segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Blogue em recesso

Hoje, o blogue inicia seu recesso. Ficaremos sem postagens por um tempinho. Mas voltaremos em breve com novos textos. Aguardem-nos. E desculpem pela espera. 

Feliz 2015. E juízo, hein?


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Padronização não combina com o Brasil

Virou moda a padronização no Brasil. Não somente a dos ônibus, que graças a um projeto exportado pelo político curitibano Jaime Lerner para outros estados e outros países, colocou fardas em muitas frotas de ônibus urbanos. Mas também há padronização em tudo, pois o brasileiro sempre demonstrou que gosta de seguir regras, obedecer padrões, estabelecer funções.

A cidade onde eu moro, Niterói, acaba de receber a notícia de que irá aderir ao projeto de curitibanização - só que sem articulados - e com direito a colocar farda em sua frota. Vai ser o fim dos ônibus niteroienses como aprendi a gostar desde criança. Talvez largue de vez o hobby, passando a me interessar por outros meios de transporte, como aviões, onde a padronização visual ainda não chegou e provavelmente nem chegue.

Colocar fardas, uniformização e outras formas de padronização são sempre ruins para o Brasil e não combinam com um país de dimensões espetaculares, com regiões com diferenças gritantes e uma diversidade étnica sem igual no mundo. Com bens naturais tão diversos que chega a ser impossível contá-los.

Como uma terra assim pode ter apenas um sistema de ônibus de uma cor só cada cidade? Como pode ter um tipo de música (disfarçado em vários rótulos, como axé, pagode, "funk", "sertanejo" e brega)? Como podem as mulheres só quererem saber de branquelo alto de barriga tanquinho? Como o mercado de trabalho só contrata um tipo de profissional? Porque os brasileiros são obrigados a gostar de um único e mesmo esporte (futebol)? Porque todos se submetem a tudo que uma única emissora de televisão (Rede Globo) determina?

Gente, o Brasil é um país continental, diverso! Aqui cabe toda a parte ocidental do continente europeu! Padronizar o Brasil é um pecado, uma agressão!

Padronização é coisa de ditaduras. O que o nefasto Hitler se propunha a fazer era padronizar a sociedade alemã. O capitalismo é padronizador. A China, mesmo não sendo assumidamente capitalista, gosta muito de uniformizar as pessoas. O apartheid e toda forma de racismo representam uma forma de padronização.

E desta forma autoritária que muitas frotas estão perdendo suas pinturas criativas e que facilitavam, e muito a identificação dos veículos. E isso ocorre por decisão exclusiva de governantes, sem consultar a população em geral. É imposta na marra.

A curitibanização dos ônibus brasileiros foi um projeto criado pela ditadura militar e resquício dela. Não é nada moderno e está até obsoleto e problemático em seu lugar de origem. Não podemos aceitar que um projeto ditatorial se estabeleça em nossa - pelo menos em tese - sociedade democrática.

Diversidade já, agora e urgente. Não a qualquer forma de padronização. Padronizar é coisa de egoísta, de preconceituoso, de autoritário.

Um país diverso, com gente, fauna, flora e paisagens de todos os tipos nunca, mas NUNCA deve padronizar qualquer coisa em seu país. Pois negar a diversidade é negar a vocação do Brasil.

Negar a diversidade é negar o próprio Brasil.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A televisão ainda influencia a maioria dos brasileiros

Questionados sobre qual meio de comunicação é mais influente em suas vidas, muitos jovens respondem que é a internet. Mas observando o gosto, as convicções e os hábitos desse jovens, há a indagação de que se eles estão mentindo ou não sabem realmente o que os influencia. Porque na verdade, eles só usam a internet para confirmar tudo aquilo que eles aprenderam pela televisão.

Os jovens de hoje ainda estão muito longe, mas longe mesmo de terem alguma criatividade naquilo que fazem em suas vidas. Imitam a maioria e aderem a convicções tradicionalmente valorizadas pela sociedade. É mais seguro. Os jovens hoje tem medo de ousar e quando "ousam" preferem fazer pela aparência. É mais conveniente colocar um piercing na língua do que tacar ovos em um político corrupto ou escrever uma canção criticando o sistema estúpido e excludente em que vivemos.

Como disse, os jovens usam a internet apenas para confirmar toda a crença aprendida em anos pelas redes de televisão. O futebol ainda é presença maciça no YouTube. Comunidades fúteis, sobretudo as dedicadas a ídolos da TV aberta são as que mais tem membros. Os próprios textos escritos pro internautas demonstram uma falta de criatividade e uma total submissão a valores consagrados pelos programas de televisão. Ídolos lançados pela internet só se massificam se forem também divulgados pela televisão.

E esses ídolos praticamente se parecem com os ídolos da televisão. Stefany Crossfox é uma "Joelma" sem Chimbinha. Lady Gaga é uma P!nk mais destrambelhada do que a já destrambelhada original e que canta eurodance pensando que é roqueira. Justin Bieber é uma "boy band" de apenas um integrante. Susan Boyle parece uma daquelas cantoras da Broadway que vimos nas peças de Andrew Lloyd Webber. isso só para citar os mais populares.

Aliás, a primeira tendência lançada na internet que é totalmente diferente do que se vê na TV só surgiu agora: A Banda Mais Bonita da Cidade. Mas é uma exceção. Até esta banda surgir, todos os nomes divulgados primeiro na internet foram na verdade, reciclagem de tudo aquilo que foi consagrado pela televisão.

Mesmo assim, é notável e até explícito o fato de que os jovens dependem da televisão. Um aparelho televisivo é considerado artigo de primeira necessidade (embora eu discorde disso), mesmo até para quem tem computador em casa, com internet de banda larga.

A falta de ousadia de pessoas dos 40 anos para menos deixa clara a influência da televisão. Pessoas dos 12 aos 45 anos, em sua maioria, não aproveitam as facilidades da internet para procurarem algo diferente ao que eles estavam acostumados em outros meios de comunicação: usam a internet para consagrar aquilo que eles sempre acreditavam, perdendo a valiosa oportunidade de usar a internet para desenvolver sua percepção intelecto-cultural.

E aí o mundo nunca muda, os valores de 80 anos atrás continuam os mesmos (só que "digitalizados"), os problemas permanecem e vivemos numa sociedade em letargia que só consegue acordar durante a entrada de uma bola em uma rede, voltando a sua tradicional letargia no acabar de um jogo.

Com isso, a sociedade brasileira nunca se evolui, se tornando uma passiva massa de inferiorizados, que utilizam cada vez menos o grande privilégio que a natureza nos deu: a inteligência, aceitando as ordens e os valores vindos da TV e permanecendo imóvel diante de todos os problemas que nos apresentam, perpetuando as injustiças e transformando a sociedade brasileira, famosa pela sua suposta alegria, numa população de infelizes arrependidos e sem auto-estima.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Umberto Eco: "O excesso de informação provoca amnésia"

ESPREMENDO A LARANJA: A humanidade está pagando o preço por ter subestimado a educação, transformando-a num mero acumulador de ideias uteis apenas para o mercado de trabalho. A nossa educação há anos transformou as escolas em fábricas de técnicos e doutores, se esquecendo de ensinar a pensar.

Sem saber utilizar o raciocínio, a grande massa permite as aberrações que vemos hoje em dia que resultam na má qualidade cultural, na supervalorização de conceitos e hábitos fúteis ou nocivos e no desinteresse das pessoas por aquilo que realmente é relevante útil e necessário. Além de muita credulidade, na mídia, nas regras sociais e nas lendas impostas pelas religiões.

Foi só colocar essa imensa massa de ignorantes de todos os níveis na internet para haver a perpetuação de erros seculares que o mundo, principalmente a sociedade brasileira, precisava extirpá-la para poder se evoluir.

Com o estrago feito, é aguardar o nascimento de novas pessoas, com novas ideias para tentar consertar esses erros clássicos que a sociedade teimosamente RECUSA a eliminar, preferindo acusar aqueles que os aconselham de antipáticos e autoritários.

Até segunda ordem, ser feliz, para a sociedade, é o mesmo que ser idiota (sem assumir esse rótulo). Vamos ver se isso acaba.

Mas o brilhante Eco nos alerta para esse perigo. Vamos ver o que ele tem a nos dizer.

Umberto Eco: "O excesso de informação provoca amnésia"

LUÍS ANTÔNIO GIRON, DE MILÃO - ÉPOCA Atualizado em 30/12/2011 16h48

O escritor italiano diz que a internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio, porque ela não filtra o conhecimento e congestiona a memória do usuário.

O escritor e semiólogo Umberto Eco vive com sua mulher em um apartamento duplo no segundo e terceiro andar de um prédio antigo, de frente para o palácio Sforzesco, o mais vistoso ponto turístico de Milão. É como se Alice Munro morasse defronte à Canadian Tower em Toronto, Hakuri Murakami instalasse sua casa no sopé do monte Fuji, ou então Paulo Coelho mantivesse uma mansão na Urca, à sombra do Pão de Açúcar. "Acordo todo dia com a Renascença", diz Eco, referindo-se à enorme fortificação do século XV. O castelo deve também abrir os portões pela manhã com uma sensação parecida, pois diante dele vive o intelectual e o romancista mais famoso da Itália.

Um dos andares da residência de Eco é dedicado ao escritório e à biblioteca. São quatro salas repletas de livros, divididas por temas e por autores em ordem alfabética. A sala em que trabalha abriga aquilo que ele chama de "ala das ciências banidas", como ocultismo, sociedades secretas, mesmerismo, esoterismo, magia e bruxaria. Ali, em um cômodo pequeno, estão as fontes principais dos romances de sucesso de Eco: O nome da rosa (1980), O pêndulo de Foucault (1988), A ilha do dia anterior (1994), Baudolino (2000), A misteriosa chama da rainha Loana (2004) e O cemitério de Praga. Publicado em 2010 e lançado com sucesso no Brasil em 2011, o livro provocou polêmica por tratar de forma humorística de um assunto sério: o surgimento do antissemitismo na Europa. Por motivos diversos, protestaram a igreja católica e o rabino de Roma: aquela porque Eco satirizava os jesuítas ("são maçons de saia", diz o personagem principal, o odioso tabelião Simone Simonini), este porque as teorias conspiratórias forjadas no século XIX - como o Protocolo dos sábios do Sião - poderiam gerar uma onda de ódio aos judeus. Desde o início da carreira, em 1962, como autor do ensaio estético Obra aberta, Eco gosta de provocar esse tipo de reação. Mesmo aos 80 anos, que completa em 5 de janeiro, parece não perder o gosto pelo barulho. De muito bom humor, ele conversou com Época durante duas horas sobre a idade, o gênero que inventou - o suspense erudito -, a decadência europeia e seu assunto mais constante nos últimos anos: a morte do livro. É de pasmar, mas o maior inimigo da leitura pelo computador está revendo suas posições - e até gostando de ler livros... pelo iPad que comprou durante sua última turnê americana.

ÉPOCA - Como o senhor se sente, completando 80 anos?
Umberto Eco - Bem mais velho! (Risos.) Vamos nos tornando importantes com a idade, mas não me sinto importante nem velho. Não posso reclamar de rotina. Minha vida é agitada. Ainda mantenho uma cátedra no Departamento de Semiótica e Comunicação da Universidade de Bolonha e continuo orientando doutorandos e pós-doutorandos. Dou muita palestra pelo mundo afora. E tenho feito turnês de lançamento de O cemitério de Praga. Acabo de voltar de uma megaexcursão pelos Estados Unidos. Ela quase me custou o braço. Estou com tendinite de tanto dar autógrafos em livros.

ÉPOCA - O senhor tem sido um dos mais ferrenhos defensores do livro em papel. Sua tese é de que o livro não vai acabar. Mesmo assim, estamos assistindo à popularização dos leitores digitais e tablets. O livro em papel ainda tem sentido?
Eco - Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet.

ÉPOCA - Apesar dessas melhorias, o senhor ainda vê a internet como um perigo para o saber?
Eco - A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento.

ÉPOCA - Mas o conhecimento está se tornando cada vez mais acessível via computadores e internet. O senhor não acha que o acesso a bancos de dados de universidades e instituições confiáveis estão alterando nossa noção de cultura?
Eco - Sim, é verdade. Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes.

ÉPOCA - Há uma solução para o problema do excesso de informação?
Eco - Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar.

ÉPOCA - O senhor já está pensando em um novo romance depois de O cemitério de Praga?
Eco - Vamos com calma. Mal publiquei um e você já quer outro. Estou sem tempo para ficção no momento. Na verdade, vou me ocupar agora de minha autobiografia intelectual. Fui convidado por uma instituição americana, Library of Living Philosophers, para elaborar meu percurso filosófico. Fiquei contente com o convite, porque passo a fazer parte de um projeto que inclui John Dewey, Jean-Paul Sartre e Richard Rorty - embora eu não seja filósofo. Desde 1939, o instituto convida um pensador vivo para narrar seu percurso intelectual em um livro. O volume traz então ensaios de vários especialistas sobre os diversos aspectos da obra do convidado. No final, o convidado responde às dúvidas e críticas levantadas. O desafio é sistematizar de uma forma lógica tudo o que já fiz...

ÉPOCA - Como lidar com tamanha variedade de caminhos?
Eco - Estou começando com meu interesse constante desde o começo da carreira pela Idade Média e pelos romances de Alessandro Manzoni. Depois vieram a Semiótica, a teoria da comunicação, a filosofia da linguagem. E há o lado banido, o da teoria ocultista, que sempre me fascinou. Tanto que tenho uma biblioteca só do assunto. Adoro a questão do falso. E foi recolhendo montes de teorias esquisitas que cheguei à ideia de escrever O cemitério de Praga.

ÉPOCA - Entre essas teorias, destaca-se a mais célebre das falsificações, O protocolo dos sábios de Sião. Por que o senhor se debruçou sobre um documento tão revoltante para fazer ficção?
Eco - Eu queria investigar como os europeus civilizados se esforçaram em construir inimigos invisíveis no século XIX. E o inimigo sempre figura como uma espécie de monstro: tem de ser repugnante, feio e malcheiroso. De alguma forma, o que causa repulsa no inimigo é algo que faz parte de nós. Foi essa ambivalência que persegui em O cemitério de Praga. Nada mais exemplar que a elaboração das teorias antissemitas, que viriam a desembocar no nazismo do século XX. Em pesquisas, em arquivos e na internet, constatei que o antissemitismo tem origem religiosa, deriva para o discurso de esquerda e, finalmente, dá uma guinada à direita para se tornar a prioridade da ideologia nacional-socialista. Começou na Idade Média a partir de uma visão cristã e religiosa. Os judeus eram estigmatizados como os assassinos de Jesus. Essa visão chegou ao ápice com Lutero. Ele pregava que os judeus fossem banidos. Os jesuítas também tiveram seu papel. No século XIX, os judeus, aparentemente integrados à Europa, começaram a ser satanizados por sua riqueza. A família de banqueiros Rotschild, estabelecida em Paris, virou um alvo do rancor social e dos pregadores socialistas. Descobri os textos de Léo Taxil, discípulo do socialista utópico Fourier. Ele inaugurou uma série de teorias sobre a conspiração judaica e capitalista internacional que resultaria em Os protocolos dos sábios do Sião, texto forjado em 1897 pela polícia secreta do czar Nicolau II.

ÉPOCA - O senhor considera os Procotolos uma das fontes do nazismo?
Eco - Sem dúvida. Adolf Hitler, em sua autobiografia, Minha luta, dava como legítimo o texto dos Protocolos. Hitler tomou como verdadeira uma falsificação das mais grosseiras, e essa mentira constitui um dos fundamentos do nazismo. A raiz do antissemitismo vem de muito antes, de uma construção do inimigo, que partiu de delírios e paranoias.

ÉPOCA - O personagem de O cemitério de Praga, Simone Simonini, parece concentrar todos os preconceitos e delírios europeus do século XIX. Ele é ao mesmo tempo antissemita, anticlerical, anticapitalicas e antissocialista. Como surgiu na sua mente alguém tão abominável?
Eco - Os críticos disseram que Simonini é o personagem mais horroroso da literatura de todos os tempos, e devo concordar com eles. Ele também é muito divertido. Seus excessos estão ali para provocar riso e revolta. No romance, Simonini é a única figura fictícia. Guarda todos os preconceitos e fantasias sobre um inimigo que jamais conhece. E se desdobra em várias personalidades: durante o dia, atua como tabelião falsificador de documentos; à noite, traveste-se em falso padre jesuíta e sai atrás de aventuras sinistras. Acaba virando joguete dos monarquistas, que se opõem à unificação da Itália, e, por fim, dos russos. Imaginei Simonini como um dos autores de Os protocolos dos sábios do Sião.

ÉPOCA - A falsificação sobre falsificações permitida pela ficção tornou o livro controverso. Ele tem provocado reações negativas. O senhor gosta de lidar com polêmicas?
Eco - A recepção tem sido positiva. O livro tem feito sucesso sem precisar de polêmicas. Quando foi lançado na Itália, ele gerou alguma discussão. O L'osservatore Romano, órgão oficial do Vaticano, publicou um artigo condenando os ataques do livro aos jesuítas. Não respondi, porque sou conhecido como um intelectual anticlerical - e já havia discutido com a igreja católica no tempo de O nome da rosa, quando me acusaram de atacar a igreja. O rabino de Roma leu O cemitério de Praga e advertiu em um pronunciamento que as teorias contidas no livro poderiam se tornar novamente populares a partir da obra. Respondi a ele que não havia esse perigo. Ao contrário, se Simonini serve para alguma coisa, é para provocar nossa indignação.

ÉPOCA - Além de falsário, Simonini se revela um gourmet. Ao longo do livro, o senhor joga listas e listas de receitas as mais extravagantes, que Simonini comenta com volúpia. O senhor gosta de gastronomia?
Eco - Eu sou MacDonald's! Nunca me incomodei com detalhes de comida. Pesquisei receitas antigas com um objetivo preciso: causar repugnância no leitor. A gastronomia é um dado negativo na composição do personagem. Quando Simonini discorre sobre pratos esquisitos, o leitor deve sentir o estômago revirado.

ÉPOCA - Qual o sentido de escrever romances hoje em dia? O que o atrai no gênero?
Eco - Faz todo o sentido escrever ficção. Não vejo como fazer hoje narrativa experimental, como James Joyce fez com Finnegan's Wake, para mim a fronteira final da experimentação. Houve um recuo para a narrativa linear e clássica. Comecei a escrever ficção nesse contexto de restauração da narratividade, chamado de pós-modernismo. Sou considerado um autor pós-moderno, e concordo com isso. Vasculho as formas e artifícios do romance tradicional. Só que procuro introduzir temas que possam intrigar o leitor: a teoria da comédia perdida de Aristóteles em O nome da rosa; as conspirações maçônicas em O pêndulo de Foucault; a imaginação medieval em Baudolino; a memória e os quadrinhos em A misteriosa chama; a construção do antissemitismo em O cemitério de Praga. O romance é a realização maior da narratividade. E a narratividade conserva o mito arcaico, base de nossa cultura. Contar uma história que emocione e transforme quem a absorve é algo que se passa com a mãe e seu filho, o romancista e seu leitor, o cineasta e seu espectador. A força da narrativa é mais efetiva do que qualquer tecnologia.

ÉPOCA - Philip Roth disse que a literatura morreu. Qual a sua opinião sobre os apocalípticos que preveem a morte da literatura?
Eco - Philip Roth é um grande escritor. A contar com ele, a literatura não vai morrer tão cedo. Ele publica um romance por ano, e sempre de boa qualidade. Não me parece que nem o romance nem ele pretendem interromper a carreira (risos).

ÉPOCA - Mas por que hoje não aparecem romancistas do porte de Liev Tolstói e Gustave Flaubert?
Eco - Talvez porque ainda não os descobrimos. Nada acontece imediatamente na literatura. É preciso esperar um pouco. Devem certamente existir Tolstóis e Flauberts por aí. E têm surgido ótimos ficcionistas em toda parte.

ÉPOCA - Como o senhor analisa a literatura contemporânea?
Eco - Há bons autores medianos na Itália. Nada de genial, mas têm saído livros interessantes de autores bastante promissores. Hoje existe o thriller italiano, com os romances de suspense de Andrea Camilleri e seus discípulos. No entanto, um signo do abalo econômico italiano é que é mais possível um romancista viver de sua obra literária, como fazia (Alberto) Moravia. Hoje romance virou uma atividade diletante. É diferente do que ocorre nos Estados Unidos, aindaum polo emissor de ótima ficção e da profissionalização dos escritores. Além dos livros de Roth, adorei ler Liberdade, de Jonathan Franzen, um romance de corte clássico e repleto de referências culturais. A França, infelizmente, experimenta uma certa decadência literária, e nada de bom apareceu nos últimos tempos. O mesmo parece se passar com a América Latina. Já vão longe os tempos do realismo fantástico de García Márquez e Jorge Luis Borges. Nada tem vindo de lá que me pareça digno de nota.

ÉPOCA - E a literatura brasileira? Que impressões o senhor tem do Brasil? O país lhe parece mais interessante hoje do que há 30 anos?
Eco - O Brasil é um país incrivelmente dinâmico. Visitei o Brasil há muito tempo, agora acompanho de longe as notícias sobre o país. A primeira vez foi em 1966. Foi quando visitei terreiros de umbanda e candomblé - e mais tarde usei essa experiência em um capítulo de O pêndulo de Foucault para descrever um ritual de candomblé. Quando voltei em 1978, tudo já havia mudado, as cidades já não pareciam as mesmas. Imagino que hoje em dia o Brasil esteja completamente transformado. Não tenho acompanhado nada do que se faz por lá em literatura. Eu era amigo do poeta Haroldo de Campos, um grande erudito e tradutor. Gostaria de voltar, tenho muitos convites, mas agora ando muito ocupado... comigo mesmo.

ÉPOCA - O senhor foi o criador do suspense erudito. O modelo é ainda válido?
Eco - Em O nome da Rosa, consegui juntar erudição e romance de suspense. Inventei o investigador-frade William de Baskerville, baseado em Sherlock Holmes de Conan Dolyle, um bibliotecário cego inspirado em Jorge Luis Borges, e fui muito criticado porque Jorge de Burgos, o personagem, revela-se um vilão. De qualquer forma, o livro foi um sucesso e ajudou a criar um tipo de literatura que vejo com bons olhos Sim, há muita coisa boa sendo feita. Gosto de (Arturo) Pérez-Reverte, com seus livros de fantasia que lembram os romances de aventura de Alexandre Dumas e Emilio Salgari que eu lia quando menino.

ÉPOCA - Lendo seus seguidores, como Dan Brown, o senhor às vezes não se arrepende de ter criado o suspense erudito?
Eco - Às vezes, sim! (risos) O Dan Brown me irrita porque ele parece um personagem inventado por mim. Em vez de ele compreender que as teorias conspiratórias são falsas, Brown as assume como verdadeiras, ficando ao lado do personagem, sem questionar nada. É o que ele faz em O Código Da Vinci. É o mesmo contexto de O pêndulo de Foucault. Mas ele parece ter adotado a história para simplificá-la. Isso provoca ondas de mistificação. Há leitores que acreditam em tudo o que Dan Brown escreve - e não posso condená-los.

ÉPOCA - O que vem antes na sua obra, a teoria ou a ficção?
Eco - Não há um caminho único. Eu tanto posso escrever um romance a partir de uma pesquisa ou um ensaio que eu tenha feito. Foi o caso de O pêndulo de Foucault, que nasceu de uma teoria. Baudolino resultou de ideias que elaborei em torno da falsificação. Ou vice-versa. Depois de escrever O cemitério de Praga, me veio a ideia de elaborar uma teoria, que resultou no livro Costruire il Nemico (Construir o Inimigo, lançado em maio de 2011). E nada impede que uma teoria nascida de uma obra de ficção redunde em outra ficção.

ÉPOCA - Quando escreve, o senhor tem um método ou uma superstição?
Eco - Não tenho nenhum método. Não sou com Alberto Moravia, que acordava às 8h, trabalhava até o meio-dia, almoçava, e depois voltava para a escrivaninha. Escrevo ficção sempre que me dá prazer, sem observar horários e metodologias. Adoro escrever por escrever, em qualquer meio, do lápis ao computador. Quando elaboro textos acadêmicos ou ensaio, preciso me concentrar, mas não o faço por método.

ÉPOCA - Como o senhor analisa a crise econômica italiana? Existe uma crise moral que acompanha o processo de decadência cultural? A Itália vai acabar?
Eco - Não sou economista para responder à pergunta. Não sei por que vocês jornalistas estão sempre fazendo perguntas (risos). Talvez porque eu tenha sido um crítico do governo Silvio Berlusconi nesses anos todos, nos meus artigos de jornal, não é mesmo? Bom, a Itália vive uma crise econômica sem precedentes. Nos anos Berlusconi, desde 2001, os italianos viveram uma fantasia, que conduziu à decadência moral. Os pais sonhavam com que as filhas frequentassem as orgias de Berlusconi para assim se tornarem estrela da televisão. Isso tinha de parar, acho que agora todos se deram conta dos excessos. A Itália continua a existir, apesar de Berlusconi.

ÉPOCA - O senhor está confiante com a junção Merkozy (Nicolas Sarkozy e Angela Merkel) e a ascensão dos tecnocratas, como Mario Monti como primeiro ministro da Itália?
Eco - Se não há outra forma de governar a zona do Euro, o que fazer? Merkel tem o encargo, mas também sofre pressões em seu país, para que deixe de apoiar países em dificuldades. A ascensão de Monti marca a chegada dos tecnocratas ao poder. E de fato é hora de tomar medidas duras e impopulares que só tecnocratas como Monti, que não se preocupa com eleição, podem tomar, como o corte nas aposentadorias e outros privilégios.

ÉPOCA - O que o senhor faz no tempo livre?
Eco - Coleciono livros e ouço música pela internet. Tenho encontrado ótimas rádios virtuais. Estou encantado com uma emissora que só transmite música coral. Eu toco flauta doce (mostra cinco flautas de variados tamanhos), mas não tenho tido tempo para praticar. Gosto de brincar com meus netos, uma menina e um menino.

ÉPOCA - Os 80 anos também são uma ocasião para pensar na cidade natal. Como é sua ligação com Alessandria?
Eco - Não é difícil voltar para lá, porque Alessandria fica a uns 100 quilômetros de Milão. Aliás foi um dos motivos que escolhi morar por aqui: é perto de Bolonha e de Alessandria. Quando volto, sou recebido como uma celebridade. Eu e o chapéu Borsalino, somos produção de Alessandria! Reencontro velhos amigos no clube da cidade, sou homenageado, bato muito papo. Não tenho mais parentes próximos. É sempre emocionante.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A falta de noção de ética e a censura

Recentemente, coloquei uma postagem meio polêmica em uma comunidade do Facebook. A preocupação excessiva em não fazer um texto longo, comprometeu a clareza da postagem. A interpretação equivocada do que foi escrito fez com que o texto fosse denunciado automaticamente. E olha que escrevi sobre algo real e não uma calúnia ou qualquer suposição opinativa.

Mas que quer que fosse não entendeu o que estava escrito no texto, não se dispôs a analisar - brasileiros odeiam analisar - e classificou como "injúria" a minha postagem, com a mesma rapidez com que escrevi a mesma. Se eu errei em não escrever um texto claro, quem a denunciou cometeu erro similar de não ler atentamente o que foi escrito e analisado friamente.

A noção de ética e respeito ao próximo que a sociedade brasileira possui é precária. Em muitos casos, postagens bem mais agressivas - que estimulam a bebedeira, estimulam surras em crianças, mostram deformidades e humilham "comunistas" - passam livremente, enquanto críticas a erros cometidos pela coletividade são denunciados como se fossem preconceituosas. Ou seja, a população tem o direito de errar e pior: de continuar errando eternamente. Não é difícil imaginar porque nosso cotidiano nunca melhora.

Não vou dizer aqui o nome da comunidade e nem o que foi escrito. O que garanto é que foi uma crítica a um costume real, um erro cometido por muitas pessoas. Mas no Brasil, quando erros são cometidos pela maioria, são automaticamente convertidos em acertos, já que é tradicional acreditar no mito que diz "que se muitas pessoas aderem, é porque é bom e correto".

E um integrante dos "corretos" achou que foi ofensivo ter sido criticado por um erro cometido e denunciou. Após perceber isso, deletei imediatamente o texto, para não me envolver em encrencas.

Pobre, com poucos amigos e sem carisma ou poder de influência, envolver em encrencas, para mim, é sinônimo de algo bastante grave e de difícil resolução. É muito mais difícil eu sair de uma encrenca do que qualquer outra pessoa na mesma situação. Não há um "pistolão" ou advogado disposto a me defender. Até porque os advogados que eu conheço, comprovadamente capazes de cometer o mesmo erro, certamente estariam do lado de quem me denunciou, mesmo que não haja uma lei que o defenda. Até porque o que vale é o pensamento da maioria e não o bom senso.

De qualquer forma, deletei a postagem e mudei a privacidade da comunidade, que só poderá ser lida pelos membros. Infelizmente falta maturidade no povo brasileiro e a defesa de erros e de ilusões é muitos mais empenhada do que a luta pela qualidade de vida. Derrubem-se casas e cortem salários, mas não mexam com as ilusões alheias. 

Zonas de conforto são muito mais confortáveis do que uma vida realmente digna.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A confiança cega nos meios de comunicação

Não é a toa que chamam a imprensa de "quarto poder". Não somente pelo poder político que os donos dos meios de comunicação possuem, como pelo fato da imprensa ter se transformado em uma "instituição respeitável", quase como uma espécie de "sinônimo" de democracia. A democracia só é possível, de fato, na Anarquia, mas por representar uma ideia nobre e benéfica, a população resolveu pegar emprestado e "apelidar" a imprensa com esse nome.

Trocando em miúdos: encaixotaram a utópica ideia de que a democracia só é possível com a existência da liberdade de imprensa, como se quem controlasse a imprensa fosse gente como eu, você e seu cachorrinho de estimação. Não é.

Como seria lindo se houvesse uma imprensa que nos representasse. Mas isso não é a realidade. Quem possui e controla a imprensa são empresários com sede de poder político. São políticos, sim, mas da iniciativa privada. Agem como políticos, pensam como políticos, mas sua única diferença é que o salário deles não vem dos impostos que pagamos e sim dos lucros que eles obtém graças a venda de seu maior produto: notícias.

Tratar notícias como mercadoria compromete muito a verdade e a imparcialidade que deveriam ser características da imprensa. E o produto, para vender deve ser moldado - alterado - para que possa ser aceito e que o receptor possa "comprá-lo, garantindo o lucro do emissor da notícia. Estamos cansados de saber que verdade não rende dinheiro. Que se divulgue não os fatos e sim aquilo que os donos da mídia querem que o povo saiba.

Voltamos aos tempos do leitor de pergaminho medieval (Idade Mídia?) contratado pelo rei a noticiar as coisas do ponto de vista das elites dominantes. A imprensa, de fato, é a voz do dono e acreditar que ela representa a população é de uma tolice pueril que já deveria ter desaparecido de nossas mentes quando completamos 7 aninhos de idade.

Como achar que empresários riquíssimos e com poder político suficiente para mandar em presidentes da república (exceto nas "ditaduras" que resolveram disciplinar a atividade midiática em seus países) possam representar os interesses do mais rudimentar integrante da plebe social?

Curiosamente quem defende a ideia de que a imprensa nos representa são os defensores do Capitalismo e das ideias de direita, que tratam os poderosos donos dos meios de comunicação como se fossem trabalhadores tão sofridos quanto o mais humilde faxineiro. Com a onda direitista surgindo em nossa sociedade nos últimos anos, a confiança cega na imprensa tem aumentado bastante, após uma vertiginosa queda durante longo tempo. Reaprendemos a confiar nas mentiras que a mídia, nossa reguladora social, controlada por gente que não quer o nosso benefício, diz.

Há muito a imprensa NÃO nos representa. A mídia age como regulador social e a liberdade sem freio da imprensa é a liberdade do poder de manipulação social. Talvez queiramos que a imprensa seja livre para que possamos continuar sendo manipulados. Para que nossas ilusões possam se manter intactas, freando a evolução social, nos mantendo na eterna infância que permite que vivamos num mundo de faz-de-conta, onde grandes homens de negócios, ignorantes de nossa existência, possam nos representar na hora de exigirmos nossos direitos.

Até porque, seja por preguiça, seja por tradicional modismo, recusamos a querer lutar pela resolução de nossos problemas, preferindo entregar a outrem a responsabilidade de melhora as nossas vidas. E ninguém melhor que os donos da imprensa para "lutar" pelos nossos sonhos (leia-se ilusões).

Não confio na imprensa e sou a favor de seu controle. Controle não é censura e sim o ato de disciplinar a responsabilidade midiática. Tolice acreditar que dar liberdades a um poderoso empresário de comunicação é dar liberdade à sociedade. Até porque a liberdade do empresariado limita a liberdade da população e vice-versa. Alguma coisa precisa ser feita para conter os abusos empresariais dos donos da mídia.

Com o fim da ditadura militar, perdemos o verdadeiro sentido da palavra democracia. A mídia quer nos convencer de que a democracia é a própria mídia e pede para que lutemos por ela, pensando estar lutando pelos interesses da coletividade. Mas no fim, um empresário trancafiado em um escritório luxuosos e refrigerado em sua gigantesca mansão, terá a sua privilegiada condição de vida ampliada por causa de milhões de ingênuos a acreditar que a empresa dele seria a porta voz de nossos interesses. Povo tolo. 

A imprensa é o nosso Don Quixote. Move moinhos, mas não resolve problemas. Mas é considerada a nossa maior "salvadora". Mesmo que seja para nosso mal.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Nosso salário mínimo é inconstitucional

Alguém precisa urgentemente lançar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) para o nosso salário mínimo. Vejam o Artigo 7, inciso IV de nossa Constituição Federal, lei máxima de nosso país e a qual todos devem obediência e adesão:

Constituição Federal do Brasil

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;

Alguém pode me dizer como é possível satisfazer todas essas necessidades com apenas R$ 540,00, prometidos para o próprio governo? Um estudo concluiu que a felicidade custa cerca de R$11,000 e tenho absoluta certeza que se todos os trabalhadores de qualquer nível ganhassem o mesmo valor, daria para que todos ganhassem os onze mil imaginados pela pesquisa, com todos vivendo bem. Mas tem gente que adora essa desigualdade.

Posso parecer que estou exagerando, mas não, ao dizer que nosso salário é uma escravidão remunerada. E de que adianta Bolsas Família, Bolsas Disto, Bolsas Daquilo. Gente, isso é esmola. E esmolas não são dignidade para ninguém, além de estimularem um crescimento monstro da natalidade, estimulado pelas regras do benefício, o que poderá gerar um gigantesco colapso social, maior do que já existe, graças ao excesso de demanda por emprego, serviços e bens. Melhor que não tivesse essa esmola toda.

O que deveria ser feito? Melhorar a distribuição de renda, tirando o excesso dos ricos e dando para os pobres, que não possuem nem o mínimo necessário para sobreviver e pagar suas contas. Aumentar o salário mínimo não basta, já que ele é o referencial financeiro para todos, para quem ganha pouco e para quem ganha muito.

Se os ricos prestassem mais atenção ao que eles gastam ao que eles consomem, vão perceber que não precisam de cerca de 70% do que possuem. De que a ganância e o egoísmo não param de gerar estragos gigantescos em nossa economia. Pena que a maior parte dos economistas prefira ignorar isso, propondo soluções escalafobéticas para "distribuir" renda.

Nananinanina! Tem que ser como Robin Hood mesmo! Ser implacável com imposto dos ricos, procurando reduzir seus privilégios, proibindo presentes gratuitos a famosos, entre outras medidas que possam criar um limite a já ilimitada capacidade de enriquecimento dos ricos.

Senão as coisas continuarão como estão, com uma falsa redução das desigualdades sociais, gerada por miseras esmolas paliativas que não resolvem a vida de ninguém e muito menos melhoram a situação econômica de nossa sociedade.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O PT criou o neo-direitismo

Uma gigantesca onda de neodireitismo tem surgido nos últimos meses de forma irresponsável. Com base em boatos e falsas convicções, jovens começaram a acusar os erros dos governos direitistas usando as justificativas mais absurdas, num total desconhecimento de fatos históricos e do cenário atual da política.

Concordo que os governos petistas estão errando muito mais do que acertando. Mas isso tem criado um ódio coletivo que se transformou numa histeria sem limites que deseja condenar os governos petistas não pelos erros que eles cometeram e sim pelos que eles NÃO cometeram.

E tudo isso há um culpado: o próprio PT e sua incompetência de governar. A incompetência é tanta que o partido só conseguiu governar se aliando com forças retrógradas como a do PMDB e de outros partidos. Na verdade o PMDB é que merecia ser atacado por tudo isso que está aí, mas o PT teve a responsabilidade de se deixar ser governado pelo partido mais sanguessuga da história política brasileira.

O PT, do contrário que os direitinhas assumidos e enrustidos teimosamente insistem em crer, desde que ocupou a presidência, nunca pôs em prática o Socialismo. Nem pode, pois a Constituição Federal estipula o Capitalismo como sistema político-econômico no Brasil. Aliás, o Socialismo verdadeiro nunca foi posto em prática em lugar nenhum. Os que atacam o Socialismo por pensar que é isso aí que se apresenta sobre este nome, sinceramente, é um analfabeto em História.

Os erros cometidos pelo PT são tipicamente capitalistas. Corrupção, desvio de dinheiro, má aplicação em recursos, projetos mal bolados, soluções paliativas para problemas crônicos, esses e outros erros, não são característicos do Socialismo. Dentro das mais capitalistas empresas vemos esses mesmos erros acontecerem. Até porque o Capitalismo é que permite erros desse tipo, por envolver grande circulação de dinheiro.

Desconfio que esse papo de que o PT errou por ser "socialista" é uma tentativa subjetiva de tentar derrubar o Socialismo usando o PT como bode expiatório. Muitos dos direitinhas lambe-gravatas confiam cegamente nos Grandes Empresários e fazem de tudo para não criticá-los ou desagradá-los, talvez com a "esperança" de serem um dia contratados pelas empresas que esses poderosos homens gerenciam. Interessante que os Empresários causam um incalculável estrago em nossa sociedade, mas ninguém se dispõe a culpa-los por isso.

Creio eu que se o PT fosse de fato socialista, esses erros não aconteceriam. Até porque, para começo de conversa, as alianças com as forças retrógradas da política nunca teriam acontecido. E se não tivesse cometido esses erros, não teríamos essa onda burra de direita, onde fatos históricos são distorcidos para que uma minoria de privilegiados continue sendo privilegiada, arrastando junto um enorme exército de puxa-sacos a desejar algum retorno depois disso.

O PT errou, claro que sim. Não venham os petistas ficarem com esse papo "estamos com Dilma e não abrimos", pois os puxa-sacos da presidente vem com outra histeria, diferente, mas tão intensa e delirante quanto a histeria de direita. Enquanto petistas distorcem fatos atuais para dizer que "o Brasil vai bem", direitistas distorcem o passado para colocarem em seus algozes a culpa pela incompetência de integrantes de um partidinho e seus asseclas.

Tanto a histeria dos petistas quanto a histeria dos direitistas se baseiam em mentiras para criar suas convicções. Na verdade são dois grupos nada interessados no desenvolvimento do país, preferindo defender cada um a sua classe, seus interesses exclusivos e suas ideologias mortas. Todos os dois lados estão errados, porque na verdade são duas faces de uma só moeda: a da incompetência petista, que prefere resolver problemas com paliativos e fazer acordos estranhos com políticos de não-confiabilidade comprovada.

Petistas e direitistas, unidos para afundar de vez o Brasil. E la vão eles, junto com seus ídolos e tutores, fugindo para bem longe em seus barquinhos.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O "direito" de ser melhor que os outros

O povo brasileiro não tem noções corretas de bondade, heroísmo e exemplo de vida. Trata religiosos, empresários e celebridades como se fossem benfeitores da humanidade e despreza os intelectuais que alertam a população para os erros e problemas corriqueiros e que por causa de nossa inércia, estimulada pela mídia e regras sociais, permanecem intactas e sem previsão de encerramento.

Para muitos, os "heróis" são na verdade pessoas que angariam simpatia por batalharem em prol do interesse próprio, servindo como exemplo de sucesso para a sociedade. São os "heróis de si mesmos": não salvam ninguém, não melhoram a sociedade, mas são os vencedores particulares desse sistema competitivo e e excludente.

Mas porque cultuar alguém ou algo que seja melhor que os outros? Não seria mais justo admirarmos alguém que colabore para que a sociedade seja cada vez mais igualitária? Porque admirarmos alguém que faz justamente o contrário, tomando para si os benefícios que deveriam ser repartidos igualmente entre as pessoas? Porque admirarmos alguém que colabora para que tudo permaneça como está, melhorando apenas através de paliativos que só resolvem por alguns instantes?

Todos querem vencer na vida. Mas parece que para a maioria, vencer, não é ter acesso a uma vida digna e sim, ser melhor que os outros. Aquele que consegue superar a maioria é ovacionado, amado, respeitado e tratado como uma espécie de semi-deus. São os faraós da modernidade, aqueles que ganharão o direito de opinar sobre tudo e tomas as rédeas da sociedade infantilizada, cada vez mais precisando de uma "babá" que lhes diga o que deve ser feito.

Em contrapartida, como eu disse, os intelectuais são desprezados. Estudiosos da sociedade, cientistas, são solenemente ignorados, tratados como "pessoas de mal com a vida", por alertarem sobre todos os erros que duram anos em nossa sociedade e nunca  se acabam. Gente como Noam Chomsky, que alertando sobre as injustiças do Capitalismo, é tratado como uma espécie de "Cassandra de Tróia", cujos conselhos foram abafados pela beleza imponente do cavalo de Tróia. O Capitalismo sabe muito bem como criar cavalos de Tróia para iludir as massas. Em 2014 teremos um grande cavalão a deslumbrar as massas.

Toda vez que alguém tenta dar conselhos, mas sem a autoridade da visibilidade que a mídia e as regras sociais garantem, nunca é ouvido e em muitos casos chega a sofrer chacota, pois o fato de não ter visibilidade o transforma em um "Zé Ninguém", alguém que não merece ser ouvido.

Do contrário, pessoas com o excesso de visibilidade, perfeitos formadores de opinião, não defendem mudanças reais para a sociedade, já que muitos deles se beneficiando de tudo isso que está aí, principalmente dos erros e injustiças. Até porque, se alguém tem o "direito" de ser melhor que os outros, é porque existe muita gente em má situação.

Devemos cultuar ideias e não pessoas. Se um fulano se deu bem na vida, parabéns a ele. E ele que se dane! Curta bem os seus privilégios e pare de encher o saco do resto da humanidade, além de tomar conhecimento de que o que lhe foi dado, pode - evai - muito bem ser tirado.

Paremos de cultuar também pessoas que nada fazem para mudar a sociedade, repartindo de maneira igual todos os benefícios ao nosso alcance. "Sangue azul" não existe e tirando os bens materiais, somos todos exemplares de uma mesma espécie, com os mesmos direitos e necessidades.

As pessoas que querem ser melhores que as outras devem ser solenemente ignoradas, para que a auto estima excessiva delas possa murchar e devolvê-las a realidade de que elas sempre vivem fugindo.

Os "grandes líderes da humanidade" nada tem a dizer se nada fazem por melhorias reais de todos, não apenas dos "súditos que o aplaudem.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Não há motivo para os "coxinhas" ficarem revoltados!

A vitória de Dilma Rousseff só piorou ainda mais a onda de ódio que marcou as reações dos capitalistas e simpatizantes do Capitalismo. Os lambe-gravatas, puxa-sacos de empresários que acham que os ricos tem o "direito" de mandar nas vidas de todos os cidadãos, vão continuar desfilando sua ignorância histórica e seu etnocentrismo preconceituoso a níveis bastante fascistas, desejando inclusive a morte de quem não pensa como os riquinhos e seus simpatizantes. Um verdadeiro show de histeria irresponsável.

Mas é muita histeria por nada, pois não vejo prejuízo nas classes abastadas. Os empresários continuam ditando os rumos da sociedade, usando a mídia e mais ainda as televisões para dizer o que os brasileiros devem pensar, gostar e fazer. Se houve algum empresário que perdeu dinheiro, não foi por causa dos governos petistas. E boa parte dos Grandes Empresários estão muito bem, obrigado, tratando presidentes da República como capachos, ganhando rios e mais rios de dinheiro e ainda pagando salário de fome aos trabalhadores que eles contratam.

Dilma, é verdade, continua mentindo, dando a impressão que estamos cada vez melhores. Não estamos. Pobres continuam pobres e ricos continuam ricos. Os pobres apenas ganharam um poder maior de consumo (muito mais por causa da estabilidade econômica da moeda lançada por FHC) e a "distribuição de renda" se resume a verdadeiras esmolas conhecidas como bolsas, também inventadas pelo FHC, considerado pelos "coxinhas" (essa ente endinheirada que quer mostrar seu desvalor) como o "melhor presidente brasileiro de todos os tempos. Porque criticar o PT por projetos criados pelo PSDB? Memória falha!

Aécio, que apesar de neto de Tancredo, é filho ideológico de FHC, era a esperança dos "coxinhas" para a "volta" do empresariado ao poder. Volta, como? Se os empresários nunca saíram do poder?

Na verdade, ver o PT, partido formado por "um bando de pés-rapados" é o que chateia os direitistas brasileiros, que gostariam de ver governos ocupados por representantes de sua nobreza. Mesmo que sejam burraldos que adorem futebol (esporte oficial dos tolos), musica brega e encham a cara, se tiverem diplomas de cursos superiores e "sangue azul", seria o ideal. Aécio era a personificação desse tipo de "sangue azul".

Como não há um motivo aparente para a burguesia estar assim tão revoltada (já que ela continua com seus privilégios intactos), somente o elitismo e o desejo de ver "sangue azul" (azul de PSDB!) na presidência pode justificar essa ânsia doentia de querer o PSDB de volta ao poder.

A burguesia gostaria muito de ser governada por um representante de sua classe (mesmo que ele não tenha classe nenhuma, como o farrista Aécio), já que, pelo que acredita essa burguesia, ela não seria traída. Infantilmente, os "coxinhas" se sentira traídos por Dilma Rousseff, que por incrível que pareça, continua a governar para os ricos, permitindo doa pobres o acesso apenas ao consumo e a uma esmola que estimula a preguiça e o  irresponsável descontrola da natalidade.

Pra quê os ricos e seus puxa-sacos continuarem odiando os governos petistas? Dilma está fazendo justamente o que eles querem, enganando os pobres com paliativos e mantendo a má distribuição de renda com um salário mínimo evidentemente inconstitucional. E tudo isso com os Grandes Empresários, imunes e presos em seus pedestais de ouro, sempre a pensar que a vontade particular deles é a vontade de toda a humanidade.

Risível pensar que vivemos em um país socialista. Somente os tolos, sejam os tolos de direita, sejam  os tolos de "esquerda", acreditam nessa lorota.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Elite burra e odiosa pode ter sido principal motivo para a derrota de Aécio

E finalmente o resultado se deu. Mais 4 anos de Dilma. Claro que entre os dois que sobraram no segundo turno, a Dilma é a "menos ruim", já que o programa do PSDB só agrada a uma pequena minoria da população brasileira. Mas candidatos com propostas bem melhores acabaram perdendo o primeiro turno por falta de visibilidade.

Durante o primeiro turno, a campanha foi marcada por uma ação psicologicamente violenta por parte dos cabos eleitorais de Aécio, onde memoria e conhecimento histórico foram literalmente jogados no lixo. Um bando de mensagens agressivas e completamente alienadas foram colocadas para derrubar Dilma e os petistas, não com críticas sensatas sobre os erros reais dos governos petistas, mas inventando defeitos. Mensagens tentando "mostrar" que o PT seria pior do que realmente é.

Que os governos do PT erraram feio, isso é fato. Não faltam argumentos para serem usados para provar que os governos petistas foram um fracasso. Era desnecessário ficar inventando tolices como "PT é nazismo", "PT é ditadura", "Socialismo não presta por que o PT não presta", pois motivos não faltavam para o PT ser rigorosamente criticado. 

Jovens ricos derrubam mito de que "rico é sinônimo de inteligente"

As mensagens alienadas e agressivas lançadas por jovens da elite sócio-econômica nas redes sociais prova que a nossa elite não é tão inteligente como tradicionalmente se pensava. Muitos jovens tem subido na vida de modo bastante fácil. Filhos de ricos, herdam fortunas, bens e empregos de seus ancestrais. Os de classes pobres, com a inclusão que se encontram, sobem também rapidamente, mesmo co alguma dificuldade. 

Em ambos os casos, o nível educacional é negligenciado, pois o que interessa é ganhar dinheiro, consumir e adquirir poder de influência social. Da inteligência, pega-se apenas o rótulo. Ser inteligente é ruim porque exige esforço, mas parecer inteligente é muito bom porque angaria respeito e dá poder.

Essa juventude alienada, sem conhecimento histórico, preferiu a histeria. Para derrotar seu "inimigo" a elite juvenil lançou mão daquilo que mais sabia fazer: não saber de nada. Inventar tolices sem sentido, divulgar em larga escala um monte de absurdos que um bom estudo de História iria provar ser uma farsa. Foi um terrível exagero que manchou a reputação de nossa elite, além de destruir de uma vez o mito tolo de que rico é sinônimo de inteligente.

O desespero de não ter que dividir renda, de usar os meios de comunicação como porta-vozes de uma elite cada vez mais excludente e gananciosa, entre outras "medidas", fizeram essa elite de fraldas rugir feito asno e dar um tiro no próprio pé, favorecendo, do contrário que desejavam, a derrota de seu representante político.

Se a elite achou que o rótulo de "inteligentes" iriam protegê-los, permitindo que agissem feito ignorantes ("pra quê agir com inteligência, se eu já sou inteligente?", devem ter pensado muitos deles), desfilando uma rajada de bobagens. Mas vejo que isso foi um tiro na culatra, pois com o segundo turno, a esquerda sensata (maioria não-petista, como eu) contra-atacou com críticas sensatas contra os exageros da elite juvenil.

E o resultado não pode ser outro. As mensagens insensatas logo começaram a ser contestadas com sensatez, pois estava torrando a paciência do mais tranquilo monge esses papos que não passam de versões "high tech" dos arcaicas histerias anti-comunistas comandadas por Joseph MacCarthy nos Estados Unidos dos anos 50, coisa típica de sociedades muito atrasadas, como um neo medievalismo.

Não é à toa que chamavam de "caças as bruxas", aos moldes do que se fazia na era medieval. Nada mais medieval que o capitalismo brasileiro e suas empresas-feudo. Se o Capitalismo francês tratou de eliminar a era medieval, o Capitalismo brasileiro deseja imensamente o retorno à Idade das Trevas.

Capitalismo é ditadura e trata liberdade como mercadoria

Tradicionalmente nossa juventude detesta ler e detesta ainda mais estudar História. Esses fatores foram cruciais, mesmo que indiretamente, para a derrota de Aécio Neves. Seguros da fama de "inteligentes" que a elite sempre teve, acharam que as teorias conspiratórias lançadas contra o PT, agregadas da falsa sapiência dos estudantes das mais caras escolas, iriam garantir a eleição do candidato da elite, fazendo-nos crer que o Capitalismo é o melhor caminho para a democracia. Outro engano.

O Capitalismo é uma ditadura. Sim, e isso é fato. É uma ditadura diferente, mas é uma ditadura. Onde ricos são os únicos que tem direitos plenos e que explora ao máximo as outras classes que na prática, só existem para lhes servir. 

A liberdade, no sistema capitalista é tratada como mercadoria. Só é livre quem paga o que os poderosos querem. E somente ricos são totalmente livres. As relações sociais no Capitalismo são as mais predatórias possíveis. Onças famintas convivendo com dóceis ramsters. Como achar que um sistema assim é "perfeitamente democrático".

PT nunca foi socialista

O chamado "Socialismo" do PT nunca existiu. Os governos do PT foram altamente capitalistas. Se erraram, erraram como capitalistas. Todos os casos de corrupção ocorridos são tipicamente capitalistas. E não vi nenhum projeto autenticamente de esquerda nos governos petistas. Até a forma de inclusão social por meio de "bolsas" (herança de FHC, do PSDB, esquecidos!) não me parece muito socialista, já que a verdadeira inclusão social deveria seguir a lógica de "ensinar e dar condições para pescar" e não uma grande esmola a estimular o desemprego voluntário e o descontrole da natalidade.

PT ferrou com o Capitalismo? Nem um pouquinho. Não conheço um único grande empresário que se ferrou por causa dos governos petistas. Eike Batista? Não, não foi o PT que o fez perder dinheiro e sim incompetência administrativa do próprio empresário, que preferiu ser o mais rico do mundo do que acumular e administrar renda de forma sensata. Digo isso porque entendo de Administração. O que aconteceu com ele teria ocorrido do mesmo jeito em um governo tucano.

O Socialismo, aliás, nunca foi posto em prática. O sistema criado por Karl Marx era justo e muito bom. Os soviéticos deturparam tudo e em nome do Socialismo fizeram governos sem liberdade e sem progresso, gerando uma má fama que acabou fortalecendo ainda mais o injusto e cruel Capitalismo.

Vitória de Dilma é vitória da mesmice

Coma vitória de Dilma, o Capitalismo suave do PT continuará agindo como sempre. Não esperemos novidades, pois duvido que Dilma lance alguma nova medida em seu novo mandato. Ficaremos do mesmo jeito que nos últimos 4 anos, com descontrole da natalidade, problemas resolvidos com paliativos e/ou com projetos malfeitos conhecidos com denominações através de siglas e a decadência cultural e educacional causadas pela inclusão irresponsável de jovens muito mal educados, uns preferindo empinar os seus rabos em eventos de gosto duvidoso, enquanto outros (também chegados os mesmos eventos, acreditem!) vivem de bombardear idiotices de direita na tentativa desesperada de se manterem no poder.

A essa elite juvenil, um recado: fiquem tranquilos, vocês nunca sairão do poder. Apenas, com essa atitude desenfreada, conseguiram destruir o conceito que sempre achei errado, de que vocês eram inteligentes só porque eram ricos. Nas periferias há muito mais jovens que dão um banho em conhecimento histórico, mesmo com a imensa dificuldade que possuem para frequentar uma escola, decidindo estudar por conta própria. Pensem nisso. Não uma, mas milhões de vezes.

Até porque com cabos eleitorais como esses, simultaneamente ignorantes e elitistas, não há cidadão sensato que queira votar no candidato deles.

domingo, 26 de outubro de 2014

PT e PSDB são quase a mesma coisa


Vamos ser maduros e reconhecer que não existem mais ideologias. Não existe Socialismo, Comunismo ou qualquer coisa similar. Vivemos e sempre vivemos no mais puro Capitalismo. Porquê? Porque a política vive a base de dinheiro. Como todo mundo aqui.

O que vai contar mesmo é como os governos movimentam o dinheiro, como eles ganham, como eles gastam, de onde receberão o dinheiro, para onde vai, etc. Nenhum dos dois que sobraram querem saber de ideologias. Eles farão sempre a vontade de Grandes Empresários brasileiros ou estrangeiros, os verdadeiros donos do poder e eles que ditam todas as regras, usando a televisão como reguladora das opiniões coletivas.

É infantilidade boba querer atacar ou defender candidatos por meio de ideologias. Aprendamos de uma vez que o dinheiro (capital) é que sempre governou o país, não importa qual seja partido ou candidato.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O problema da Meritocracia

Muito se tem falado sobre Meritocracia. Para quem não sabe, Meritocracia, em tese, é quando alguém conquista uma posição social por base do esforço e do acúmulo de conhecimento. Até aí, nada demais. O problema é como essa Meritocracia é posta em prática.

Os defensores da Meritocracia acreditam que o sistema meritocrático é justo porque os "vencedores" (sei de razões que me obrigam a colocar aspas nessa palavra) são julgados de maneira objetiva, analisando suas aptidões e seu conhecimento. Mas os mesmos defensores se esquecem de algumas coisinhas. 

- As regras para essas conquistas são elaboradas subjetivamente pela classe dominante, composta por seres humanos tão falhos quanto os que eles pretendem julgar.

- Desconhecemos a trajetória de muitos "vencedores" e muitos deles podem ter "vencido" não pelos seus méritos, mas por satisfação subjetiva dos interesses de quem os julga, já que os "vencedores" fazem tem o privilégio de fazer as regras, que nem sempre são justas, já que há o desejo de não ferir os próprios interesses.

- Todos os seres humanos tem direitos básicos, que não costumam ser respeitados na Meritocracia.

- Competitividade é sinal de atraso, é coisa adequada ao Reino Animal. Se há competição, é porque um benefício não está sendo devidamente distribuído. A prática prova que sociedades mais atrasadas são mais competitivas, mesmo que essa competitividade seja praticada e defendida pela elite dessas sociedades atrasadas (e quem disse que elite não é ignorante?).

- E será que os critérios para a escolha dos vencedores são realmente justos? A grande ênfase dada ao comportamento durante as entrevistas de emprego (cujo entrevistador é um ser humano, com defeitos), em detrimento da observação das capacidades do candidato, tem contribuído muito para a queda na qualidade de produtos e serviços, praticados pro profissionais sem um mínimo de talento ou vocação. 

Esses fatores tem demonstrado que a Meritocracia exige um gigantesco senso de justiça para ser posta em prática. Um senso de justiça que nem os maiores juristas do Brasil possuem de fato. Algo que pode ser visto apenas em sociedades realmente  evoluídas, como a escandinava.

O Brasil está muito longe de por em prática qualquer tipo de melhoria, Políticos, empresários, celebridades, religiosos, esportistas e outros tipos de lideranças, vivem de oferecer promessas vazias respaldadas pelos seus prestígios sociais. Há muito tempo essas promessas tem se mostrado sem resultado. 

O que mostra que continuaremos com uma Meritocracia cada vez mais injusta e ineficiente, onde burros de gravata ditam regras para  que inteligentes obedeçam sem murmurar. 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Direita odiosa e desinformada sofre chacota em blogues e redes sociais

Acabou-se o que era doce. O aparente triunfo da elite ignorante que por desconhecer completamente a historiografia da humanidade, vivia despejando teses incoerentes a respeito do Socialismo e das ideologias de esquerda, foi colocada em xeque, pois sua ignorância brutal está sendo criticada em blogues e redes sociais.

Já era tempo. Homéricas asneiras vem sendo espalhadas pela direita, no mais absoluto desconhecimento histórico, para destilar seu ódio pelo Socialismo, se aproveitando do fracasso dos governos petistas. Os direitistas ignoraram sobretudo que o PT traiu o Socialismo, se aliando com partidos de direita e absorvendo práticas e ideias capitalistas. 

Para integrantes e simpatizantes da direita odiosa, não somente o PT representava o mais autêntico Socialismo (o que não é verdade), como toa e qualquer linha de esquerda teria que ser responsabilizada pelos erros cometidos pelo PT. Ora, vejam só: Karl Marx tendo que pagar pelos erros cometidos por Lula, Dilma, Zé Dirceu & CIA, personalidades que não existiam no tempo em que ele escreveu, junto com Friedrich Engels o excelente livro Das Kapital.

Marx não deveria pagar pelos erros dos pétistas

O Socialismo como um todo nunca deve responder pelos erros petistas. nada há de errado no Socialismo, a não ser o fato de que nunca foi posto realmente em prática. Não pensem que o sistema retrógrado que foi implantado na antiga União Soviética e copiado por Cuba e por países do leste europeu e alguns asiáticos. Não era isso que Marx definia como Socialismo.

Mas o PT sequer copiou esse sistema. apesar de ter relações amigáveis com Cuba, o sistema visto no Brasil é mais uma forma morna de Capitalismo, digamos não-selvagem. Até mesmo os erros cometidos pelo PT tem muito de capitalista. Achar que o erro do PT foi ser "autenticamente socialista" é de uma alienação sem tamanho e falta total do senso de observação.

Até porque a corrupção praticada usou muito das prerrogativas capitalistas, de acúmulo de dinheiro e favorecimento de cúpulas, algo que para os bem informados é tipicamente capitalista. 

Socialismo petista? Aonde, meu filho?

Eu nada vi de "autenticamente socialista" nos governos petistas e essa acusação feita pelos direitistas é um sinal de que as elites estão emburrecendo. Talvez com a inveja do emburrecimento das classes menos favorecidas. Pelo menos estas tem a humildade necessária para estimulá-los a abandonar a burrice, já que a pior coisa que existe é uma elite ignorante, que nunca quer aprender por acreditar que sabe tudo. sabe nada, inocente!

Mas tem horas que a incoerência tem que dar um basta. Após o encerramento do primeiro turno, começaram a aparecer críticas sensatas ao desfile de asneiras direitistas. A elite, metida a saber de tudo, deu um histérico show de ignorância histórica que eliminou de vez a sua reputação. Esse show de truculência burguesa não deveria permanecer eterna.

E isso é típico de uma sociedade como a nossa, que tem preguiça de ler livros, odeia conhecer fatos históricos, além de ser altamente crédula (talvez por estímulo da religiosidade, que é alta em nosso país), construindo suas convicções com base no que dizem, mesmo que vá contra a evidências.

A elite também sabe ser troglodita

A soma desses fatores fez com que este ódio se tornasse ainda mais irresponsável. Tudo bem ser contra o PT. O PT traiu a todos, fez governos de péssima qualidade e não trouxeram a mudança prometida em suas campanhas. Estimulou o próprio emburrecimento da sociedade, que como um verdadeiro Frankestein, se volta contra o seu criador de maneira bastante agressiva.

Mas uma coisa é ficar revoltado com o desempenho do PT. Isso é justo e altamente democrático, observando o contexto. Outra é se aproveitar disso para exorcizar os demônios interiores adormecidos nos corações de uma elite que detesta seres humanos, acha justa a desigualdade social e vive bajulando empresários, economistas, intelectuais e líderes de direita, muito mais preocupados em agir como versões carne em osso do Tio Patinhas, acumulando fortunas para ficar adorando-as dentro de imensos cofres, vizinhos de mansões imensas e solitárias.

Essa elite mostrou que além de mais insensível do que se pensava, é burra e grotesca. Trogloditas de terno capazes de jogar seus cérebros no lixo na tentativa de preservar interesses particulares. Isso não deveria ficar impune. Por isso é bom que esta gente endinheirada que despreza o seu valor receba as críticas mais duras que puder. Duras, mas sensatas.

Não vamos distorcer fatos

Essa verdadeira aula do que não se deve fazer em matéria de conhecimento histórico deve ser descartada. Novas gerações não podem absorver uma versão falsa da História, tão real quanto os personagens de quadrinhos ou as divindades das religiões. Fatos nunca merecem ser ignorados. Esse ódio direitista estava a ponto de cometer um grave erro de distorcer fatos para favorecer seus interesses. O Capitalismo sempre lançou mão de muita mentira para favorecer suas posições, mas o que se viu recentemente extrapolou qualquer tipo de mal-caratismo político.

Se o direitismo está voltando à moda, na intenção de preservar os interesses e as "conquistas" de uma elite burra, está fazendo isso da pior maneira. A direita finalmente mostra a sua cara feia e o seu desejo insaciável de prejudicar maiorias para preservar minorias. Vai pagar bem caro pela desinformação pseudo-sábia que anda difundindo.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Votarei em Aécio, mas ai dele!

Infelizmente, vamos ter segundo turno entre Aécio e Dilma.

Não vou com a cara desse Aécio, playboy metido que usa o sobrenome do avô para se promover, embora ele prefira ter FHC, o homem que vendeu o Brasil, como mentor ideológico.

Terei que votar nesse crápula porque não quero Dilma de jeito nenhum.  Votar em Dilma e querer que as coisas continuem do jeito que está.

Se bem que com Aécio, retomaremos os "bons tempos" de privataria, onde várias empresas brasileiras foram vendidas apreço de banana para os estrangeiros que desconhecem a nossa realidade, interessados apenas numa mão de obra que seja barata e cegamente obediente. São os gringos dizendo como a gente deve comer, dormir, transar e até mijar.

Eu preferia um segundo turno com Aécio e Marina, mas como os malandros do bolsa família decidiram que a sra. Flintstone deve continuar no poder. O playboyzinho vai ganhar meu voto.

Pelo menos, ele assusta mais a Dilma que a frágil Marina. A derrota da Marina, somada com a morte de Eduardo Campos, gera muitas suspeitas que é melhor averiguar.

Mas vai ser bom Aécio ganhar para ele ferrar com o Brasil e calar a boca desses direitinhas alienados, que só tiram nota zero em História, pois vão sentir o gosto amargo de ver seu ídolo na situação e fora da oposição.



Vou votar nele, mas vou cobrar dele feito um cão rottweiler! Que ele ao menos ferre o Brasil estando sóbrio, porque de presidente governando bebum o país tá cheio.

domingo, 5 de outubro de 2014

Escolha seu candidato

O candidato dos que querem andar para trás:



A candidata dos que querem ficar parados:



A candidata dos que querem andar para a frente:


Bom voto. Escolha aquele que te fará feliz.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O desinteresse por História cria histéricos

Nosso sistema educacional é exclusivamente direcionado ao mercado profissional. Engana-se que as escolas estejam se empenhando em formar o caráter e o senso critico dos jovens. Há indícios claros e incontestáveis de que isso não esteja sendo feito na prática. Estudo, para a grande maioria, só vale a pena se servir para emprego. Se não for, descarta-se.

Por isso mesmo as disciplinas onde os estudantes se dedicam mais são aquelas que podem garantir o sucesso profissional. Todos sabem que áreas de exatas e biológicas rendem os melhores salários. Apenas poucas humanas, apenas aquelas ligadas diretamente a defesa e satisfação de interesses de poderosos, como Direito, Economia e Publicidade, podem fazer parte dos objetivos profissionais dos jovens interessados apenas em garantir a sua sobrevivência nas selvas de pedra.

Por essas e outras que o aprendizado de História é bastante desestimulado no Brasil. Além de estar relacionada a profissões sem prestígio e que pagam salários baixos, a disciplina exige um esforço que os jovens de hoje se recusam a ter, justamente por pensar que aprender sobre fatos históricos é algo inútil. Não é, e seu aprendizado adequado ajudaria muito a entender o que acontece nos dias de hoje.

Não é de surpreender que os jovens de hoje tenham problemas de memória e queiram construir suas convicções sobre o passado cada um ao seu modo. Cada um construindo o passado a seu gosto, ficcional, mas confortável, satisfazendo os interesses particulares de quem os cria.

Daí nascem as histéricas teses que distorcem a compreensão do mundo e fazem com que absurdos pareçam realidade. A religião tem feito isso há séculos e os brasileiros, povo altamente religioso, tem aprendido com ela a não pensar, a apenas acreditar. E como fiéis que criam deuses e dogmas a seu bel prazer, até mesmo ateus lançam mão de teses ficcionais para satisfazer interesses particulares.

Um  acontecimento ocorrido no Facebook nos últimos dias ajuda a entender isso. A raiva dos erros de governos petistas tem criado um neo-macartismo nos cérebros tupiniquins que anda dizendo verdadeiras asneiras sem sentido como a de comparar o Socialismo ao Nazismo sem que tenha acontecido algum fato que pudesse supôr esta tese absurda.

Essa tese começou a ganhar força quando Danilo Gentili, humorista ruim de convicções direitistas, capitalista fanático, começou a espalhar este absurdo. E como hoje em dia o valor do que se é dito está no prestígio de quem fala e não na lógica dos fatos, a tese acabou ganhando força. É tratada como verdade pela grande maioria dos usuários do Facebook, cada vez mais inclinados para as retrógradas ideias do Capitalismo mais selvagem.

Luciana Genro, candidata do PSOL, ao ser entrevistada pelo humorista, ao ser questionada pelo mesmo que usava a tal tese estranha, ela argumentou sensatamente pedindo que Gentili (que tem o saudável hábito de ser gentil) para que estudasse melhor os fatos históricos.

Como não vi o vídeo (e não pretendo ver, pelo menos até o fechamento desta postagem), não sei a reação do humorista. Sabe-se que ele não deve ter cedido, já que vivemos em uma sociedade em que opinião é tratada como patrimônio: ninguém gosta de mudar de ideia, porque soa derrota, sendo ruim para o ego. Mas os internautas do Facebook zombaram de Luciana Genro, defendendo o humorista e o direito de não se estudar.

Este episódio mostrou como é ruim ser ignorante e mais perigoso dar poder de voz a um, distorcendo os fatos, fazendo colocar mentiras no lugar de verdades, só para satisfazer uma cambada de burros privilegiados.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Petistas traíram o Socialismo

Os desinformados de direita que querem difamar o Socialismo simplesmente porque os governos petistas foram desastrosos, não conhecem a doutrina fundada por Karl Marx e que nunca foi posta em prática, sequer pelos superestimados soviéticos, chineses e cubanos. Os erros petistas foram justamente erros típicos do Capitalismo e tenho a certeza que se um capitalista fosse colocado no lugar, iria cometer exatamente os mesmos erros.

O PT pode até ter sido no início um partido de esquerda. Mas seus integrantes perceberam, após derrotas consecutivas nas eleições, que teriam que se aliar com partidos de direita para vencer e conquistar o poder. Partidos como o PL e o PMDB foram o trampolim ideal para que Lula e sua turma pudesse chegar à Presidência da República. O PMDB tem se revelado verdadeiro mentor dos petistas e se torna imune às críticas sofridas, embora seja o principal (talvez exclusivo) responsável por tudo de ruim que vemos nos governos petistas.

O PMDB é que deveria ser hostilizado

O PMDB é um clássico partido de direita moderada. Costuma se aliar com outras forças, pois é detentor da maior bancada partidária do congresso e da câmara. Na ditadura militar (sem o "P" inicial), se tornou um balaio de gatos ideológico, abrigando qualquer um que estivesse contra os governos militares (que agiam a mando dos EUA, para quem não sabe), mas sem poder de voz nos governos de então. Com o fim da ditadura e a volta dos partidos, o PMDB se tornou o que conhecemos agora, um vírus a ponto de se apoiar nas costas alheias.

Os desavisados que criticam o Socialismo, achando que o sistema esquerdista é isso que está aí, desconhecem totalmente os fatos históricos, preferindo se divertir com o desmedido ódio ao PT, se esquecendo que quem realmente estragou os  governos petistas foram os partidos de direita, sobretudo o PMDB. Uma pesquisa mais detalhada pode provar que as regras que fizeram os governos petistas a agirem como agiram sempre fizeram parte da cartilha do PMDB. Fora alguns traços copiados dos governos anteriores de Fernando Henrique Cardoso, ídolo máximo dos críticos ao PT, e que estranhamente e com frequência vive se auto-rotulando de "esquerdista" nas entrevistas.

Tirem o Socialismo dessa farsa petista!

O que Lula e Dilma, junto com seus inúmeros associados, fizeram foi agir de boa fé, confiando nas forças direitistas que se intrometeram em seus governos. Erraram sim, e muito e mostraram total incompetência. Mas isso não é motivo para acusar o Socialismo de ser desastroso. Até porque não é.

O Socialismo seria uma excelente ideia, se fosse posta em prática. Nunca foi. Os soviéticos que agia em nome do Socialismo, nunca seguiram a rigor as ideias de Karl Marx, preferindo uma estranha "ditadura do proletariado" que estimulou uma não freada decadência do leste europeu, além da mania doente de estatizar tudo. Algo ruim, pois sabemos que governos não podem administrar tudo, primeiro porque não tem competência para isso, segundo, porque tem muitas atribuições para se ocupar.

Como o nome diz, o Socialismo tem a sociedade como meta (e o capitalismo, o "capital", o dinheiro - prefere, um sistema em que seres humanos vivam bem ou que o dinheiro viva bem?) e originalmente defendia uma vida igualitária onde a renda seria melhor dividida e o estado mais responsável. Mas aí vieram os supostos seguidores e deturparam tudo, fazendo essa bagunça toda que fez nascer um ódio contra o sistema, estimulado pelos ricos detentores do poder desinteressados em repartir renda.

O Melhor Capitalismo erra mais que o pior Socialismo

O que vamos agora é um festival de contradições, pois o Capitalismo tido como "solução" erra muito mais que o pior Socialismo, pois trabalha exclusivamente pelo bem estar dos mais ricos e crer nessa utopia de que ele permite que todos se enriqueçam é um a tolice idiota e alienada.

E os erros petistas foram sim, erros capitalistas, pois só há corrupção quando há uma gorda quantia de dinheiro. E isso só é possível se tiver grandes capitalistas por trás, especialistas tradicionais em qualquer tipo de corrupção. Os capitalistas só se esqueceram de ensinar os petistas a esconder a corrupção. Mas para quem confia nos homens mais ricos do país, sinto dizer que muita roubalheira está para acontecer. E muito pior que esta, com um volume maior de dinheiro rolando pela sarjeta. Quem viver, chorará.