quarta-feira, 17 de abril de 2013

O fracasso da ditadura militar e o sucesso da ditadura midiática

Fico pasmo com a imobilização social que vejo nos dias de hoje. As pessoas estão cada vez mais ignorantes, passivas, conservadoras e nem mesmo a internet conseguiu colocar alguma vontade de mudança nas mentes dessas pessoas, que preferem usar a grande rede apenas para afirmar e confirmar todos os valores retrógrados que aprenderem por outros meios, principalmente através da televisão, ainda a grande tutora da humanidade.

É um cenário que os responsáveis pela ditadura militar gostariam de ter visto. Os Grandes Empresários que administram os meios de comunicação e os que patrocinam, conseguiram fazer, sem derramar sangue, sem causar um único arranhão e sem causar prisões, muito mais do que queriam os militares que estiveram no poder entre 1964 e 1985 em nosso país.

A população brasileira em sua maioria está completamente alienada, intelectualmente inerte, se esforçando apenas para manter vivos valores retrógrados que não combinam em uma época de desenvolvimento tecnológico que caracteriza a nossa atual década. Enquanto máquinas avançam, nos andamos para trás, retomando todo o cenário duvidoso da América macartista que dominou os anos 40 nos EUA.

Se os militares tivessem previsto o que acontece no mundo de hoje, não teriam apelado para tanta violência e negação de direitos. O que vemos hoje é muito mais cruel do que víamos nos anos 60, já que mesmo com toda a violência, as mentes continuavam produtivas. Era moda ser inteligente na segunda metade dos anos 60. Hoje, pelo contrário, ser inteligente é ser marginal. Legal é ser burro e imitar o que a maioria faz de errado.

E como os poderosos conseguiram isso? Através dos meios de comunicação, ainda bastante confiáveis para a sociedade como um todo. Mesmo que as denúncias e críticas à ditadura midiática aumentem, ainda estamos bem longe de vê-la distante de ser uma forma de manipulação das mentes humanas, além de reguladora dos costumes sociais. As pessoas ainda obedecem ao que é dito na mídia oficial como se ela fosse porta-voz da sociedade. O que ela não é há muitas décadas.

Por acreditar que aquilo que vê nas novelas, nos telejornais, nos artigos de uma revista, por exemplo, é um retrato da população, o público acaba desenvolvendo uma confiança cega na mídia oficial, transformando em lei permanente aquilo que é dito nesses meios. E esta confiança cega acaba por moldar as convicções das pessoas que creem que o que foi induzido em suas mentes, nasceu por iniciativa delas mesmos, o que não é verdade. Psicólogos confirmam que é possível implantar ideias nas mentes das pessoas de uma forma a fazer que estas pessoas creditem que tais ideias nasceram de suas próprias mentes. Os discursos midiáticos são construídos dessa forma.

E aí vemos o que estamos vendo: uma população burra, alienada, conformista, conservadora, avessa a discernimento e com o hábito de reprovar tudo que seja intelectual, sobretudo os próprios intelectuais, preferindo seguir as orientações de celebridades e líderes vazios e mais interessados em criar um exército de escravos de seus interesses particulares, que a sociedade crê como interesses dela.

E bingo! A sociedade brasileira dos sonhos de qualquer ditador está pronta. Sem precisar de um só ato de violência ou negação de direitos. Uma sociedade imobilizada a satisfazer os interesses de poderosos de todos os tipos, guardiã dos valores duvidosos que mantém intactos a satisfação desses interesses.

E quando a sociedade se livrará disso? Não sei quando. Mas só se livrará no dia em que criar a coragem de se divorciar da mídia, da influência de líderes ou ídolos e dos valores duvidosos que ela difunde e que infelizmente a sociedade ainda os tem como valores positivos e salutares, pelo menos para uma sociedade submissa, crédula e intelectualmente inerte, detentora de uma cultura de hábitos burros e de muito mau gosto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.