quarta-feira, 24 de julho de 2013

A Família Irreal

O nascimento do filho do Príncipe William e sua repercussão mostram que ainda existe um fanatismo cego pela Família Real britânica. Este fanatismo talvez seja estimulado pelos contos de fada que falam sobre príncipes e princesas. Mas isso, levado à realidade, representa uma incoerência sem tamanho.

A importância da Família Real britânica é nula. Na verdade ela é mais nociva do que benéfica, se comportando como autêntica parasita dos cofres públicos ingleses. Seus integrantes mesmo que trabalhem (os homens da família seguem carreira militar, o que não os faz melhores nem piores do que seus supostos súditos), não fazem nada de relevante que possa justificar toda a admiração que recebem, caracterizada por um endeusamento desnecessário. 

O culto à Família Real britânica não tem explicação lógica. É como acontece com a religião (interessante como o nascimento do filho de William ter ocorrido no mesmo dia em que o Papa Francisco chegava ao Brasil para a sua primeira viagem fora da Itália), no mundo todo e com o futebol no Brasil: o culto é a razão de ser do próprio culto, que não possui motivação racional. Em todos esses casos, o estimulo midiático e social ao culto é o que explica o próprio culto.

Sou um republicano. Monarquias só combinam com o passado remoto, exceto quando o monarca realmente governa. No caso da Grã Bretanha, isso não acontece. Na verdade, a realeza britânica é um ponto turístico em forma de gente: sua existência só pode ser justificada pelo turismo. Puro enfeite.

Mas nem sei se vale a pena manter essa gente excessivamente rica e excessivamente inerte, como símbolo máximo da terra dos anglo-saxões. Está mais do que na hora da Grã Bretanha se levar a sério e dar enxada para estes personagens de fantasia começarem a produzir coisas realmente úteis ao povo britânico. Um dos impostos mais caros do mundo não deve existir para sustentar um bando de inertes. 

Que um dia a Grã Bretanha se torne república, para o bem de todos aqueles que vivem longe dos gloriosos castelos. A realidade dos ingleses não merece uma família tão irreal assim.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Projeto de revitalização do centro de Niterói ignora adequação de infra-estrutura

A prefeitura de Niterói, cidade onde moro, está empenhada em fazer obras de revitalização do centro de Niterói, principalmente na parte norte, atualmente abandonada. Entre as mudanças planejadas para a revitalização está a instalação de uma grande quantidade de prédios altos (cerca de 40 andares), que tem gerado muita polêmica.

Além de propor a construção de um número muito grande de espigões (nome dado a prédios bem altos), a infraestrutura necessária para o bom funcionamento da área revitalizada não faz parte dos planos. Empresas e organizações que poderiam ser responsáveis pela infraestrutura alegam não ter sido notificadas sobre algum planejamento a respeito. O que significa que, se depender da prefeitura, tudo será feito no improviso, construindo por construir, sem observar se a área está pronta para receber toda a revitalização e se vai funcionar bem após as obras concuídas.

Pode ser que este projeto de revitalização, na verdade, não tem nenhuma intenção de melhorar a vida dos niteroienses e sim satisfazer a especulação imobiliária, ganhando muito dinheiro com a venda de terrenos, casas e de salas e apartamentos dos prédios construídos. Algo que tem sido muito comum aqui em Niterói, onde se derruba casinhas para construir grandes prédios, mas com estruturas de luz, água e de trânsito, etc., mais adequadas a casinha que existia antes.

O Ministério Público (sempre ele, a única instituição 100% confiável e que quase ia perder seu poder de ação - palmas para o MP!!!) entrou com ação para impedir o início das obras de revitalização do centro, exigindo um projeto que levasse em conta toda a infraestrutura necessária para tal. A prefeitura diz que a infraestrutura foi leva em conta para os projetos, mas as empresas responsáveis dizem que desconhecem isso. Estou do lado dessas empresas, pois está na cara que o projeto da prefeitura foi malfeito, visto os danos causados pela especulação imobiliária que está sendo feita em Icaraí e que posso ver todos os dias escancarado diante dos meus olhos.

Vamos ver como - e quando - esta novela termina. Tomara que as empresas responsáveis pela infraestrutura sejam ouvidas. Nelas trabalham técnicos especializados que conhecem os danos de obras mal planejadas e que sabem que se tudo for feito de maneira exagerada, ao invés de melhorar a qualidade de vida, como se propõe a prefeitura em seus argumentos, a coisa piore cada vez mais, estragando ainda mais a - falsa - fama de IDH alto que a cidade possui.

terça-feira, 9 de julho de 2013

O apoio das elites aos protestos e o apoio da sociedade à elite

Estava lendo o excelente texto de meu xará, Marcelo Semer, que fez uma observação importante: os manifestantes se limitaram a criticar os políticos. E os Grandes Empresários, de mãos dadas com a política publica e integrantes daquilo que eu chamo de política privada?  Porque isentá-los da vilania?

Infelizmente, nesta onda de neodireitismo gerado pela raiva - justa - pelos erros dos governos petistas, quase todo mundo se esqueceu dos abusos cometidos pelos Grandes Empresários, donos do poder e manipuladores da sociedade, cuja única razão de viver é fazer de tudo para serem melhores que o resto da humanidade. 

Em outros países a sociedade não se limitou a criticar políticos, sobrando também para os Grandes Empresários, já que lá, o povo conhece as manobras dos bastidores do poder.

Para muitos - e tive a infelicidade de escutar e/ou ler defesas apaixonadas aos Grandes Empresários - os homens mais ricos do país são tratados como se fossem meros trabalhadores. Como se eles fossem iguais a eu e você, que acorda cedo todos os dias para sofrer diariamente em busca de um mísero pedaço de pão. QUALÉ??!!!

Como imaginar que homens com o poder absoluto nas mãos, capazes de comprar tudo - e todos - fossem respeitados como trabalhadores braçais, os mesmos que eles remuneram com o escravista salário mínimo que vigora em nosso país? Isso enquanto ganham uma excessiva e supérflua fortuna que não lhes serve para nada além de uma postura arrogante (ou falsamente modesta, como no caso de alguns, como os similares a Luciano Huck, um ricaço igual aos outros, mas metido a "amigo dos pobres") de se achar melhor do que os outros, com mais direitos do que o resto da sociedade.

Se esquecem a população que os políticos mais corruptos SEM EXCEÇÃO também são empresários. Que empresários entram sem avisar em sedes de governo e falam grosso com qualquer integrante dos três poderes, inclusive o executivo. Que as leis nunca são aprovadas sem a aprovação ultra-restrita dos Grandes Empresários e em caso de reprovação, políticos são eliminados feito barata diante de inseticida. Ou acham que foram mendigos e pobres estudantes que tiraram Collor do poder em 1992, após o confisco da poupança que estragou os interesses dos ricaços?

E o mais estranho. Como se estivessem agradecendo o apoio incondicional da sociedade, os donos do poder apoiaram estranhamente os protestos. Parece que todos começaram a achar que os donos do poder estavam isentos da responsabilidade de tudo de errado que está em nosso país. Eles não só tem responsabilidade como são os principais responsáveis pelos erros, pois as leis em um país capitalista como o nosso - AINDA CAPITALISTA, COM PT E TUDO, VIRAM? - sempre tiveram cuidado em não ferir os interesses dos homens mais ricos do Brasil.

E porque este apoio estranho das elites? Simples, pela esperança que nada irá mudar nesse país. A vitória da "seleção" na copa diante da atenção maciça da população em uma época em que deveria haver desprezo ao supérfluo futebol mostra que os poderosos, todos patrocinadores da CBF (os jogadores de futebol não são mais os garotinhos pobrezinhos que jogam num terreno baldio, sabiam?) ainda estão com as rédeas e com condições de manipular a população a seu favor. 

E felizes em saber que seu poder se manteria intacto (até porque em caso de gravidade, a polícia e as forças armadas sempre estará do lado da elite para lhes proteger), resolveram apoiar os protestos e angariar a simpatia da população subserviente. 

Que bonitinho. A elite ainda se mantém intacta em sua capacidade de proselitismo e cada vez amada por uma sociedade que não sabe quem são os Grandes Empresários, confundindo-os com a gente humilde que costuma pegar ônibus junto com a sociedade. Quanta ingenuidade. Aguardem o golpe de facada pelas costas. Ele acontecerá, cedo ou tarde, em hora inesperada.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Leitor critica sabiamente a prefeitura de Niterói

No último domingo, no caderno de Niterói do jornal O Globo, na sessão de cartas, um missivista criticou abertamente o prefeito Rodrigo Neves, que na minha opinião nada fez de relevante para "mudar" a cidade, como foi dito no slogan de sua campanha.

Além de continuar a construir prédios e mais prédios (estragando a infra-estrutura da cidade, piorando serviços de água e de luz e causando engarrafamentos), principal erro do prefeito anterior, o "rocker" Jorge Roberto Silveira, Neves só irá maquiar na aparência, tornando a cidade onde eu moro mais bonita, mas sem resolver os principais problemas que insistem em permanecer. Neves, infelizmente, poderá representar para Niterói o que João Henrique representou para Salvador.

Acrescento ao missivista, de quem concordo plenamente, que Neves não irá resolver os problemas de mobilidade urbana. Além de jogar no lixo o projeto de Lerner, aproveitando apenas o pior ( a transformação da Avenida Roberto Silveira, muito larga, em mão única e uniformizar o visual de todos os ônibus municipais), desistindo de construir os cinco terminais que ajudariam a desafogar o engarrafadíssimo Terminal João Goulart, no centro da cidade.

Outra coisa: O centro que ganhará 250 espigões se situa em cima de um aterro, o que não é a mesma coisa do que construir sobre a parte continental, de solidez garantida. Quero ver se o aterro aguentará uma grande quantidade de prédios enormes e pesados.

Clique na foto para ler a carta escaneada de jornal. A Rua Noronha Torrezão mencionada nela faz esquina com a rua onde eu moro, o que me transforma em testemunha ocular dos engarrafamentos que viraram rotina na rua, não apenas nos horários de pico.