sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Padronização não combina com o Brasil

Virou moda a padronização no Brasil. Não somente a dos ônibus, que graças a um projeto exportado pelo político curitibano Jaime Lerner para outros estados e outros países, colocou fardas em muitas frotas de ônibus urbanos. Mas também há padronização em tudo, pois o brasileiro sempre demonstrou que gosta de seguir regras, obedecer padrões, estabelecer funções.

A cidade onde eu moro, Niterói, acaba de receber a notícia de que irá aderir ao projeto de curitibanização - só que sem articulados - e com direito a colocar farda em sua frota. Vai ser o fim dos ônibus niteroienses como aprendi a gostar desde criança. Talvez largue de vez o hobby, passando a me interessar por outros meios de transporte, como aviões, onde a padronização visual ainda não chegou e provavelmente nem chegue.

Colocar fardas, uniformização e outras formas de padronização são sempre ruins para o Brasil e não combinam com um país de dimensões espetaculares, com regiões com diferenças gritantes e uma diversidade étnica sem igual no mundo. Com bens naturais tão diversos que chega a ser impossível contá-los.

Como uma terra assim pode ter apenas um sistema de ônibus de uma cor só cada cidade? Como pode ter um tipo de música (disfarçado em vários rótulos, como axé, pagode, "funk", "sertanejo" e brega)? Como podem as mulheres só quererem saber de branquelo alto de barriga tanquinho? Como o mercado de trabalho só contrata um tipo de profissional? Porque os brasileiros são obrigados a gostar de um único e mesmo esporte (futebol)? Porque todos se submetem a tudo que uma única emissora de televisão (Rede Globo) determina?

Gente, o Brasil é um país continental, diverso! Aqui cabe toda a parte ocidental do continente europeu! Padronizar o Brasil é um pecado, uma agressão!

Padronização é coisa de ditaduras. O que o nefasto Hitler se propunha a fazer era padronizar a sociedade alemã. O capitalismo é padronizador. A China, mesmo não sendo assumidamente capitalista, gosta muito de uniformizar as pessoas. O apartheid e toda forma de racismo representam uma forma de padronização.

E desta forma autoritária que muitas frotas estão perdendo suas pinturas criativas e que facilitavam, e muito a identificação dos veículos. E isso ocorre por decisão exclusiva de governantes, sem consultar a população em geral. É imposta na marra.

A curitibanização dos ônibus brasileiros foi um projeto criado pela ditadura militar e resquício dela. Não é nada moderno e está até obsoleto e problemático em seu lugar de origem. Não podemos aceitar que um projeto ditatorial se estabeleça em nossa - pelo menos em tese - sociedade democrática.

Diversidade já, agora e urgente. Não a qualquer forma de padronização. Padronizar é coisa de egoísta, de preconceituoso, de autoritário.

Um país diverso, com gente, fauna, flora e paisagens de todos os tipos nunca, mas NUNCA deve padronizar qualquer coisa em seu país. Pois negar a diversidade é negar a vocação do Brasil.

Negar a diversidade é negar o próprio Brasil.

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