segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Iugoslávia ainda existiria se iugoslavos pensassem como brasileiros

Brasileiros, assim como americanos (ô mania de cópia!), costumam divinizar a pátria. O país se torna uma espécie de segundo Deus que deve ser respeitado, obedecido e mantido integralmente como está. Alterar sua estrutura é grave heresia condenada por muitos.

Mesmo que a divisão seja necessária para a melhoria de qualidade da população, para muitos, a Pátria-Deus nunca deve ser dividida, pois no imaginário dos "patriotas" ela é um ser vivo, com poder de mando e por isso mesmo indivisível e que merece que ajoelhamos diante dela.

Fico imaginando o que aconteceu com a URSS e coma Iugoslávia, países que não existem mais e que foram divididos para satisfazer interesses da população. Se iugoslavos, por exemplo, pensassem como brasileiros, certamente a Iugoslávia estaria existindo ate hoje.

O que aconteceu com a Iugoslávia é algo que assusta os brasileiros. Boateiros logo trataram de inventar tolices a respeito, como associações a tirania ou até a nazismo, apartheid ou anti-humanismo. Nordestinos temem a separação, se esquecendo que se o país se dividisse, os nordestinos se dariam bem com isso, não tendo mais que ser explorados pelas outras regiões.

Associar separatismo a ideologias anti-humanistas é uma infantilidade. Não precisamos pertencer a um mesmo país para nos amarmos. E regiões já tem diferenças suficientes para que cada uma possa ter autonomia em relação a outra.

O tamanho sempre foi uma das causas de dificuldades no Brasil, que apesar de ser considerado um país, age como se fosse vários. Quem necessita ser transferido de universidades de estados diferentes conhece o drama. Burocraticamente, estados diferentes não agem como se pertencessem a uma só nação.

E olha que tamanho não era problema para a Iugoslávia (mas era para a URSS), que em sua área integral era menor que muitos estados brasileiros.

O caso da Iugoslávia é uma situação a pensar. Será que a unidade de nosso país é realmente necessária para nós? Ou a noção de pátria é mais uma das muitas zonas de conforto em que adoramos viver presos?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.