domingo, 22 de março de 2015

Muitas reivindicações, nenhuma solução

Hoje completa uma semana da "histórica" manifestação contra o governo de Dilma Rousseff. Tudo bem que os governos petistas têm demonstrado total incompetência e que não fizeram a mudança prometida em suas campanhas, além de terem se associado a partidos e personalidades com histórico de corrupção e detentores e valores políticos e sociais bastante retrógrados. Alguma coisa tinha que ser feita cotra isso.

Mas uma sociedade cada vez mais emburrecida pela educação mal dada e completamente perdida pela falta e valores sólidos que possam ser seguidos, levaria essa condição de incompetência social para as ruas, preferindo apenas posar de politizados sem saber realmente o que quer para o país. Foi isso que destacou as manifestações do dia 15 de março.

Evidentemente todos saíram para denunciar um problema real, que é a incompetência do governo de Dilma. Além da inconformação contra o governo, outra coisa em comum com os manifestantes é que nenhum, mas nenhum mesmo ofereceu uma solução lógica e plausível para o país resolver seus problemas de corrupção e de incompetência governamental.

Claro que seria exagero dizer que foi um "protesto da elite", pois pessoas de mais variadas ideologias foram. mas o que na podemos esquecer que a nossa elite é ainda poderosa e rica e os mais influentes meios de comunicação estão nas mãos delas. não pensem que foram três nerds trancados em um quarto que organizaram as passeatas. Por mais que negasse, é evidente que a elite usou os principais meios para possibilitar que uma grande parte da população, mesmo pessoas comuns que não fazem parte dessa elite, mas e submete a ela*, saísse às ruas.

Aconteceu de tudo nas manifestações, menos propostas coerentes. Houve inclusive quem foi às manifestações apenas para se divertir e se sociabilizar. Gente quem nem sabia porque estava ali, mas fazia questão de estar no meio da multidão, fazendo a mesma coisa.

Houve até quem usou as manifestações para exalar seu ódio à humanidade, algo completamente inaceitável, mas que infelizmente tem crescido bastante. Um ódio que inevitavelmente vem acompanhado de burrice, pois a experiência histórica mostra que ódio sempre foi a pior solução, além de nunca ter resolvido nenhum problema. Pelo contrário, já que o ódio sempre causa problemas, muitos deles de alta gravidade.

As manifestações de 15/03 também foram marcadas por um desejo conservador. Não apenas para aquele que queriam a volta da ditadura (principal reivindicação boa parte dos odiosos), mas para movimentos que defendiam valores que não combinam com os tempos atuais, se esquecendo dos danos sofridos pela humanidade do passado. Esquecem quase todos que no passado não tínhamos acesso a informação e nem espontaneidade ara agir, pois sempre tínhamos que obedecer lideranças e circunstâncias. Espontaneidade, base da liberdade, que na minha opinião, é o maior direito que deveria ter o cidadão.

Uma minoria esmagada teve a coragem de fazer críticas coerentes.Haviam cartazes com críticas ao Capitalismo e até contra empresariado. Mas eram poucos. A grande maioria, pensando estar o PT fazendo Socialismo perfeito, baseando nas correntes que espalham absurdos e mentiras sobre as teorias de esquerda, Para quem realmente é politizado, sem estar de lado algum, sabe que os governos petistas estão falhando justamente por não abrir mão do Capitalismo, sistema que é garantido até pela Constituição Federal que todos deveriam estar lendo.

Essa falta de propostas coerentes e soluções realmente eficientes, digo que os protestos foram um fracasso. Mesmo merecendo as críticas, foi bom a Dilma não ter levado as manifestações à sério. Foi um carnaval fora de época onde a bravata odiosa foia principal trilha sonora. Uma Marcha da Família com cara pintada, confete e serpentina.

Os bons tempos de manifestações por nossos direitos ficaram no passado.

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* OBS: Para grande parte da população, o empresariado, mesmo os poderosos donos de empresas gigantescas, "fazem parte do povo". Donos e patrocinadores da grande mídia, empresários nunca riam jogar a população contra eles mesmos, elegendo como bodes expiatórios os políticos, sem revelar que os políticos mais corruptos e mais influentes também são empresários poderosos nas horas vagas.

sábado, 21 de março de 2015

A corrupção nos tempos da ditadura

ESPREMENDO A LARANJA: O analfabetismo histórico-político que caracterizou os movimentos anti-esquerda no país cometeu uma série de equívocos. Com raiva - justa, claro! - dos erros dos governos petistas, mas ao mesmo tempo com desespero em relação a isso, os manifestantes se perderam na hora de oferecerem uma alternativa que pudesse resolver os problemas resultantes da incompetência administrativa das gestões de Lula e de Dilma. 

Muitos propuseram a volta da Ditadura Militar (suavizada pelo pomposo nome de "Intervenção Militar"), para tentar resolver os erros governistas. Se esquecem os manifestantes que a Ditadura Militar foi a pior época política do Brasil e que a corrupção era muito forte, pois além de silenciosa, era por muitas vezes necessária, para que os generais governantes e os empresários patrocinadores  sim, a ditadura surgiu a pedido de grandes empresas, lideradas por gente "de bem", que produz o que você consome no dia-a-dia - pudessem ter os seus interesses satisfeitos.

Este texto abaixo merece ser lido com atenção para que todos entendam de uma vez só que eliminar a democracia sempre é a pior opção para resolver qualquer problema de origem política.

A corrupção nos tempos da ditadura

Por Paulo Fonteles Filho, Blog do Paulo Fonteleles

Na atualidade, os áulicos da direita promovem raivosa cruzada contra as forças progressistas e, patrocinados pela mídia conservadora, trombeteiam que o período ditatorial fora pródigo no combate à corrupção e aos corruptos. Acontece que, com os poderes Legislativos e Judiciários aviltados como instrumentos de fiscalização e punição, a perversão dos recursos públicos e as transgressões do poder aumentaram exponencialmente no período mais sangrento do Regime Militar.

É mais que sabido que a malversação dos recursos que pertencem a toda a sociedade não decorre apenas de graves falhas individuais, mas, sobretudo, têm em suas raízes as causas de seu tempo e os aspectos políticos, econômicos, sociais, culturais e ideológicos que demarcam e tipificam cada regime político. A sangria e o desmazelo com o que é público, ou seja, de toda a sociedade, se desenvolvem de acordo com as peculiaridades de cada regime e, fundamentalmente estão ligados à quadra histórica dessas experiências.

No país tupiniquim a corrupção sempre esteve presente e alcançou dimensões gigantescas durante mais de vinte anos de Regime Militar, evento histórico marcado pela censura, assassinatos, torturas, exílios, entrega das riquezas nacionais e desaparecimentos forçados.

Mas o alcance da corrupção também teve, em seus horizontes, aquilo que ensina a historiadora Herloisa Starling, na medida em que ela “ (...) se inscreve na natureza do regime militar também na sua associação com a tortura – o máximo de corrupção de nossa natureza humana. A prática da tortura política não foi fruto das ações incidentais de personalidades desequilibradas, e nessa constatação reside o escândalo e a dor. A existência da tortura não surgiu na história desse regime nem como algo que escapou ao controle, nem como efeito não controlado de uma guerra que se desenrolou apenas nos porões da ditadura, em momentos restritos.

Ao se materializar sob a forma de política de Estado durante a ditadura, em especial entre 1969 e 1977, a tortura se tornou inseparável da corrupção. Uma se sustentava na outra. O regime militar elevou o torturador à condição de intocável: promoções convencionais, gratificações salariais e até recompensa pública foram garantidas aos integrantes do aparelho de repressão política. Caso exemplar: a concessão da Medalha do Pacificador ao delegado Sérgio Paranhos Fleury (1933-1979)”.

A corrupção assegurou aos torturadores, além da cumplicidade, a legitimação de seus resultados porque, para a tortura funcionar é decisivo que na máquina judiciária existam servidores públicos dispostos a dar legalidade a processos estapafúrdios, confissões falsas, laudos periciais forjados e autópsias fraudadas. Ainda, na miríade da mais covarde das violências, nunca haveremos de esquecer o financiamento de todo esse processo cruento, notadamente realizado por grandes empresários, como Boillensen, sempre dispostos em fornecer dotações extra-orçamentárias para que a máquina da repressão política estivesse sempre azeitada para triturar opositores. Com base nesse tipo de financiamento é que surgiram o fenômeno dos grupos de extermínio, como a Scuderia Le Coq, de São Paulo.

Um dos aspectos para o agravamento da corrupção, seja na máquina de suplício instalada, seja pela roubalheira - termo chulo que explica - foi à redoma protetora sob a qual, os generais e seus aliados civis exerceram o poder no Brasil.

O fato é que as decisões mais importantes da nacionalidade e dos destinos de todos os brasileiros passaram a ser de competência exclusivíssima de um seleto grupo de militares, políticos, grandes empresários e burocratas que, com todos os canais de respiração da vida democrática açodados, atuaram, também, para transferir as riquezas produzidas pelos trabalhadores brasileiros para as mãos de bem poucos, sejam eles nacionais ou estrangeiros.

Ocorre que a imprensa, mesmo os apoiadores de primeira hora da quartelada de 64 como é o caso da Folha de São Paulo, fora submetida à censura durante anos e, no momento em que a ditadura experimentava seu período mais ufanista, cuja propaganda revelava um crescimento econômico de 10% ao ano no curso do sanguinário governo de Garrastazu Médici (1969-1974), desconfiar e fiscalizar os governantes, exigir prestações de contas e indicar abusos na administração estatal era considerado crime contra a ‘segurança nacional’, passível às mãos de febrentos verdugos.

No entanto, com a distensão política do regime no período do governo Geisel (1974-1979), as ‘tenebrosas transações’, como ensina o samba libertário de Chico Buarque de Holanda, vieram à tona e a opinião pública começou a perceber qual o feitio dos dirigentes brasileiros de então. Porém, mesmo depois de iniciado o processo de ‘abertura’ do governo Figueiredo (1979-1985), a fiscalização social sobre o poder público permaneceu indubitavelmente limitada.

O curso dos anos indicou que o Regime Militar promoveu um conjunto de reformas nos poderes Legislativo e Judiciário no sentido de que tais esferas se domesticassem e, inofensivas, jamais poderiam atuar enquanto instrumentos de fiscalização ou mesmo promover a punição dos representantes do poder estatal ou da iniciativa privada flagrados em atos lesivos aos interesses coletivos.

Não obstante às crescentes denúncias, que estouraram a partir de 1974, o número de pessoas punidas e de casos esclarecidos foi absolutamente pequeno, assim como nenhum integrante do alto escalão do poder fora punido, mesmo diante de escândalos de alta-voltagem como o da Capemi (Caixa de Pecúlio dos Militares), que ganhou concorrência suspeita para a exploração de madeiras nobres no Pará, além dos desvios da ponte Rio-Nitéroi e da Rodovia Transamazônica.

Importante indicador das medidas ‘defensivas’ estabelecidas pelo regime despótico, que ensejaram tranqüila desenvoltura de seus próceres pelo submundo das negociatas e irregularidades administrativas é o número de requerimentos para a constituição de Comissões Parlamentares de Inquérito encaminhados à mesa da Câmara dos Deputados até 1968, crescentes, mas que, com a Reforma Constitucional de outubro de 1969, promovida pela Junta Militar que sucedeu Costa e Silva (1967-1969) determinou seriíssimas restrições aos instrumentos legais de investigação parlamentar.

Além disso, com a edição do Ato Institucional n° 5 (AI-5), em dezembro de 1968, o Congresso sofreu inúmeras cassações contra parlamentares atuantes e dispostos, mesmo nas limitadas condições da minoria oposicionista, em enfrentar o regime tirano. Assim, depois de mais de duas décadas de intensa atividade investigativa, entre 1946 até 1968, a Câmara dos Deputados ficou os anos do ‘milagre brasileiro’ (1969-1972) sem instalar sequer uma CPI.

Somente após 1975 é que a Câmara retoma, timidamente, seu papel investigativo, sobretudo depois da vitória do MDB no pleito de 1974: uma CPI para apurar irregularidades no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS).

Apenas em 1980, entretanto, é que foi aprovada uma CPI requerida pela oposição, o famoso caso Lutfalla, envolvendo o então governador paulista, Paulo Maluf. O escândalo - investigado pela Comissão Geral de Inquéritos (CGI), instrumento criado pelo Poder Executivo - girava em torno de empréstimos realizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDE) as empresas de Maluf, em crise falimentar.

O embaraço principal para os mais estreludos generais era o fato de que aquele ex-governador, reconhecidamente corrupto, se utilizava de enorme influência junto aos militares para emplacar interesses obscuros.

As obstruções governistas e as manobras regimentais, próprias da luta parlamentar, não foram os únicos fatores de entrave ao pleno funcionamento das CPI’s, seja no caso Lutfalla, seja em outros. 
Em alguns casos, quando militares foram convocados para prestar depoimentos, estes se recusaram a dar qualquer informação relevante, como o ocorrido com o coronel Raimundo Saraiva, que depôs na CPI da Dívida Externa de 1983. O caso, esquecido no curso de mais de trinta anos, indicava o envolvimento do ministro Delfim Netto em transações irregulares com banqueiros franceses. Naqueles dias o coronel Saraiva era embaixador do governo Geisel em Paris.

Em outro caso, como o do general Newton Cruz, instado a dar esclarecimentos na CPI da Capemi, lançou mão da legislação que o protegia e não foi depor.

O Poder Judiciário que, em última instância poderia ter sido o instrumento de controle social sobre o poder, os bens e o erário público também sofreu limitações profundas, como foi à reforma do Judiciário de 1977, embutido no chamado Pacote de Abril. O produto do intento, no essencial, fez concentrar a força do judiciário na esfera federal.

O Supremo Tribunal Federal (STF), cujos juízes são nomeados pela Presidência da República aumentou seu poder em prejuízo dos tribunais estaduais e o Procurador Geral da República, representante do Executivo junto ao Judiciário, ampliou as suas atribuições. Qual resultado senão o açodamento do Judiciário e o aviltamento de suas funções? Em última instância, o Pacote de Abril deu ao despotismo militar o poder de interpretar as leis segundo suas conveniências.

Os que conspiraram para depor o governo legítimo de João Goulart (1961-1964), com o apoio a CIA através do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), assim o fizeram sob o discurso de combater o comunismo e a corrupção. Ocorre que, os homens que tomaram o poder em 1964, utilizaram-se de métodos terroristas para combater qualquer resistência democrática, mas, na luta contra a corrupção, pouco ou nada fizeram.

Referências Bibliográficas:

- AVRITZER; BIGNOTO, GUIMARAES, STARLING (Orgs) Corrupção ensaios e críticas, Editora UFMG, 2008.
- FICO, Carlos. Como eles agiam: os subterrâneos da ditadura militar. Rio de Janeiro: Record, 2001.
- GASPARI, Elio. Coleção As Ilusões Armadas. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
- RIBEIRO, Renato Janine. A sociedade contra o social: o alto custo da vida pública no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

* Paulo Fonteles Filho é membro do Grupo de Trabalho Araguaia do Governo Federal e Vice-Presidente do Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Segundo a Meritocracia, qualidade de vida é prêmio, não direito

Meritocracia virou a palavra da moda. Usada para justificar a má distribuição de renda e o excessivo bem estar dos ricaços, cujas aquisição e manutenção de supérfluos impedem muitas pessoas de terem o necessário, a meritocracia se baseia na tese de que a riqueza vem sempre do esforço.

É uma tese estranha, pois quem a defende ignora outras formas de aquisição de riqueza, inclusive as menos honestas. Esquece que a maioria dos esportistas e celebridades enriquecem fazendo aquilo que os pobres mortais fazem como lazer. Esquecem que no emprego, é frequente o fato de que o crescimento profissional é mais rápido quando se satisfaz os caprichos de chefes e colegas do que quando se trabalha com dedicação e esforço. Há também as jogatinas e sorteios profissionais que dependem exclusivamente da sorte. Isso sem lembrar do famoso teste do sofá.

Enfim, há muitos meios de subir na vida e ampliar renda sem necessitar do minimo de esforço. Um pouco de sorte, de submissão e de uma certa cara de pau, as pessoas podem enriquecer.

Então porque considerar o bem estar de um rico um prêmio? E porque considerar como prêmio algo que deveria ser um direito? E prêmio para o quê?

Para quem defende o Capitalismo e a sua tese da Meritocracia, a vida é uma eterna competição e os direitos são vistos como prêmios. Os ricos não são nada mais nada menos que os "vencedores" dessa "competição". Para quem acredita nesta tese,subir na vida é relativamente fácil e os pobres são "perdedores" porque ou não souberam lutar simplesmente não quiseram lutar.

É ma tese absurda que remete mais ao reino animal, provando que o Capitalismo é uma doutrina atrasada que ainda coloca atributos dos animais irracionais no modo e viver dos seres humanos. Quer dizer que o direito que deveria ser de todos é um "troféu" por vencer uma luta injusta, ainda mais com regras feitas pelo concorrente mais forte? Concorrência desleal e competição desnivelada.

Não dá para aceitar o Capitalismo, sistema injusto, no século XXI, menos ainda a sua absurda teoria da Meritocracia, que para mim é um meio que os "fortes" arrumaram para justificarem seu domínio cruel sobre os "fracos". Se o Socialismo posto é prática deixa a desejar, arrumem outra opção para substitui-lo. O Capitalismo não serve para isso.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Façam de tudo para evitar a "intervenção militar"

Muitos, mas não todos, dos insatisfeitos com os governos petistas, num ato de desconhecimento histórico e de desespero, se manifestaram a favor daquilo que eles chamam de "Intervenção Militar", nome suave para o que foi conhecido nas tristes memórias da humanidade brasileira como "Ditadura Militar".

Peço insistentemente: esqueçam essa ideia de "Intervenção Militar". Façam de tudo para que ela nunca volte. Foi uma fase muito triste para os brasileiros, equivalendo a nossa Idade Média.

Ninguém era feliz nessa época.  Nem mesmo os militares. Encomendada pelos maiores empresários (sem pre eles...) norte-americanos com a intenção de impedir que países sul-americanos copiassem Cuba, a intervenção militar causou gigantescos estragos na humanidade desses países. 

Não vou detalhar porque o espaço aqui é reduzido para isso e o meu tempo mais reduzido ainda. Merecia uma série. Mas posso garantir que o cenário era de terror. Imagine  seu maior pesadelo. Na ditadura que aconteceu no Brasil de 1964 a 1985, esse pesadelo era real.

Muitos foram mortos, inclusive quem era a favor. Aliados eram mortos a menor divergência. Quem matava muitas vezes era gente como eu e você, mas com índole sádica. Os militares só autorizavam. Existia concurso público para carrasco. Gente paga pelo governo para machucar e matar. Mesmo assim, as torturas aconteciam sem o conhecimento dos militares governantes, em salinhas escuras em qualquer esquina de uma cidade qualquer. Não era raro uma mera discussãozinha terminar em tortura feita por decisão própria do torturador. 

Muitos morreram e não se sabia disso. Matava-se quem denunciava os erros do sistema de então. Nem mesmo os militares se deram bem. É um mito acreditar que os militares eram poupados pela ditadura, Meu pai, um praça da Marinha que ã concordava com a ditadura, perdeu muitos colegas de maneira misteriosa. Ele, mesmo sendo um militar (de baixa patente, hoje aposentado), faria de tudo para que a ditadura nunca voltasse.

Falta de liberdade, violência, censura, clima de terror, tudo isso era rotina na intervenção militar brasileira. Isso geou um trauma que segue ate hoje. Se olharmos ao redor, mesmo após 30 anos de... digamos... "democracia", ainda continuamos sem sabe usufruir da liberdade, além de ainda estarmos sentindo em carne viva as sequelas da ditadura.

Os próprios protestos de domingo mostraram que ainda sofremos tais sequelas. Se estamos revoltados com o governo é porque ainda não usufruímos de uma verdadeira democracia. Portanto pedir uma intervenção militar e um grave erro. É querer que o ciclo nunca se acabe, pois na prática ainda não nos recuperamos da ditadura encerrada há 30 anos.

Soluções para acabar com a corrupção e com a incompetência politica existem. São muitas. Mas nenhuma delas passa pela infeliz intervenção militar. É como querer que o segurança de um prédio passe a ser o síndico. A função de militares e cuidar da segurança e atuar em socorro humano e casos de desastres graves. Não foram treinados para governar. Não é a sua vocação, não é a sua função.

Esqueçam essa irresponsabilidade. Fiquemos com a democracia. Por pior que ela esteja, ela é ainda a melhor opção. Um dia aprenderemos a conduzi-la. O longo tempo que a ditadura militar teve no Brasil ainda faz com que ainda na estejamos acostumados com a democracia. Mas,calma que com a liberdade, a paz e o respeito humano, tudo se melhora. Basta aprendermos a ser gente.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Não se resolve corrupção tirando apenas um grupo

Supostamente, os protestos ocorridos no último domingo foram contra a corrupção. Para a maioria, acostumada a personalizar a vilania, graças ao que acontecem nas ultra-populares novelas, tirar uma presidente e seu grupo político eliminaria a corrupção no país. Mas ma sabem eles que a coisa é infinitamente mais complexa do que qualquer um e capaz de imaginar.

A corrupção não é uma novidade e muito menos está restrita a um grupo. Quase todos os que ocupam caros de liderança, sejam políticos ou empresários, participaram ou no minimo foram "convidados" para participar em algum processo de corrupção. Até mesmo há celebridades envolvidas em casos de corrupção, como um veterano e famoso cantor carnavalesco baiano.

Basicamente, a corrupção é um modo de ganhar dinheiro desonestamente, envolvendo uma rede de relações. Não é apenas mentir para ganhar dinheiro. É , como eu disse, uma rede complexa. Para eliminar a corrupção, não basta apenas tirar de cena o desafeto da moda. Eliminar a corrupção e algo demorado que leva tempo, exige a investigação e a punição de uma multidão envolvida e até a mudança de valores e reeducação social. 

Os protestos foram muito infantis. Ficou parecendo "A Luta dos Batutinhas contra a Bruxa do Mal". Houve muitas mensagens burras, reivindicações irresponsáveis, com um verdadeiro show de desconhecimento de História (não dá dinheiro, não é?) e até de gramática. Até camisas da "seleção"*, palco de escândalos muito piores que os do PT, foram usadas no protesto, provando que as manifestações não foram sérias.

Tirar o PT do governo nunca irá acabar com a corrupção. A corrupção não depende simplesmente da exclusão de x ou de y ou da morte de muitos inocentes - que é o que irá acontecer caso haja a intervenção militar. Desistam dessa ideia louca e proponham soluções que sejam reais, lógicas, eficientes que preservem o respeito humano e a liberdade democrática.

Até agora o governo não deu a sua resposta a altura das manifestações. Se limitou a dizer que a "manifestação é válida desde que pacífica", e prometer uma reforma, que ao meu ver na será feita como deve, por exigir uma complexidade sem tamanho.

Os protestos na passaram de um carnaval fora de época, graças a insatisfação com  governo. Não há motivo legal para que Dilma seja deposta e exigir uma intervenção militar é uma insanidade. Controlemos nossos ânimos e aprendamos a exigir melhor nosso direitos. Há muito mais vilões, muito mais malvados e corruptos a combater, além dos fichinhas do PT.

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* NOTA: A superestimada e ultra-adorada Seleção Brasileira de Futebol, considerada por grande parte da população a "única instituição 100% confiável do país", é liderada por uma entidade corrupta, a CBF (com o aval inclusive de alguns jogadores, cúmplices silenciosos das tramas da entidade) e patrocinada por uma empresa corrupta, a Nike. Para quem não sabe, a corrupção praticada pela dupla CBF/Nike faz o PT parecer um poço de honestidade.

Se os brasileiros fossem bem informados e se as manifestações fossem realmente espontâneas e serias, ninguém teria vestido o uniforma da "seleção" nos protestos, insistindo na eterna confusão que os brasileiros fazem entre "pátria" e"futebol".

terça-feira, 17 de março de 2015

Gregório Duvivier: "Brasil vive hoje uma histeria coletiva"

Sempre gostei do Gregório Duvivier. Ele é um dos melhores humoristas da atualidade. Agora apareceu mais um motivo para eu admirá-lo. E foi justamente quando ele resolveu falar bem sério.

Duvivier falou o que sempre ando falando com conhecidos e amigos. Mesmo admitindo ter votado em Dilma (eu não sou petista), ele disse coisas muito sensatas, admitindo inclusive os erros do governo, sobre as manifestações, que para mim foram apenas uma festinha tola para acriançada pedir a saída da "bruxa malvada" e colocar a tropa de bonequinhos do GI Joe no lugar.

Curioso que Duvivier é integrante da equipe humorística e produz e atua o ótimo A porta dos Fundos, liderado por um direitista convicto que é o Tabet. Duvivier soube ter diplomacia e se manter no grupo, mesmo com a falta de afinidade política com o líder que, pelo menos soube respeitar a opção política do humorista. Veja as declarações inteligentes do humorista e seu momento de seriedade:

"O que há hoje é uma histeria coletiva. Famosa indignação coletiva. Ficam anos sem se manifestar, sem participar de nada. Não participam da vida do Legislativo, não sabem o que é reforma política e de repente ficam indignados, como se a corrupção tivesse sido inventada ontem. É uma luta idiota essa pelo fim da corrupção. 

Em vez de pensar na reforma, em uma maneira efetiva de acabarem com a corrupção em longo prazo, as pessoas pensam em algo superficial. O que se quer é um golpe. Querem a volta dos militares. Qual a proposta de quem quer tirar a Dilma? Pra botar quem? Por quê? Qual é a alegação, a legalidade disso? 

Meu voto nela foi no segundo turno. Dado o que tinha, preferi ela, mas sei que tem mil problemas nesse governo. Mas temos que bater no governo pela esquerda e não pela direita. A questão ambiental e indígena é uma tragédia. Devemos questionar por que ele está tão a direita. E quanto a corrupção, não é problema especifico do Governo Dilma.".

Boa, Duvivier! Falou e disse! Concordo e assino embaixo!

segunda-feira, 16 de março de 2015

Mídia contribuiu para que manifesto fosse maciço

A imensa quantidade de pessoas que foram ontem fazer protesto contra a presidente Dilma e os petista, as sem realmente saber porquê, chamou a atenção. Mesmo sem saber se Dilma estava ou na envolvida com os escândalos e se a situação era ou na legalmente favorável para o impedimento, muita gente foi destilar seu veneno direitista pensando em querer Brasil melhor. Vai ficar querendo.

É sabido que o brasileiro é um povo modista e submisso a eras sociais, a mídia e - novidade! - à sua elite. Defensor de valores e hábitos retrógrados, saiu muito mais em defesa daquilo que acredita do que por melhorias reais de vida. Afinal, o que significa lutar contra esse monstro abstrato chamado "corrupção"? Porque não lutar para melhorar a distribuição de renda?

Claro que tem um dedo enorme da mídia, sobretudo das Organizações Globo. A sua TV e carro-chefe das empresas da Famiglia Marinho, nascida tendo a Ditadura Militar como parteira, fará 50 anos em abril e com certeza fez uma pré festinha para que a rede televisiva não pudesse comemorar seu meio século sozinha, sem a população. Tratou logo de antecipar a sua festinha e sair nas boas com a população, para que ela pudesse voltar a amá-la, como fez desde os ano 70, quando a redes fortaleceu.

Claro que muita gente prefere não assumir isso. Nem a própria Globo, que alegou que as manifestações aconteceram por causa das redes sociais (quando lhe convém, a Globo fala bem das redes sociais, sua arqui-inimiga). Prefere acreditar que foi espontâneo. Que cada um saiu às ruas por conta própria. Há até uma página contra a Globo e contra a Dilma, com conteúdo claramente fascista e um tanto sádico. 

Mas sabe-se que a Globo sabe manipular as pessoas como ninguém. Ela tem em seus contratados, uma equipe de psicólogos que servem como consultores de publicidade para a emissora. Sutilmente, ela cria meios de manipular os telespectadores para que eles recebam a informação acreditando que a mesma tenha surgido de suas mentes. Trocando em miúdos, a Globo enfia as ideias nas cabeças dos brasileiros, que acreditam que pensaram sobre as mesmas ideias antes. Mais hipnótico, impossível. 

E os brasileiros, altamente sociais e submissos - ir contra o empresariado? Nãããããoooo!!! - sem saber, foram em massa pedir para a "bruxa malvada" sair do poder. Porque a própria população não vai em massa em outras ocasiões, se é assim "tão espontâneo"? 

Na verdade, esse movimento está cheirando muito mal. Com certeza, não é um protesto espontâneo. um outro carnaval, uma outra copa do mundo. O povo nunca vai querer fim da corrupção, senão seria anarquista, pedindo para todos os que estão em cargos de liderança saiam, pois quase todos praticam, de uma forma ou de outra, corrupção. 

É a já rotineira vitória da estupidez sobre bom senso. Tira-se três corruptos pingados (os petistas) e deixam milhões de corruptos impunes (o resto dos políticos e empresários). Ou seja uma farsa em um único ato que serve para a mídia e sobretudo uma emissora de TV recuperar seu absoluto poder demando.

Querem depor a Dilma para colocar a Rede Globo no lugar. Se for como vimos hoje, esse plano, infelizmente deu certo. Esperemos para ver a Globo tomar posse como nova Presidente da República. escolhida por ela mesma, mas através dos zumbis que ela hipnotizou.

Essa adesão popular foi o melhor presente de aniversário que alguém com cinquenta anos de vida poderia ganhar. E esse presente foi a Globo que ganhou.

domingo, 15 de março de 2015

"Impeachment" pra quê?

Hoje, boa parte da população brasileira, sob a batuta de setores ligados às classes dominantes, vai sair as ruas para pedir o impedimento (que a opinião pública chama de "impeachment", como se não houvesse uma palavra em português para isso) da presidente Dilma.

Argumentos conseguem ser mais delirantes o possível. Esta campanha intensa que está tendo o aval de quase toda a grande mídia argumenta que a presidente é cúmplice de todos os escândalos que apareceram nos últimos meses. Para a elite, o PT, vejam só, é inventor da corrupção e está todo envolvido nela.  E não para por aí. Há quem diga que toda essa corrupção faz arte do sistema Socialista e que para acabar com isso, só "implantando o Capitalismo" (que na verdade nunca deixou de ser o sistema econômico e político de nosso país). 

Teses delirantes não faltam para que a elite odiosa torça para que algum empresário ou capitalista volte ao poder, administrando o país como se estivessem controlando uma empresa. Um erro, pois país não e empresa e eu, como administrador, sei como é nocivo confundir país com empresa.

Elite de volta ao poder

Na verdade o motivo verdadeiro dos protestos de hoje é devolver a elite ao poder. Luta contra a corrupção justificada pelos organizadores? Que nada! A elite nunca foi honesta e se ela é rica e porque tirou dinheiro e alguém, seja o salário de seus funcionários ou obrigando o cliente a comprar seus produtos através de hipnóticas propagandas enganosas. Isso sem falar do que está por trás da cortina dos "responsáveis" empresários.

A elite nunca se sentiu bem em ver representantes dos trabalhadores no poder. Isso soa como uma quebra de hierarquia, pois a elite sempre se achou com vocação ara mandar. E a elite não vai querer que um subalterno lhe dê ordens, que deveriam vir no mínimo de alguém semelhante a eles.

E para tentar garantir o sucesso e sua campanha malfadada, a elite não pode assumir a sua condição, fingindo ser um protesto de toda a população. Aliás, fazer de conta que seus interesses particulares são "de todo o povo" é algo que a elite faz há séculos e sabe fazer bem. E para isso, lançam mão de todas as justificativas, mesmo que sejam extremamente absurdas e risíveis.

E uma coisa:sem querer defender Dilma, que de fato mostra incompetência em governar o país, não vejo motivo para tirá-la do poder. Ser incompetente poderia ser caso para advertências ou outros tipos de punição.

E vai adiantar o impedimento ser aprovado?

A ideia de combater a corrupção com o impedimento me parece inútil. Tenho quase a certeza de que esse movimento surgiu como um modismo. Ninguém sabe de fato para que ele serve se será benéfico para a sociedade. Todos querem na verdade é se unir a elite, que tem dinheiro, mas não para distribuir. Mas quem sabe, ficando do lado da elite, ela resolve pagar a participação comum trocadinho, ou simplesmente deixar cair alguma migalha de sua polpudas fortuna.

Na verdade, se o impedimento acontecer, não vai dar em nada. Simplesmente vão tirar o bode expiatório, no caso a presidente Dilma, do lugar em que está. O resto permanecerá na mesma, talvez até piore, pois dará a oportunidade do PMDB mandar no pais, com a posse do vice Michel Temer, raposa velha (bem velha aliás) e astuta.

Não se combate a corrupção tirando fulano ou sicrano do cargo simplesmente. Sai um entra outro para geralmente fazer a mesma coisa. Somente a mudança do sistema através da educação (não a mecânica dada pelas escolas ou a transmissão de crenças tolas através da família) e a eliminação do caráter de "profissão" na política é que farão acabar com a corrupção.

Pois se for como essa campanha deseja, vai ser trocar o seis pelo meia dúzia. Só vai mudar o corrupto, permanecendo a corrupção..

sexta-feira, 13 de março de 2015

Eliminar o bode expiatório não irá acabar com a corrupção e muito menos melhorar a vida dos brasileiros

Brasileiros são modistas. Por serem excessivamente sociais, preferem mil vezes seguir a maioria do que pararem para pensar e seguir a logica. Por isso vão acreditando no que a maioria diz, se esquecendo que mentiras podem se espalhar com rapidez.

Também não gosto dos governos petistas. Eles traíram os seus princípios, preferindo acreditar que se assistencialismo paliativo mudou a sociedade brasileira. Além disso, enfiou uma grossa camada de ignorantes na faculdade, fez alianças com políticos comprovadamente corruptos e fez uma mistureba do ruim do Capitalismo com o ruim do Socialismo, resultando nesta porcaria que está aí, com problemas que não somente não conseguem ser resolvidos como aumentam ainda mais, se tornando crônicos e de maior gravidade.

O pecado de Dilma foi ser incompetente. Mas pelo que sei, não é motivo para um impedimento (impeachment é inglês, bando de trouxas metidos a globalitários!) que faça com que a presidente sai do cargo. Como ela mesmo disse, tem que haver um motivo. De preferência que vá além do ódio cego que se alastrou feito catapora pela sociedade brasileira nos últimos anos.

Além do mais que esse "impitima" não irá resolver nada. Apenas vai tirar um bode expiatório de onde está. Muitos sabem, mas poucos se lembram que os problemas políticos são muito mais complexos do que se imagina. Não é tirando fulano ou sicrano de seu trono que iremos melhorar tudo.

Quero lembrar algumas coisinhas para os que acreditam que simplesmente expulsar Dilma e todos os petistas, ou até esquerdistas, do governo, irá melhorar tudo. 

Primeiro, a corrupção não vai acabar. O PT na inventou a corrupção. Ela existe desde que o homem começou a andar, pois vem do egoísmo. Aliás, a direita é muito mais corrupta que a esquerda, mas ela sabe esconder os seus roubos. Ou seja se o PT não inventou a corrupção, foi ele que a escancarou. Os "menestréis" da estrelinha vermelha fizeram a corrupção sair dos discretos pubs capitalistas, onde sempre estiveram, para exibi-los em carne viva nas praças públicas.

Segundo, acabar com a corrupção não vai acabar com os problemas do país. Pode até eliminar alguns, aqueles que dependem de verbas públicas, mas problemas gerados pela iniciativa privada continuarão apodrecendo nas valas da sociedade. Melhor seria se lutarmos por melhores salários (salário mínimo de quase 800 é inconstitucional) e por melhorias na distribuição de renda. Ou ainda acham lindo que uma pessoa ganhe muito para gastar com supérfluos enquanto boa parte da sociedade não possui o mínimo necessário. Gente, não é pieguice! É bom senso!!!

Neste final de semana teremos o "esperado" protesto pedindo a saída de Dilma. É um ato irracional, interessado mais em defender valores abstratos (moralismo) do que qualidade de vida. Com Dilma fora, o PMDB, verdadeiro inventor das regras que fizeram os governos petistas errarem feio, se fortalecerá e teremos que engolir a corrupção que será mantida e a péssima qualidade de vida que perpetua tantos problemas e injustiças.

Estamos pedindo para sair um bode expiatório. Sua expulsão certamente vai dar em nada. Os verdadeiros responsáveis pelos erros no país continuarão ricos e rindo da nossa cara por pensarmos que tirando um reles partidinho (PT) estamos nos livrando dos problemas que de fato nos assombrarão ainda por muitos e muitos séculos. 

Com Dilma ou sem Dilma, iremos todos cair no despenhadeiro. Aguardem e confiem.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Neodireitismo só é possível porque brasileiros se contentam com pouco

Estamos regredindo! Em pleno século XXI resolvemos ressuscitar as ideias de direita, para defender os interesses da elites e os valores abstratos que eles defendem. Com interesses claros de defender valores estabelecidos, nem que isso custe a vida de seres humanos, subestimados pelas ideias de direita. Ate porque para capitalistas, pessoas são somente os integrantes da elite. O resto é bicho a lhes servir. E se não serve, pode ser eliminado.

Mas parte dessa "bicharada" está bastante empenhada a defender os interesses dessa elite-que-se-acha-humana. Muitos integrantes das classes que não pertencem à elite tem lançado nas redes sociais muitas postagens em prol de ideais de direita e exaltação de valores retrógrados. 

Muitos deles, infelizmente, lançam mão de desejo e crueldade para com aqueles que atrapalham os interesses essa elite. O importante é o bem estar da elite, que na mente desses alienados são nada mais que vitoriosos na "competição humana pela vida". falam ate em termos como "meritocracia" ou "darvinismo social"para justificarem o que pensam, o que é uma grande bobagem.

Mas porque pessoas com dificuldades na vida, muitas delas impostas pela elite defendida pelos mesmos, resolvem defender essa elite? Uma atitude que lembra muito a Síndrome de Estocolmo, quando uma pessoa cria uma certa afeição por aquele que o prejudica.

Simples. O brasileiro se contenta com pouco. Pouquíssimo. Manter as ilusões (futebol, cerveja, festas) e valores abstratos (religiosidade, moralismo) é a meta de quase todos os brasileiros. Se essas coisas forem mantidas nas vidas dos brasileiros, está tudo bem. O país pode até explodir, desde que ilusões e valores abstratos não explodam. Mas se ilusões e valores explodirem, e ai que os brasileiros viram fera. E para defender justamente isso, resolveram recorrer à elite. 

E a a elite deve adorar isso. Se ilusões e valores abstratos é o que a população quer, então ela não quer muito dinheiro. Apenas o necessário para manter essas ilusões e valores. O resto é supérfluo. Principalmente coisas mito mais importantes. 

E para a elite isso é bom porque a dispensa de distribuir renda. Ilusões e valores abstratos podem ser mantidos com pequenas rendas. Aí o sistema pode ser injusto que ninguém se ferra, pelo menos aparentemente.

Essa acomodada noção de satisfação pode explicar porque entre as pessoas de classes média e baixa têm aparecido defensores apaixonados do sistema capitalista e verdadeiros puxa-sacos da elite, a mesma que os despreza constantemente.

terça-feira, 10 de março de 2015

Entre o delírio petista e o ódio direitista

Um cenário surreal acontece no cenário político brasileiro. Estamos entre um governo que não assume seus defeitos e finge estar transformando o país e uma oposição revoltada que propõe como soluções para o país medidas arcaicas e até cruéis, que serem mais para protege valores e instituições do que para proteger os direitos das pessoas. Fica impossível ser otimista num cenário destes sem estar nos dois lados.

Simpatizantes dos dois lados podem até se achar um mais correto que o outro. Mas a verdade é que ambos estão completamente fora a realidade. Ao mesmo tempo que o PT demonstra total incompetência para resolver os problemas do país, sus opositores parecem perdidos na hora de sugerir alternativas para tudo isso que está aí. Os mais assanhados apelam para o sadismo na hora de "tentar resolver" esses problemas.

O país se encontra no verdadeiro desgoverno, pois nenhum dos lados demonstra competência ara dirigir o país, referido ficar uns brigando com os outros. E nem adianta a falsa esquerda ficar dando esmola para pobres e nem a direita propor matar "comunistas" para melhorar o país. Nenhuma medida oferecida tem demonstrado eficácia para eliminar a incompetência e a corrupção.

Integrantes de cada lado acreditam cegamente em suas propostas, muito mais com o objetivo de neutralizar o adversário. Idiotice! Não seria melhor que todos se unissem em prol do bem estar da população? Mas para a política brasileira é muito mais conveniente e divertido  ficar brigando feito moleques de 7 ano de idade. Não somente os políticos, pois cidadãos simpatizantes dos dois lados também descobriram ser mais divertido sair no tapa.

Quem ganha com este ringue improvisado? Ninguém! Nenhum dos dois lados demonstra estar no caminho da vitória. A população, eterna esnobada, só perde com essa briga tola. Apenas os simpatizantes se beneficiam se iludindo com as promessas utópicas oferecidas por cada lado. "Beneficiam" entre aspas, pois é preciso se contentar com pouco para aceitar ilusões como solução.

Prefiro ficar longe disso tudo. Ainda aguardo alternativas, mas ainda preocupado com essa guerrinha tola entre os alucinados petistas que só enxergam maravilhas em suas gestões e os odiosos petistas que vivem obcecados em querer matar aqueles que eles chamam de "comunistas", achando que com isso, a sociedade brasileira melhorará.

Brasil realmente não é um país sério. nem mesmo quando o  assunto é política e bem estar da população. País de tolos, de amos os lados.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Clamando por uma nova esquerda

As trapalhadas em que se envolveu o PT mostraram que foi um péssimo negócio para o partido ter abandonado suas propostas originais em troca de alianças estranhas e rompimento total com propostas que defendia quando o partido foi fundado. 

Embora nem simpatizantes, nem críticos assumam, o PT mudou muito, virando um partido de centro-esquerda, mais para centro, absorvendo a proposta original do suposto rival, o PSDB, hoje neoliberal. Bastidores ainda vão mostrar que os dois partidos não são rivais assim como todo mundo pensa.

Para a maioria dos brasileiros, pessimamente educados e muito mal informados,o PT representou fracasso da aplicação do Socialismo no Brasil. E eu pergunto: que Socialismo? Tolice querer usar os erros tipicamente capitalistas cometidos pelo PT para atacar o Socialismo.

Mais tolice ainda é querer definir o que o PT faz como Socialismo autêntico. Engraçado: os direitistas devem estar achando que o "Socialismo" praticado pelo PT deve ser perfeito, pois ao invés de exigirem um Socialismo de melhor qualidade, prefere eliminá-lo de vez e trocá-lo pelo malfadado e comprovadamente fracassado Capitalismo, a truculenta doutrina dos egoístas.

Trocar um Socialismo supostamente ruim - na verdade o PT só é "Socialista" na aparência; acordos com aliados de direita provam isso - pelo Capitalismo com absoluta certeza é eliminar um problema colocando outro problema no lugar. Virou estranha tradição na nossa sociedade substituir problemas por problemas, o que se torna a verdadeira razão para tudo ficar como está.

E se o PT, que mesmo sendo na prática um capitalista moderado é considerado um péssimo socialista, será que não há, longe do partido, uma alternativa que represente uma esquerda mais eficiente e fiel a seus princípios?

Há outros partidos de esquerda no país. Mas estão todos viciados, ainda presos na União Soviética de tempos remotos. Ninguém admite, mas a esquerda está perdendo espaço para o Capitalismo, justamente por casa disso: mofado, ainda preso aos antigos líderes soviéticos e seus atuais discípulos, sem oferecer novidades a sua ideologia, além de amargar um equivocado estigma de ditadura cruel graças à distorções cometidas por Josef Stalin. 

Tudo isso faz com que a esquerda perca o seu prestígio diante do reluzente clima de shopping center oferecido pelo Capitalismo, que em tese, defende a democracia e a liberdade desde que você pague - e bem caro - por elas. E liberdade, um dos mais básicos dos direitos, não deveria ser paga.

E diante de um Capitalismo que naturalmente nunca se consertará - se o Capitalismo se tornar altruísta, ele morre, virando outra ideologia - e uma esquerda antiquada, sem propostas, como ficamos? 

Ainda aguardo uma nova esquerda. Nunca vou deixar de ser socialista porque ainda acredito nos seres humanos. Sei que não deveria ser surpresa o crescimento das ideias de direita em tempos onde pessoas estão amando cada vez menos pessoas, desconfiando umas das outras e desviando os focos de afeto para animais, times de futebol e divindades, mostrando que o amor entre pessoas saiu de moda.

E sinceramente: o cenário político no Brasil nunca favoreceu a aplicação do verdadeiro Socialismo, Quando a coisa aperta, é para os braços dos ricos capitalistas que todos correm, para comer as escassas migalhas que os donos do poder soltam quando andam.