segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Na Argentina, Macri defenderá a sua classe, a dos empresários. No Brasil, se a direita voltar, será a mesma coisa

Sabe porque o povo que defende a direita é chamado de coxinha? Porque "coxinha" é o novo sinônimo de trouxa. Quem não é rico e defende os ricos certamente vive fora da realidade, achando que os verdadeiros poderosos irão se abaixar e beneficiar quem os apoiou.

Os direitistas que não são ricos mal sabem que serão os primeiros a serem esquecidos pelos candidatos que colocarão no poder. As elites são tradicionalmente egoístas, defensoras não do bem estar coletivo, mas do sucesso individual. Para a elite, a sobrevivência é um prêmio que só deve ser concedido a uma minoria, que supostamente lutou por ele.

Macri, eleito pela população insatisfeita com o Socialismo ruim que estava sendo posto em prática na Argentina (como se ser ruim fosse uma das características do Socialismo), já começa a tirar a máscara de democrata e mostrar a sua cara feia de troglodita capitalista. Entregou praticamente ao FMI e a órgãos e empresas estadunidenses a missão de tentar equilibrar as contas do país. 

E Macri, empresário experiente, com grande riqueza acumulada, já deixou bem claro que sairá em defesa de sua classe. O povo deve sofrer para que o empresariado esteja bem. Inventa, como fazem todos os capitalistas, que o bem estar das empresas é que garante o equilíbrio das finanças e por consequência o bem estar da população. "Bem estar" entre aspas: leia-se consumismo.

Mas um consumismo de fachada, pois quem é sensato sabe que o Capitalismo detesta repartir renda. Marx dizia que o Capitalismo iria um dia morrer de suicídio. Mal sabem os capitalistas que renda mal distribuída impede o consumo e impede a entrada de renda nas empresas, provocando crises e falências. 

Ultimamente empresas tem sido extintas ou engolidas por corporações. Temos muito menos empresas do que a cerca e 30 anos atrás. Em muitos casos varias empresas são na verdade fachadas para uma empresa só, como se vê muito nas gravadoras e nos sistemas de ônibus.

No Capitalismo, democracia é mercadoria

Seria uma infantilidade acreditar que o novo presidente da Argentina esteja interessado em dar bem estar ao povo. Não está. Ele sabe mais do que ninguém que o cargo, somado ao fato dele vir do empresariado, lhe garante poder e autonomia para fazer o que bem entender. 

O Capitalismo nunca foi de fato uma democracia, esta vendida como um produto no sistema quando aplicado. "Se quer ser livre, pague", é o lema das democracias capitalistas. Se você tem que pagar ara ser livre, sinceramente a liberdade não é um direito e sim uma mercadoria.

Que os brasileiros fiquem muito atentos a tudo  que acontecer na Argentina. Façam de tudo para estar mais informados o possível sobre o que acontece por lá. A Argentina de Macri servirá de uma boa bola de cristal que mostrará o que poderá acontecer aqui quando o poder for devolvido nas mãos da elite egocêntrica. 

Os homens que usam ternos e gravatas como uniformes de trabalho certamente não ficarão prejudicados em um governo guiado por um representante seu. Mas o povo trabalhador é que deve ficar preocupado, principalmente os que desejam a volta dos capitalistas ao poder. A admiração que os coxinhas tem pelos seus ídolos de direita com certeza nunca é recíproca. Até porque capitalistas não costumam amar seres humanos. Nem eles mesmos.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O PMDB é o verdadeiro responsável pelos erros do PT

Não defendo o PT, não sou petista e o que acontece com o partido eu já havia previsto, com base em análise de fatos pouco mencionados. Mas vejo que as críticas feitas por opositores ultrapassam os limites do surreal, chegando até mesmo a culpar fatos históricos por algo que só aconteceu há cerca de dois anos. Fatos que em muitos casos nada tem de ligação com o que acontece hoje.

A má informação da população, pessimamente escolarizada, vocacionalmente odiosa e cegamente confiante no que é dito pelas emissoras de televisão, faz com que os petistas sejam considerados hoje os maiores vilões da política atual, mesmo que seus erros cometidos sejam bem menores que os de seus algozes. 

E entre os erros cometidos pelos petistas e estranhamente menos comentado pela população é o fato de que o PT teve que fazer alianças para subir ao poder. Na verdade, o PT nunca mandou no país e se ele se envolveu em corrupção é porque aprendeu com Os Profissionais, com os partidos de direita com quem se aliou.

E um desses partidos, o mais metido deles, é o PMDB. É o partido-parasita do Brasil. Nascido do MDB dos tempos da ditadura, herdou desta fase a falta de proposta e de cara que virou marca no partido. na ditadura, na passava de uma espécie de abrigo político daqueles que se opunham aos governos militares. Com o fim da ditadura, adotou a falta de identidade e o parasitismo como suas principais características.

Mas mesmo sem propostas, há algumas coisas típicas no PMDB de hoje. Estranhamente, o mesmo partido que se opunha a ditadura, agora se consagra com políticos autoritários que tomam decisões impopulares para serem postas em prática na marra, sem qualquer tipo de consulta popular. Os Eduardos Paes e Cunha, além do governador Pezão e do pemedista-tipico-que-integra-PT Rodrigo Neves, fazem muito bem este tipo.

Mas a mídia não transformou estes e outros pemedebistas em vilões da novelinha política. Há quem troque as bolas e ache que estes é que foram manipulados pelos petistas a agir desta forma. Sem a manipulação midiática, os pemedebistas, assim como os tucanos, ficam imunes ao ódio popular, este direcionado aos petistas e a partidos de linha esquerdista.

Mas quem os interessa pelos bastidores da política sabe que o maior erro do PT foi se envolver com estes partidos, sobretudo o PMDB. Se o PT tivesse ficado na sua e vencido as eleições por mérito e não pelo empurrão de alianças, certamente na teria se metido nestas falcatruas, não havendo motivos para tanto ódio burro que faz as pessoas hostilizarem o ruim para desejar o pior.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O jogo dos sete erros das Mini-Festações

Como (quase) todos sabem, ontem ocorreu uma série de protestos contra os petistas. A adesão foi mínima, o que levou aos mais sensatos de chamar os movimentos de "mini-festações". Eu mesmo vi um sair da praia de Icaraí, com um playboy típico, com cara, porte e voz de playboy comandando a multidão com frases odiosas em cima de um carro de som em que aparecia o nome "Serra" escrito sem logomarca explícita, mas com sugestão subliminar. 

O tal playboy não economizou em elogios a Sérgio Moro (seria o candidato dele a ocupar a valga de Dilma em possível "impítima"?), o cara que está correndo atrás dos petistas. No final do dia, os protestos foram considerados um fracasso em todo o país, embora as elites, arrogantes como sempre, não quis assumir a derrota.

Mas os movimentos de direita enfraquecem aos poucos pois não são baseados no bom senso e em fatos, mas na histeria cega e no desejo de colocar a elite de volta ao poder. A elite da população e seus puxa-sacos da classe média nunca engoliram o fato de um representante do povo estar no poder, desejosos que um ricaço cheio de títulos e diplomas esteja no comando do país para governar em prol dessa mesma elite. E como boa parte dessa elite é religiosa, usa a fé cega em seus mestres e na grande mídia para construir suas convicções alucinadas sobre a realidade, achando que a simples eliminação de um grupinho político irá resolver um problema que é muito mais complexo do que qualquer um e capaz de imaginar.

Mas os protestos ao invés de incomodar os esquerdistas sensatos (a intenção da direita é irritar os esquerdistas), acaba se tornando uma piada bastante engraçada, pois os direitistas não cansam de cometer contradições, deixando claro que eles na são contra a corrupção como dizem e sim contra os petistas, que segundo os coxinhas, estão fazendo concorrência com os corruptos profissionais, que são os políticos de direita. Não é raro ver a direita defendendo os seus corruptos, enquanto condenam os corruptos do PT e de partidos aliados do governo.

Vamos rir um pouco e ver os erros dos protestos da direita, que mostram que os simpatizantes do excludente Capitalismo são um bando de ignorantes interessados apenas em proteger seus supérfluos interesses, mais preocupados em salvar a elite do que a nação como um todo.

1) Para direitistas, corrupção é o maior, talvez o único problema do país:
- O pretexto dos protestos é contra a corrupção, que na verdade não é um problema em si e sim um sintoma de um problema mais grave e mais complexo. Mal sabem eles que acabar com a corrupção não vai acabar com outros problemas. A corrupção é resultante do desejo de enriquecimento fácil.

2) A corrupção é prática típica dos regimes socialistas:
Outra declaração infeliz. Creem os direitistas mais lunáticos que o Capitalismo não possui erros e que os capitalistas, sobretudo os Grandes Empresários, são "homens altamente responsáveis e desprovidos de qualquer tipo de defeito", o que faz com que estes pareçam extremamente confiáveis e blindados de críticas. Mas se esquecem os direitistas que o Capitalismo favorece a corrupção, por esta ser resultante do desejo de enriquecimento fácil, este resultante da má distribuição de renda, principal característica do Capitalismo. Somente pessoas extremamente ignorantes podem dizer que essa onda de corrupção é característica dos sistemas socialistas, quando a corrupção é tipicamente capitalista, a olhos vistos, por envolver lucros financeiros.

3) Basta tirar os petistas ou esquerdistas que tudo melhora:
Recentemente li uma declaração infeliz dita por um analfabeto político que disse que "se tirar os petistas, o Brasil melhora". Alto lá! Mal sabe este analfabeto que a política é muito mais complexa do que aquela que aparece na televisão. Telejornais, que dependem de publicidade para ganhar dinheiro, costumam novelizar as notícias para que estas sejam mais palatáveis e atraiam audiência e consequentemente dinheiro. Eliminar o vilão como se faz numa novela é muito fácil, mas incompatível com a realidade. Se as pessoas lessem mais e conhecem História, certamente os "vilões" seriam outros e não os desastrados petistas, que nem saber roubar fazem direito.

4) Camisas da corrupta CBF em protestos "contra a corrupção":
Estava eu na barbearia esta semana e a TV de lá estava ligada em um canal esportivo. Na reportagem mostrada no momento, os jornalistas estavam mostrando uma extensa lista de cartolas do futebol, maioria da FIFA e vários da CBF, sendo citados como comprovadamente envolvidos em corrupção. Que no futebol rouba-se mais do que na política todos sabem, embora finjam não saber. E porque cargas d'água, as pessoas colocam camisetas da CBF nos protestos. Inclusive com o nome de Neymar escrito nas costas, este envolvido em mais de um caso de corrupção e "educado" desde já para ser cartola em um futuro remoto. O ideal seria que os manifestantes vestissem preto, em forma de luto pela corrupção. Mas soa risível condenar a corrupção usando uma camiseta de uma entidade corrupta. Mais um sinal da desinformação e da ignorância dos direitistas.

5) Boatos transformados em fatos:
Direitistas se baseiam no que a mídia diz, pois a mídia é controlada pelos "amados e confiáveis empresários, que nunca mentem, nunca roubam e nunca erram" e por isso, os manifestantes se sentem representados pela mídia, que vai construindo sua visão paralela da realidade, costurada com um festival de boatos e lendas. A má informação e a distorção da realidade alimenta o ódio da direita, gente já sem noção de altruísmo, acostumada a ofender os outros em práticas e bullying digital ou presencial, para defender seus abusivos privilégios como se fosse um direito básico.

6) Corrupção é desculpa. O medo das elites é de distribuir seus bens:
Na verdade o grande medo dessas elites não é a corrupção. A corrupção só serve como desculpa esfarrapada para eliminação dos algozes da elite, pois práticas imorais são uma boa justificativa para eliminá-los. Mas o verdadeiro medo das elites é a melhoria na distribuição de renda. A elite sente horrorizada em ter que diminuir seus supérfluos bens para favorecer que pessoas humildes tenham mais acesso ao necessário. Elites odeiam a justiça, só se lembrando dela na hora de defender seus interesses excessivamente atendidos.

7) Direitistas não roubam?
Uma das coisas mais risíveis é o apoio dessa elite e de seus puxa-sacos é a crença de que a direita não rouba, o que faz com que apoiem corruptos de direita. A direita rouba mais do que a esquerda, mas por ser mais profissional na roubalheira, sabe muito bem esconder seus procedimentos desonestos, o que faz com que pareçam "honestos" diante dos olhos mais ingênuos. A esquerda, por não ter tradição na corrupção, não soube esconder o seu roubo, o que fez parecer responsável pelo "maior caso de corrpção ocorrido no país". O que não é verdade, pois fatos e documentos mostram que os governos de FHC a corrupção foi muito maior, embora silenciosa e discreta.

Direitistas, leiam mais, se informem mais e parem de falar besteiras. Vocês serão os primeiros traídos pelas lideranças que vocês idolatram e defendem .

Segue abaixo o que eu consegui filmar da Mini-Festação" niteroiense. Vejam como o mestre de cerimônias é um verdadeiro babaca, falando igualzinho aos playboys da Barra da Tijuca.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Impedimento de Dilma não é a favor da democracia. É para interesse particular dos que querem o impedimento

Em vingança a ameaça de sua retirada do cargo de Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, o homem mais antipático e intrometido do país no momento, decidiu pela iniciativa de abrir o processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff. Uma afronta à Constituição visto que não há um fato provável que justifique a destituição à presidente. Além do fato de que os requerentes errem tanto ou mais que os erros supostamente atribuídos à Dilma e aos seus compartidários.

Ou seja, apesar do combate à corrupção ser uma justificativa mais do que alardeada, evidências confirmam que não é bem este o motivo que faz com que muitos brasileiros torçam pela saída de Dilma e dos petistas do governo. 

As elites nunca gostaram de ver um representante das classes populares no poder. As acusações de corrupção a integrantes do PT e a seus aliados tem caído como uma luva para servir de oportunidade que essas elites encontrassem uma razão de satisfazer seu objetivo.

E caso entendam que a Dilma tenha que ser tirada do poder, a lei diz que Michel Temer seria seu sucessor no cargo. Mas como Temer é maré mansa (ou pelo menos era, até esta semana, já que passou a dar sinais de que quer também tirar Dilma), pode ser que ele seja estimulado, por algum motivo a entregar o cargo para seu colega de partido, Eduardo Cunha, o que deixaria claro o verdadeiro objetivo de Cunha: tomar a presidência.

As elites nunca foram defensoras dos interesses coletivos. Capitalistas e neoliberais, são entusiastas das conquistas individuais. Acham que a luta pela sobrevivência é uma competição e que direitos são prêmios pela vitória nesta "competição". Toleram a má distribuição de renda e acha que lideranças nunca erram e muito menos cometem abusos. Mas mantém a tradicional mania de tentar convencer a população em geral, incluindo muitos excluídos sociais, a se unir pelas causa da elite. Como se os interesses da elite fossem os interesses da população como um todo.

Com esta mentalidade que a população rica e de classe media está sedenta pela saída de Dilma. Os petistas não representam os interesses dessa elite. Colocar um líder "sofisticado" no poder, mesmo que seja também corrupto e incompetente, parece ser a verdadeira meta de uma população acostumada a acatar tudo que vem de cima. E ara isso nada melhor que um líder que venha de cima, pois dá a ilusão de que "sabe tudo" e "faz tudo corretamente". 

O povo se esqueceu da desastrosa experiência com a direita em muitos e muitos governos...

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A crise: porque muitos não querem resolvê-la?

Estão falando muito em crise ultimamente. E "crise" virou justificativa para tudo de ruim que acontece agora. Embora os casos de corrupção e a realização da copa de 2014 sejam frequentemente responsabilizados por esta crise, fatos mostram que sua origem é mais antiga do que se pensa e não é exclusivamente brasileira.

Na verdade ela é mundial e suas origens estão na globalização, quando empresas se tornam dependentes umas das outras, fazendo com que a crise de uma atinja outra e assim por diante. É complicado dizer isso aqui porque eu não sou economista. Mas dentro do meu pensar leigo crio que essa é uma explicação plausível. Economistas poderão complementá-la.

É tolice acreditar que crises como esta tenham surgido de uma ora para outra. mesmo que isso seja possível, não é frequente vermos tudo ir bem para um dia tudo se espatifar. Algo bem demorado e que provoque reação em cadeia, com fatores gerando fatores tem maiores razões por ser o motivo desta crise.

Só que é uma crise que estranhamente ninguém esta se empenhando em resolver. Mesmo que haja quem esteja disposto a resolve-la, até agora eu não vi ninguém se manifestar a respeito de uma solução. No momento, me encontro entre os que não gostam da crise, mas não tem condições de resolvê-la, e entre os que lucram com ela.

Sim, há quem goste de crise. Principalmente os poderosos, sobretudo os direitistas interessados em derrubar governos de esquerda. Ricos não sofrem tanto com esta crise, embora finjam sofrer. Para eles é só demitir, demitir e demitir que tudo se resolve. 

Para empresários, funcionários não são seres humanos e sim equipamentos que eles compram para realizar tarefas. Os defensores do empresariado vão bater perna dizendo que não é assim. Mas mostre-me um empresário disposto a abrir mão de qualquer privilégio para beneficiar a humanidade. Existir até existe, mas exemplos disso são raríssimos: um para cada milhão.

E como crises não afetam ricos, mesmo significando algo negativo para a sociedade, eles passam a utilizá-la para derrubar aqueles que estão no meio do caminho de seus interesses de dominação. Esta época de insatisfação política que deu origem ao ódio anti-petista e a volta da "caça às bruxas", a crise e perfeita como pretexto para tirar os algozes do poder e colocar integrantes da elite no ugar, para que as decisões governamentais voltem a priorizar os interesses abusivos das classes dominantes. 

E apesar de ser um interesse que agrada apenas aos mais ricos, estes tentam convencer a sociedade como um todo, se aproveitando da baixa capacidade intelectual do povo em geral, de que um rico no poder será supostamente benéfico a todos. Até porque é um estereótipo do rico ser sabido, inteligente e perfeito, incapaz de errar. 

Ninguém gosta de assumir que empresários erram. Quando há erros do empresariado, ou fazem parte do sistema ou são culpa das circunstâncias. Erros nunca são de responsabilidade dos empresários, símbolos máximos da perfeição humana e paradigma de sucesso na luta pela sobrevivência.

E é com este pensamento que se utiliza a crise em momentos como este em que um governo composto supostamente por pessoas vindo das classes operárias decepciona por sua incompetência e envolvimento em escândalos. Para muitos, a crise acabará feito magica se este grupo político sair do poder. Como se fosse "facim, facim" recuperar tudo com a simples mudança de dinastia. Como se na direita não existisse quem fosse capaz de roubar e governar mal. 

Todos se esqueceram que o PT só se envolveu neste escândalos porque aprendeu com a direita a roubar. Só não aprendeu a esconder seus erros, pois a direita erra bastante mas sabe muito bem para qual tapete varrerá a sujeira para ela poder ficar muito bem escondida.

E o recado final: fiquemos com a crise. Não será a troca de dinastia que resolverá as coisas e sim abnegação de privilégios e de poder que pode nos fazer mais responsáveis e ter condições para resolver tudo com mais altruísmo e racionalidade.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Paranoia anti-esquerda vive fora da realidade

Temendo que o governo petista se transforme em uma espécie de "Robin Hood", as elites trataram logo de exorcizá-lo, lançando mão de um festival de lendas e boatos que fazem as ideologias parecerem bem piores do que são. 

Claro que os governos petistas erraram e ainda erram. E erram muito. Mas a maioria das críticas feitas aos governos do partido não estão sendo inteligentes, preferindo se limitar ao ódio burro e a acusações surreais ao PT e a criação de lendas falsas sobre as ideologias de esquerda.

Para esses paranoicos que adoram inventar coisas sobre o PT, eu tenho uma novidade: o PT NÃO É DE ESQUERDA! Sim, porque para vencer as eleições e garantir Lula como presidente, o partido teve que se aliar com forças retrógradas e teve um partido de direita o então PL, como aliado a fornecer o Vice-presidente, o falecido José Alencar, um empresário (!!!) tradicional.

É uma bobagem sem pé nem cabeça dizer que o Comunismo se instalou no país, gerando a crise que acontece a olhos abertos. A crise não se deu por causa "do Comunismo" e sim por motivos capitalistas. Lula fez governos tipicamente capitalistas, mas moderados. Dilma resolveu escancarar e governa com base em regras neoliberais. Vários neoliberais assumidos ocupam pastas do governo Dilma, para surpresa dos neoliberais que a criticam. 

Além disso, se formos a fundo, vamos perceber que os erros que geraram a crise tem origem nas regras e costumes do Capitalismo. Pergunte a algum bom economista e ele confirmará o que estou dizendo.

A História provou que o Comunismo, o Socialismo e ideias semelhantes nunca foram de fato colocadas em prática. O que se viu na verdade é um arremedo ou até uma distorção de seus ideais. Stalin foi o grande deturpador do Socialismo e acusá-lo de "legitimar" os ideais de esquerda é uma ignorância sem tamanho, resultado da falta de análise e da má interpretação de ideias gerada pelo ódio a ideais opostos às crenças tolas que se defende.

O Socialismo não é genocida e o PT além de não ser genocida, nem socialista é. Lula não vai mandar matar ninguém. E o PT se tornou na prática o que o PSDB quis ser mas foi apenas na teoria: um partido capitalista moderado que, se não acaba com as estruturas do poder, se esforça para minimizar as diferenças de classes que é bastante característica do Capitalismo.

Portanto, descontentes: parem de paranoia. parem de inventar tolices sobre o governo. Parem de chamar Lula como o "maior corrupto de todos os tempos", pois muitos empresários "do bem" são capazes de cometer erros muitos maiores que todos os integrantes do PT juntos. 

A incompetência dos governos petistas é real, mas nunca pode servir para que as elites queiram retomar o poder na marra, criando um maniqueísmo tolo que inverte os papéis do egoísta Capitalismo, hoje tido como "altruísta" e o altruísta Socialismo, acusado inclusive de ser sanguinário, numa verdadeira demonstração de burrice desesperada por parte de quem acusa os petistas.

Já que a elite pró-capitalista se acha tão inteligente, seja de fato inteligente. Critique o PT pelos erros reais e não ficar inventando bobagens sobre o Socialismo para depois colocar empresários corruptos na gestão governamental. Se querem criticar o governo, critiquem sabiamente, com provas e não como beatos mal humorados a acusar os esquerdistas de "diabos" só porque eles vestem vermelho.

Estamos esperando uma oposição mas amadurecida, porque esta é muito mais infantil do que qualquer criança de 5 anos, invalidando qualquer tipo de crítica que deveria ser sensata.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Pausa para Estudos

Infelizmente, terei que dar uma boa pausa nas postagens inéditas deste e dos blogues associados. É que entrarei em um novo concurso e não terei tempo para postar nada aqui. 

Desculpem o transtorno e agradecemos a paciência. Continuem relendo as postagens antigas e prestigiando este blogue. Esperamos voltar em novembro próximo com novas e inéditas postagens. Até lá!

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

As críticas mais sensatas ao PT vem das esquerdas


A direita é burra. Interessada muito mais em utilizar a inteligência apenas para contar quantas moedas estão guardadas em valiosos cofres de ouro, ao debater a situação política, incapazes de abrir mão de suas convicções e interesses, apelam para um festival de asneiras que além de não servir de diagnostico real da crise política que é evidente, nunca oferece uma alternativa sensata que possa melhorar as coisas.

E como eu disse, a crise é evidente e o PT completamente incompetente e atrapalhado. Seus maior erro foi se aliar a forças retrógradas da política e aprender com elas o caminho mais fácil da corrupção e das alianças suspeitas, o que minou a credibilidade do outrora mais confiável partido do país. 

A decadência do PT é um fato inegável, mas temos que admiti-lo fazendo críticas honestas e amadurecidas, e não essa birra infantil que se limita a dizer que os petistas "tem cara de melão", inventando defeitos surreais para os integrantes do partido ou de toda a esquerda.

Que o PT errou muito e ainda erra, isso é admissível. Mas as observações mais sensatas em relação a isso não vem da odiosa direita, interessada em agarrar seu valioso ouro sujo para que na seja pego pelos concorrentes petistas. Há muito espero críticas sensatas vindo de direitistas e simpatizantes e elas nem dão sinais de que um dia irão chegar. A direita e burra mesmo.

Petistas tão alucinados quanto a direita

As críticas mais sensatas ao PT vem de setores da esquerda, em maior arte não ligadas ao partido. Felizmente há petistas mais racionais que admitem os erros do governo, mas eles são poucos. A grande maioria dos petistas é sectarista e defende até mesmo quando o governo erra, como se o que os petistas fazem não fosse errado. 


Ou seja, os petistas desprovidos de autocrítica são tão alucinados quanto os direitistas que eles aleguem discordar. Parece aquela brincadeira de criança onde duas crianças brigam de maneira bem odiosa por causa de um resultado supostamente injusto de uma brincadeira boba.

Já a esquerda que não é ligada a petistas, estando fora do ringue PT x Setores da Direita, tem a possibilidade de analisar com mais objetividade a realidade política brasileira, sem dogmatismos e sem lançar lendas tolas. Propõe alternativas que estejam de acordo com a resolução dos prolemas reais da sociedade brasileira. Até porque diagnósticos sensatos geram soluções sensatas.

Este blogue se inclui a vários de esquerda (destaco o blogue do Tsavkko e o Cinema & Outras Artes, que apesar do nome tem falado muito e sensatamente sobre política) que não praticam idolatria petista, tendo a missão de admitir a incompetência real dos governos petistas e assumir um compromisso com a realidade sem inventar tolices pró ou contra alguma coisa. Personalidades como o político Jean Wyllys, também esquerdista, tem feito observações bem detalhadas e amadurecidas sobre a realidade atual.

É necessário que observemos o que acontece ao nosso redor e que façamos um diagnóstico seguro e justo sobre o que acontece no cenário político. Se continuarmos com birras tolas, seja de que lado for, manteremos o cenário político-econômico-social como sempre esteve, com corruptos no poder a nos obrigar a aceitar todo o engodo cotidiano que e empurrado em nossas goelas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Iugoslávia ainda existiria se iugoslavos pensassem como brasileiros

Brasileiros, assim como americanos (ô mania de cópia!), costumam divinizar a pátria. O país se torna uma espécie de segundo Deus que deve ser respeitado, obedecido e mantido integralmente como está. Alterar sua estrutura é grave heresia condenada por muitos.

Mesmo que a divisão seja necessária para a melhoria de qualidade da população, para muitos, a Pátria-Deus nunca deve ser dividida, pois no imaginário dos "patriotas" ela é um ser vivo, com poder de mando e por isso mesmo indivisível e que merece que ajoelhamos diante dela.

Fico imaginando o que aconteceu com a URSS e coma Iugoslávia, países que não existem mais e que foram divididos para satisfazer interesses da população. Se iugoslavos, por exemplo, pensassem como brasileiros, certamente a Iugoslávia estaria existindo ate hoje.

O que aconteceu com a Iugoslávia é algo que assusta os brasileiros. Boateiros logo trataram de inventar tolices a respeito, como associações a tirania ou até a nazismo, apartheid ou anti-humanismo. Nordestinos temem a separação, se esquecendo que se o país se dividisse, os nordestinos se dariam bem com isso, não tendo mais que ser explorados pelas outras regiões.

Associar separatismo a ideologias anti-humanistas é uma infantilidade. Não precisamos pertencer a um mesmo país para nos amarmos. E regiões já tem diferenças suficientes para que cada uma possa ter autonomia em relação a outra.

O tamanho sempre foi uma das causas de dificuldades no Brasil, que apesar de ser considerado um país, age como se fosse vários. Quem necessita ser transferido de universidades de estados diferentes conhece o drama. Burocraticamente, estados diferentes não agem como se pertencessem a uma só nação.

E olha que tamanho não era problema para a Iugoslávia (mas era para a URSS), que em sua área integral era menor que muitos estados brasileiros.

O caso da Iugoslávia é uma situação a pensar. Será que a unidade de nosso país é realmente necessária para nós? Ou a noção de pátria é mais uma das muitas zonas de conforto em que adoramos viver presos?

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Os 4 erros que aparecem nos escândalos de corrupção

ESPREMENDO A LARANJA: Jean Wyllys, um dos poucos políticos que se empenha em um trabalho sério e humanitário, postou em seu Facebook (que eu estou seguindo) interessantes observações sobre o que aparece nas cabeças das pessoas quando o assunto é corrupção. São observações que eu não havia percebido e são bastante coerentes.

Sinceramente as pessoas infelizmente não sabem o que é corrupção. Num misto de crença religiosa, torcida de futebol e plateia de novelas, as pessoas costumam ser bastante subjetivas ao tentar entender e julgar os casos de corrupção, ignorando que é algo muito complexo, difícil de ser resolvido e que uma simples retirada de "vilões escolhidos" nunca conseguirá encerrar esse tipo de prática.

Corrupção é algo que envolve uma corrente gigantesca e quase invisível, onde não apenas políticos se envolvem, mas quase todos que estão no poder, seja político, econômico e até cultural e social (setores que muita gente ainda acredita ser impossível aparecer casos de corrupção).

Wyllys escreveu os quatro pontos observados quando se toca no assunto de corrupção e os comentou. Leiam , pois é bem interessante e se entendermos bem o que ele escreveu, vamos parar com as asneiras ditas frequentemente quando tratamos cada caso de corrupção isoladamente, se esquecendo que ele é uma pequena parte de uma rede monstruosamente complexa, que somente a educação e o fim da ganância financeira podem tentar exterminar.

Os 4 erros que aparecem nos escândalos de corrupção

Por Jean Wyllys, em seu perfil oficial no Facebook

Existem quatro erros comuns que se repetem cada vez que um caso de corrupção vem à tona e se transforma no “escândalo”, sobre os quais precisamos refletir:

1. O problema da corrupção não são os casos individuais, porém, cada vez que um caso de corrupção estoura na mídia, é tratado como se fosse um caso isolado. Assistimos, então, à construção de um “vilão”, sobre o qual recai a culpa por algo que não é mais do que um sintoma de um problema sistêmico. Nenhum partido (nem o PSOL) está isento de ter, em suas fileiras, um corrupto. Se o problema fosse apenas existirem pessoas corruptas, não seria tão grave: a solução seria apenas identificar e expulsá-las. Mas sabemos que o problema não é esse.

A corrupção é um componente inevitável de um sistema de governo em que as campanhas são financiadas por bancos, empreiteiras, empresários do agronegócio, igrejas fundamentalistas milionárias e todo tipo de lobistas; a governabilidade se garante comprando votos no Congresso (e o “mensalão”, seja petista ou tucano, não é a única maneira de se fazer isso; existem formas indiretas, como a distribuição, entre partidos aliados, de ministérios e órgãos públicos em função não do mérito, mas do orçamento) e governantes e parlamentares se preocupam mais em agradar empresários e corporações do que em manter o espírito republicano.

2. O problema da corrupção não é só moral. O “udenismo” costuma dominar o debate sobre a corrupção, e tudo é reduzido a desvios éticos individuais. A corrupção é também um problema econômico (porque são bilhões de reais que “somem” do orçamento da União, dos estados e dos municípios) e, sobretudo, um problema POLÍTICO. Não é por acaso que o PT, que antigamente era visto como o partido da ética, passou a se envolver cada vez mais casos de corrupção desde que chegou aos governos.

A corrupção acompanhou a aliança com o poder financeiro e o agronegócio; veio junto com submissão ao fundamentalismo religioso e com os acordos cada vez mais escandalosos com pilantras disfarçados de pastores que dominam o Congresso; acompanhou o uso da repressão contra o povo nas ruas e a adoção do discurso da “segurança nacional” que, no passado, foi usado para reprimir aqueles que hoje estão no governo. Ou seja, o que houve não foi uma degradação moral, mas uma renúncia ideológica e programática.

E, por isso, a grana e os privilégios do poder substituíram, em muitos petistas (não em todos nem mesmo na maioria militante!), as convicções e a vontade de mudar o mundo como razão para se engajar na política. Então, se realmente quisermos acabar com a corrupção, o primeiro passo é voltar a dotar a política de sentido e conteúdo, para que mais gente entre nela desejando mudar o mundo e não ficar rico.

3. O problema da corrupção não é apenas a violação das normas, mas o fato de ela muitas vezes ser as próprias normas. Um bom exemplo disso é o financiamento de campanhas, que está sendo julgado pelo STF: se um candidato faz uma campanha milionária financiada por empreiteiras e empresários do transporte e, já eleito, tem que decidir entre aumentar ou não a passagem de ônibus ou tem de escolher entre os direitos dos moradores e os interesses de uma empresa cujo projeto imobiliário implica em removê-los, qual será mesmo a escolha dele? Se um senador teve sua campanha financiada pelo agronegócio, vai votar a favor de que tipo de Código Florestal?

Sendo assim, esse sistema eleitoral, que leva à formação de mega-coligações para garantir a governabilidade, não pode prescindir da corrupção. Ou vocês acham que o partido do sistema, que já foi aliado de petistas e tucanos, vai votar as leis porque lhe parecem boas se não tiver mais dois ministérios em troca? Tem inúmeras condições estruturais que favorecem ou até impõem a corrupção como combustível necessário para o funcionamento do sistema. Por isso, de nada adianta fazer, da corrupção, um problema apenas moral se não fizermos mudanças estruturais; se não mudarmos as regras do jogo.

4. A corrupção não é o único nem o mais importante problema da política. Vamos supor, por um instante, que fulano, candidato a presidente, governador ou prefeito, é uma pessoa comprovadamente honesta, no sentido mais restrito do termo: jamais usaria do cargo para se beneficiar ou beneficiar amigos e familiares; jamais enriqueceria com dinheiro público; jamais roubaria ou seria cúmplice ou partícipe de um roubo. Contudo, esse mesmo fulano defende uma política econômica que prejudica os trabalhadores; é fundamentalista, racista, homofóbico, tem ideias ultrapassadas sobre as relações humanas; é autoritário, personalista e etc. logo, a honestidade dever ser um dos requisitos para se escolher um político, mas não podemos nos esquecer de que o mais importante é a política que ele faz ou propõe: as ideias, o programa, a visão de mundo, os interesses em jogo.

Colocar a corrupção (vista, como já dissemos, como um problema moral, exclusivamente individual, identificado apenas com um determinado setor político e, ao mesmo tempo, despolitizado no sentido mais amplo) é também uma forma de esconder os verdadeiros debates de que o país precisa, como se todos os nossos problemas se reduzissem a três ou quatro escândalos convenientemente destacados nas manchetes.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Porque analfabetos políticos tendem para a direita?

Um dos fatos mais notados ultimamente é que os analfabetos políticos estão pendendo para a direita. Para quem não sabe o que é ideologia de direita, é qualquer ideologia que defenda valores estabelecidos e os interesses das classes dominantes. É basicamente isso.

Mas parece coincidência que analfabetos políticos defendam ideais de direita. Analfabetismo político é quando pessoas desconhecem fatos históricos e pretendem defender uma visão de política baseada no que é dito pelas pessoas comuns em conversas informais e pelos meios de comunicação, controlados por pessoas interessadas em manter valores e interesses estabelecidos.

Analfabetos políticos não precisam ser analfabetos em tudo. Há analfabetos políticos entupidos de diplomas com mais alto grau. Geralmente são formados em áreas que não trabalham diretamente com fatos históricos. Mas mesmo assim, há profissionais ligados à área de humanas que são analfabetos políticos por conveniência, já que estão isso mais para ganhar dinheiro do que para contribuir com a sociedade. Mas pós-graduados não são maioria entre os analfabetos políticos, embora existem em grande quantidade.

A grande maioria dos analfabetos políticos se encontra na população em geral. Jovens e adultos com preguiça intelectual, mas interessados em fingir que entendem política (isso dá prestígio), ao invés de assumirem que não sabem política, se metem a falar besteiras a respeito. Dependendo do prestígio e da influência social de quem as divulga, essas besteiras vão se espalhando e virando "verdades" no imaginário coletivo que acaba criando uma "historiografia" paralela sobre a realdade.

Os analfabetos políticos não só desconhecem História como desconhecem as leis. Costumam entrar em contradição e escolher entre dois políticos que cometem os mesmos erros qual será punido e qual não será. Distorce fatos do passado e costuma considerar deturpadores como "fiéis seguidores de doutrinas", colocando no fundador a culpa de atrocidades cometidas por deturpadores.

Ah, o mais importante: analfabetos políticos adoram estereótipos. Como acreditar em estereótipos não exige esforço, é o caminho mais conveniente. Mas estereótipos enganam. A percepção imediata das coisas costuma vir desacompanhada da lógica e muitas injustiças são cometidas com base na observação de estereótipos. mas é desta forma que os analfabetos políticos definem quem é "bom" e quem é "mau" no cenário político e econômico.

Mas porque analfabetos políticos tendem a ser de direita?

A resposta é simples: por instinto. Instinto animal. É conveniente para a sobrevivência humana defender valores estabelecidos (que mesmo falhos, garantem a permanência de alguns supostos direitos básicos) e os interesses de lideranças (o líder protege e orienta e nossa sociedade não se considera preparada para viver sem líderes, que podem ser considerados um mal necessário).

O Empresariado, que embora poucos saibam, sustenta e manda nos políticos, é uma classe muito respeitada pela população em geral. Donos dos meios de produção e responsáveis por dar empregos (ma remunerados) a população, nunca são alvo de críticas até porque são eles que darão emprego que vai sustentar, mesmo precariamente, a vida das pessoas. Com medo de se darem mal. optam por respeitar esta classe, escolhendo os políticos (estes na verdade capachos dos donos das empresas) como bodes expiatórios que se tornam alvos da revolta popular.

E agradar aos empresários (quem também controlam os meios de produção) é uma atitude instintiva do brasileiro, sobretudo do analfabeto político, que não vai criticar aquele que dá a esmolinha utilizada para que a população possa se virar para sobreviver.

Por isso que os  analfabetos políticos tendem para a direita. Desconhecendo as relações de poder, ao preferir ficar do lado dos mais fortes, para que nunca se deem mal. Quem tem que "se ferrar" são os representantes da classe dominada que "se meteram" com o poder, como muitos petistas.

O poder, segundo os direitistas, deve ser entregue aos ricos capitalistas, cujo estereótipo é  de serem pessoas ultra-perfeitas, quase sobre-humanas, "sempre inteligentes", "sempre responsáveis" e "sempre bondosas". Estereótipo respeitado justamente porque ninguém se interessa a pesquisar melhor sobre como funcionam as relações de poder. Analfabetos odeiam pesquisar. 

E isso explica a tendência dos analfabetos políticos penderem para a direita. A sobrevivência física e material é meta única e cada um pretende proteger seus interesses particulares mesmo que todo o mundo se exploda. Se o mundo acabar e apenas o interesse de cada um for preservado, o dono deste interesse estará tranquilo. 

Esqueçam que os analfabetos políticos querem combater a corrupção. Isso é conversa para obter prestígio social e satisfação imediata de seus interesses. A evolução e o bem estar de toda a coletividade nunca faz parte do interesse particular dos analfabetos políticos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Você sabe porque saiu às ruas ontem?

Você vai dizer que sabe. Foi para protestar contra a corrupção. Embora muita gente realmente respeitável tivesse aproveitado as manifestações marcadas pela direita para manifestações mais conscientizadas, boa parte da população nem sabia o que estava acontecendo, preferindo sair as ruas para se divertir, para destilar seu ódio contra o governo ou simplesmente para posar de politizado diante dos amigos.

Que o PT e suas lideranças estão merecendo uns bons cascudos, ah, estão sim! Mas isso não pode representar uma oportunidade para forças ocultas do Capitalismo mais excludente, forças que sabemos, realmente manda neste país, ganharem força e retomarem o poder para fazer aquilo que mais sabem fazer: excluir para que o excesso dos bens do país fiquem em suas mãos. E quase todos não sabem, mas esta elite oculta está por trás dessas manifestações esperando o momento certo de dar o bote. E poderá ser de surpresa.

Integrantes do PT tem se envolvido si, em corrupção. mas eu na considero a corrupção o pior erro petista e si a incompetência. Os governos petistas mais pareceram versões mais simpáticas dos tucanos, repetindo boa parte do que os governos de FHC e Collor fizeram. Não conseguiu transformar o país e propôs soluções paliativas para compensar as dificuldades resultantes da pobreza.

Mas achar que colocar outro incompetente no lugar dos petistas sob o pretexto de combater a corrupção é muito desconhecimento da vida política, algo muito complexo e que envolve uma intrincada rede de relações que incluí até não-políticos, gente que atrai a confiabilidade da população por não se enquadrar no estereótipo de vilania em que a população aprendeu a acreditar. 

Por isso que é complicado acabar com a corrupção. Ela vai continuar enquanto a renda for injustamente distribuída, enquanto uns ganharem mais do que os outros. A corrupção depende dessa má distribuição de renda para existir, já que envolve negociações que pretendem fazer circular dinheiro fácil nas mãos de quem quer mais dinheiro, e por isso é algo tipicamente capitalista. 

Quem diz que o Socialismo inventou a corrupção certamente é um ingênuo mal informado que desconhece História e Política, já que passou a vida inteira ocupado demais com futebol, cerveja e religião, supérfluos que representam as maiores zonas de conforto do povo brasileiro.

E acabar com a corrupção não é a unica coisa a fazer, pois não adianta um gestor honesto, mas incompetente. Talvez combater a incompetência seja melhor do que combater a corrupção, já que esta sempre vai haver enquanto a sociedade for injusta. 

Mas antes de tudo, se informa mais. Pode ser que você queira tirar o cara errado do poder, trocando-o por alguém bem pior, muito mais corrupto.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

"Combate à corrupção" é apenas pretexto para odiosos satisfazerem suas taras

Vivemos numa época onde o ódio anti-humano virou moda. Num mundo cada vez mais competitivo, pessoas entenderam que outras pessoas são os maiores obstáculos para satisfação de interesses. Isso reforça todo tipo de ódio para pessoas que atrapalham os interesses desses odiosos, que tratam a realidade como novela, achando que a simples eliminação de "vilões" escolhidos vai liberar o caminho para que estes odiosos continuem praticando seus abusos.

Mas ninguém quer posar de "vilão" Vilão é sempre o outro. Para o bandido, o mocinho e que é o vilão. O mau se acha um justiceiro, apenas tirando do caminho o outro que para ele, parece nefasto. Não existe maniqueísmo. Para os maus, os bons é que são maus.

E essa onda de ódio chegou à política. Capitalistas com o medo desesperado de perder seus privilégios, resolveram ressuscitar a onda de "caça as bruxas' usando os governos petistas como pretexto para combater a corrupção que eles creem fazer parte do Socialismo. 

Idiotice. Todos sabem que a corrupção é tipicamente capitalista. Que há muito tempo o PT não é Socialista , além de ter se aliado com muitas forças de direita, sobretudo o PMDB, que deveria ser o verdadeiro responsabilizado pelo fracasso governamental dos petistas. 

Mas os capitalistas não querem saber de fatos. Querem é tirar os obstáculos do caminho. Fingem querer combater a corrupção mas isso é só desculpa. Na verdade querem tirar os petistas e tudo que não representa o Capitalismo do poder e colocar um corrupto de direita no lugar. O que não muda nada, pois corrupto é corrupto do mesmo jeito, independente da ideologia que abraçar.

Os odiosos estão mesmo é com sede de vingança. Odeiam mortalmente seus inimigos pessoais, mas põe a capa de "luta ativista" em seu ódio particular para que outras pessoas se juntem e a vingança ganhe força. Eliminar o inimigo de qualquer jeito é a meta, mesmo que passe por cima, da moral, da ética, da lei e até do respeito humano. 

Satisfazer o interesse pessoal desses odiosos virou "causa nobre" e as elites odiosas tiram proveito da ignorância do povo brasileiro (viu como é "maravilhoso" não investir em Educação e investir em supérfluos como futebol, religião, carnaval e cerveja?) para angariar adeptos, formando um imenso exercito de zumbis odiosos com sede de vingança.

Para mim essa "luta contra a corrupção" (dia 16 tem mais manifestação. Não saiam para as ruas! Os coxinhas mordem!) na verdade é uma desculpa esfarrapada. sabemos que os que patrocina esta luta são muito mais corruptos que todos os petistas junto. E o que adianta trocar um corrupto por outro se o dinheiro público será desviado de qualquer maneira?

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Stalin e a origem da intolerância anti-comunista

Uma onda enorme de anti-comunismo acontece no Brasil atual, estranhamente em pleno século XXI. Descontentes com a - real, até aí eu concordo - incompetência dos governos petistas, resolveram achar que isso é o verdadeiro Comunismo  (ou Socialismo, como queiram) e resolveram culpar até mesmo Karl Marx pelos erros que acontecem em nosso país e que nos enfiaram na crise em que encontramos.

Os anti-comunistas se esquecem que além disso tudo aí não ter nada a ver com as ideologias de esquerda (o governo do PT é na verdade uma Social-democracia, um Capitalismo mais humanista, já consagrado em países como a França) o verdadeiro Comunismo nunca foi posto em prática.

O surgimento do anti-comunismo no Brasil se deve a confusa difusão de informações equivocadas, distorcidas e mal compreendidas. Cientes do desinteresse dos brasileiros por pesquisa e estudo, as lideranças de direita trataram logo de criar sua visão pessoal de História mundial e colocaram nas cabeças de seus discípulos, tirando proveito do ódio resultante da revolta pela incompetência dos governos do Partido (outrora dos) Trabalhadores. 

Entre as informações distorcidas está a ideia absurda de que o Comunismo é genocida. De onde tiraram essa ideia? Eu li obras de Karl Marx e não vi nada disso. Marx queria o contrário, uma sociedade igualitária, com benefícios para todos. Como repartir renda de forma igualitária pode ser genocida. Isso só pode ser obra de um infeliz de bigodinho conhecido como Josef Stalin.

Stalin foi  grande deturpador das ideias de esquerda. Na verdade ele era uma espécie de Hitler da (falsa) esquerda. Falava em nome do Comunismo mas não era comunista. Pelo menos suas atitudes postas em prática não eram a de um comunista. Mas porque ele virou estereótipo de "comunista"?

Simples, porque os capitalistas, interessados em ampliar cada vez mais seu poder e suas fontes de lucro financeiro, necessitavam tirar d caminho qualquer ideologia que impedisse os avanços dos Grandes Empresários rumo ao lucro fácil e exorbitante. E viram no Comunismo um obstáculo aos seus planos. Entenderam que para enfraquecer o inimigo era necessário criar uma imagem negativa dele, se aproveitando de seus pontos fracos.

E aí veio Stalin e seu genocídio para confundir as cabeças dos capitalistas. Não é exagero dizer que Stalin favoreceu o Capitalismo. Seu autoritarismo e a crueldade de seu genocídio foram excelentes para que os capitalistas usassem isso para enfraquecer s ideais de esquerda. 

Simples, invente que Stalin e discípulo fiel de Marx, jogue no mesmo saco até mesmo os socialistas que discordavam de Stalin e voi-la! Os ideais de esquerda são enfraquecidos e a truculência capitalista ganha sua permissão para a atropelar quem quer que esteja na sua frente.

Burraldos oportunistas! Não é o Socialismo, Comunismo e os ideais de esquerda que são cruéis e contra o progresso. É Stalin, a velha Rússia e todos que seguiram seu modelo. O Comunismo (comunidade) e o Socialismo (sociedade) não podem ser anti-humanistas. Anti-humanista é o Capitalismo (capital = dinheiro e bens materiais)que prefere matar pessoas do que extinguir empresas. 

Que se preocupa em proteger patrimônios e largar seres humanos (ou ainda são ingênuos para pensar que seguranças de shopping-center estão lá para proteger pessoas?)! Que a menor crise opta por demitir gente do que reduzir a margem de lucro dos gananciosos donos, que só comem Bas Fond e que não conseguem passar período de férias sem sair do Brasil.

Portanto parem com esta tolice de usar Stalin para enfraquecer os ideais de esquerda. É mais do que sabido que por mais cruel que seja Stalin, ele matou muito menos gente que o Capitalismo, que até hoje continua a fabricar silenciosamente sua multidão de vítimas fatais.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Entramos em Recesso

A partir de hoje este blogue e os blogues associados entrarão em recesso. Além de eu ser obrigado a dar esta pausa por causa de minha vida pessoal, vou aproveitar para rever a distribuição de postagens e a estrutura de blogues, além de decidir um novo visual, mais moderno e de acordo com a maioria dos sites mais visitados. Desculpem o transtorno e continuem lendo as postagens mais antigas. Obrigado pelo prestigio e até breve!


domingo, 14 de junho de 2015

Brasileiros não querem melhorar o país. Querem melhorar as suas vidinhas medíocres

O povo brasileiro não quer melhorar o país. Brasileiros não querem qualidade de vida. Lutar por melhorias exige esforço, tempo e abnegação. E brasileiros não querem desistir de suas convicções para isso.

Esqueçam os últimos protestos. Eles não eram para exigir melhorias. Como foram passeatas midiáticas, tudo não passou de crianças birrentas pedindo para tirar de cena a bruxa malvada e seus capangas. Como uma novelinha: tira-se o vilão estereotipado e tudo estará bem. Nada além disso.

E os brasileiros fazem para driblar a má qualidade devida? Pois há décadas estamos nessa verdadeira m*rda de vida e ninguém se mobilizou de fato para melhorá-lo.

Os brasileiros infelizmente resolveram lançar mão do egoísmo. Dois famosos provérbios se tornaram meta para a população, que em crise não quer saber do bem estar alheio, ainda mais em tempos de ódio anti-humano:

- "Amigos, amigos, negócios a parte"
- "Farinha pouca, o meu pirão primeiro"

E assim brasileiros simplesmente vão fugindo de profissões menos prestigiadas, ao invés de lutar para que a dignidade atinja todos os níveis humanos.  Fulano simplesmente faz o seu curso, tira o seu diploma e se tranca no escritório esperando o final do mês o seu relativamente gordo salário para torrar com bobagens como cerveja, televisores e viagens inúteis. E o resto que se exploda.

Isso explica porque um gigantesco rebanho de asnos tem entrado nas faculdades. Embora posar de sábio seja muito bom ara o ego, não é o conhecimento o verdadeiro motivo a levar todos para conquistar um diploma. Todos sabem e estão carecas de saber que esse valioso pedaço de cartolina é que fará com que os números dos depósitos periódicos nas contas bancárias ultrapassem os 4 dígitos por mês.

E vemos que a entrada nas faculdades não está fazendo ninguém ficar mais inteligente. Pelo contrário. A quantidade de analfabetos funcionais de nível superior e ta grande que  mercado de trabalho se apressou a desvalorizar os diplomas de graduação, preferindo outros títulos como mestrado, doutorado, MBA e PHD. 

E não pensem que não há burros correndo atrás desses títulos. Eu mesmo conheço pessoalmente um burro, burraldo mesmo, uma anta difícil de conversar que está para virar doutor (basta fazer o que patrocinadores como George Soros, o mecenas-mor das faculdades brasileiras, querem). Mas vou poupar o nome do "aspirante" a doutor pois não é intenção minha prejudicar ninguém. Embora ache que ele esteja tomando o lugar de quem realmente é mais capacitado a ter doutorado. Mundinho falso e injusto.

Este jeitinho de fugir dos problemas sem resolvê-los tem sido responsável pela estagnação em que se encontra o país. No final vamos virar uma nação de - falsos - doutores com vagas sobrando em outras profissões que com a força do hábito poderão se extinguir. Não teremos mais lixeiros, padeiros, mecânicos. E quem fará as tarefas destinadas a estas profissões?

Enquanto isso, a enorme quantidade de pessoas nas faculdades e com quilos de diplomas nas mãos dará a ilusão de prosperidade, mas ao mesmo tempo vai emburrecendo ainda mais a população brasileira que de tão medíocre só tem 3 metas na vida, após a profissionalização: álcool, futebol e fé religiosa. Claro que uma população que só tem essas três coisas na cabeça não quer melhorar o país. Basta entrar para uma faculdade e arrumar um bom emprego e continuar relinchando por aí.

terça-feira, 9 de junho de 2015

O ódio humano cresce e ignora limites

Ontem o que foi postado em meu feed de notícias do Facebook foi um horror. Por causa de uma foto tirada na Parada Gay, religiosos e ateus praticamente saíram na porrada verbal, cada um defendendo sua opinião particular como se fosse um patrimônio a ser preservado. 

Mas não e só nesse assunto. Tem sido assim nos últimos dois anos em qualquer tipo de conversa, sobretudo quando assunto é política, religião ou entretenimento.

Muitos tentam responsabilizar a internet, outros tentam responsabilizar o cenário político atual. Mas eu dou meu diagnóstico: estamos cada vez menos racionais. Pensamos menos e acreditamos mais. Aprendemos a ser ignorantes porque exige menos esforço e preserva nossos interesses, vários deles supérfluos.

Ao invés de analisarmos as questões, tentando entender se o ponto de vista a nos ser jogado na cara está certo ou não, já julgamos de antemão a sua inviabilidade, pelo simples fato de não ser a "nossa" opinião.

Muitas pessoas acabam transformando suas opiniões em patrimônio. Crescem acreditando em certas ideias e se beneficiam com elas. Este beneficio - geralmente falso, típicos de zonas de conforto -  os faz transformar essas opiniões em patrimônios e quando aparece alguém para invalidá-las, os donos das opiniões as agarram com firmeza, bradando feito leões famintos se recusando em abrir mão delas.

É esta a origem de muitas brigas, em que as pessoas preferem defender as opiniões, gostos, ideias e costumes que lhes dão conforto e alegria do que analisá-las para ver se estão corretas ou não. É a raiz não somente dessas discussões mas de muitos problemas que existem na sociedade. A teimosia em defender absurdos tem sido muito útil para manter privilégios de lideranças e preservar injustiças, além de criar um monte de preconceitos.

E usar a lógica, o raciocínio, parece desagradável para a maioria dos brasileiros, já pouco afeita a intelectualidade e que considera a credulidade, ou melhor, a confiança (que eles chamam de"fé") como sua maior qualidade. Raciocinar, além de exigir esforço, exige abnegação (a saída das zonas de conforto). Para muitos não parece bom se livrar de valores e prazeres aprendidos como sendo "benéficos" durante muitos e muitos anos. Daí que muitos preferem continuar como estão, defendendo o que acreditam.

Não sabemos em que tempo isso vai parar, mas sabemos como: quando as pessoas aprenderem a raciocinar e considerarem a possibilidade de largar alguns pontos de vista que defendem, como crianças a largarem suas chupetas quando chegam a uma determinada idade. E crianças bem birrentas!

Que sabe a origem dessas brigas todas está na teimosia de querer "usar chupetas" por muito mais tempo?

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O mercado é mesmo bom?

ESPREMENDO A LARANJA: Ótimo texto que merece ser lido com atenção. É um assunto complexo que merece amplo debate, mas que deve levar em conta que o mercado não é assim tão miraculoso como alega a direita. Estamos cansados de ver que toda vez que entra dinheiro, vem confusão.

O mercado é mesmo bom?

Por Luis Felipe Miguel, no Blog da Boitempo*

Há um elemento comum, nas manifestações recentes da direita brasileira – e não só brasileira: o discurso de que o Estado deve recuar e o mercado deve regular uma porção maior das interações humanas. Enquanto o Estado premiaria os “preguiçosos” por meio de suas políticas sociais, o mercado daria a cada um a recompensa justa pelo seu esforço. É o que diziam as faixas, nas manifestações de março e abril, que reivindicavam o direito daqueles que “trabalharam muito” a se dessolidarizar dos pobres e marginalizados. Por vezes, como quando denuncia as cotas nas universidades, este discurso ainda é tingido por um racismo indisfarçável.

É um entendimento que está presente mesmo em agentes que, à primeira vista, parecem mais motivados por uma pauta retrógrada no âmbito dos direitos individuais. Basta lembrar de Eduardo Cunha. Chegou à presidência da Câmara anunciando que barraria qualquer medida em favor do direito ao aborto, mas tratou de logo encaminhar, a todo vapor, a sacralização do financiamento privado de campanhas, seu principal interesse na “reforma política”, e o desmonte dos direitos trabalhistas, aprovando o PL 4330/2004. Jornalistas e advogados conservadores não tardaram a anunciar as vantagens da “terceirização”, que consistiriam exatamente em reduzir a regulação estatal das relações de trabalho, permitindo que a lógica do mercado opere mais livremente. Se a lógica do mercado opera, dizem eles, no final das contas todos ganham. Menos direitos trabalhistas gerariam mais lucro, logo mais riqueza, mais trabalho e maiores salários.

Será que é mesmo assim? Um conhecimento, mesmo que superficial, da história permite duvidar. Antes de que os trabalhadores conseguissem se organizar nos sindicatos e obter o reconhecimento público de alguns direitos, imperavam a jornada de 14 ou 16 horas, o trabalho infantil, a insalubridade e o salário de fome, sem descanso semanal e sem férias remuneradas. Eram essas as condições no século XIX. Engels as descreveu vividamente em A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, mas quem tiver ojeriza pelo autor pode buscar qualquer historiador liberal sério que encontrará um retrato similar – efeito de um mercado de trabalho plenamente desregulado.

A ideia de que justiça é entregar a cada um aquilo a que seus méritos individuais dão direito entrou em certo senso comum, mas não é isenta de problemas. Afinal, “mérito” não é uma característica inata, mas fruto de um mundo social que valoriza certos atributos. A obtenção de tais atributos também depende centralmente das circunstâncias em que cada pessoa se encontra. E caso se prefira enfatizar os talentos naturais, não custa lembrar, como já anotava John Rawls, que eles são dádivas que recebemos gratuitamente, não configurando nenhuma forma de mérito subjetivo.

Mercado e justiça

Mesmo sem questionar o discurso da meritocracia, porém, é difícil aceitar a ideia de que o mercado realiza algum padrão de justiça, recompensando qualidades e punindo defeitos. A possibilidade de agir com eficácia no mercado depende sobretudo do controle de recursos que os próprios mecanismos de mercado distribuem de forma muito desigual e que refletem uma série de acasos, a começar pela loteria do nascimento. Ainda há quem pense que o fato de que os ricos são quase sempre filhos de ricos é uma demonstração da superioridade do material genético dos privilegiados, mas evidentemente é bem mais razoável aceitar que a relação causal é outra. O mercado não premia o mérito, seja lá o que isso for.

Até o mais competente defensor da ideia de que o mercado realiza um padrão de justiça, o falecido filósofo estadunidense Robert Nozick, reconhecia que tal justiça dependia de um momento inicial de igualdade de recursos. Uma vez que esse momento nunca existiu, toda distribuição posterior deve ser considerada injusta (conclusão de que Nozick fugia, mas que é inescapável). Uma proposta de produzir tal estado inicial ideal aparece no “socialismo de mercado” apresentado por John Roemer, em que o capital seria redistribuído equitativamente a cada geração. Deixando de lado as múltiplas dificuldades técnicas do projeto de Roemer, cabe observar que muitas das oportunidades dos filhos de famílias privilegiadas, como o acesso a bens educacionais e a redes de contatos, não dependem da herança que receberão e não são atingidas pela medida.

De resto, a “justiça” que o mercado realizaria ecoa uma visão de responsabilidade individual que nega espaço à solidariedade social. Uma aposta errada pode arruinar de maneira definitiva as possibilidades de vida de uma pessoa, mas isso não seria problema, já que cada um é responsável por seus próprios atos. E uma vez que se considera que cada um tem sua chance, não há nenhum compromisso em relação àqueles que estão em situação pior. Trata-se de uma visão de justiça que, além de fundada no pressuposto indefensável da absoluta autonomia decisória dos agentes, conduz a uma atomismo social bem pouco atraente. Por isso, muitos apologistas do mercado adotam um discurso diverso e admitem que ele pode gerar injustiças. Mas esse seria o preço a pagar pela garantia da liberdade, que o mercado produziria.

Mercado e liberdade

É corrente, nesse tipo de discurso, a oposição entre o Estado, esfera da coerção, e o mercado, espaço de interações livres e voluntárias. De fato, o cumprimento da lei é (ou pretende ser) obrigatório: não depende de minha vontade usar cinto de segurança ou pagar os impostos. Já no mercado, não sou coagido a comprar ou a vender nada; só me engajo nestas trocas se julgo que serão, de alguma maneira, vantajosas para mim. Trata-se, é claro, de uma visão ancorada num entendimento radicalmente negativo da liberdade, em que a autoridade política conta como coação, mas a necessidade material, não. Na verdade, as trocas livres e voluntárias do mercado ideal só existem nos modelos de seus ideólogos. A maior parte das pessoas age constrangida por necessidades prementes e esse é um elemento incontornável do funcionamento do mercado capitalista. Não por acaso, o capital se opõe a tudo aquilo que reduz a situação de privação do trabalho – acesso à terra, renda básica universal, pleno emprego.

Pelo menos o mercado permitiria expressar a intensidade das preferências individuais. Também é clássica a oposição entre o direito de voto, que vale o mesmo, quer eu deseje muito a vitória de um candidato, quer eu seja quase indiferente, e a troca mercantil, em que eu me disponho a pagar menos ou mais por um produto conforme minha vontade de possuí-lo seja menos ou mais intensa. Mas tal observação, que pode ser verdadeira para cada indivíduo, é falaciosa para o coletivo. Quanto mais dinheiro eu possuo, menor a utilidade marginal de cada real, logo com mais liberalidade ele pode ser dispendido. Por isso, ricos adquirem bens mesmo com preferência pouco intensa por eles, ao passo que pobres não adquirem mesmo aquilo que desejam fervorosamente. Em suma – e ao contrário da tradição liberal que opõe os dois valores –, qualquer medida de liberdade será enganadora na ausência de um patamar mínimo de igualdade.

Cabe lembrar que o quadro ainda é mais complexo, uma vez que as próprias preferências que seriam expressas “livremente” refletem assimetrias de mercado. O ambiente social em que as pessoas definem suas prioridades e anseios é influenciado pelos discursos de diversos agentes, entre os quais se encontram, com destaque, a publicidade comercial e a mídia por ela influenciada. No mercado, se manifestam preferências que o mercado busca induzir – a começar pela ideia de que o consumo é o caminho tanto para a solução dos problemas quanto para a autorrealização humana.

Se o mercado não se realiza como o espaço de liberdade que alguns de seus defensores desenham, ao menos ele seria crucial para garantir a liberdade na sociedade como um todo. De acordo com a visão pluralista, desenvolvida na metade do século passado e ainda vigorosa, sociedades de mercado permitiriam uma dispersão dos recursos de poder – em contraste com as economias estatistas, em que poder político e poder econômico estariam fundidos. Mais uma vez, tal narrativa não passa pelo crivo da investigação crítica. O poder econômico se transmuta facilmente em poder político, por meio do financiamento de campanhas, do lobby, da influência sobre a opinião pública e, enfim, da dependência estrutural que o Estado tem em relação ao investimento privado. Ele sobrevive da arrecadação de impostos, que reflete o nível de atividade econômica, que, por sua vez, reflete o nível de investimento. Com isso, os governantes, quaisquer que sejam suas simpatias políticas, precisam introjetar os interesses do capital, garantindo uma situação que estimule a manutenção de taxas elevadas de investimento econômico. Não é necessária nenhuma conexão especial com a elite política, nem a apresentação de algum tipo de chantagem ou ameaça por parte da classe capitalista; a estrutura econômica garante que seus interesses receberão uma atenção privilegiada por parte dos detentores do poder de Estado.

Uma linha auxiliar do argumento de que o mercado protege a liberdade foca em seu suposto caráter antidiscriminatório. Há quem afirme, por exemplo, que os mecanismos de mercado combatem o racismo (ou a discriminação contra pessoas com deficiência) melhor que qualquer política pública: firmas que se recusassem a contratar negros ou a vender para negros perderiam bons empregados ou bons clientes e seriam punidas na competição com seus concorrentes. É desnecessário dizer que isso não tem nenhuma comprovação empírica. Pelo contrário, regras que coíbam a discriminação racial se mostraram cruciais para impedir que as empresas respondam ao incentivo a práticas racistas que a existência de um público racista fornece. E como o racismo não é um desvio de caráter, mas um conjunto de dispositivos estruturais, ele faz com que os negros sejam marginalizados e tenham menor potencial para se tornar “bons empregados” ou “bons clientes”. Os remédios de mercado para o combate ao racismo simplesmente não funcionam.

Outras formas de preconceito também encontram incentivos em práticas de mercado. A manutenção das mulheres na posição de donas-de-casa e/ou de objetos sexuais favorece inúmeras indústrias, de eletrodomésticos a cosméticos, e é pesadamente reforçada pelo discurso publicitário. O sexismo aberto e renitente da publicidade reforça estereótipos tanto ao se dirigir às mulheres quanto ao se dirigir aos homens, a tal ponto que, ainda nos anos 1980, a solução proposta pelo Ombudsman dos Consumidores da Dinamarca para lutar contra ele foi a proibição da representação de qualquer ser humanos em anúncios. Na luta contra a desigualdade de gênero e os estereótipos contrários à emancipação das mulheres, o mercado certamente tem atrapalhado mais do que ajudado.

Mercado e progresso

Abandonados os valores mais elevados, como justiça ou liberdade, a defesa dos benefícios do mercado recua para vantagens mais instrumentais, como a “inovação” ou a ampliação geral da prosperidade. A concorrência e a busca do interesse próprio seriam os motores do progresso; sem elas, estaríamos fadados à estagnação. Se o colapso do modelo soviético, no final dos anos 1990, serve hoje de ilustração dessa tese, não custa lembrar que em outros momentos históricos um veredito oposto aparecia como igualmente óbvio. Quando escreveu seu libelo ultraliberal O caminho da servidão, em meados dos anos 1940, Friedrich Hayek justificou a superioridade do mercado unicamente em termos políticos, julgando que não valia a pena disputar a crença, amplamente dominante, de que a economia centralizada era mais eficaz.

A racionalização do processo produtivo parecia evitar vários dos problemas do jogo do mercado capitalista, como sua vulnerabilidade a crises cíclicas, e promover um desenvolvimento mais acelerado e constante. O fato de que hoje o planejamento de tipo soviético tenha sido desmoralizado não autoriza a ignorar os problemas associados à gestão puramente mercantil da economia, como as tendências à crise e à concentração da riqueza ou os elevados custos sociais e ambientais que implica. Uma prosperidade que é acompanhada pelo crescimento da pobreza, como ocorre há décadas no mundo capitalista, é a ressurreição da frase memorável do nada saudoso general Médici, que dizia que “a economia vai bem, mas o povo vai mal”.

Ao mesmo tempo, é reconhecido que os fundamentos da inovação tecnológica não são financiados pelo mercado. A pesquisa básica depende quase que integralmente de fundos públicos, mesmo nas economias capitalistas mais ricas. E nem tão básica: muito do que há de mais emblemático na “revolução tecnológica” atual nasceu diretamente da pesquisa sustentada pelo Estado, da biotecnologia à informática. Como escreveu a pesquisadora Mariana Mazzucato, da Universidade de Sussex, “todas as tecnologias que tornam ‘inteligente’ um iPhone foram bancadas pelo Estado, da tela sensível ao toque ao sistema de comando de voz Siri”.

Talvez seja difícil imaginar uma sociedade sem mercado. Talvez algum tipo de regulação mercantil da atividade econômica seja necessário, não “para sempre”, mas pelo menos até onde a vista alcança. Mas o projeto de uma sociedade mais justa, mais igualitária e mais livre – em que as pessoas tenham ampliado o exercício da sua autonomia – passa certamente pelo fortalecimento de um espaço abrangente de relações desmercantilizadas.

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* Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, onde editama Revista Brasileira de Ciência Política e coordenam o Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades – Demodê.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

O pior livro de História de todos os tempos

Temos que tomar cuidado com os livros de História que escolhemos para estudar. Em alguns deles, cada um prefere colocar seu ponto de vista pessoal e impossibilitar a compreensão real dos fatos, resultado muitas vezes em preconceitos que podem gerar graves danos sociais.

Aproveito ara alertar sobre um livro que muita gente anda difundindo como um revelador livro de História, mas que possui conteúdo bem absurdo. Pode ser considerado o pior livro de História de todos os tempos, junto com aquela asneira escrita por Leandro Narloch, muito mais interessado em destruir mitos para exaltar outros mitos.

O livro se chama Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Foi escrito pelo médium charlatão Chico Xavier roubando o nome do famosos escritor  Humberto de Campos, que nunca iria escrever um livro recheado de asneiras. 

Xavier queria se vinga de uma critica que sofreu quando o escritor ainda estava vivo e foi orientado a roubar o nome, fingindo receber de seu espírito mensagens de conteúdo que mistura religião com falsa intelectualidade. Lembrado que Campos era ateu quando vivo e nunca iria se converter de uma hora para a outra ao igrejismo dos católicos enrustidos que pensam que são "espíritas".

O livro em si deveria ser bastante revelador. Atribuído às orientações das mais altas personalidades espirituais, ele não vai além de uma confirmação dos livros de História disponíveis na época, com exaltação dos mitos cultuados pelos políticos da época. 

Se fosse escrito por seres realmente superiores, com absoluta certeza, ele desmentiria muitos mitos, revelaria o lado oculto de mitos históricos e mostraria muitas surpresas sobre a história brasileira. Em vez disso, narra tudo que já se sabia em forma de conto de fadas, como um Luzíadas* muito mal escrito. Ah, Xavier ameaçou fazer a sua releitura dos Luzíadas, mas um escândalo muito mal explicado que resultou na morte do sobrinho o fez desistir da empreitada.

O livro ainda tem uma carga enorme de Ufanismo, desprezando as outras nações, os outros povos, ridiculariza os espíritos, e pior: há traços claros de racismo, machismo e xenofobia em seu conteúdo, mostrando que o "homem mais bodoso da face da Terra" não era assim tão bondooooso como vivem dizendo insistentemente até hoje.

Como um livro tolo como Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, pode ser considerado um livro de História revelador? Ainda bem que somente os fanáticos devotos do médium enganador (que acreditam na sua infalibilidade) dão importância a esse livreco tolo, evitando que este fosse dotado pelas escolas para as aulas de História.

Se bem que nem como boa literatura o livro serve, pois nem mesmo traços da literatura de Humberto de Campos aparecem no livro, que não poderia ser escrito por outro senão um devoto católico que gostava de ler livros.

Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho é uma tolice que merece ir direto para a lata de lixo, e depois incinerado na mais alta temperatura. Não serve como livro de Historia, não serve como literatura de qualidade e muito menos como guia para a humanidade. E uma asneira que saiu da mente fraca de um farsante, ainda idolatrado por uma multidão de ingênuos. 

Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho é um livro que merece o  mais absoluto esquecimento. Para o bem do bom senso.

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*NOTA: "Os Luzíadas" era uma obra de autoria do poeta português Luíz de Camões que contava a viagem de Vasco da Gama às Índias, com inspiração na Odisseia de Homero, com bastante mitologia. É considerada uma das mais importantes obras da literatura portuguesa.