditadura. E como uma ditadura medieval, já monta o seu clero de "intelectuais" para impor à sociedade o que deve ser ou não feito, para que os interesses das elites sejam preservados.

Michel Temer montou uma equipe de consultores conhecido como "Conselhão". Na verdade é a continuação de um conselho proposto por governos petistas que incluiria vários setores da sociedade brasileira. Temer apenas trocou os representantes das classes populares por um bando de empresários gananciosos.

Esta "nova" equipe é agora formada pelos homens mais ricos do país, junto com celebridades consagradas e membros da elite interessados em participar. Não são representantes do povo e sim das elites.

A ideia era ter representantes dos setores sociais interessados nas medidas excludentes do governo golpista para que elas possam ter "apoio popular" e sejam postas em prática de maneira mais rápida e certa.

Na primeira reunião, um deles, um dono de agência de publicidade envolvido em denúncias de corrupção, achando que o povo e burro, pediu para que Temer aproveitar a impopularidade e tomar medidas impopulares para "salvar o país". Este publicitário pensa que o povo é idiota de aceitar ser prejudicado em prol de uma tradução abstrata - e elitista - do Brasil. Ele ofendeu a população.

Como falei, lembra muito o clero que decidia as coisas na Idade Média. O Conselhão se trata de um grupo de senhores interessados a usar o prestígio próprio para garantir que as medidas de Temer possam ter um respaldo sólido. Afinal, são homens "consagrados" pela opinião pública e que "entendem" das coisas do país. 

Qualquer equívoco cometido por Temer é respaldado por esses homens de prestígio, que no fundo não agem em nome da sociedade brasileira como um todo, mas apenas das elites representadas. Não por acaso, apenas setores mais ricos da sociedade (empresário, celebridades, esportistas, juristas, etc.) estão representados no Conselhão.

Seria muito ingênuo imaginar que estes senhores estariam sendo chamados por Temer para trabalhar em prol do país. Quer dizer, país, no sentido de moradia de um povo. Pois, "país" no sentido abstrato de instituição cívica (que é o que existe para as elites), esse "vale a pena salvar".

Ou os membros do Conselhão são ingênuos, ou são ignorantes ou são cruéis mesmo. As medidas que Temer vai tomar são reprovadas quase por unanimidade por economistas, juristas e cientistas políticos mais sérios e dos mais qualificados. 

Somente intelectuais medíocres e/ou com interesses particulares no projeto, aprovam os projetos de Temer, que já foram aplicados em outros países, com resultados desastrosos. Ou seja, Temer quer afundar o país e conta com o apoio das elites para isso.

Sinceramente, as elites nunca gostaram de seres humanos. Parentes, amigos e sócios são unidos por laços de interesses materiais. Não é surpresa saber que para os mais ricos, fazer a população sofrer é o caminho mais fácil para salvar o Brasil que elas pensam ser só delas. Para as elites, o povo só atrapalha. Melhor seria um Brasil sem povo.

Triste saber que uma grande quantidade de senhores pseudo-responsáveis decide ferrar com seu prestígio profissional para embarcar num Titanic furado como os sádicos projetos neoliberais que Temer deseja ver aprovados e postos em prática.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Agressividade e ausência de propostas comprova burrice de direitistas

Entra ano, sai ano e ainda espero algum argumento racional vindo de algum tipo de direitista. Metidos a inteligentes, colecionadores de diplomas e de bens materiais, os direitistas até agora só sabem xingar a esquerda e como solução para os problemas se limitam a propor corte de direitos alheios ou prisão e  pancadaria no sentido literal.

Os direitistas sabem muito bem que o Capitalismo e os sistemas afins (incluindo o sádico Fascismo) estão em falência irreversível. O direitismo e suas ideologias são totalmente incompatíveis com os tempos modernos em que vivemos. Deveriam ter sumido há tempos. 

A permanência e pior, o fortalecimento do Capitalismo e ideologias afins comprovam a burrice de quem as defende, que está pouco ou nada se lixando para o bem estar coletivo. Isso fora uns mercenários pagos para ficar escrevendo asneiras em redes sociais glorificando a direita e descendo o sarrafo nas esquerdas, através de inúmeras mentiras, cada vez mais absurdas e impossíveis de serem comprovadas. Ah, mas não temos provas, pois convicções são o que valem.

Vejo postagens e vídeos de direita e é aquela ladainha repetitiva: a esquerda não presta e vamos prender, bater, prender, bater. Fica só nisso. Ninguém, e eu disse NINGUÉM, parou para propor uma solução racional para melhorar aquilo que a direita considera problemático.

Quando decidem propor uma solução, como a PEC 55 e as 10 medidas contra a corrupção, é através da exclusão de beneficiários e do corte de direitos individuais ou coletivos. Ah, e nenhuma proposta que mexa no excessivo patrimônio dos mais ricos, tão sagrado quanto as surreais crenças religiosas que a mesma direita insiste em impor a humanidade.

Mas nada que seja racional e que traga benefício a todos. Ninguém vai assumir porque pega mal, mas direitistas, quase todos, odeiam gente, são genocidas e sonham em um mundo onde só exista somente eles. Por isso que as soluções propostas por eles sempre passam pela exclusão de direitos alheios, para que mete aos poucos os cidadãos que os direitistas não querem ver pela frente.

Até agora, nenhum direitistas apareceu com uma justificativa convincente que prove que eles estejam certos. Pensando bem, é melhor nem esperar por alguma justificativa. Direitistas são odiosos e com eles é na base da porrada.

Para eles, a única lei é a do mais forte. Se puderem destroem a Constituição Federal. Direitos são meros troféus, somente poderosos devem ser tratados como seres humanos e o "resto" se quiser dignidade terá que lutar muito por ela, as custas de muita tortura, sob as rígidas regras criadas exclusivamente pelos mais fortes. 

Direitistas são realmente burros. Dialogar não faz parte da linguagem dos burros.

domingo, 20 de novembro de 2016

Se depender do fascista Holiday, o dia de hoje não existiria

A direita, desesperada para proteger seus privilégios em tempos de crise, criou ou recrutou um monte de figuras bizarras, pagas para "lutar pelos direitos elitistas" que supostamente estavam ameaçados durante os governos petistas. Os ricos se acham no direito de ter e ser mais do que os outros e agora se empenham agressivamente em manter este "direito".

Mas uma dessas figuras bizarras chama a atenção por pertencer etnicamente a um grupo que não deveria estar lutando a favor das elites: um jovem negro, de mentalidade fascista, que em si já soa um fato estranho - e racista contra a própria raça - que atende pelo nome de Fernando Holiday, integrante do grupo neo-fascista Movimento Brasil Livre.

Holiday tem demonstrado ser um negro rancoroso, elitistas, preconceituoso, como se tivesse uma enrustida vergonha de ser negro. É um negro que sonha em ser branco, ou pelo menos viver como os brancos. Um negro que não enxerga seus colegas de etnia como seus semelhantes. Aliás, na contramão, há muitos brancos que se solidarizam com a causa negra.

Holiday tem feito de tudo para enfraquecer os movimentos negros e os seus direitos conquistados. O fascista com pele de ébano é contra a política de cotas (que eu, mesmo sendo mestiço, considero paliativa, mas válida) e pretende cancelar a data que é comemorada hoje, o Dia da Consciência Negra, data que eu considero de extrema importância.

Para Holiday, os negros são "vitimistas", como se a reação dos negros diante de casos horrendos de racismo fosse "mero chilique". Das duas uma: ou Holiday nunca foi vítima de racismo, ou não dá importância a este tipo de humilhação, talvez por se achar "tão branco" como a elite bajulada por ele.

Escravo fiel à Casa Grande

Infelizmente ele foi eleito vereador pelo direitista DEM, graças a esta onda infantil de anti-comunismo, que não passa de um medo de uma ameaça irreal. E como fascista, Holiday promete fazer vários estragos nas leis, como um verdadeiro traidor da causa negra. 

Holiday lembra muito os casos de escravos fiéis aos seus senhores e que se aliam a estes visando algum tipo de benefício no futuro. É um tipo de pelego que pretende trair a sua própria classe em prol de privilégios que o afastarão do destino infeliz reservado a sua classe.

Fernando Holiday, que um dia invadiu, cheio de ódio irracional, uma palestra sobre Che Guevara, deve usar seu gordo salário de vereador (sem partido, né?) para se embranquecer - Michael Jackson provou que isso é possível - e se parecer cada vez mais com a elite que defende com ardor. Coisa desnecessária a seu colega Kim Kataguiri, pois até onde eu sei, não existe racismo anti-oriental.

Negros e não-brancos perdem um representante em potencial. Holiday, que tem angariado visibilidade ara as suas causa retrógradas, renega a etnia a qual pertence e sonha um dia em ser mais um senhor na Casa Grande. 

Mas fiquemos tranquilos. Holiday provou que não precisamos dele para o movimento negro. Ele é um inútil. Há muitos negros, portadores da honra, sensatez, moralidade e ética que Holiday não possui, presentes e atuantes em nossa causa. E felizmente, estão em numero gigantescamente maior.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Capitalismo é egoísmo. Fascismo é sadismo

O assunto de ontem foi, infelizmente, a invasão de um grupo de fascistas enrustidos na Câmara dos Deputados. Nitidamente descontrolados e sem o mínimo de equilíbrio emocional, exigiram a presença de um general para que pudesse instalar uma nova ditadura militar sob a desculpa esfarrapada de "arrumar o país". Louvavam o nome do juiz Sérgio Moro, fizeram apologia a Escola sem Partido (que pretende transformar a educação brasileira em doutrinação fascista) e gritavam slogans fascistas.

Foi um episódio tão patético que nem a direita gostou. Apesar de tratar respeitosamente os invasores como "manifestantes" (se fossem de esquerda seria chamados de "vândalos"), os aparelhos midiáticos reprovaram o episódio, num sinal de que aliados mais exaltados começam a incomodar.

Curioso que os manifestantes demonstraram estar contra os direitistas mais moderados, como se nem mesmo as cruéis decisões do governo Temer os satisfizesse. Fascistas não costumam raciocinar e para eles, problema se resolve na base da porrada, com violência, tortura, morte e prisões. Odeiam negociações e só sossegam quando seu desejo de sadismo é plenamente satisfeito. Dá para entender a divergência entre os dois tipos de direitistas.  Se o Capitalismo da trindade PSDB/PMDB/DEM é egoísta, os fascistas são sádicos.

Os invasores não se assumiram fascistas e nem assumirão, pois sabem que pega mal. Mas a cartilha de Benito Mussolini está totalmente presente na atitude e nas falas histéricas do grupo invasor, composto por cerca de 50 pessoas que conseguiram entrar na Câmara e 800 do lado de fora completando o apoio. 

Pelo que se soube depois, todos foram a convite de um empresário da construção civil. Não foi informado de onde vieram, embora uma bandeira de Pernambuco (estado mais direitista da Região Nordeste e curiosamente terra natal do ex-presidente Lula, principal desafeto dos direitistas moderados e também dos extremados) tenha sido mostrada na ocasião.

Isso acontece porque grupos extremistas se sentem livres para se manifestar tendo um governo direitista (que governa apenas para classes privilegiadas) no comando. Mesmo que direitistas reprovem a atitude, são obrigados a reconhecer que chocaram o ovo da serpente, criando condições para que muita gente que adora bens/valores/instituições e odeia seres humanos (sobretudo pobres e classes excluídas), cometam seus abusos, piorando ainda mais a situação caótica no Brasil.

Até o fechamento desta postagem, parte do grupo ficou aguardando a chegada de um general, para que a ditadura pudesse se instaurada. Rodrigo Maia, presidente da Câmara prometeu não negociar com os fascistas e ordenou para que a Polícia Legislativa (nome dado aos seguranças da Câmara) expulsassem os manifestantes.

Mas a coragem dos fascistas é enorme. Não me parece impossível que haja um golpe em cima do golpe, colocando militares para governar o país e revivermos os tempos mais sombrios que a história brasileira já conheceu.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Neoliberalismo: a história profunda que jaz por trás do triunfo de Donald Trump

ESPREMENDO A LARANJA: Este texto abaixo, publicado originalmente no jornal inglês The Guardian, é bom para entendermos a origem de todo o caos neoliberal que domina os dias de hoje e o reconhecimento, ainda tímido, de seu fracasso, o que fez com que Hilary Clinton perdesse as eleições. 

Trump, mesmo empresário ganancioso do jeito que o neoliberalismo gosta, propôs um rompimento - pelo menos no discurso - com alguns aspectos do neoliberalismo, prometendo devolver o acesso ao emprego aos homens brancos e pobres dos EUA. Este discurso é o que fez ganhar a eleição, mesmo tendo uma personalidade controversa, um temperamento difícil e de ter cometido gafes imperdoáveis.

O texto reproduzido aqui traz um resumo das ideias do economista austríaco Friedrich Hayek, considerado o pai do neoliberalismo, uma ideologia que fez o Capitalismo ir às últimas consequências, legitimando as injustiças sociais e propondo total ausência de limites para o patrimônio e para o poder dos mais ricos.  

Leiam o texto com atenção para ver que a conversa que diz que o neoliberalismo é cruel, não é papo furado e sim um alerta grave e que merece ser levado a sério.

Uma curiosidade: Hayek é o sobrenome de uma atriz mexicana casada com um bilionário mega-empresário neoliberal. Coincidência? Rumores indicam que ela se casou com ele por interesse, pois é um cinquentão meio feioso, sem simpatia e sem graça que adora parecer muito mais velho do que realmente é (a esposa, apenas 4 anos mais nova, parece sua filha). Latinas, salvo exceções, tradicionalmente costumam ser interesseiras. Caso em que o Brasil se encaixa com perfeição.

Neoliberalismo: a história profunda que jaz por trás do triunfo de Donald Trump

George Monbiot, The Guardian - Tradução Publicada no site O Empastelador, 14/11/2016

Os eventos que levaram à eleição de Donald Trump começaram na Inglaterra, em 1975. Numa reunião, poucos meses depois de Margaret Thatcher assumir o comando do Partido Conservador, uma de suas companheiras – ou pelo menos é o diz a história – explicava o que, para ela, seria o núcleo dura das crenças do conservadorismo. Mas Thatcher abriu a bolsa, tirou de lá um livro amarfanhado e bateu com ele na mesa. "Nós acreditamos nisso" – disse ela. Assim começou uma revolução que varreria todo o planeta.

O livro era The Constitution of Liberty de Frederick Hayek [A Constituição da Liberdade]. Sua publicação, em 1960, marcou a transição de uma filosofia honesta, ainda que extrema, numa fraude de proporções monstro. A filosofia era chamada "Neoliberalismo". 

Ali, a característica que definiria as relações humanas seria sempre a concorrência, a competição. O mercado descobriria uma hierarquia natural de ganhadores e perdedores, criando sistema mais eficiente que jamais poderia ser alcançado mediante planejamento nem por projeto. Qualquer coisa que impedisse esse processo, como impostos significativos, leis regulatórias, atividade sindical ou oferta de qualquer coisa pelo Estado, seria contraproducente. Empresários perfeitamente livres gerariam a riqueza que, em seguida, escorreria pirâmide abaixo [ing. trickle down] para todos.

Valha o que valer, essa era a concepção original. Mas quando afinal Hayek veio a escrever The Constitution of Liberty, a rede de lobbyistas e pensadores que aquela concepção gerara já era abundantemente paga por multimilionários que tomaram a doutrina como ferramenta para se defenderem contra os riscos da democracia. Nem todos os aspectos do programa neoliberal promoviam os interesses deles. Ao que parece, Hayek arregaçou as mangas para preencher as lacunas.

Começa o livro expondo a concepção mais rasa que jamais existiu de liberdade: uma ausência de coerção. Rejeita noções como liberdade política, direitos universais, igualdade entre os homens e na distribuição da riqueza, todas essas noções, porque limitam a ação dos ricos e poderosos, interferindo na ausência de qualquer coerção (a "liberdade") que o modelo exige necessariamente.

Democracia, por sua vez, "não é valor definitivo ou absoluto". De fato, a liberdade depende de impedir-se que a maioria possa escolher a direção que política e sociedade devam tomar.

Para justificar essa posição, Hayek cria uma narrativa heroica da riqueza extrema. Aproxima a elite econômica, livre para gastar o próprio dinheiro de novas maneiras, e os pioneiros da filosofia e da ciência. Assim como o filósofo político tem de ter liberdade para pensar o impensável, assim também os muito ricos têm de ser livres para fazer o factível, sem nenhuma consideração com o interesse público ou a opinião pública.

Os ultra ricos são "escoteiros", "batedores" [ing. "scouts"], "sempre a experimentar novos estilos de vida", que abrem as trilhas pelas quais seguirá o resto da sociedade. O progresso da sociedade depende da liberdade que tenham esses "independentes" para ganhar tanto dinheiro quanto desejem e gastá-lo como queiram. Tudo que é bom e útil, portanto, é fruto da desigualdade. Não pode haver conexão entre mérito e recompensa, nenhuma distinção entre renda justa e não justa e nenhum limite aos rendimentos [ing. rents] a serem cobrados.

Riqueza herdada é mais socialmente útil que riqueza alcançada com trabalho: "os ricos ociosos" [ing. "the idle rich"] que não têm de trabalhar pelo próprio dinheiro podem devotar-se a influenciar "campos de pensamento e opinião, de gostos e de crenças". Ainda que pareçam estar gastando dinheiro só em "gastos sem objetivo" [ing. "aimless display"], estão, de fato, operando como a vanguarda da sociedade.

Hayek suavizou sua oposição aos monopólios, e endureceu sua oposição aos sindicatos. Atacou os impostos progressivos e as tentativas, pelo Estado, de melhorar as condições gerais de bem-estar dos cidadãos. Insistiu que "há motivos insuperáveis que se podem opor a serviços de saúde gratuitos para todos"; e descartou qualquer movimento para conservar recursos naturais. Ninguém, entre especialistas e interessados em geral que acompanham esses assuntos, surpreendeu-se quando Hayek recebeu o Prêmio Nobel de economia.

No momento em que Mrs Thatcher batia na mesa o livro de Hayek, uma vivíssima rede de thinktanks, lobbyistas e acadêmicos que viviam de promover as doutrinas de Hayek já se formara dos dois lados do Atlântico, abundantemente financiada por algumas das pessoas e empresas mais ricas do mundo, dentre os/as quais DuPont, General Electric, as cervejarias Coors, Charles Koch, Richard Mellon Scaife, Lawrence Fertig, a Fundação William Volker e a Fundação Earhart. Servindo-se de psicologia e linguística para resultados realmente impressionantes, os pensadores que esses patrocinadores mantinham encontraram as palavras e os argumentos necessários para converter o que era hino religioso de uma elite, em um programa político plausível.

O Thatcherismo e o Reaganismo não eram ideologias por direito próprio: eram apenas duas caras do Neoliberalismo. Os cortes massivos para os ricos, o ataque violento contra os sindicatos, redução na moradia subsidiada, desregulação, privatização, terceirização regras concorrenciais para os serviços públicos, todas são ideias propostas por Hayek e seus discípulos. Mas o real triunfo dessa rede não foi ter capturado a direita, mas a colonização dos partidos que, antes de colonizados, defendiam tudo que Hayek detestava.

Bill Clinton e Tony Blair não têm narrativas próprias. Em vez de desenvolver uma narrativa política nova, acharam que bastaria uma triangulação. Em outras palavras, extraíram alguns elementos das crenças ativas nos respectivos partidos, misturaram com elementos das crenças ativas entre os respectivos opositores e desenvolveram, a partir dessa combinação improvável, uma "terceira via".

Era inevitável que a autoconfiança ousada, insurrecional do Neoliberalismo criasse pulso gravitacional mais forte que o da estrela cadente da social-democracia. O triunfo de Hayek pode ser constatado por toda parte, da expansão da iniciativa da finança privada, de Blair, até a rejeição da Lei Glass-Steagal, de Clinton. Apesar da elegância e das boas maneiras, Barack Obama, que tampouco oferece narrativa própria (exceto "hope" [ing. esperança]), foi aos poucos sendo aspirado para perto dos que eram donos dos meios de persuasão.

Como alertei em abril, o resultado é primeiro desempoderamento, depois cassação de direitos. Se a ideologia dominante impede governos de mudar resultados sociais, os governos deixam de poder responder às necessidades dos eleitores. A política torna-se irrelevante para a vida das pessoas; o debate é reduzido à tagarelice de uma elite remota. Os desempoderados voltam-se facilmente para uma antipolítica virulenta, na qual fatos e argumentos são substituídos por slogans, símbolos e sensação. O homem que fez naufragar a possibilidade de Hillary Clinton chegar à presidência não foi Donald Trump. Foi o marido dela.

Resultado paradoxal é que o revide contra o esmagamento da escolha política promovido pelo Neoliberalismo acabou por entronizar exatamente o tipo de homem que Hayek cultivou como divindade. Trump, que não tem política coerente, não é um neoliberal clássico. Mas é a perfeita representação do "independente" de Hayek; o beneficiário de riqueza herdada, não constrangido pela moralidade comum, cujas gostos grosseiros abrem uma nova trilha que outros poderão trilhar. Agora, os 'especialistas' de think-tanks enxameiam em torno desse homem vazio, desse saco vazio à espera de ser preenchido pelos que sabem o que querem. Resultado provável é a demolição das últimas decências que restam aos EUA, a começar pelo acordo para limitar o aquecimento global.

Os que contam as estórias comandam o mundo. A política fracassou, quando não tinha narrativas de oposição. A tarefa chave agora é contar uma nova estória do que é ser homem e mulher humanos no século 21. Pode atrair alguns dos que votaram em Trump e no Partido Britânico Independente, tanto quanto os apoiadores de Clinton, Bernie Sanders ou Jeremy Corbyn.

Poucos de nós temos trabalhado sobre isso e podemos discernir o que talvez seja o início de uma estória. É ainda cedo demais para falar muito, mas no núcleo duro dessa estória está o reconhecimento de que – como a psicologia e a neurociência moderna ensinam tão claramente – os seres humanos, comparados a outros animais, somos notavelmente sociais e notavelmente altruístas. A atomização e o comportamento auto-referente que o Neoliberalismo promove anda na contracorrente de grande parte do que se entende por natureza humana.

Hayek retratou-nos como quis e estava errado. Nosso primeiro passo é exigir de volta a nossa humanidade.

sábado, 12 de novembro de 2016

Zuckerberg acha loucura Trump ter sido eleito por causa de mentiras espalhadas pelo Facebook. Nós não

O jovem mega-empresário Mark Zuckerberg, um dos criadores do Facebook, declarou que "achou uma loucura" Trump ter sido eleito por causa de mentiras espalhadas pelo Facebook a respeito da adversária Hilary Clinton. Zuckerberg, que como a maioria dos empresários ianques apoiou Hilary, prefere acreditar em outros fatores e livrar o seu Facebook da responsabilidade.

Pode até ser que o Facebook não tenha responsabilidade direta na eleição de Trump, mas pode ter indiretamente. O Facebook, como os sites de redes sociais e os de busca, na tentativa de aumentar os ganhos por publicidade, decidiram personalizar o comportamento da internet, levando em conta as preferências e/ou a frequência de visitas dos usuários.

Não gosto dessa personalização da internet por três motivos: 
- Limita os resultados de busca. os resultados mostrados são os que estão de acordo com a frequência que meu computador acessa a certos assuntos. Se eu quiser algo além disso, a busca é dificultada.
- Acaba com a privacidade. O algoritmo "sabe" o que eu estou fazendo, onde ele está situado, e isso dá a impressão de que estou sendo espionado.
- A construção do perfil de preferências tem base na frequência do IP a certos assuntos, o que pode resultar em um perfil equivocado. Um exemplo: um estudante de História que quer estudar a Segunda Guerra Mundial e é obrigado a pesquisar sobre o Nazismo para entender o período, pode ser confundido pelo algoritmo como "nazista", e passar a ser espionado como possível criminoso contra a humanidade, com grande risco de ser preso.

Zuckerberg pode não ter elegido Trump. Mas seus algoritmos, podem

Seguindo esta tendência atual, o Facebook também tem o seu algoritmo. Por isso que as minhas postagens esclarecedoras que pretendiam desmentir várias mentiras sobre a esquerda não surgiam efeito. Elas não chegavam aos direitistas por causa do algoritmo. Em compensação as postagens deles chagavam a mim por causa da grande frequência que transformava estas mentiras em "verdades" por casa do número de vezes em que elas eram postadas. Há algo de Goebbels nos algoritmos da internet.

Por isso que Zuckerberg pode estar enganado. O Facebook pode até não ter feito campanha pró-Trump, mas criou condições para que a adversária fosse humilhada e os poucos estadunidenses dispostos a votar (lá, a eleição não é obrigatória) elegessem Donald Trump, não pelas qualidades, mas por não ter os supostos defeitos de sua oponente.

Sabe-se que no Brasil, o Facebook tem sido crucial para que a direita se fortalecesse. Muitos usuários desempregados receberam apoio financeiro de grandes empresas, estas interessadas em derrubar governos humanitários, para usarem as redes sociais e espalharem boatos sobre as esquerdas e sobretudo o PT. 

Empresários sabem da imensa popularidade do PT e que os candidatos apoiados pelo poder econômico (leia-se PSDB) não iriam ganhar eleições de forma honesta e natural. Por isso acharam melhor enfraquecer os adversários para que seu projeto de medidas amargas fosse aprovado para que os grandes patrimônios e o poder político dos empresários não fosse prejudicado. As redes sociais, como o Facebook, caíram como uma luva para esta missão.

Abre o olho, Zuckerberg! Seus algoritmos podem estar te traindo...

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Mídia brasileira e a vitória de Trump: O que é ruim para os EUA é "bom" para o Brasil?

O mundo hoje acordou com uma bomba: do contrário do esperado, o antipático e multi-preconceituoso capitalista convertido em político Donald Trump, venceu as eleições e se tornou o novo - com ideias velhas - Presidente do Mundo (presidentes nos EUA gostam mais de governar o mundo que o próprio país - por isso dão autonomia ao governadores  de lá).

Com isso, os EUA confirmam a nova onda conservadora em que analfabetos políticos - lá nos "Isteites" também tem os seus - abrem mão da justiça social para colocar pseudo-moralistas no poder, mesmo correndo o risco de um retrocesso ainda pior que o alegado às lideranças consideradas progressistas.

É bem provável que muitos cidadãos que poderiam dar vitória a Hilary - que nada tem de progressista, mas comparada a Trump, tem os seus avanços - não tenham ido votar, já que por lá, o voto não é obrigatório. Os que foram, certamente com medo da então provável vitória da candidata dos Partido Democrata, preferiram Trump, levando em conta o fato dele não ter sido - por enquanto - um politico carreirista. Mas não se enganem, a embalagem é nova e o conteúdo bem velho, apodrecido até.

E a mídia brasileira? Felizes com o Trump brasileiro, Michel Temer (o projeto que Temer está pondo em prática pouco difere do que Trump executará), os meios de comunicação tupiniquim preferiram Hilary. Será que a mídia brasileira não quer para os ianques a desgraça que impuseram ao povo brasileiro?

Pelo que se viu na mídia brasileira, a vitória de Trump não agradou, embora ela seja aparentemente benéfica para a os barões midiáticos tupiniquins que seguem a metodologia FOX (de Rupert Murdoch) da mídia que interfere na política. A FOX apoiou descaradamente Donald Trump.

Mas porque a mídia brasileira não quer Trump, mesmo sabendo da afinidade ideológica entre ele e o que está sendo aplicado no Brasil? Certamente porque Trump demonstrou não estar muito afeito a relações exteriores. Mesmo governando o mundo - o que presidentes estadunidenses fazem na prática - Trump já deixou claro de que não irá negociar, preferindo impor seu estilo à sua gestão, o que significa que países emergentes, como o Brasil, ficarão a ver navios ou comendo poeira, pelo menos.

Mesmo que Hilary seja melhor que Trump, ela ainda esbarra nos limites de seu conservadorismo. Sim, integrantes do Partido Democrata são de direita, conservadores. Conservadores, mas nem tanto, mas conservadores. Este papo de que Hilary é a Dilma americana é delírio dos fascistas mirins que sonham com alguém como Mussolini governando todos os países. 

Este conservadorismo de Hilary - que agrada a banqueiros ianques - era mais adequado a relações com outros países. Mesmo que Temer seja mais conservador que a americana, ela estaria mais aberta a negociar com o presidente - golpista, bom lembrar - brasileiro. O Brasil se daria bem com Hilary e isso era quase uma certeza. Com Trump, as dúvidas pairam no ar.

Deve ser por isso que a mídia brasileira preferia Hilary. Não tanto em relação a liberdade que ela daria às classes excluídas. Mais pela possibilidade de negociação com o líder temeroso. Agora, com Trump, quem tem que temer é o Temer. A mídia brasileira sabe disso e já guardou os seus fogos.

domingo, 6 de novembro de 2016

Bilionários querem pagar para impor doutrinação de direita

ESPREMENDO A LARANJA: Peço licença ao excelente site de notícias The Intercept para publicar um texto do mesmo em que faz uma grave denúncia. Cientes de que cérebros pensantes são a arma mais perigosa contra os poderosos, bilionários dispostos a não distribuir renda e direitos e se manter no topo da "cadeia alimentar" humanitária, depositam fortunas para moldar a educação para impedir o senso crítico e a insubmissão.

Defensores da tese absurda que escolas livres fazem "doutrinação de esquerda", decidem combatê-la através de doutrinação de direita, ou seja, impedir o pensamento livre, a contestação do que é imposto ao senso comum, estimular a defesa de valores arcaicos (família, religiosidade, hierarquias de todos os tipos) e formar exclusivamente para o mercado de trabalho. Tudo para impedir que o sistema capitalista, evidentemente ganancioso e por isso mesmo em constante falência, seja prejudicado.

É uma denúncia cruel e que acrescenta ainda mais provas de que estamos em uma seria ditadura não-militar. A meta das elites é transformar os não-ricos em robôs executores de suas vontades, sem capacidade de decisão própria e totalmente limitados a satisfazer os interesses individuais das pessoas mais ricas que se metem em nosso país.

Publiquei parcialmente o texto, pois aproveito para estimular a leitura do The Intercept Brasil, o melhor site de notícias da atualidade, completamente livre de influência de gestores gananciosos interessados a preservar injustiças e erros, mantendo as classes menos favorecidas em total opressão.

Conheça os bionários convidados para "reformar" a educação brasileira de acordo com a sua ideologia

Helena Borges - Intercept Brasil - 4 de Novembro de 2016, 15h33

NA PRIMEIRA AUDIÊNCIA pública feita no Congresso para debater a reforma do ensino médio, na terça-feira, dia 1º, as ocupações foram um dos temas abordados. Contudo, as falas de alguns parlamentares são o desenho perfeito da falta de compreensão das demandas feitas pelos estudantes.

“Eu não consigo entender as motivações contra a reforma do ensino médio.” Deputado Thiago Peixoto (PSD-GO). Talvez, se eles tivessem mais voz nesse debate, não fosse tão difícil compreendê-los.

Em oposição à total surdez para com os estudantes, os parlamentares são todos ouvidos para outro grupo: os representantes de bilionários presidentes de fundações educacionais. Para as audiências públicas que estão por vir foram convidados sete representantes de fundações e institutos empresariais.

Mas, qual o problema em se ter bilionários na mesa de debate? A princípio, nenhum. Na prática, além do fato de que não existe almoço grátis, é necessário observar o tipo de educação que esses grupos vislumbram como o “padrão de qualidade” – lembrando que a própria existência de um “padrão de qualidade”, quando se fala sobre educação, já é algo bastante questionável.

Fundações costumam se colocar como apartidárias, porém, ao participarem ativamente da criação e execução de políticas públicas — como está sendo o caso no debate sobre a reforma do ensino médio — comportam-se, elas mesmas, como partidos.

É no mínimo curioso que as propostas de reforma do ensino médio tenham ganhado força logo quando a tutela do MEC passa para as mãos de jovens empreendedores e ex-Lemann fellows (o apelido dado aqueles que receberam bolsa da Fundação Lemann). O Diário Oficial da União do dia 2 de setembro avisou sobre a nomeação de Teresa Pontual, ex-bolsista da fundação, para a Diretoria de Currículos e Educação Integral do MEC. Menos de um mês depois, a MP foi assinada.

Outro  exemplo é o caso de Maria Helena Guimarães de Castro, uma das sócias-fundadoras do Todos Pela Educação e membro da comissão técnica do movimento, hoje secretária-executiva do MEC à frente da reforma.

Os interesses que ficam por trás destes “partidos” nem sempre são facilmente notáveis. A filantropia pode ser usada para vários fins: o honesto desejo por um mundo melhor, a “lavagem de consciência”, o tráfico de influência, e até a lavagem de dinheiro. Além das óbvias isenções fiscais e imunidades tributárias concedidas às fundações por todas as suas benesses, há um ponto a mais quando se fala da ligação entre fundações educacionais e grandes empresas: a formação dos funcionários.

(...)

Depois de estudantes e professores se manifestarem pedindo um lugar à mesa de debate, o espaço para profissionais de educação foi ampliado. Continuam sendo apenas 2 representantes dos alunos, mas subiu de 3 para 9 o total de professores entre os 57 convidados para audiências públicas na comissão especial. Os lugares de honra, no entanto, permanecem reservados às fundações e institutos empresariais.

A próxima audiência pública, por exemplo, está marcada para a próxima terça, 8 de novembro, e contará com representantes do Instituto Inspirare, Fundação Lemann e Instituto Unibanco. Muitos dos representantes destes organismos receberam até mais de um convite, todos feitos pelos 24 parlamentares integrantes da comissão, para ir ao púlpito. Serão necessárias outras audiências, no entanto. Afinal, são muitos os representantes de fundações e institutos empresariais.


A GENEROSIDADE É TAMANHA que chega a despertar curiosidade. No caso específico do banco Itaú, por exemplo — dono da Fundação Itaú e do Instituto Unibanco — é do tamanho de uma pilha de R$ 188,8 milhões de reais, tudo investido apenas em educação e apenas em 2015, de acordo com suas demonstrações contábeis.

Nos artigos publicados por especialistas do Itaú sobre educação, o tom não é exatamente de caridade. Em “Educação, produtividade e crescimento”, de janeiro deste ano, pode-se ler:

“Em 1992 os brasileiros estudavam 4,8 anos, em média.

Em 2014, o número subiu para 8 anos.

Com esses resultados, a produtividade da mão de obra no Brasil deveria estar aumentando, contribuindo para o crescimento do PIB potencial do país. No entanto, as estimativas de evolução da produtividade calculadas a partir das contas nacionais e dos números do mercado de trabalho sugerem que, na melhor das hipóteses, a produtividade ficou constante. Por que isso acontece?”

Fica bem claro que a mentalidade do investimento em educação é aumentar a produtividade da massa trabalhadora. Inclusive, essa é a ideia por trás da reforma do ensino médio: formar a massa trabalhadora, e não indivíduos pensantes. É o que critica a professora de educação física Viviane Coelho:

“As crianças e os adolescentes, eles têm que passar por essa experimentação. Até porque quando eles se formam no ensino médio eles não têm uma exata noção do que eles querem fazer, estão numa fase de transição. Então todas as matérias são importantes. Mesmo que não seja a aptidão, mas que se forme, que tenha a informação, então o aluno se forma de uma maneira mais global.”

(...)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Se o PT não eliminou as desigualdades sociais, não será a direita que eliminará

Um péssimo negócio o retorno da direita ao poder. Tradicionalmente, a direita nunca gostou de seres humanos, que para ele só servem para obter favores e satisfazer interesses. Para a direita, o que interessa são apenas bens, valores e instituições. Não dá para esperar responsabilidade social de quem pensa desta forma.

Mesmo assim, os conservadores sempre confiaram nas lideranças de direita, pois elas se encaixam no estereótipo de liderança. Um sujeito de terno e gravata, cabelo penteado, poliglota, com diploma de nível superior e fala polida e eloquente, dificilmente será associado a um arrivista ganancioso e irresponsável. 

Acreditam que um sujeito assim, mesmo que não distribua a renda de forma justa, arrumará um jeito de confortar os mais carentes, mesmo da forma precária de como têm sido feitas as medidas de benefício social. Mas parecer bondoso é muito mais interessante para os conservadores do que melhorar a vida de pessoas carentes, algo que não traz benefício prático às elites.

Mas a confiança depositada nas elites, as transformando em "Salvadoras da Pátria" é um erro que pode ser convertido em uma cilada. As elites adoram posar de bondosas, mas detestam de fato ser bondosas. Se preocupam mais com a sua imagem e os benefícios que possam ser resultantes dela. 

É uma ingenuidade acreditar que a direita, representante legítima dos interesses das elites, possa se interessar em melhorar as vidas dos mais carentes. Analisando a tradição direitista de ajuda aos mais necessitados, é de se esperar que se limite a caridade já praticada por ONGs e instituições de caridade, que dão consolo, compensação, sem tirar os pobres de sua situação humilhante.

Se a esquerda que temos não conseguiu eliminar as injustiças sociais e tirar os mais carentes de suas condições, seria melhor que negociássemos com esta esquerda para que ela possa fazer melhor. Caso isso não seja possível, devemos lutar por uma nova esquerda, com pessoas realmente compromissadas com o bem estar social.

Francamente, engravatados nascidos em berço de ouro são os piores gestores de responsabilidade social, até pela ausência de experiência em situações de extrema pobreza e falta de sensibilidade à necessidades alheias. Não possuem embasamento ideológico e nem a competência necessária para agir em benefício da coletividade. Se a direita fosse realmente altruísta, as vozes fascistas não teriam voltado a tona, falando alto e com insistente desejo de imposição.

Enquanto não entendermos que só a esquerda tem condições intelectuais e de sensibilidade para ajudar de forma eficiente os mais necessitados, eliminando problemas, injustiças e tirando-os de suas condições indignas.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Filosofa de orientação política anarquista fala sobre as eleições

ESPREMENDO A LARANJA: Achei interessante colocar aqui um trecho desta entrevista e o link do artigo completo porque traz uma visão diferente sobre o cenário político brasileiro, levando em conta o fato da entrevistada ser uma anarquista. Leiam com atenção e reflitam sobre a nossa política brasileira, o verdadeiro poder que está por trás dela e as razões que levaram a tudo acontecer como agora, em que temos uma moderada ditadura resultante de um golpe desonesto.

Entrevista de Camila Joudan a Leonardo Mendes

Leonardo Mendes, no Diário do Centro do Mundo

DCM - Há quantas eleições você não vota e por quê?

Camila - Como sou anarquista desde muito jovem, meu posicionamento sempre foi o voto nulo.

Admito que na primeira eleição que o Lula venceu, eu também votei nele, não que tivesse deixado de acreditar no mesmo que ainda acredito hoje, mas como não estava muito ativa politicamente naquele momento, achei na época que era o máximo que podia fazer. Eu não me decepcionei totalmente, pois já sabia das limitações da via institucional.

Mais importante do que o ‘não vote’ é, sem dúvida alguma, o lute, o organize-se. Os anarquistas defendem o ‘não voto’ ou o voto nulo como ação política refletida, é uma consideração sobre a impossibilidade da via institucional trazer as mudanças que buscamos e, ao mesmo tempo, sobre o equívoco envolvido no peso que se coloca nesta disputa. Porque a eleição canaliza as vias de ações políticas concretas e faz parecer que a participação política democrática se resume a votar. Esta canalização é extremamente nociva.

Se pensarmos o que houve nas últimas décadas no país, veremos que a chegada de um partido de esquerda ao poder não fortaleceu a esquerda, mas a fez recuar nos espaços de luta concreta e organização. Foi isso que ocorreu com o MST, por exemplo, que recuou a luta no campo com o PT ocupando a presidência. Foi isso que ocorreu também recentemente com as greves da educação em 2016, que foram entregues para que os partidos que aparelham os sindicatos podessem se dedicar melhor à campanha eleitoral. E estou dizendo isso para citar dois exemplos apenas.

O que ocorre no geral com as eleições é uma inversão dos meios pelos fins, ganhar a disputa se torna um fim em si, e, com isso, se perde aquilo que é de fato importante, tentando alcançar o poder, quase sem se notar que este mesmo poder, nos moldes em que se encontra, é incapaz de gerar as mudanças estruturais que desejamos e que só poderá ser usado em favor das classes e elites dominantes. Então, para alcançar o poder, pela disputa, o partido, o candidato de esquerda se transforma naquilo mesmo que pretendia combater, não por um problema de princípios particularmente deste ou daquele, mas uma questão estrutural.

(...)

DCM - Em algum momento pode ser necessário votar para tentar evitar o pior? Digamos Donald Trump, fanáticos religiosos…

Camila - Eu realmente entendo quem tem este medo, é um equívoco fácil de se cometer. Creio que esta ideia se deriva em máximo grau ainda do peso que as pessoas colocam no processo eleitoral e na via institucional. Mas existem lutas concretas acontecendo todos os dias, a troca de políticos ocupando cargos e o parlamento não é toda a vida política de uma sociedade, e não é o mais importante, fundamentalmente não é o que faz a diferença, não foi por meio disso que algum direito foi conquistado, nenhum salvador deu algum direito de presente ao povo, esta é uma ilusão muito nociva.

Ao lado disso, há o discurso do medo, temos que votar em tal candidato porque de outro modo algo terrível vai acontecer, este discurso é feito pelos dois lados, ‘tenham medo’, ‘votem em alguém para evitar uma catástrofe’. ‘Tenham medo, escolham um senhor para proteção’. Ora, as coisas já estão péssimas, muito terríveis mesmo. Não é o voto que vai evitar uma catástrofe maior, a catástrofe está posta, ela é a fase atual do capitalismo.

DCM - A descrença na democracia representativa por parte da esquerda não contribui para que a direita vença nas urnas com mais facilidade?

É a acusação que nós mais sofremos. “Se vocês votassem, nós ganharíamos as eleições.” Nós quem?! E aqui eu gostaria de dizer: “A César o que é de César! Quando vocês ganham as eleições, já não são mais de esquerda”. Sabe aquela famosa citação do Deleuze? “Não existe governo de esquerda porque a esquerda não tem nada a ver com ser governo”? Eles acham que se votássemos, a esquerda ganharia. Nós achamos que se a esquerda institucional deixasse de gastar tanto tempo, energia e dinheiro tentando ganhar e legitimar este processo, se não entregasse todas lutas de base, todas as greves e seus próprios princípios tentando ganhar isso (que já está perdido de saída), e se investisse este tempo, esta energia e este dinheiro na luta concreta e na organização popular, na criação de comunas autônomas, não haveria direita que conseguisse nos governar. Pois é claro que se pode ganhar e não levar, pois as lutas são diárias, são concretas, são nos espaços de base de construção da sociedade. E tanto mais fortes quanto menos institucionais.