segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Explicando a postagem da semana passada

Ainda não tomei conhecimento de qualquer repercussão sobre o texto A esquerda brasileira só sobreviverá se descartar o PT, publicado recentemente. Apesar de enfraquecido pelas denúncias injustas que recebe de forças ligadas à direita, o PT ainda é a maior referência para os brasileiros que pretendem seguir uma orientação socialista.

Ficou a impressão, para quem leu mal o texto, de que virei a casaca e me transformei em coxinhas, condenando o ainda maior partido de esquerda do país. Mas é preciso discernimento. O PT, respeitada a sua trajetória honrada, cometeu erros. Não os mesmos "erros" alegados pelos fofoqueiros de direita, mas muitos erros que fragilizou a esquerda e resultou no golpe que triunfa uma direita ao mesmo tempo arrivista e atrapalhada.

Claro que reconheço o valor do PT e de suas lideranças. Do contrário que os sempre alienados direitistas alegam, o PT é o partido menos corrupto do país. Mas a intensa propaganda difamatória transformou o PT em algo negativo para a sociedade. A carga semântica negativa de tudo relacionado a sigla PT é infelizmente alta e se consagrou no senso comum. O PT se transformou em um estereótipo equivocado do socialismo.

O ideal mesmo seria o PT sumir, ou provisoriamente o definitivamente. Não seria errado que os petistas se espalhassem em outros partidos ou se proporem a extinguir o PT e fundarem um novo partido, com novo nome, sigla e proposta. 

É importante admitir que o PT representa um esquerdismo datado que não faz sentido nos dias de hoje. E por isso mesmo, caiu. Os tempos atuais pedem uma esquerda ainda mais progressista e rompida com o passado. Uma esquerda menos soviética, menos marxista e mais focada na igualdade social em termos mais práticos do que teóricos. 

Uma esquerda renovada, inédita e que possa ter condições de enfrentar a direita atual que vende conteúdo retrógrado dentro de uma bela embalagem de modernidade.

Reconheço a trajetória do PT. Mas seu tempo acabou. É preciso descansar a sua imagem já combalida. Como um doente em convalescênça, petistas devem se recolher e esperar a melhor hora para ressurgir, de preferência com um novo nome e novas propostas, mas fiéis a missão de eliminar a sociedade de classes, lutado para que a dignidade seja bem comum a todos os seres humanos. E isso não se faz endeusando socialistas do passado.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A esquerda brasileira só sobreviverá se descartar o PT

Cada dia que passa, percebo que a esquerda brasileira deveria se livrar de seu maior obstáculo, que por incrível que pareça, não é a teimosia da direita gananciosa. O maior obstáculo para a preservação da esquerda brasileira com certeza é o PT, o Partido dos Trabalhadores, seus ícones e seus estereótipos. É mais do que necessário que isso aconteça para que a esquerda se renove e sobreviva. Mas não é o que está acontecendo.

O PT está com a sua imagem muito arranhada e mesmo que não tenham cometido quaisquer dos deslizes alegados, suas lideranças perderam a credibilidade. Não conseguem mais unir a sociedade brasileira, cujos setores, vários altamente influentes, se sentem fortemente incomodados com a presença do PT e de tudo que ele representa. Melhor seria para a esquerda descartá-lo, pois o PT funciona como um câncer para as esquerdas brasileiras. Ao manter o PT, toda a esquerda corre risco de morte.

Mas os próprios esquerdistas não percebem isto. Fica a impressão que a esquerda brasileira não consegue caminhar sem o PT. As passeatas esquerdistas agem como propagandas enrustidas do PT e de suas lideranças. A cor vermelha do partido se destaca, mesmo quando a logomarca do mesmo não aparece. Para os opositores menos informados, os protestos anti-direita soam claramente como apologia ao PT, o que tira a razão dos esquerdistas em suas causas, fortalecendo a direita.

Isso fortalece a direita que enxerga nos petistas a principal causa do caos em nosso país. Isso se deu graças a confiança cega que os mais conservadores ainda depositam na mídia que fez uma propaganda difamatória que destruiu a reputação do PT. A mídia brasileira, controlada por poucas e tradicionais famílias de magnatas, tem um partido favorito, o PSDB, e luta incessantemente - e muitas vezes sem ética e sem moral - para que este chegue e se perpetue no poder. E o sedutor carisma das lideranças petistas atrapalha este plano.

Mesmo que o PT de fato esteja bem longe de ser responsável por alguma coisa desagradável, o estigma foi criado e se solidificou no senso comum. O PT, apunhalado pela mídia, se encontra completamente necrosado. Mantê-lo é um grave erro que pode matar a esquerda como um todo.

Urgência de uma nova esquerda desvinculada ao PT

A esquerda precisa se reinventar para sobreviver. Precisa urgentemente se livrar de seus antigos estereótipos. Romper com o retrógrado modelo soviético, romper com o marxismo tradicional e encerrar de vez o ciclo petista, de preferência extinguindo o PT, seria o ideal. Mesmo que o PT tenha significado muito para a historiografia das esquerdas, sinto que a sua era chegou ao fim. 

Se tudo que o PT fez de bom foi válido, valeu. Mas chega! Agora é seguir em frente com novas lideranças e novas maneiras de pensar em soluções. A esquerda deve evitar ao máximo o cacoete comum das direitas de usar o passado para corrigir o presente. Todo o projeto da direita está sendo construído, sem qualquer tipo de exceção, com base no passado mais remoto. A direita tem o arraigado defeito de nunca ser criativo na busca de soluções.

Portanto a esquerda deve dar seu exemplo de compromisso com o progresso. Se ele quiser progredir, terá que eliminar seu estigma negativo. Como um balão que para subir, tem que eliminar seu peso, a esquerda deve descartar o PT. Sem credibilidade, o partido fundado por Lula já não convence mais, a não ser aqueles que já são tradicionais seguidores do partido. Mas 2016 não é 1980, a realidade é muito diferente. O PT ainda fala para trabalhadores do final dos anos 70. É preciso mudar.

É triste dizer isso, mas, na transição para certas fases da vida, temos que nos livrar de algumas coisas que não nos servem mais. O PT foi bom enquanto durou. Está na hora de descartá-lo se quisermos que a esquerda sobreviva. Está mais do que na hora de sairmos da zona de conforto que o PT representa para as esquerdas.

Caso contrário, morreremos junto ao PT, sendo enterrados no mesmo túmulo em um abandonado cemitério. Isso para depois vermos a bela luz neon do triunfante Neoliberalismo servir de fachada a ideais e medidas das mais retrógradas, que promovem um enorme retrocesso que já começa a isolar o nosso país diante do mundo.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Como a mídia oficial contribuiu para o sucesso do golpe

Infelizmente, o resultado do golpe está aí e tivemos mais de 54 milhões de votos jogados literalmente na lixeira. Agora é aturar as mudanças para pior que virão por aí, graças a um bando de corruptos ganancioso a entregar tudo que o Brasil tem de bom nas mãos de empresários daqui e de outros países.

Os golpistas possuem uma valiosa dívida de agradecimento aos donos dos principais meios de comunicação do Brasil, pois sem as fofocas lançadas pelos telejornais da grande mídia, junto com todo o encenamento que acabou por endemoniar não somente os petistas mas quase toda a esquerda, o golpe nunca teria dado certo.

Claro que não foram fofocas quaisquer. Toda a sutileza, orientada por regras de semiologia, psicologia e publicidade, tinha que ser montada para dar a aparência de seriedade aos boatos que eram soltos pela mídia. Sem falar no óbvio prestígio midiático que fez com que muitos conservadores duvidassem que a mídia seria capaz de mentir. Como imaginar que jornalistas que trabalham na Globo, consagrados, diplomados e com longa estrada, estariam ali para mentir?

Acontece que a mídia oficial brasileira segue o formato imposto pela Fox americana, da empresa que é a Voz do Dono. Toda a programação e notícias tem muito a ver com as convicções pessoais de quem controla estes meios, inclusive o candidato político que deverá governar uma localidade ou o país. E como estes donos são muito ricos e influentes, têm o poder de mexer nos resultados e no cotidiano político das sociedades influenciadas pelos meios controlados por eles. 

As emissoras tem absolutas condições de fazer uma propaganda a favor de seus candidatos e contra os adversários. E o que se viu foi uma bela campanha difamatória contra Lula, Dilma e os petistas, onde mentiras eram lançadas uma atras da outra para que não apenas as lideranças como todos os petistas fossem praticamente criminalizados. 

Esta campanha difamatória foi planejada para criar uma espécie de senso comum de que a esquerda é criminosa, genocida, irresponsável e baderneira. Os corretos são sempre os direitistas, defensores dos valores "nobres" defendidos pelas pessoas mais retrógradas. E infelizmente conseguiram, pois boa parte, pelo menos os mais influentes, passaram a pensar assim. Embora a grande maioria não pense assim, é essa o pensamento das pessoas que influenciam as decisões mais importantes do país e que tem maior prestigio social.

Para quem só tem os meios de comunicação considerados oficiais como opção, resta acreditar na estorinha inventada pela mídia interessada a colocar no poder seus amigos e aliados e ficar rogando praga nos esquerdistas, como se o altruísta Socialismo fosse sádico e o sádico Capitalismo fosse altruísta.

Quem se informa, sabe. Mas quem se informa através dos meios "oficiais" fica sem saber o outro lado da História, não raramente trocando mocinhos e vilões de lugar.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O prestígio da Grande Mídia e a sua capacidade de influenciar

Muito está se dizendo em palestras feitas por especialistas que a mídia oficial, conhecida também como Grande Mídia (as letras maiúsculas são propositais), é grande responsável pelo golpe que acaba de se instalar no país. Isso é fato e verdadeiro e uma das pistas que sugerem isso é que a mídia não tratou de forma ilegítima e cruel a expulsão de uma presidente sem provas, tratando como assunto normal e "democrático". Como pode ser democrático desagradando o interesse da grande maioria?

A mídia fez uma excelente e bem sucedida campanha difamatória contra ideais de esquerda. Com base no tradicional mito de que ricos e capitalistas só tem virtudes e pobres e socialistas só tem defeitos, jornais, revistas e principalmente a televisão espalharam boatos que foram se solidificando como verdades a respeito do PT, de suas lideranças e de boa parte dos setores da esquerda.

Embora os boatos sobre a esquerda sejam despejados de forma constante e crescente de forma que sejam cada vez mais absurdas, elas foram recebidas com uma indignada aceitação pela população que, atentando a desejos instintos, rapidamente criaram um ódio contra as esquerdas e de forma irracional, começaram a embutir tudo de ruim na responsabilidade de ideais progressistas.

Mas porque mentiras que beiram o absurdo foram facilmente aceitas pelo cidadão comum? Claro que a irracionalidade tradicionalmente estimulada no Brasil ajudou um pouco. Mas o principal fatos mesmo foi o prestígio da grande mídia, que lhe embute credibilidade e a falta de opção midiática que contrapusesse no mesmo nível, a hegemonia da mídia oficial. Sem opções, resta absorver as mentiras disfarçadas de notícias, servidas nos banquetes da mídia existente.

Prestígio da mídia oficial: credibilidade e influência

Não que não houvesse opções. Até existem. E não falo da internet, pois a mídia virtual ainda não consegue trair um público que só usa a web para escrever e ler banalidades em redes sociais. Há revistas como Carta Capital, Caros Amigos, Fórum e jornais como Brasil de Fato, que oferecem uma versão realista da realidade (o pleonasmo foi proposital para dar ênfase).

Mas o prestígio da Grande Mídia é altamente poderoso. Quando alguém liga a TV para ver o Jornal Nacional, enxerga no citado telejornal uma credibilidade inabalável, como se a equipe redatora e os apresentadores fossem incapazes de mentir. Há quem diga que "deu no JN, é porque aconteceu". Mesmo que seja uma lorota comprovada como absurda.

A mídia alternativa, embora bem mais sensata, ainda não possui o prestígio das grandes empresas de comunicação. Você não vai ver o cidadão comum falar de forma natural sobre o Diário do Centro do Mundo, por exemplo. Mesmo com alta credibilidade, o DCM não é ainda consagrado pela opinião pública, o que lhe tira a influência na hora de ver as suas notícias assimiladas pelo grande público, refém da mídia que encontra na TV e nas bancas.

Embora há personalidades na mídia oficial dispostas a denunciar a realidade como ela é, como Paulo Henrique Amorim na Record, Gregório Duvivier na Folha e Luiz Fernando Veríssimo no Estadão e O Globo, eles não conseguem derrubar as barreiras ideológicas impostas pelos meios que os contratam, servindo apenas para criar uma falsa imagem de imparcialidade para a Grande Mídia. Como se não fossem além de meros Ombudsmen, jornalistas que escrevem sob o ponto de vista do leitor, não raramente contrários ao que pensa o meio que os contrata.

Regulação da Mídia, do contrário que se pensa, é democrática

O monopólio de influência da Grande Mídia. Esse é o grande problema do Brasil. Como nossa população é tradicionalmente avessa a análises mais profundas, ela se torna presa fácil para uma mídia que, controlada pelas 5 famílias mais ricas do país, tem o poder de divulgar os fatos sob seu ponto de vista pessoal, não raramente mascarando a realidade para que a população não saiba do que está acontecendo de fato.

Para piorar, a Grande Mídia, ciente que um controle (Ley de Medios) poderia limitar seus abusos, inventou que a regulação da mídia por meio de uma legislação específica, seria uma forma de censurar o que seria "um patrimônio do povo" e "o direito de se manter informado". Interessante que na hora do aperto, os barões da mídia se escondem nas costas do mesmo povo enganado por eles.

Nada disso. A regulação tem objetivos opostos, o de democratizar a informação e impedir que donos usem seus meios de comunicação para distorcer a realidade e manipular a opinião pública. Sem essa regulação, empresários midiáticos tem feito o que quiserem, cometendo abusos e mentindo, se necessário, para que a exposição da realidade não prejudique seus interesses particulares. 

Empresários falam que a regulação seria uma censura. Estranho. O objetivo é justamente acabar com a censura imposta pelos meios de comunicação para que a "realidade" mostrada seja na verdade a opinião particular dos donos que controlam esta mídia. Há inclusive uma censura interna, onde jornalistas são proibidos de divulgar alguma notícia que seja nociva aos interesses de seus donos. Quem é que é democrático afinal?

Os episódios ocorridos nos últimos anos e que culminou na infeliz decisão tomada no dia 31/08 mostra que é indispensável para a democracia a oferta de mais opções midiáticas e uma regulação específica que impeça que o público seja enganado pelos meios de comunicação.

Grande Mídia deve ser responsabilizada pelo golpe

Infelizmente a Grande Mídia tem uma responsabilidade gigantesca no golpe que apoiou. Oferecendo mentiras, conseguiu trocar heróis e vilões de lugar para favorecer um grupo político nefasto que desde quarta passada passa a controlar o país em benefício de uma elite gananciosa, egoísta, teimosa e impositora. 

Se alguma coisa acontecer de ruim com a população brasileira, os donos da mídia oficial tem uma grande culpa nisso. Devem ser responsabilizados pois suas mentiras arruinarão com as vidas de muitas pessoas.