terça-feira, 19 de agosto de 2014

"Socialismo" do PT vai mal. Porque não exigir um melhor Socialismo ao invés de aderir ao Capitalismo?

Uma nova onda de direitismo surge no Brasil. Somando a decepção com governos petistas e a falta de sensibilidade e racionalidade que se tornou comum em nosso cotidiano, as pessoas agora preferem ser capitalistas, ignorando o fato de que os Grandes Empresários são os maiores patrocinadores de muitos casos de corrupção que fizeram surgir os novos direitistas.

Os simpatizantes do capitalismo inclusive entram em muitas contradições em apoiar um sistema que consagra e perpetua os defeitos criticados por estes mesmos simpatizantes. Não se sabe o que passa na cabeça deles, mas o que se sabe é que muitos até demonstram coerência em criticar erros no sistema social em que vivemos. Mas quando o assunto é sistema político/econômico, derrapam feio ao defender personalidades que vivem de puxar saco dos ricaços do Brasil e do mundo. Como se os ricos fossem os nossos "tutores queridos".

Outra coisa que os direitistas se esquecem é que o PT nunca foi socialista de fato. Melhor dizendo, o verdadeiro Socialismo nunca foi posto em prática. Aquilo que aconteceu na União Soviética é uma distorção do Socialismo que, pelo que eu li, não é avesso ao progresso. E noto muitos traços do Capitalismo nos governos petistas, que se prejudicam  empresários, são apenas os médios e pequenos, sendo os Grandes Empresários ainda os privilegiados legisladores máximos da política brasileira (90% dos políticos são empresários, nunca se esqueçam), fazendo com que as leis nunca atrapalhem a satisfação de seus interesses privados.

Se esses direitistas são tão metidos a inteligentes, porque ao invés de insistir em um sistema falido, injusto, excludente, não procuram conhecer mais sobre o Socialismo e lutar pela melhoria prática do sistema idealizado por Karl Marx? Originalmente o sistema é justo e procura equilibrar aq distribuição de renda e estimular o progresso sócio/econômico, nada tendo a ver com a cretina e utópica "ditadura do proletariado" que virou o estigma dos socialistas.

Insistir com o Capitalismo é uma tolice e sinal evidente de masoquismo, pois boa parte dos simpatizantes da nova direita não são ricos e se esquecem que com um capitalista no poder, os próprios simpatizantes vão ficar na mão, sendo explorados pelos mesmos ídolos que admiram, tendo que trabalhar muito para ganhar quase nada. 

A não ser que, mesmo criticando a corrupção, os direitistas e simpatizantes resolvam também apelar para a desonestidade para poder se dar bem num sistema que já é naturalmente cruel e injusto. Sofrer no Brasil nunca foi "tão gostoso" como está sendo agora.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O fracasso do Capitalismo

Eu já falei várias vezes que está surgindo uma nova onda de neodireitismo, de novos simpatizantes do Capitalismo, esse sistema que não deseja bem estar de todos e sim de uma bem reduzida minoria e que dá poderes ilimitados aos ricos, sobretudo aos donos de meios de produção, que controlam tudo e todos graças a gigantesca capacidade de suborno resultante do acúmulo de bens financeiros e de poder político privado. 

Essa onda se fortalece com as decepções - justas e coerentes - com os governos petistas, altamente populistas e que insistem em resolver os problemas de qualquer ordem com paliativos e esmolas. Os governos petistas, que são capitalistas, embora poucos admitam isso, estão dando uma ideia errada de Socialismo que só acende ainda mais a fogueira da inquietação em relação a este último.

Mas é uma imbecilidade querer que o Capitalismo conserte os erros dos governos petistas, já que o sistema defendido pela neodireita é muito injusto e totalmente excludente.

Vou provar que o Capitalismo está tão falido que este "Socialismo" lulista que está aí. Para tal, faço uma lista de defeitos do Capitalismo que provam a falência total de um sistema que parece maravilhosos aos olhos dos anti-humanistas.

- É um sistema que defende a má distribuição de renda.
- Os ricos fazem as regras e os outros tem que segui-las se quiserem "vencer" na vida.
- Apesar de acreditar que todos os ricos o são graças a muita luta, a maioria se enriqueceu satisfazendo as exigências de seus superiores durante a trajetória profissional, algo que só acontece entre quatro paredes.
- Os ricos são os únicos a terem direitos plenos e seus poderes nunca podem ser limitados.
- O seu poder amplo é capaz de impôr, através da mídia, os costumes sociais e o modo de pensar da coletividade, transformando o pensamento dos poderosos em pensamento coletivo.
- Os interesses individuais dos ricos são mais importantes do que os interesses da sociedade.
- Em períodos de crise, salvar empresas é mais importante que salvar pessoas.
- Grandes Empresários estão sempre certos e devem ser respeitados como "deuses infalíveis" e "tutores da humanidade".

O curioso que apesar desse neodireitismo ser contra os governos petistas, ambos tem afinidades ideológicas, como achar que pobres não devem evoluir intelectualmente e que consumismo é sinônimo de qualidade de vida. Apesar de quererem coisas diferentes para o povo pobre, ambos, capitalistas ou não, se baseiam nesses conceitos para definir suas convicções.

O que se sabe é que o Capitalismo está fracassado. Como um sistema que prega o bem estar para apenas pouquíssimos pode ser o sistema ideal para uma sociedade? 

Ah, mas vão dizer que o Capitalismo estimula a batalha pela melhoria de vida. Batalha, com as regras impostas pelos ricos? Isso é trapaça! As regras deveriam ser justas para que vençam não apenas os puxa-sacos dos Grandes Empresários, mas todo aquele que realmente tiver qualidades ideais para servir a sociedade e poder usufruir de uma vida digna, não necessariamente rica. Até porque todo mundo sabe - e não adianta fingir que não - que rico gasta seus excessos com bobagem. Bobagens que impedem o acesso dos mais pobres ao necessário.

E parem de dizer que pobre é pobre porque quer. Os ricos, legisladores e reguladores desse sistema competitivo fazem de tudo para impedir o acesso das pessoas a uma vida digna, pagando salários de fome em troca de um trabalho estressante e brutal. Uma escravidão remunerada. Muito mal remunerada.

Ninguém gosta de ser pobre. Perdedor não perde porque quer. Enquanto as regras desse sistema injusto forem feitas pelos capitalistas, apenas seus similares e simpatizantes irão usufruir de reais benefícios.

Está mais do que na hora de procurarmos por uma terceira via, ainda inexistente, que possa ao mesmo tempo ser progressista e justa, fazendo com que o menor número possível de pessoas (se possível, nenhum) sofra por não ter os direitos básicos, negados por um sistema cada vez mais injusto e cruel.

Como eu sempre digo: o Socialismo vai mal? Vai. Mas eleger o Capitalismo como solução é tentar resolver um problema com outro problema. 

O Capitalismo está falido. Não combina mais com um mundo em fase de sustentabilidade como o atual.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Entendendo o fortalecimento do neodireitismo

Cada dia que passa vejo mais gente defendendo o Capitalismo, os capitalistas e atacando qualquer símbolo do Socialismo. Tudo bem, o Socialismo vai mal e os governos petistas (que não são socialistas - a lei garante o caráter capitalista do governo) decepcionaram. Mas achar que usar o velho e injusto Capitalismo para resolver os problemas do país é um retrocesso. É querer resolver um problema com outro problema, mania que tem sido cada vez mais comum no Brasil de ultimamente.

Sites como Kibeloco e República dos Espíritos, apesar de não serem sites sobre política, têm feito uma campanha intensa em favor do Capitalismo. Seus responsáveis não acham mal nenhum em distribuir mal a renda, talvez naquele pensamento competitivista de que os vencedores (no caso os ricos) tem o direito absoluto de abusar, de serem melhores que os outros. No Facebook também pipocam simpatizantes do sistema e até de alguns capitalistas, tratados como heróis e até como "humanistas" sem ser.

Capitalistas nunca foram e nunca são humanistas. Tratam os trabalhadores que nem máquinas alugadas. Não se importam em limitar o salário destes para o nível mais baixo, se esquecendo do dever de dar-lhes um salário que possa lhes garantir a sobrevivência. Por outro lado, os capitalistas não medem limites para seus ganhos, acumulando cada vez mais fortunas, gastas em sua maioria com supérfluos que só servem para eles esfregarem na acara da humanidade que eles são "melhores" que os outros. Ou seja, o supérfluo dos ricos impede que os pobres tenham o necessário.

Como achar justo um sistema que na prática é injusto? Na verdade os defensores do Capitalismo são tão egoístas quanto o próprio sistema que defendem, o que até aí pode ser considerado uma coerência. Querem um lugar ao sol no "paraíso dos ricos" e defendendo o sistema, puxam o saco de ricaços na esperança de que estes possam ajudar seus simpatizantes a se tornarem tão ricos.

O Brasil tem dado sinais de que está ficando burro. E não é só os pobres que emburrecem, mas os ricos também. Todos, ricos e pobres, analfabetos e graduados, abrindo mão do discernimento e defendendo suas opiniões toscas como se fosse um patrimônio, colaboram para o atraso do país e pela manutenção (ou piora) de tudo de errado que estamos cansados de ver em nosso cotidiano.

Tenho absoluta certeza que se o país virar um caos, os maiores capitalistas do país pegarão seus helicópteros e rumarão para bem longe, abandonando até mesmo os seus simpatizantes, que traídos, serão obrigados a mudar de ideologia. Pergunto aos simpatizantes do capitalismo: como o caos crescente e incessante, valeu a pena puxar o saco dos grandes capitalistas e defender esse sistema falido?

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Esporte e Religião: parceiros fiéis do Capitalismo

O Capitalismo é um sistema excludente. Mas ninguém quer ficar com fama de mau (a não ser o Erasmo na tal música - se bem que ele um cara bem legal, maldade não é com ele, he, he!) e por isso os capitalistas se esforçam em transformar defeitos em qualidades sem alterar o objetivo final deles de eliminar pessoas da concorrência.

Manter a população intelectualmente imobilizada tem demonstrado sucesso na manutenção dos interesses do Capitalismo, já que silenciosamente, como carneirinhos domados, a população tem seguido corretamente as regras que mantém todo o sistema como está, garantindo poderes e lucros para quem exerce função de "liderança", os únicos a terem direitos plenos numa sociedade escassa de benefícios.

E aí entram religião e o esporte, excelentes instrumentos para tirar a imagem de vilania desse sistema na prática tão cruel. Alienar a população é imperativo e estas duas ideologias tem contribuído muito para enganar todas as pessoas e dar a impressão de que somos "justos" e "felizes".

Apesar de existir dentro da religião e do esporte gente simpática ao Socialismo, temos que reconhecer a poderosa e bem sucedida dos dois a legitimação dos conceitos capitalistas.

E ninguém precisa ser intelectualizado para entender como a religião e o esporte contribuem para disfarçar o efeito nocivo do Capitalismo. A religião e o esporte atuam de maneira bem diferente na tentativa de legitimar a prática capitalista.

Medo de Deus e medo dos líderes

A religião atua estimulando o medo e a submissão a líderes. As religiões construíram uma imagem falsa de Deus baseada nos líderes da Terra (autoridades, patrões, capitalistas) e tão falível quanto. Talvez seja esse o motivo de construir um Deus inexistente, mas coerente com o sistema criado para submeter massas.

Até mesmo o conceito de "livre mercado" tem muito a ver com o Deus das religiões, que tem o direito de fazer o que quiser, inclusive o de abusar e o de tirar direitos dos outros. Graças ao temor que temos ao Deus das religiões, acabamos temendo também pessoas que ocupam cargos de liderança, achando que eles tem todo o direito de abusar, pois são como "deuses", supostamente infalíveis mas realmente autoritários.

Estragar a alegria alheia não parece ser tão cruel

O esporte age de forma diferente, mas igualmente cruel. Ele atua através de outro aspecto: o de legitimar a competitividade, dando uma imagem positiva a uma atitude contrária ao altruísmo.

Muita gente se esquece - ou finge esquecer - que competir é tirar do outro o direito a um benefício que não foi bem repartido entre os beneficiários. Competir é esticar a perna para que o outro caia e se machuque. Em muitos casos, competir é matar o outro. De qualquer forma, é impedir o bem estar alheio.

Como a sociedade pode considerar como "valor positivo" algo feito para impedir o bem estar alheio? Mas essa incoerência foi consagrada pelo esporte (que já é nocivo ao estimular outro aspecto: o da perfeição física), fazendo crer que fazer o outro quebrar a cara não é considerado ruim. Afinal, animais competem e num mundo medíocre onde instintos ainda são priorizados, ainda temos orgulho de sermos animais, numa espécie de recusa a evolução intelectual.

E estes dois aspectos, o medo e submissão a líderes e a valorização da competitividade, aparecem consagrados pela influência respectiva da religião e do esporte, para a manutenção de tudo que está errado e que beneficia e muito os simpatizantes e beneficiários do Capitalismo.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Médicos estrangeiros: e se o governo decidir fazer o mesmo com todas as profissões?

Uma coisa que não está sendo discutida nesse projeto Mais Médicos: que ele traz dois problemas a mais para a sociedade brasileira:

- Estrangeiros tomando o lugar de brasileiros nas profissões.
- Estrangeiros são pessoas a mais a usufruir dos bens já mal distribuídos que o país oferece.

Ninguém reparou que estes problemas podem acontecer se tivermos o costume de chamar estrangeiros para vir morar aqui? Se os brasileiros natos já encontram dificuldades para conseguir o mínimo necessário, imagine se os estrangeiros vierem morar em massa aqui.

O Brasil tem fama de muito aberto a estrangeiros. Eles chegam e vão logo tomando o nosso lugar. Temos o hábito de sermos bonzinhos demais e os estrangeiros vão se aproveitando disso e tomando para si aquilo que deveria ser nosso. Isso não se trata de xenofobia e sim uma atitude de defesa de nossa soberania, do bem estar de quem já nasceu aqui.

Não faltam médicos. Falta é estrutura para o serviço médico

Outra coisa. O governo achou que seria muito mais barato contratar médicos estrangeiros do que equipar todos os hospitais do país. Não faltam médicos e sim equipamento. Um médico responsável nunca irá trabalhar sem o equipamento necessário.

Mas equipamentos são bem caros. Adequar hospitais de localidades interessantes a um atendimento digno e eficiente é oneroso e não interessa ao governo. Contratar médicos estrangeiros pareceu a solução mais barata, desde que estes - ansiosos por um visto de permanência ou a naturalização, conquistados apenas mediante trabalho - estejam dispostos a trabalhar sob qualquer condição, seja a pior possível, num verdadeiro faz de conta.

O governo está fazendo errado e com isso poderá fazer se instalar um verdadeiro caos em nosso país já tão caótico. Se esqueceram de medir as consequências de um ato que me parece bastante irresponsável. O barato sairá muito caro.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A influência do PMDB nos governos petistas

Eu não sou petista. Mas sei da trajetória do partido porque procurei me informar sobre ele. Mas noto que os governos petistas na prática nada tem a ver com o esquerdismo defendido nos primórdios. E posso com certeza absoluta apontar um culpado pela mudança de atitude do PT ao conquistar os governos que gerencia: a influência nefasta do PMDB.

Para quem não sabe o PMDB é um partido de direita. Direita, capitalista, empresarial. Nascido do antigo MDB da ditadura, ele nunca foi esquerdista, embora tivesse servido de abrigo a socialistas durante os anos de chumbo no Brasil. Mas isso não justifica a classificação errada que fez com que o PT abrisse braços e pernas para que integrantes do PMDB fizessem o que quisessem nos governos petistas.

Noto claramente que é o PMDB que está governando o país, estados e municípios. O PT serve apenas de fachada para que todos pensem que aderimos ao Socialismo (não aderimos). A raiva que muitos direitistas (entenda-se: puxa-sacos de empresários) deveria ser direcionada ao PMDB e não ao PT, um organismo sem pé, sem cabeça e sem identidade, a servir de hospedeiro submisso para a reencarnação do antigo MDB. 

Não que o PT seja boa coisa (aliar-se ao PMDB serve de prova de que não é), mas a sua atuação nos governos é nula, pois absorveu em todo o seu repertório ideológico o pensamento pemedebista, desde as posturas ideológicas a tudo que é posto em prática por esses governos. A presença maciça de caciques poderosos do PMDB, incluindo os mais anciões, defensores de ideias mais retrógradas (disfarçadas de modernidade através da tecnologia e do linguajar), já serve como alerta disso. 

O PT é um nada que sobrevive as custas do PMDB. Se petistas se sentiram ofendidos com esta afirmação lógica e real, ao invés de me acusar e me processar, que tal romper de vez com o PMDB e andar com as próprias pernas, expulsando de vez a influência do partido nos governos petistas?

Não dá para tentar fazer Socialismo nem de fachada, com a forte influência de um partido tradicionalmente de direita moderada, em seus governos. O PMDB governa o Brasil e os empresários anti-socialistas (e seus bajuladores) estão muito tranquilos em relação a isso.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

"Pode matar, roubar e trapacear. Desde que não me prejudique, é honesto e meu amigo!" , diria a maioria dos brasileiros

Vivemos num sistema sem valores. Na verdade cada um constrói o seu, mas seguindo direitinho as "orientações" da grande mídia (legisladora e reguladora das regras sociais) e das tradições sociais. E mesmo assim, ainda continuamos perdidos na hora de definir quais os nossos valores.

Em muitos casos, há até inversão de valores, onde o correto e visto como errado e vice-versa, só por causa das aparências e dos estereótipos. Brasileiros adoram seguir estereótipos, mas isso é assunto para uma futura postagem. Vamos nos ater em como a ética se torna dispensável, se depender de interesses.

Muitas pessoas abrem mão de honestidade, hora e até de respeito humano quando os interesses estão em jogo. Pessoas desonestas, cruéis ou simplesmente bullies (que gostam de humilhar os outros), que deveriam ser desprezados pela sociedade, com direitos sendo reduzidos, continuam atraindo amigos e favores, desde que o prejuízo que eles causem, não atinja quem os admira.

Vi casos onde pessoas com índole duvidosa passam a integrar grupos prestigiados, mesmo tendo gerado danos a terceiros. A própria "seleção" brasileira roubou tanto para entrar na copa de 2002 quanto para vencer e ninguém falou e nem fala nada. Roubar para os outros é sempre ruim, roubar para nós não é? Cadê a ética? Estranho.

Os próprios direitistas e simpatizantes do Capitalismo agem dessa forma, pois não importam se a ganância dos ricaços lhes tragam grandes  limites em seus direitos."Desde que o ricaço deixe cair uma migalhinha, está bom demais", acreditam os entusiastas e personalidades de direita. Sobre se algum rico cometeu alguma atrocidade para se tornar rico, seus admiradores fazem vista grossa: "os fins justificam os meios".

Esta famosa frase escrita no livro O Príncipe, de Maquiavel, poderia muito bem ser o lema de nossa sociedade, com direito a estar escrito na nossa bandeira. Apesar de Comte, autor da frase "Ordem e progresso", estimular a mediocrização do país com a falácia de que "nada regride", a frase escrita na bandeira, assim como a letra de nosso hino, está muito longe de nossa realidade prática.

A memória curta estimulada por esta mediocrização é outro fator que faz com que haja a impunidade para os anti-éticos que são adotados como "gente boa" por grande maioria da sociedade. Nossa cúpula, não apenas política, mas empresarial (incluindo os setores de entretenimento e religião, onde a corrupção é maquiada pela imagem positiva que estes setores exalam) é altamente desonesta e tudo que vemos em nossa sociedade é resultado de manobras ocultas feitas para favorecer uma minoria de abastados, se aproveitando do desinteresse da sociedade como um todo por bastidores de qualquer tipo. Também, estimulados pela "fé" até mesmo nos assuntos laicos, preferem acreditar nos mitos do que em fatos. Mitos contam as estórias de forma mais bonita, apesar de irreal.

E os vilões? Claro que a sociedade não vai acreditar que não existam problemas em nosso cotidiano. Mas legal é responsabilizar aqueles que não tem a ver com a gente. Políticos e bandidos "de cerreira" são os bodes expiatórios perfeitos para tudo que está errado em nossa sociedade. Os corruptos que não pertencem a essas citadas classes seguem impunes e até admiradas como se "heróis" fossem. Muitas pessoas eté se irritam quando os corruptos "de cara limpa" são acusados como tais, já que a sociedade brasileira sempre foi sedenta por "heróis", colocando falsos "mestres" no lugar.

Em muitos casos, as pessoas aderem a corruptos, criminosos, pessoas de má índole e bullies por questões de sobrevivência, ou porque estes crápulas garantem favores essenciais ou porque poderão se tornar ameaças se forem denunciados ou contrariados. Pessoas honestas frequentemente se tornam "reféns" de pessoas com capacidades de gerar danos e somente a união maciça de muitas pessoas de bem (o que nunca acontece) podem aniquilar o poder sombrio que os maldosos ainda tem em nossa sociedade. Mas até as pessoas se conscientizarem e foram mais altruístas (pensando mais no benefício coletivo da sociedade como um todo), os malvados seguem impunes e cada vez mais influentes.

Estamos perdidos. A ética virou uma utopia. A sociedade elege seus heróis e vilões não pelo que eles são capazes de fazer, mas pelos interesses que eles são capazes de atender. Favorecida, a sociedade se recusa a eleger como corrupto alguém que lhes dá um benefício aparente. Enquanto confiramos nos crápulas que nunca são denunciados, enquanto chamarmos para a nossa turma os pilantras que adoram estragar a vida de terceiros, a sociedade continua na mesma, transformando a impunidade numa estranha forma de "perdão" que estimula cada vez mais a prática de erros danosos, que se perpetuam sem qualquer previsão de prazo para se encerrar.