segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ainda não nos acostumamos com a democracia

Há exatos 49 anos, começava um dos períodos mais desagradáveis da História brasileira: instalava a ditadura chefiada pelos militares, iniciativa sugerida pelo governo americano para impedir que o Brasil, além de outras nações latino-americanas se transformassem em "novas Cubas".

Para quem pesquisar na internet, terá acesso a inúmeros textos a respeito, para entender o quão nocivo foi esse período para o país. Mas leiam com cuidado, pois cada texto tem a sua visão, muitos deles cheios de mitos e defendendo cada um o seu lado. A objetividade e a isenção pessoal são necessárias para se entender friamente o episódio.

Mas falar sobre a ditadura militar não é o propósito desta postagem e sim entender como as pessoas estão encarando até hoje a redemocratização do país. E pelo jeito os brasileiros ainda não se acostumaram com a redemocratização, por mais utópica que seja uma democracia verdadeira.

Nos anos 90 até hoje, sinto que a população não se livrou das sequelas da ditadura. Não sabe aproveitar a liberdade que tem, após passar longo tempo acostumado a receber ordens e ter medo de autoridades. Até hoje temos medo daqueles que entendemos como líderes. Culturalmente - não somente no sentido das artes, mas no nossa maneira de encarar o cotidiano - estamos regredindo. O medo nos fez submissos, acomodados, preguiçosos e conservadores. Ficamos avessos a grandes mudanças. Esperamos sempre que algum ídolo, santo ou herói faça o papel de babá e resolva os problemas que recusamos a resolver. Ou que temos medo de resolver.

Claramente, a população brasileira, cada vez mais submissa a regras sociais e à mídia (a reguladora das regras sociais), dá sinais de que ainda não se recuperou da ditadura, ainda incapaz de andar com as próprias pernas. Mas não percebe isso, pois está tão acostumado a agir assim que pensa que tudo está dentro da normalidade.

E os políticos se aproveitam disso, claro com uma ajudinha da grande mídia e do dinheiro de Grandes Empresários, que se aproveitando de um povo fragilizado, abusam para que possam enriquecer e ganhar mais poder. Muitos até se inspiram na ditadura para impor medidas sem consulta popular e que a médio prazo acabam prejudicando a população. A turma das prefeituras e governos do PMDB, estranhamente o partido de oposição na ditadura militar, gosta de impor medidas desta forma. Já que o povo inerte permite...

E o que fazer para mudar isso? Não se sabe. A gente até tenta através de blogues e redes sociais a encorajar que as pessoas abandonem a alienação e o conformismo. Mas é difícil, pois muitos de nossos hábitos consagrados estimulam esse tipo de comportamento estagnado. O jeito é esperar a sociedade se amadurecer e se livrar de uma vez por todas das sequelas da ditadura militar. 

Pelo que se percebe, isso poderá levar muitas décadas. Muito mais que os quase 50 anos que geraram esse estrago enorme e de e difícil cura.

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