segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Povo substitui conhecimento político ausente por confiança em estereótipos de liderança

A maioria da população não entende política. Finge entender para dar a impressão de que é inteligente e de que conhece seus direitos. Mas não é verdade. Conversando com as pessoas mais comuns da sociedade, a gente percebe claramente o nível de ignorância política que o cidadão tem por desconhecer História e os detalhes mais obscuros revelados apenas nos bastidores da vida política, nunca divulgados nos grandes meios de comunicação.

Sem assumir publicamente a ignorância política, secretamente acaba assumindo para si mesmo. Inseguro sobre política, sem saber como funciona a gestão política (que é totalmente diferente da gestão de uma empresa e mais ainda da gestão da casa de um cidadão comum), decide escolher seus representantes políticos com base nos estereótipos tradicionais de liderança política, uma imagem nem sempre verdadeira mas quase sempre convincente.

Um homem branco, de fala polida, educada, que tem diploma de nível superior, que usa terno e gravata como uniforme de trabalho, de preferência poliglota, aparenta aos olhos mais ingênuos, o tipo perfeito de liderança, mesmo que em sua essência ele seja totalmente vazio de ideias e iniciativa.

Mas a sociedade conservadora, já tradicionalmente afeita a estereótipos, sente muito mais segurança quando está diante de uma liderança com estas características. Claro que o fato do líder ser poliglota é irrelevante se ele vai para uma gestão municipal de uma cidade pequena. Se ele for formado em biologia marinha é ainda mais irrelevante, para não dizer inútil. 

Independente do conhecimento, o diploma de nível superior, mesmo que em área profissional não relacionada com a gestão política, oferece credibilidade, pois se ele tem diploma, então tem conhecimento. Para a população mais ingênua ou inculta, não interessa o conhecimento em si, interessa que a liderança a tenha. Mesmo que este conhecimento nada sirva.

A vitória da direita nos dois turnos da eleição de 2016 representa muito bem isto. Incapaz de imaginar uma opção política que pudesse ser melhor que a decepcionante esquerda petista, preferiu se prender a velhos estereótipos de liderança e trazer de volta ao poder as mesmas forças que demonstraram incompetência política em um passado não muito remoto. 

Ou seja, ao invés de eleger candidatos capazes de novas ideias e novas medidas para tentar consertar os erros das gestões petistas (que mesmo com muitos acertos, também erraram bastante), numa demonstração de falta de memória, coloca no poder justamente os que fracassaram em suas gestões no passado, cometendo erros muito piores que os dos petistas. E o resultado disso já começa a aparecer numa ditadura atrapalhada que começa a gerar muitos danos.

Nessa de "todos os políticos são iguais", preferiram colocar homens com postura estereotipada de liderança, o que não adiantará em nada, pois se esquecem que estereótipos não fazem política. Lula, que não corresponde ao estereótipo tradicional de liderança política (e ainda é muito criticado por isso) mesmo não cumprindo a mudança que prometeu em suas gestões (se tivesse cumprido, o golpe não teria ocorrido), tomou decisões importantes (quitação da dívida, fortalecimento de empresas nacionais, por exemplo).

Mas o povo, acostumado com novelas e filmes na TV, deseja que seus políticos se pareçam com seus heróis de obras de ficção. Mesmo que o resultado positivo de suas gestões seja tão fictício quanto.

domingo, 23 de outubro de 2016

Como conservadores tentam convencer o povo de que governos de direita são "melhores"

O sentimento de individualismo surgido do isolamento de muitas pessoas diante do computador tem favorecido cm que ideias conservadoras, direitistas e até fascistas renascessem das cinzas, resultando no golpe de Temer & CIA e na histeria de jovens de mentalidade retrógrada que sonham com um país feito só para eles. 

Elegeram a esquerda como um bode expiatório para a crise do país (não para resolvê-la, mas para satisfazer suas convicções pessoais), e não sossegam enquanto não a combatem, de preferência de forma mais violenta possível.

Para os direitistas, governos de esquerda não prestam. Como não conhecem História e política, fazem um verdadeiro malabarismo intelectual para tentar convencer as pessoas dos absurdos que defendem, acreditando que um mundo em que apenas ricos são dignos e prósperos é um mundo "bom para todos". Como eles consegue convencer os mais ingênuos disso?

Bom, para entender os picaretas da direita, é preciso entender a sua linha de pensamento e seus métodos, sem esquecer que ideias absurdas só florescem em sociedades onde a educação é ruim e maioria das pessoas é desestimulada a pensar. O Brasil é perfeito para isso.

Como a maioria das pessoas não entende a complexidade da política, é preciso ser o mais simples possível no discurso de convencimento. Por isso a justificativa de defesa dos pontos de vista da direita deve ser o menos complicada possível. E nada melhor como uma lenda fantasiosa para convencer incautos, já acostumados com a religiosidade (um amontoado de lendas), fazendo-os confiar na horda de abutres que pousa sobre nossas costas.

A palavra "investidor" e a falsa ideia de "altruísmo"

É o seguinte: sabemos que os governos direitistas governam para as elites, sobretudo para as grandes corporações, sejam nacionais ou estrangeiras instaladas no país. Coloca-se nas cabeças ingênuas da população a ideia - absurda - de que os donos das grandes corporações são "investidores" (um nome lindo que carrega o sentido de "altruísmo") interessados em "ajudar a população carente e a desenvolver o país". 

Com isso, a população, mesmo sabendo que governos só ajudam as elites, fica na expectativa de que essas elites,s endo supostamente altruístas, decidam repartir com a população o excesso que possuem, através do pagamento de salários e da caridade (estereotipada). Isso cria um clima de pseudo-tranquilidade em governos direitistas, com a população pensando que está sendo ajudada. Isso favorece a retirada da imagem de vilania inerente aos grandes capitalistas, erroneamente tratados como benfeitores.

Para completar a falácia, cria-se meios aparentemente democráticos para que uma pessoa possa abrir seu negócio e crescer e/ou o empregado poder progredir na carreira profissional. Mas isso é uma farsa, pois é nos detalhes mínimos que se esconde o caráter autoritário do Capitalismo. 

Sabemos que o Capitalismo não dá espaço para todos, reparte muito mal a renda e cria todos os meios para dificultar sem censura explícita, a evolução sócio-econômica de um indivíduo, que é obrigado a se virar para vencer na vida, de acordo com as regras criadas pelos capitalistas. A mão que estica para ajudar a tirar a pessoa do poço é da mesma pessoa que usa a outra mão para impedir a saída desse mesmo poço.

Mas isso ocorre de modo sutil e intelectuais são pagos para escrever livros e mais livros tentando defender esta prática hedionda de modo positivo, como se fizesse parte da corrida pela sobrevivência. Aí as pessoas acreditam, tudo fica bem, e as coisa funcionam desse modo ad nauseam, sem prazo para acabar.

Mesmo assim, é preciso ser muito ingênuo para acreditar que o Capitalismo é benéfico e justo quando nos bastidores observamos horrores e que os "lucros justos" dos grandes capitalistas não são o dinheiro justo para a sobrevivência e sim uma gigantesca quantia para adquirir poder político e transformar qualquer democracia em escravocracia.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Prisão de Cunha é reação a vazamento de plano para prender Lula

A prisão do ex-deputado carioca Eduardo Cunha teve reações diferentes entre conservadores e democráticos. Conservadores ficaram na reação infantil de tentar usar a prisão de Cunha como forma de dizer "tá vendo como o meu querido Sérgio Moro não é parcial?". Democráticos reagiram com desconfiança, pois sabiam que a prisão de Cunha fazia parte de um jogo. 

Na verdade, os conservadores estão errados, como sempre estiveram. Além do fanatismo cego pró-Moro, a direita demonstra claramente mal informada, se prende a estereótipos e até agora não propôs uma alternativa sensata e eficiente contra aquilo que eles chamam erradamente de "bolivarianismo", preferindo se limitar a expôr a sua burrice por meio de xingações contra aqueles que não se afinam com ideais direitistas.

A prisão de Cunha, estranhamente comemorada por quem o apoiou um dia (veja a foto que ilustra esta postagem), realmente faz parte de um jogo, alem de ser uma maneira de Moro, contrariado com as críticas - justas - que recebe (pois não age como juiz e sim como um delegado justiceiro), resolveu fingir comprovar a sua imparcialidade e escolheu um ex-aliado para ser preso. Mas para não estragar seus planos, escolheu um ex-aliado semi-morto, alguém sem serventia para os dias de hoje.

O escolhido foi Eduardo Cunha. mas não pense que ele foi tratado como bandido, como seriam os esquerdistas. Não esqueçamos que vivemos numa guerra psicológica onde conservadores se dizem pertencer ao "lado do bem" e os esquerdistas "do mal". Cunha, por estar do "lado do bem", foi tratado de forma civilizada, conduzido por um jovem policial barbudo que um dia manifestou admiração pela atitude de Cunha, tendo-o como "herói".

Há indícios de que a prisão é resultado de um acordo pessoal entre Moro e Cunha para favorecer o lado deste. A direita que comemorou a prisão se esqueceu de alguns detalhes que levam a suspeita de que Cunha pode não estar sendo punido, do contrário do que parece ser. Cunha pode estar sendo usado na verdade para a execução de um plano.

Vazamento da prisão de Lula pode ter influenciado decisão de prender Cunha

A prisão de Cunha coincide bastante com as críticas que Moro recebe não somente pela sua parcialidade, mas pelos seus métodos estranhos para o Direito em geral. Estudante medíocre de direito segundo dizem, Moro, foi escolhido para fazer o trabalho sujo, pois um jurista sério nunca iria aceitar o papel de carrasco parcial como meio de favorecer a vitória de um partido (no caso, o PSDB - partido do falecido pai de Moro) que nunca iria ganhar eleições com um programa de governo sádico e excludente.

Outra coincidência com o fato é o vazamento dias antes do plano de prender o ex-presidente Lula, muito popular no país, para que preso, seja impedido de concorrer à presidência da República, sendo um obstáculo a menos para que os tucanos vencem a eleição com o seu projeto elitista. Lula seria preso de surpresa e com um espalhafato midiático feito para humilhar publicamente o ex-presidente. 

Seria uma tentativa de solidificar para o senso comum a mentira de que Lula era um mafioso perigoso, arrivista e genocida a prejudicar toda a nação. Uma mentira tola que só existe nas mentes de quem não conhece Lula, de quem acredita que "povo brasileiro" é apenas quem ganha 10 salários mínimos para cima, tratando as outras pessoas como "lixo vagabundo".

Mas com o vazamento, o elemento surpresa desapareceu e os admiradores de Lula se apressaram logo em fazer vigília para defender o ex-presidente. A mídia resolveu fingir que o plano não existe (todos sabem que prender Lula é sonho dos conservadores), ridicularizando a fonte que corajosamente fez a denúncia, tratada pelos direitistas como boato.

Com a prisão de Cunha, fica mais tranquilo para Moro pegar Lula, se encontrar um motivo - falso, mas convincente - para prendê-lo. Moro sabe que a mídia internacional e lideranças políticas de outros países conhecem o seu plano e jogar Lula aos leões sem motivo pode priorar ainda mais a sua reputação como juiz. É como dizem os sensatos, encontraram o "criminoso", falta agora encontrar o crime que justifique a acusação. 

Assim caminha a humanidade brasileira, conduzida - e condenada - por um bando de irresponsáveis delinquentes de terno e gravata, cheios de títulos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A prisão de Cunha não muda nada no cenário político brasileiro

Ontem, no início da tarde recebi uma notícia que poderia ter sido uma bomba: a prisão (sem humilhação e sem estardalhaço, bom lembrar) do ex-deputado carioca Eduardo Cunha, por decisão própria do juiz paranaense Sérgio Moro, condutor do processo conhecido como "Lava Jato". A direita comemorou o fato como espécie de "prova" da imparcialidade de Moro. Mas não-direitistas e especialistas mais sensatos classificam a atitude como parte de um jogo. 

Na verdade, Cunha é cachorro morto. Após ter tomado a "brilhante" decisão de expulsar Dilma Rousseff do governo, o ex-presidente da Câmara de Deputados não interessava mais a direita. O garoto de recados havia cumprido a sua missão. Estava mais do que na hora de ser descartado. Este é outro fator que não animou a esquerda, pois a prisão de Cunha não trará, de princípio, prejuízos para a direita. A não ser que Cunha resolva abrir o bico.

Cunha, que segundo ele mesmo tem uma excelente memória, é um arquivo humano. Sabe de todos os podres dos personagens da política brasileira, sobretudo de aliados e ex-aliados. Há quem garanta que se ele falar, o governo Temer é derrubado. Mas Moro sabe que Cunha só poderá falar perto do final de ano, para que não haja eleições diretas. 

Moro, que viaja constantemente aos EUA por razões misteriosas, sabe que a esquerda é bem popular e tem programa de governo benéfico às classes humildes (para quais Moro não trabalha). Tirá-la do caminho é a medida para que alguém que governe só para os mais ricos e que agrade as instituições estadunidenses tome o poder.

Já está mais do que claro que o combate a corrupção não foi a verdadeira intenção deste golpe. Até a direita passou a admitir isso. Governos trabalhistas sempre foram derrubados no Brasil, pois as empresas instaladas aqui, todas a serviço do capital especulativo estrangeiro, tem condições econômicas para pagar agentes responsáveis para derrubar políticos trabalhistas.

O empresariado, arrivista e ganancioso, sempre desejou que a política funcionasse a seu favor. Enriquecidos graças ao rentismo, à ajuda do poder público e também à sonegação, empresários controlam de tudo a todos e nunca deixam evidentes seus interesses cruéis, se aproveitando da ignorância de boa parte da população que não consegue enxergar vilania  nos homens mais ricos do país.

A prisão de Cunha, do contrário que a direita alega, não significa justiça e muito menos imparcialidade. É na verdade uma etapa de um jogo, pois o ex-deputado pode estar servindo de um meio para facilitar o verdadeiro objetivo da Lava Jato: pegar Lula e prendê-lo até que acabe a eleição de 2018, tirando do hiper-popular PT a vantagem na corrida presidencial, favorecendo para que um direitista, afinado com interesses dos ricos e dos EUA, sente na cadeira mais importante do país.

Não comemorem. Cunha é cachorro morto. Não interessa a plutocracia. Se ele mantiver calado, as elites podem continuar sossegadas com a sua sádica exploração dos mais pobres, aprisionando o Brasil em sua incurável condição de país sub-desenvolvido.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A prisão de Lula e o verdadeiro objetivo da Lava Jato

Estava mais que suspeito um processo conduzido por um juiz paranaense filho de um dos fundadores do PSDB local e amigo de vários tucanos e simpatizantes do partido e que não cansava de aparecer e receber prêmios (por justiça, juiz nunca deve receber prêmios) de uma mídia claramente aliada ao partido de Aécio FHC & CIA. Agora tudo está confirmado: a Lava Jato é tucana.

Na verdade, a política é um jogo. Mas não um jogo simples, como a maioria despolitizada da população, que trata o caso como se fosse uma novela mexicana, pensa. É um jogo complexo, onde a parte mais importante está nos detalhes mínimos.

Recebemos a informação de que a partir de hoje, Lula pode ser preso a qualquer momento. Será uma prisão injusta, pois não há motivos para prendê-lo. Se isso se confirmar, Lula será um preso político nos mesmos moldes da ditadura militar. O que significa que ficará explícito o fato de que o governo que se instala é uma ditadura, com toda a essência que a classifica como tal.

A finalidade da Lava Jato é usar instrumentos jurídicos para dar uma aparência de justiça e legalidade a trapaça tucana que quer chegar ao Palácio do Planalto de qualquer jeito para que o Brasil não se desenvolva e não ameace a hegemonia estadunidense. Além disso, grupos conservadores se aproveitam disso para impor a população suas retrógradas convicções pessoais, válidas apenas no Brasil Colônia.

Guerra Fria Brasil x EUA

O Brasil tem muitas características em comum com os EUA. Há uma secreta e não declarada guerra fria entre Brasil x EUA. Toda vez que o Brasil se destaca na economia, lá vem alguém dos EUA reclamar. É preciso aprisionar o Brasil na sua condição de país sub-desenvolvido. A descoberta do pré-sal, que poderia alavancar bruscamente o desenvolvimento do Brasil, coincidiu muito, de forma cronológica, com o despertar do neoconservadorismo. Como eu não acredito em coincidências...

Travar o desenvolvimento brasileiro é o verdadeiro motivo do golpe. O papo de "combate a corrupção" foi lançado exclusivamente para obter apoio popular ao golpe. Todos sabem que mais de 75% dos brasileiros não entende como funciona a política. Não percebem que não se combate corrupção prendendo suspeitos e soltando culpados. 

Era para Lula ser preso no final do ano, para possivelmente ser solto após as eleições de 2018. Tucanos sabem que Lula é extremamente popular, um líder de alto carisma. Lula em 2018 ganharia fácil. Seria preciso agir como Dick Vigarista e eliminar o forte concorrente para que o impopular e tirano PSDB ganhasse a eleição e aprontasse das suas na principal poltrona do Planalto.

Mas Lula poderá ser preso mais cedo do que se pensa, na tentativa de salvar o governo Temer diante da incrível impopularidade deste. Temer está prestes a aprovar o cancelamento de direitos essenciais sobre a desculpa esfarrapada de "controlar os gastos" e isso poderá causar uma comoção coletiva contra o presidente golpista. 

Lava Jato não prenderá caciques do PSDB

Prender Lula não só iria desviar o foco como daria uma falsa impressão aos mal-informados de que o ex-presidente petista era "realmente" o culpado pela desgraça em que o país se encontra. A prisão soaria como uma "confirmação" das delirantes teses direitistas sobre Lula e os petistas.

Várias lideranças petistas e aliadas estão presas sem provas. O tagarela do Dallagnol e sua equipe (também integrantes da "Lava Jato") acabaram sendo involuntariamente sinceros quando disseram que "não temos provas, mas convicções" sobre a culpabilidade dos petistas.

Acontece que a mesma Lava Jato já mandou encerrar as revelações sobre a Odebrecht pois na lista de delações já começam a aparecer caciques plumados do PSDB, personagens que Moro & CIA tem o interesse de preservar em liberdade e atuando politicamente. Como eu disse, o "combate a corrupção" é papo furado para obter apoio popular ao processo. Enquanto há petistas presos sem qualquer tipo de prova, há tucanos comprovadamente corruptos voando alegremente pelo azulado céu de nosso Brasil.

Se Lula for realmente preso, ficará bem claro o caráter autoritário dos conservadores (que odeiam dialogar com quem eles não gostam) e que estamos em uma autêntica ditadura, com um preso político atrás das grades. Mas como Lula é muito popular, teremos a nossa versão tupiniquim do "Free Nelson Mandela", evidenciando e denunciando o apartheid "Casa Grande x Senzala" que discretamente sem marcou o cotidiano de nosso país.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Direita não usa a inteligência para criticar a esquerda

Sempre digo que as melhores críticas aos erros cometidos pelas esquerdas vem das esquerdas. A esquerda erra e o tenho certeza que boa parte do êxito dos golpistas se apoiou na fraqueza das esquerdas, que ingenuamente cometeram erros. Obviamente a direita soube aproveitar esta fraqueza e caiu de pau nas esquerdas, mas sem a inteligência que alegam ter.

Lendo textos escritos por direitistas e assistindo aos vídeos que produzem e colocam no YouTube, nota-se uma falta de argumentos lógicos que convençam quem tem  o mínimo de racionalidade. Eles se limitam aquela mesma rabugice, reclamações subjetivas contra quem se opõe a seus interesses e pontos de vista. 

Não raramente são obras cheias de mentiras, lendas urbanas e suposições caluniosas que não servem como prova de que o que os direitistas alegam está correto. Mas como diz um dos ídolos dessa elite incomodada, "não precisamos de provas, mas de convicções". Então tá.

A direita nunca foi de fato inteligente. Colecionadoras de títulos e diplomas, as elites sempre consideraram a inteligência uma ferramente exclusiva para o mercado de trabalho. Apesar de gostar de serem considerados inteligentes, concordam que nos momentos livres o cérebro deve descansar para que as pessoas estejam "de bem com a vida" (eufemismo para alienado). Pensar 24 horas por dia cansa e soa bem nocivo para a elite conservadora.

O resultado desse desprezo pela lógica está aí: com a direita produzindo textos, áudios e vídeos rancorosos, patéticos, caluniosos e que cuja característica em comum é a recusa ao diálogo e a negociação. Elites nunca foram muito boas em negociar, a não ser com elas mesmas. E até agora não vieram com proposta alguma para solucionar o que as esquerdas supostamente fizeram de errado. Até hoje espero algum argumento lógico que me faça dar razão aos direitistas. Até  momento não apareceu sequer um.

Quando tentam propor alguma coisa, nada muito diferente das atrocidades sádicas feitas pelos governos nazistas. Hitler é um ídolo enrustido das elites brasileiras, que fingem odiá-lo, mas seguem exatamente o seu pensamento e os seus métodos sádicos e gravemente danosos. Como o ditador austríaco metido a alemão, as elites brasileiras destilam ódio a tudo que lhes soa diferente, sem qualquer chance de diálogo ou negociação, mas sempre com justificativas toscas e surreais.

Mas fico com o que aconselhou o grande ator e ser humano formidável José de Abreu: deixe os direitistas falando sozinhos. É burrice tentar convencê-los de sua ignorância. Quem tem a mente limitada como os direitistas, vê esse mundo limitado como um todo e por isso acham que sabem tudo, mesmo sem enxergar além do que eles conhecem. Se acham sábios porque os 1% que conhecem sobre a realidade lhes parece 100%.

Melhor que esta direita continue vomitando suas asneiras para o vento. O tempo se encarregará de dar o diploma de burro a estes idiotas. Mais um diploma, e talvez o mais importante, para a gigantesca coleção de títulos inócuos acumulados pelas elites brasileiras.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Gregório Duvivier esclarece sobre os danos da PEC 241

Gregório Duvivier é um dos melhores humoristas da atualidade. Mas quando quer falar sério, o faz com o mesmo talento. É um ser humano responsável, consciente e tem dado o seu melhor em seu ativismo político. Seu talento no humor nos faz rir e a sua consciência político-social nos faz sorrir. É uma pessoa compromissada com o bem estar de todas as pessoas. Um verdadeiro altruísta.

Vi vários vídeos, de autorias diversas, explicando os malefícios da irresponsável PEC 241, que estimula o corte de gastos pelo governo Temer. Divulgado como medida para adequar o Brasil as limitações impostas pela crise mundial, na verdade é uma sangria a tirar dos pobres para dar aos mais ricos, já que sabe-se muito bem que a medida não atingirá o patrimônio dos magnatas brasileiros e magnatas estrangeiros instalados no país.

É uma medida irresponsável, pois além de mexer com o pouco dos que mal tem, não segue as orientações propostas pela Ciência Econômica, o que pode significar um tiro na culatra. Vários economistas experientes fizeram simulações que comprovam que a PEC 241 poderá, do contrário que justificam os seus defensores, levar o Brasil para a falência.

A medida na verdade é um meio de tirar o governo da responsabilização social. A direita sonha com um Brasil elitista e como pegaria muito mal sair matando pobres através da violência, mata-se discretamente com a eliminação de direitos, para que alongo prazo somente os poucos ricos sobrevivam no país. É uma versão light do que foi feito por Hitler na sua gestão nazista.

Veja o vídeo narrado pelo excelente Gregório Duvivier que ajuda a explicar, com palavras simples (e não com a verborragia hipócrita de seu criador, o banqueiro Henrique Meirelles) a temida PEC 241.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A ditadura já começou, por Luis Felipe Miguel

ESPREMENDO A LARANJA: Já não dá mais para esconder que entramos em uma nova ditadura. Uma ditadura de direita, ao contrário do que diz os alienados ddireitistas que acham impossível uma ditadura que não seja de esquerda. Infelizmente o Brasil caminha para um retrocesso radical, retomando muitas características da República Velha (1889-1930). 

Se recuperarmos a democracia, teremos que começar tudo de novo, revivendo mais de 100 anos, repetindo as mesmas lutas. As ditaduras que tivemos infelizmente não nos ensinaram suficiente. Teremos que apanhar de novo para aprender.

Este texto sensato foi publicado no Facebook e reproduzido no site de política Amoral Nato, de René Amaral. Este texto comprova os fatos que nos mostram que, infelizmente, entramos em uma ditadura, de um novo tipo, sem militares e armas.

A ditadura já começou

Luis Felipe Miguel, pelo Facebook

Assim como sofremos um golpe de novo tipo, estamos vivendo o início de uma ditadura de novo tipo. Não será o regime de um ditador pessoal, até porque nenhum dos possíveis candidatos ao posto tem força suficiente para alcançá-lo. Não será uma ditadura das forças armadas, ainda que sua participação na repressão tenda a crescer. Provavelmente, muitos dos rituais do Estado de direito e da democracia eleitoral serão mantidos, mas cada vez mais esvaziados de sentido.

A ditadura se expressa no alinhamento dos três poderes em torno de um projeto claro de retração de direitos individuais e sociais, a ser implantado sem que se busque sequer a anuência formal da maioria da população, por meio das eleições. Entre muitos outros sinais de que ela já começou, é possível citar:

- A decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no dia 22 de setembro, concedendo ao juiz Sérgio Moro poderes de exceção. Na prática, as garantias constitucionais ficam suspensas para qualquer um que seja alvo do juiz curitibano.

- A decisão do Supremo Tribunal Federal, do último dia 5 de outubro, de permitir o encarceramento de réus sem que os recursos tenham sido esgotados. Vendida como medida para impedir a impunidade dos poderosos, amplia o poder discricionário de um Judiciário que é notoriamente enviesado em suas decisões. Apenas como ilustração, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro afirmou em nota que mais de 40% de seus recursos ao STJ têm efeito positivo. É, portanto, um contingente muito expressivo de pessoas que começariam a cumprir penas depois consideradas injustas.

- Outra decisão do STF no mesmo dia permitindo que a polícia invada domicílios sem mandado judicial.

- O aumento generalizado da truculência policial, algo que vem desde o final do governo Dilma, estimulado pelo clima político de avanço da reação - e também pela legislação que o próprio governo Dilma aprovou.

- O rolo compressor das mudanças na lei e na Constituição, com o uso inaceitável do instrumento da medida provisória (como no caso do ensino médio) ou a ausência de qualquer debate, seja com a sociedade, seja dentro do próprio Congresso. A entrega do pré-sal e a PEC de estrangulamento do investimento público servem de exemplo: a "base governista" nem tentou fingir que não estava apenas cumprindo o ritual da aprovação parlamentar, sem qualquer engajamento em discussões com a oposição.

- O avanço da censura e a imposição da narrativa única pelos oligopólios da mídia empresarial, parceiros de primeira hora da ditadura em implantação. Isso se dá em várias frentes. Há o estrangulamento econômico dos meios de comunicação independentes. Há a intimidação das vozes críticas, da qual o exemplo maior são as inúmeras decisões judiciais que penalizam qualquer um que ouse falar sobre o ministro Gilmar Mendes. E há o cerceamento à liberdade de expressão nos espaços em que ela possa ocorrer, como faz o projeto Escola Sem Partido. A comissão especial criada para discuti-lo na Câmara dos Deputados é formada quase que exclusivamente por fundamentalistas cristãos e outros direitistas extremados. Uma ação no Supremo, contra a lei que foi aprovada em Alagoas, mas que barraria iniciativas similares no Brasil todo, está parada nas mãos do ministro Luís Roberto Barroso.

- A volta da tortura a prisioneiros, com motivação política. O encarceramento por tempo indefinido, com o objetivo expresso de "quebrar a resistência" de suspeitos (pois nem réus são) e levá-los à delação, tornou-se rotina no Brasil e é uma forma de abuso de poder, de constrangimento ilegal e, enfim, de tortura. (E antes de que alguém lembre que a tortura a presos comuns nunca se extinguiu no Brasil, cabe ponderar que a extensão da prática em nada melhora a situação dos presos comuns; ao contrário, pode piorá-la.)

- A volta da perseguição política, com inquéritos farsescos contra alvos selecionados, com o objetivo de apenas encontrar justificativas para punições definidas de antemão. O cerco a Lula é o exemplo mais claro.

- A criminalização do PT e da esquerda em geral, alimentada pelos meios de comunicação empresariais e pelos poderes de Estado, com destaque agora para a campanha do governo Temer sobre "tirar o Brasil do vermelho". A agressividade crescente dos militantes da direita, produzida de forma deliberada, tenta emparedar as posições à esquerda, progressistas e democráticas, ao mesmo tempo em que a cassação de registros partidários torna-se uma possibilidade mais palpável.

O novo regime busca hoje manter ao máximo a aparência de legalidade, mas a tendência é que caminhe para formas cada vez mais escancaradas de violência. Há uma razão simples para isso. Seu projeto é a confluência de quatro eixos: (1) entrega do patrimônio nacional; (2) ampliação da taxa de exploração do trabalho; (3) retrocesso nos direitos de grupos subalternos, com a reafirmação das hierarquias tradicionais (penso nas mulheres, na população negra, em lésbicas, gays e travestis); e (4) permanência das práticas de corrupção e de saque do Estado em favor da elite política reinante. Os eixos revelam o espectro de interesses diversos que se reuniram para a deflagração do golpe.

Trata-se de um projeto extraordinariamente lesivo para a grande maioria do povo brasileiro. Graças à baixíssima educação política da maior parte da população e à campanha incessante da mídia, para muita gente a ficha não caiu. Mas os efeitos da redução dos salários, do aumento do desemprego, do subfinanciamento do Estado e do desmonte dos serviços públicos logo se farão sentir de forma plena. Para conter a inevitável reação popular, será necessária uma escalada repressiva e restrições cada vez maiores aos direitos.

Diante deste cenário, de uma luta desigual e prolongada, o campo democrático brasileiro parte atrasado e sem clareza. As eleições municipais funcionaram e ainda funcionam como uma bela armadilha para colocar as forças de esquerda, progressistas e democráticas brigando entre si, enquanto os novos donos do poder nadam de braçada. É triste perceber a falta de visão e de grandeza que faz com que lideranças e militantes do PT e do PSOL prefiram puxar o tapete uns dos outros em vez de unir forças contra o inimigo comum; é triste ver um candidato de esquerda anunciando que a campanha no segundo turno será "municipalizada" e não tocará em questões nacionais; é triste ver como a energia que devia ser canalizada para a construção da resistência é desperdiçada no conflito interno.

Há muito o que criticar na trajetória das organizações de esquerda e suas lideranças - sobretudo do PT, que foi o principal partido durante décadas e exerceu o poder. Que o PT errou, todos sabemos. Mas a discussão, necessária, sobre seus erros e seus limites não pode impedir a unidade de ação contra o golpe e sua agenda. A expressão "Frente Ampla" está na boca de todo mundo, mas para muitos ela parece designar "somente eu e meus amigos". Não. É uma frente, isto é, reúne uma diversidade de grupos. E é ampla: nela devem estar aqueles com quem eu divirjo sobre muitas coisas, desde que possamos agir juntos em relação a algo que concordamos que, no momento, é o prioritário.

E o prioritário é restabelecer a vigência das regras democráticas e impedir o recuo social. Se as lideranças da esquerda brasileira não entendem isso, não entendem nada.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O fanatismo pró-Lula fortalece jogo da direita

Já falei em outras oportunidades da necessidade da esquerda se reinventar. Mal percebem os esquerdistas que o apego a antigos símbolos socialistas enfraquece a causa, fortalecendo a direita. 

Enquanto a esquerda oferece um conteúdo novo em uma embalagem velha, a direita faz o contrario, oferecendo comida estragada em uma bandeja térmica, linda e moderna. Para brasileiros, que não sabem pensar, a embalagem sempre será mais atraente que o conteúdo. A esquerda precisa embalar as suas ideias com algo tão novo quanto elas.

Uma das coisas que a esquerda precisa fazer é buscar novas lideranças. Mas infelizmente noto um verdadeiro fanatismo em relação ao fundador do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Sou eternamente grato pelo que Lula fez, mas ao mesmo tempo acho que o tempo dele já passou. Lula representa ainda uma liderança aos moldes soviéticos, um Lênin tropicalizado. Será que estão pensando em embalsamá-lo após a morte? Eu não duvido que sim.

E acreditem, esse fanatismo que transforma Lula em uma espécie de divindade das esquerdas agrada muito à direita. Isso personaliza as esquerdas, como se elas escolhessem qual representante será entregue como picanha a ser assada para o churrasco. A direita se diverte com a ideia de prender Lula, sabendo que é isso que irá enfraquecer as esquerdas fanáticas que não consegue imaginar a sua existência sem o ex-sindicalista.

Até penso que quanto mais a esquerda exalta Lula, mais a direita se sente fortalecida. Seria melhor que abandonemos o fanatismo a Lula para que a direita não enxergue nele o troféu a simbolizar a vitoria da direita. A direita quer uma espécie de "Lampião" para que a cabeça dele possa ser exposta em publico diante da Avenida Paulista ou na praça Curitibana em frente da Justiça (Fede)ral.

Seria muito bom ver uma esquerda renovada, inédita, com novas lideranças, novas ideias e novas atitudes. Mal sabem os esquerdistas que é o apego a antigos símbolos que faz com que a direita humilhe a esquerda. Mudando de atitude, vamos começar ter condições de impor respeito e lutar contra a direita com mais força e razão.

Lula fez muito por nós e somos agradecidos e ganhamos dele importantes lições. Mas a ideia de transformá-lo em um "salvador da pátria" parece estar de acordo com o jogo da direita, louca para convertê-lo em uma espécie de "mártir do mal". 

Precisamos renovar totalmente o Socialismo brasileiro. Para começar  temos que renovar nossas lideranças, gente nova a propor nova maneiras de se fazer Socialismo. Não deixemos a bela luz neon oferecida pela direita ofuscar a nossa incansável luta pela igualdade humana.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Os escombros do PT

ESPREMENDO A LARANJA: Este texto abaixo, escrito pelo professor de Filosofia Aldo Fornazieiri é a melhor cítica ao PT que eu já li. Normalmente as críticas feitas pela esquerda ao PT são fracas. Sabe-se que a direita não faz cíticas ao PT: humilha, pois suas "cíticas" não vão além da calunia, difamação e sérios xingamentos. 

Mas o PT precisava de um puxão de orelha, pois é nítido que o golpe foi favorecido pelo enfraquecimento do partido e pelos erros que ele cometeu. E este texto cumpre bem esta função. Cabe aos petistas se retirarem, refletirem e voltarem fortalecidos depois, mais amadurecidos, rompidos com antigos estereótipos e focados na justiça social, enfatizando mais a prática do que teorias abstratas, além de adotar um comportamento sóbrio que impeça a direita de fazer acusações indevidas e cometer mais difamações.

Os escombros do PT

Por Aldo Fornazieri, Publicado no Jornal GGN.

As eleições municipais reduziram o PT a pouco mais que escombros. Não faltaram advertências, principalmente a partir de 2013, de que o partido se encaminhava para um desastre. As críticas foram colhidas pelos petistas de duas formas: o menosprezo arrogante por parte de quem detinha poder e direção e acusações por boa parte da militância que, também arrogante, classificava as críticas como PIG, moralistas, esquerdistas etc.

O poder fez muito mal ao PT: a estrutura partidária e dirigentes se corromperam, a militância se domesticou e os movimentos sociais que orbitavam em torno do PT começaram a orbitar em torno do Estado, sendo cooptados e perdendo a energia combativa na luta por direitos e justiça. O PT se transformou no partido dos palácios, dos gabinetes, do luxo e da arrogância. Ninguém promove tal movimento sem que desabe sobre ele, mais dia menos dia, o merecido castigo do povo.

O PT alimentou a mesma crença que as elites históricas conservadoras alimentaram desde os tempos coloniais no Brasil: a de que a sociedade pode ser moldada e transformada desde o alto, desde o Estado. Esta prática sempre engendrou dominação e não liberdade e cidadania. Enquanto esta crença permanecer vigente, o Brasil permanecerá eternamente deficiente em seu conteúdo nacional e popular e a sociedade carecerá de vínculos societários republicanos, orientados para o bem comum e para o interesse público. Aqueles que chegam ao poder sempre se tornarão representantes de grupos e interesses particularistas, a se apossar do erário público em detrimento dos interesses de caráter universalizante. Será sempre o velho patrimonialismo vestido com roupas novas.

O PT se deixou abater pelo erro mais comezinho que as esquerdas vêm cometendo desde o século XX: a corrupção. A corrupção vem sendo, ao longo das décadas, a espada nas mãos da direita e da mídia para fazer rolar as cabeças da esquerda. Os eleitores mostram-se intolerantes à corrupção das esquerdas, pois, querem ver nelas uma reserva moral da sociedade, um exemplo da administração correta da coisa pública, um cimento de ética na sociedade. Quando as esquerdas se corrompem, os eleitores se sentem traídos.

Pouco a pouco, o PT foi caminhando para aquela condição mais indesejável da política: ser odiado. Isto já era visível nas eleições de 2014. De lá para cá, a imagem do partido foi se deteriorando, seja porque as denúncias se revelaram medonhas, seja porque os ataques dos seus inimigos foram devastadores sem que houvesse uma linha de resistência e de contraofensiva. Ao mesmo tempo em que se destruía, o partido se deixava destruir. A cada ataque, a direção partidária reagia com notas burocráticas e protocolares, foi perdendo credibilidade e deixou de ostentar virtudes e força moral capazes de mobilizar a militância. Como já se disse, a direção do PT tornou-se um comitê de generais de gabinete sem exército e a militância se tornou um exército sem generais.

“Ser odiado” é a condição absoluta que precisa ser evitada em política, ensina Maquiavel. Como partido antimaquiaveliano que é, o PT, ao passar da praça para os palácios deixou de olhar a realidade com os olhos da praça, deixou de se situar na planície e passou a olhar o povo com o ângulo de mirada dos palácios. Mas não sabia jogar o jogo dos palácios e passou a acreditar em aliados que eram e são gananciosos, simuladores e ambiciosos. Emprestaram prestígio aos petistas enquanto estes lhes eram úteis e os traíram sem cerimônia na consumação do golpe. Golpe que o próprio PT ajudou a construir seja pela sucessão de erros políticos, de incompetências, e seja pela própria falta de apoio à presidente Dilma em momentos delicados em que o governo caminhava para a deriva.

Pela condução desastrosa que o PT vem tendo nos últimos anos, a direção partidária deveria renunciar nos primeiros dias desta semana. Uma comissão provisória deveria ser constituída com a tarefa de convocar e conduzir um Congresso partidário antes do final do ano. Se nenhum aceno for feito neste sentido, a tendência maior é a de que o PT caminhe para uma divisão irreversível. Não é admissível que os condutores do desastre continuem comandar um partido que foi esperança do povo brasileiro e se afogou nos seus próprios erros. Não há, em torno da atual direção, capacidades políticas, morais e intelectuais que sejam capazes de tirar o partido da crise.

Que fazer?

Esta velha pergunta, que precisa ser recolocada, suscita hoje muito mais dúvidas do que certezas às esquerdas. Antes de tudo, as esquerdas precisam se unir em torno do que sobrou dessa devastadora eleição: Freixo no Rio de Janeiro, João Paulo em Recife, Edmilson Rodrigues em Belém, Edvaldo Nogueira em Aracaju etc.

Com muitas divisões, com baixa propensão à unidade, com um ideário desconectado ao mundo contemporâneo, com organizações autoritárias e burocráticas, com uma retórica que não dialoga com a sociedade, com uma enorme crise em suas visões de mundo, as esquerdas vivem uma defensiva mundial, ao mesmo tempo em que cresce o rancor e o ódio neofascistas.

A crise das esquerdas se alinha com a própria crise civilizacional que tende a se agravar em várias dimensões: ambiental, social, econômica, humana. O mundo do futuro próximo, dizem os economistas e analistas mais atentos, será um mundo sem empregos, com populações que viverão cada vez mais. Em contrapartida, a concentração de renda e riqueza é crescente. As democracias são cada vez menos legítimas e cada vez mais incompetentes em fornecer respostas aos problemas das sociedades.

As esquerdas brasileiras pararam no tempo. Discutem os problemas com retóricas e paradigmas do século XX, quiçá, do século XIX. Nos últimos anos houve um abandono das incipientes experiências de governança democrática que vinham sendo desenvolvidas. Nos municípios, nos estados e no governo federal, os governantes, secretários e ministros ditaram as suas “verdades” às sociedades. Ao mesmo tempo em que direitos deixaram de ser garantidos, não se investiu na inovação e na qualidade dos serviços e direitos. Os governos continuaram analógicos em sociedades digitais. Reformas cruciais, seja no plano macro ou no plano micro, sequer foram cogitadas.

A ideia de aglutinar as esquerdas numa frente, que garanta a unidade na pluralidade, ganha força em face das fragilidades e derrotas recentes. A construção dessa frente, se vier a se concretizar, contudo, necessita de um processo amplo de definição de conteúdos programáticos e de métodos de condução dos processos internos. A perspectiva é a de que essa frente aglutine partidos, movimentos políticos e sociais, indivíduos e grupos cívicos, num novo tipo de organização e de relação política, sem as práticas hegemonistas e de controle burocrático, tão comuns às esquerdas.

A derrota eleitoral, somada ao golpe e às perspectivas de retrocessos em direitos, foi avassaladora. Subestimá-la, persistir nos erros e não fazer autocrítica significa contribuir para a consolidação de um projeto conservador que vem se delineando. Neste momento, o desafio das esquerdas é paradoxal: precisa construir sua unidade ao mesmo tempo em que promove um ajuste de contas.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Guinada conservadora no resultado das eleições reflete desconhecimento político

O resultado das eleições de ontem refletiu uma vitória da direita em várias localidades no país. Isso já era esperado pois grande parte da população, em geral influenciada pela grande mídia e pela decepção com as gestões petistas, já demonstrava esta inclinação. 

É triste isso, pois demonstra que em pleno século XXI há muita gente disposta a retornar cronologicamente a tempos remotos no Brasil, numa demonstração clara de memória curta. Se esqueceram da nossa larga experiência com gestões direitistas que gerou uma série de estragos na sociedade brasileira e querem agora eles de volta, pensando ser eles uma renovação. 

É um cacoete tradicional do brasileiro propor soluções antigas para problemas novos, dadas a nossa falta de criatividade na hora de resolver o que nos incomoda. Graças ao desconhecimento político, estimulado pela nossa tradicional aversão à evolução da atividade intelectual de nossos cérebros, entramos em uma nova ditadura e muita coisa boa será deixada para trás, para satisfazer uma minoria de inconformados, sobretudo capitalistas e evangélicos, grades responsáveis por esta "guinada".

Sem o conhecimento necessário sobre política, a população referiu confiar nessas lideranças que trataram de ensinar política errado por meio de boatos e informações distorcidas. Não sabem os menos informados que a direita já de o que tinha que dar e que o século XXI pede um governo de esquerda, que não governe apenas para classe X ou Y, mas para todos, estimulando a equidade social.

Se os governos petistas foram uma esquerda ruim, o ideal é que trocasse por uma esquerda de qualidade. É lutar por uma esquerda cada vez melhor. Trocar uma esquerda ruim por dum direita, que sempre se mostrou ruim, é um retrocesso. É um grande erro que a própria população que optou por isso pagará bem caro em um futuro não muito distante, pois direitistas não costumam ser gratos com quem os apoia.

Entramos finalmente em tempos ruins. Um grave retrocesso acaba de nos devolver à Velha República ou até mesmo ao Brasil Colonial em vários aspectos. Vai ser complicado para os brasileiros acompanharem a evolução mundial desta forma, retrocedendo um ou mais séculos em uma época que os futuristas previram como avançada. 

Os futuristas erraram e nós erramos também. Vamos todos pagar por este grave erro. Pena que quando percebermos isso será tarde demais.

domingo, 2 de outubro de 2016

Duelo de Marcelos na capital fluminense

A prefeitura do Rio de Janeiro definiu que entra para o segundo turno. E surpreendentemente, Pedro Paulo, candidato da situação, está fora, mostrando que nem a maquiagem feita para a Olimpíada e essa mobilidade urbana, pomposa mas ineficiente de seu antecessor Eduardo Paes, conseguiram seduzir o eleitor. A disputa se dará com dois xarás meus, dois Marcelos, o evangélico Crivella, do PRB e Freixo, do PSOL. 

Não é a primeira vez que eu tomo conhecimento de um Marcelo na prefeitura da capital fluminense. Marcello Alencar foi prefeito do Rio de Janeiro em 1983/1986 e em 1989/1993. Nenhum outro Marcelo ocupou a prefeitura do Rio antes e depois dele atá agora.

Duas forças bem opostas, apesar do mesmo prenome. Será meio difícil saber quem ganhará, pois será um esquerdista (rejeitado pela elite) contra um evangélico (rejeitado pelos não-evangélicos). A única certeza é que a capital do Rio será governada por um cara com o meu prenome. Qual deles? É esperar o segundo turno para ver.