segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O fracasso dos projetos de mobilidade urbana

Quem usa o discernimento de maneira adequada, observa os fatos e pode dar um diagnóstico real do que acontece ou pode acontecer. Mas quem não raciocina, acostumado apenas a acreditar no que dizem, levando em conta apenas o prestígio de quem diz, acaba sendo enganado e pode se decepcionar mais tarde vendo a sua crença ruir.

Quando foram anunciados os projetos de mobilidade urbana, foi aquele alvoroço. Quase todo mundo comemorou como se fosse a chegada de um bombeiro a apagar algum incêndio. Eu não me entusiasmei muito, e ao demonstrar minha desconfiança, fui duramente criticado e humilhado.

Mas eu sabia em que terreno eu estava pisando. Sabia que uma fórmula pronta criada para um determinado lugar, não poderia ser implantado aleatoriamente em qualquer localidade. Mas era um projeto lindo, com aparência imponente, que deslumbra os olhos de quem vê. Uma lindeza!

Mas e a praticidade desse modelo, surgido em Curitiba a quase 40 anos e que fracassa inclusive em sua terra natal? Será que um modelo feito para 1974 serve para o século XXI? Claro que não!

A realidade de Curitiba em 1974 era muito diferente da atual. Mesmo não conhecendo a cidade, acredito ser impossível imaginar que nada tenha mudado por lá desde então. Mas é este mesmo projeto que está sendo vendido como novidade pelo país afora, como se ele tivesse sido criado na semana passada.

Deu-se um novo nome a ele, BRT, Bus Rapid Transit (em inglês mesmo para enganar incautos e incultos) e lá foram os responsáveis, incluindo o seu inventor, o político Jaime Lerner, para "vender seu peixe".

Uns adoraram, como os cariocas, tratando o projeto como se ele fosse a solução única, moderna e definitiva para os problemas de mobilidade. Uma festa. Outros nem tanto, como os soteropolitanos, já descontentes com as obras de metrô que nunca se concluem e realistas perante os problemas tradicionais do transporte na capital baiana.

Mas o que é fato é que em todas as cidades que tentam adotar tais projetos, há problemas que fazem com que a mobilidade urbana nesses lugares se destine ao inevitável fracasso. Em quase todos, a população decidiu fazer o oposto: largou os ônibus e encheram as ruas de automóveis. Inclusive Curitiba, berço do "Imaculado" BRT.

O transporte do Rio de Janeiro, como pude observar, pirou assustadoramente. Na frota municipal do Rio, quase todos os ônibus estão sucateados. Em Niterói, começa a acontecer a mesma coisa, com o aumento do sucateamento da frota municipal e parte da intermunicipal. A colocação de uniformes em frotas de ônibus, prática inventada por Jaime Lerner, inspiradas nos veículos militares, se revelou na verdade um meio de garantir a corrupção entre políticos e empresários de transporte, através da omissão da identidade das empresas operadoras de transporte.

Mas como a sociedade não é tola, ou pelo menos está aprendendo a não ser tola, cada cidadão vai aproveitando as facilidades das compras de automóveis (que até estão relativamente baratos, principalmente os semi-novos, encontrados a bons preços) e garantindo o seu meio de transporte particular. Interessante o governo fazer propaganda de mobilidade urbana ao mesmo tempo em que facilita a compra de automóveis por meio da redução de impostos e de burocracia.

E com isso, continuaremos com os velhos engarrafamentos. Os projetos deveriam ser muito melhor planejados, respeitando características próprias de cada cidade e a infra-estrutura existente (evitando obras onerosas). O foco deveria ser no transporte de trilhos e os ônibus deveriam ser espalhados pela cidade(com muitos terminais em cada cidade, distantes uns dos outros), não centralizados em um lugar, como no modelo curitibano.

Dá para perceber que esse papo de mobilidade urbana não passa de um modismo e de uma forma de embelezar cidades para agradar turistas. Se os projetos fossem realmente eficientes, os cidadãos teriam com absoluta certeza, largado seus automóveis e prestigiado o transporte público, evitando os engarrafamentos cotidianos que, pelo jeito, não tem prazo para se encerrar.

Tudo isso eu já sabia. Bastava terem me ouvido e evitado.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

25 anos da Constituição Federal do Brasil

Este último final de semana comemorou-se o aniversário de 25 anos da promulgação da Constituição Federal do Brasil, conjunto de leis que regem a nossa sociedade e que é conhecida como "Carta Magna" por submeter a ela todas as outras leis que surgirem.

A Constituição é o nosso bem maior. Não é perfeita, mas procurou incluir nela todo o básico que uma sociedade - em tese - democrática precisa para se orientar. Em maior parte dos itens, houve a preocupação prioritária em anular todos os malefícios gerados pela ditadura militar, encerrada 3 anos antes.

É um conjunto de leis que merece o nosso respeito e que deveria ser seguido pela sociedade, pois justamente muitos erros de nossa sociedade está, ou na não observância das leis, ou em sua má compreensão (o que gera interpretações equivocadas) ou até mesmo no seu não cumprimento. Muitas leis impostas na marra, sobretudo por prefeituras, resultam de interpretações erradas das leis, ou do desprezo à Carta Magna.

Bom, a Constituição está aí. Os protestos lançaram até uma discussão se deveríamos lançar uma nova. Creio que não é necessário. As emendas já servem como atualização (e a própria Constituição prevê essa emendas como elemento atualizador ou corretor). O que precisamos mesmo é levá-la a sério e analisá-la friamente para evitar más interpretações.

Pelo menos temos um conjunto de leis que, mesmo imperfeitas, foram criadas para nos beneficiar.