segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A crise: porque muitos não querem resolvê-la?

Estão falando muito em crise ultimamente. E "crise" virou justificativa para tudo de ruim que acontece agora. Embora os casos de corrupção e a realização da copa de 2014 sejam frequentemente responsabilizados por esta crise, fatos mostram que sua origem é mais antiga do que se pensa e não é exclusivamente brasileira.

Na verdade ela é mundial e suas origens estão na globalização, quando empresas se tornam dependentes umas das outras, fazendo com que a crise de uma atinja outra e assim por diante. É complicado dizer isso aqui porque eu não sou economista. Mas dentro do meu pensar leigo crio que essa é uma explicação plausível. Economistas poderão complementá-la.

É tolice acreditar que crises como esta tenham surgido de uma ora para outra. mesmo que isso seja possível, não é frequente vermos tudo ir bem para um dia tudo se espatifar. Algo bem demorado e que provoque reação em cadeia, com fatores gerando fatores tem maiores razões por ser o motivo desta crise.

Só que é uma crise que estranhamente ninguém esta se empenhando em resolver. Mesmo que haja quem esteja disposto a resolve-la, até agora eu não vi ninguém se manifestar a respeito de uma solução. No momento, me encontro entre os que não gostam da crise, mas não tem condições de resolvê-la, e entre os que lucram com ela.

Sim, há quem goste de crise. Principalmente os poderosos, sobretudo os direitistas interessados em derrubar governos de esquerda. Ricos não sofrem tanto com esta crise, embora finjam sofrer. Para eles é só demitir, demitir e demitir que tudo se resolve. 

Para empresários, funcionários não são seres humanos e sim equipamentos que eles compram para realizar tarefas. Os defensores do empresariado vão bater perna dizendo que não é assim. Mas mostre-me um empresário disposto a abrir mão de qualquer privilégio para beneficiar a humanidade. Existir até existe, mas exemplos disso são raríssimos: um para cada milhão.

E como crises não afetam ricos, mesmo significando algo negativo para a sociedade, eles passam a utilizá-la para derrubar aqueles que estão no meio do caminho de seus interesses de dominação. Esta época de insatisfação política que deu origem ao ódio anti-petista e a volta da "caça às bruxas", a crise e perfeita como pretexto para tirar os algozes do poder e colocar integrantes da elite no ugar, para que as decisões governamentais voltem a priorizar os interesses abusivos das classes dominantes. 

E apesar de ser um interesse que agrada apenas aos mais ricos, estes tentam convencer a sociedade como um todo, se aproveitando da baixa capacidade intelectual do povo em geral, de que um rico no poder será supostamente benéfico a todos. Até porque é um estereótipo do rico ser sabido, inteligente e perfeito, incapaz de errar. 

Ninguém gosta de assumir que empresários erram. Quando há erros do empresariado, ou fazem parte do sistema ou são culpa das circunstâncias. Erros nunca são de responsabilidade dos empresários, símbolos máximos da perfeição humana e paradigma de sucesso na luta pela sobrevivência.

E é com este pensamento que se utiliza a crise em momentos como este em que um governo composto supostamente por pessoas vindo das classes operárias decepciona por sua incompetência e envolvimento em escândalos. Para muitos, a crise acabará feito magica se este grupo político sair do poder. Como se fosse "facim, facim" recuperar tudo com a simples mudança de dinastia. Como se na direita não existisse quem fosse capaz de roubar e governar mal. 

Todos se esqueceram que o PT só se envolveu neste escândalos porque aprendeu com a direita a roubar. Só não aprendeu a esconder seus erros, pois a direita erra bastante mas sabe muito bem para qual tapete varrerá a sujeira para ela poder ficar muito bem escondida.

E o recado final: fiquemos com a crise. Não será a troca de dinastia que resolverá as coisas e sim abnegação de privilégios e de poder que pode nos fazer mais responsáveis e ter condições para resolver tudo com mais altruísmo e racionalidade.

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