quarta-feira, 27 de março de 2013

Comercial honesto do Banco Imobiliário Cidade Olímpica

Para quem não sabe, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, na tentativa de se mostrar "simpático" as crianças, resolveu fazer um acordo (como?) com a Estrela, tradicional fabricante de brinquedos, para criar uma versão pessoal do famoso jogo Banco Imobiliário (Monopoly, no original), como uma discreta - mas nem tanto - propaganda das obras para a copa e a olimpíada que, segundo o prefeito, vão "melhorar" a cidade - na verdade uma maquiagem , pois os problemas estão aí - ganhando assim uma melhoria em sua imagem, já manchada pela capacidade de tomar decisões autoritárias.

O jogo rendeu muita polêmica por inúmeros motivos. Além de servir de propaganda pessoal, desconhece de que maneira a prefeitura conseguiu o acordo para colocar o seu nome no jogo. Fala-se em uso de dinheiro público no acordo. Não se sabe. O que se sabe é o que o jogo irritou as pessoas de bom senso e que não adianta mais esconder o caráter publicitário da prefeitura do Rio no jogo.

Então, encontrei um vídeo interessante que mostra como seria uma propaganda honesta de venda do jogo, mostrando o seu verdadeiro caráter e colocando no mesmo, jogadas que possam mostrar o que é feito realmente nos bastidores dos governos. Afinal tanta alegria por esta copa e por esta olimpíada não é para o benefício da sociedade, não é Paes?

segunda-feira, 25 de março de 2013

Cabral, Paes & CIA: democracia não é com eles

O episódio ocorrido na última sexta-feira para a expulsão dos índios da Aldeia Maracanã, patrimônio cultural que ajudava a divulgar e preservar a cultura indígena e que abrigava algumas tribos, foi mais um dos muitos episódios tristes da gestão pemebedista do governo e prefeitura do RJ, mostrando que mesmo com pressão de toda a sociedade e de instituições ligadas ao Poder Judiciário, Eduardo Paes e  Sérgio Cabral Filho estão sempre indispostos a diálogos, sempre prevalecendo a opinião e decisão deles, por mais gente que seja prejudicada com isso.

Cabral e Paes são famosos por tomar decisões sem discutir com a sociedade, impondo na marra e lançando mão até da violência policial para que seus interesses pessoais não sejam contestados. Ignoram apelos, derrubam monumentos e parques ecológicos, desafiam juízes e são capazes de passar por cima da lei para que possam fazer o que querem. Isso em nome da democracia, imagine se não fosse em nome dela.

Falam que o que fazem é para interesse público, mas está na cara que é para agradar turistas e os organizadores que virão para a copa de 2014, razão de ser de todas essas medidas e que só servem na verdade para promover a imagem dos ditos senhores ao mundo e a "História", como responsáveis pelas "melhorias" (leia-se maquiagem) que favorecem o estado como ponto turístico.

Mas para isso, muita coisa realmente essencial tem sido derrubada para que estas obras possam acontecer. Se estão pensando que o desespero de Cabral pelos royalties do petróleo são a favor da população, estão sonhando. Cabral e Paes contam com o dinheiro dos royalties para concluir as obras para a copa. Lembrando que priorizar a copa já é em si uma ideia tola, pois futebol é laser, é supérfluo. Ninguém morrerá se o futebol, considerado pelos cariocas como um dever social,  for extinto. Só de suicídio pela falta do "lazer querido". O que não seria uma má ideia, pois ignorantes e chatos não servem para viver.

De qualquer forma, a truculência de Cabral e Paes está manchando a carreira deles. Mas eles não se importam com isso e muito menos com as críticas. Ao encerrar a copa, encerrará os mandatos e tudo voltará a mesma, com os velhos problemas intactos (ou até piorados) e os governantes bem longe daqui, muito provavelmente em uma bela praça de Barcelona, inspiração para toda essa cirurgia plástica que está sendo feita na cidade.

Mas uma crítica construtiva aos dois: não dava para perguntar à sociedade antes de tomar qualquer atitude, seja lá qual for? Daria, mas vocês não querem... Fazer o quê?

quarta-feira, 20 de março de 2013

Como os governos petistas fortalecem o neodireitismo

O texto desta postagem é uma relíquia. Não vi até agora ninguém discutir o tema do ponto de vista que será discutido aqui. Será uma boa oportunidade de análise fria e objetiva sobre o cenário político/econômico que acontece na atualidade.

Como falei nas postagens anteriores, a decepção resultante da atuação populista e paliativa dos governos petistas tem gerado uma verdadeira epidemia neocapitalista, com simpatizantes cada vez mais numerosos desse sistema injusto, excludente e enrustidamente autoritário, que só beneficia os ricos e seus simpatizantes.

Mas porque agora, no Brasil explode esta nova onda de "cabeças duras" neocapitalistas? Que o motivo são os pífios governos petistas, não resta a menor dúvida. O que resta é analisar como foi que isso foi acontecer. Até para não defender nem o governo, nem o Capitalismo, que poderá voltar planamente ao poder através do "galã-canastrão" Aécio Neves.

O populismo dos governos petistas

Para quem não sabe, populismo é quando um governante finge defender o interesse dos seus tutelados, mas sem  melhorias reais, além de tomar medidas baseadas nas convicções desse governante, fazendo com que os tutelados pensem que estão sendo ajudados quando na verdade não estão.

E os governos petistas tem sido altamente populistas. Embora não assumam, tratam a situação humilhante do pobre como se isso fizesse parte da vida dos mais carentes. Confundem precariedade com simplicidade. Acham que a essência do povo pobre é isso que está aí. Tanto é que, sem condições de melhorar a qualidade de vida dos mais pobres a curto prazo, cometeu a malandragem de reclassificá-los como "classe média" se baseando exclusivamente no consumismo. Como se um pobre, analfabetizado e sem infraestrutura pudesse subir de classe só porque tem um celular e uma TV de plasma.

E é esta malandragem que tem feito esta estagnação social que piora a cada dia a evolução social de toda a humanidade brasileira. Mas não é isso que tem favorecido o neodireitismo, até porque os simpatizantes do Capítalismo querem mais que o povo pobre morra de indigência.

O que os neodireitistas chiam é que eles enxergam nos governos petistas, uma priorização, mesmo falsa, da "melhoria" das classes populares. Para eles, os capitalistas mereciam mais privilégios. Mais do que já possuem? Os Grandes Empresários tem sido muito bem tratados nos governos petistas e se eles chiam, estão vomitando em nos pratos que comem.

Mas para os neodireitistas, ter no governo, integrantes de um partido que não se simpatizam, já é um bom motivo para condenar os governos petistas. Para os novos simpatizantes do Capitalismo, os petistas não passam de um bando de analfabetos (sic), que nãop sabem governar. Para os neodireitistas, o governo deveria ser conduzido por pessoas de nível superior, como se um pedaço de papel pudesse resolver os maiores problemas do país.

Pedaço de papel, sim, pois há anos se tem verificado que não basta ter o nível superior para ter sabedoria. Aliás tenho visto muitos ignorantes de nível superior. Muita gente burra muito bem formada, e com doutorado. Como tenho nível superior e conheço a rotina das faculdades, basta fazer um trabalho em grupo (capacidade de sociabilização conta mais do que inteligência, neste caso) e cumprir os deveres impostos pelo corpo docente que a aprovação em qualquer disciplina é imediata. Ou vamos fingir que só entra ou sai nas faculdades quem é inteligente? A prática mostra que isso é um mito bem falso.

O motivo que faz os governos petistas estimulem essa nova onda de direita ainda não é bem claro. Sabe-se que é subjetivo, pois de um modo ou de outro, mexe com os interesses de capitalistas e de seus simpatizantes, que não querem abrir mão dos privilégios que possuem. E atenção, já que os direitistas tem um poder assustador.

Quem não se lembra do confisco no governo Collor? Acham que foram os meros estudantezinhos (90% mais interessados em matar a aula e usar os protestos como "carnaval" fora de época) que tiraram o hoje senador da presidência? Na-na-ni-na-ninha! Foi a elite, que se sentiu prejudicada com o confisco que tomou a iniciativa pelo impedimento. Se Collor, por mais corrupto que tenha sido, tivesse evitado o confisco, teria concluído seu mandato numa bôua, numa "nice". Afinal ele, um Grande Empresário, também era (e ainda é, apesar dos acordos com os governos petistas) de direita.

Por este exemplo, temos que ficar atentos a essa onda de neodireitismo. O Capitalismo é excludente e seus adeptos são gente que não tem medo nem ética para prejudicar quem quer que seja, pois eles são anti-humanistas. 

Mas que o fracasso dos governos petistas deu munição para a explosão desta ideologia mesquinha chamada Capitalismo, ah, deu. E pelo que se ver as coisas poderão piorar ainda mais. Quem viver, chorará.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Patriotismo ou qualidade de vida?

Ocorreu um plebiscito nas Ilhas Malvinas, hoje conhecidas como Falklands, para que a população decidisse se preferia ficar sob o domínio dos ingleses ou entregassem a ilha para os argentinos, já que a ilha se situa no território portenho. O resultado saiu e a população preferiu os ingleses.

Muita gente não deve ter gostado do resultado, mas pelo que sei, pesou muito a qualidade de vida que caracteriza o fato de serem governados por uma nação evoluída como a inglesa. A qualidade de vida falou mais alto que o abstrato sentimento de patriotismo.

Os neodireitistas vão querer dizer que é um protesto contra a presidente Christina Kirshner que defende a ley de medios, para freias os abusos dos donos de meios de comunicação. Com a mais absoluta certeza, o plebiscito nada tem a ver com isso, mas a imprensa vai puxar a brasa para a sua sardinha. A ley de medios é justa e a imprensa precisa ter limites para impedir abusos, sempre nocivos a sociedade.

Voltando ao povo das Falklands, concordo com a decisão. Fui uma decisão madura. Argentinos sempre foram muito mais politizados que os brasileiros. Estes agora enfiaram em suas vazias cabecinhas que "cidadania" é empinar o traseiro na televisão, "qualidade de vida" é consumismo e "honra" é ver a "seleção" conquistar uma taça em uma copa de futebol, uma mera forma de lazer. No Brasil, um plebiscito similar iria preferir deixar tudo como está, sob o domínio enrustido dos americanos que mandam nos Grandes Empresários brasileiros, em nada interessados no bem estar real da população.

E o povo brasileiro, trouxa, iria preferia os símbolos cívicos do que a qualidade de vida, naquela ideia retrógrada de "morrer pela pátria". Pátria é uma entidade abstrata, uma mera divisão feita pelos seres humanos e que só é notada de fato quando olhamos para mapas. Países podem se separar ou se juntar, dependendo das circunstâncias.

Lembram da União Soviética? Ela se fragmentou, hoje não existindo mais. Se essa fragmentação acontecesse no Brasil (o que na minha opinião, iria resolver boa parte dos problemas do Brasil, um país que não sabe aproveitar a sua grandeza territorial), ia ser tratada como uma heresia imperdoável, já que os ignorantes foram educados a tratar essa unidade geopolítica como "divinal". Com os outros, tudo pode, com os brasileiros, fica tudo como está, com problemas "resolvidos" apenas com paliativos que na verdade não resolvem nada, ressuscitando os velhos problemas a todo minuto.

Os brasileiros no passado, cometeram o grave erro de tratar os invasores franceses e holandeses como "vilões". Nada contra os portugueses, apenas lembrando o fato de que fazem parte de uma nação que para os padrões europeus é considerada atrasada. Mas já imaginou o Brasil sendo colonizado por franceses e/ou holandeses? Teríamos uma mentalidade muito diferente da  gororoba mediocrizante que caracteriza o pensamento coletivo do brasileiro de hoje e que nos faz crédulos, alienados e totalmente submissos.

Os argentinos que vivem na Falklands preferiram a realidade concreta à abstração patriótica. sabem que estar sob o domínio de uma nação mais evoluída melhora a sua qualidade de vida, transformando ailha em um pedacinho da Europa em continente sul americano.

O verdadeiro patriotismo não é adorar símbolos e territórios, abstratos e completamente alheios ao nosso cotidiano. É lutar pelo bem estar da população que vive sobre o mesmo território, não deixando que uma só pessoa fica privada de seus direitos mais básicos. Preferir ser fiel a abstrações é uma sinal de imaturidade que ainda precisamos nos despir definitivamente.

Os argentinos das Falklands largaram a sua chupeta. Quando iremos largar a nossa?

terça-feira, 12 de março de 2013

Revista Caros Amigos demite funcionários após greve

Apesar de ser anti-capitalista ferrenho, nunca confiei cegamente nessa esquerda que está aí. Faz parte da natureza humana a defesa de interesses próprios, já que está incluída na lei de conservação que permite a nossa sobrevivência. Quando a coisa aperta, o egoísmo vem a tona e que se dane o resto, importa é cada um estar bem. Por mais que a esquerda dioga que não, eles pensam também desta maneira, talvez não com a arrogância dos capitalistas, mas com o mesmo desejo de ver seus interesses satisfeitos.

Para muitos foi uma surpresa a demissão de grevistas da editora Casa Amarela, que publica a Caros Amigos. Para mim, nem tanto. Uma revista cuja editora tem acordo de distribuição com uma empresa do grupo Abril, a DINAP e que contrata como principal articulista de "cultura" da revista um funqueiro (não há nada mais capitalista que aprisionar o povo pobre na ignorante "cultura" popularesca, sobretudo o grotesco "funk" carioca, como se o acesso a uma cultura de qualidade não fosse direito dos pobres), cedo ou tarde iria tomar uma atitude como essa.

O Brasil é um país capitalista, e essa condição é garantida por lei. Os governos petistas continuam fazendo Capitalismo, só que abrandando a selvageria resultante da ganância dos Grandes Empresários. Não adianta dizer que os petistas fazem Socialismo porque não fazem mesmo. E uma revista como a Caros Amigos não poderia ser 100% socialista num cenário como esse. Alguma concessão teria que ser feita para que pudesse ser distribuída pela Abril dos Civita. E "endireitar" a seção de lazer é uma excelente (para eles) ideia, já que a manipulação da cultura tem sido uma ótima forma de domesticação do povo pobre.

E essa atitude de demitir grevistas mostrou o que está por trás da revista. Aliás, só o fato de ter surgido essa greve já sinaliza isso.Pode até ser que a Abril, na pessoa do DINAP , tenha influenciado na ideia de demissão. Todo mundo se considera socialista e democrata quando lhe convém, mas na hora do aperto, todos correm para as gravatas e ternos importados dos capitalistas. Sabem todos que o dinheiro que vai alimentar a sobrevivência de todos está não mão desses grandes senhores do capital. Talvez seja por isso que ninguém reclama dos abusos dos empresários.

Resta deixarmos aqui o nosso apoio aos funcionários demitidos. Isso mostra que o Socialismo de fato nunca existiu no Brasil. O que há é uma caricatura malfeita inspirada na apodrecida e decadente União Soviética dos bolcheviques e que se tornou chacota dos neocapitalistas que lutam para que apenas os ricos tenham os seus privilégios (que eles tratam como direitos básicos) respeitados.

Esse episódio foi bem mal para a reputação da revista. Talvez tenhamos que abrir os nossos olhos e não confiar mais em qualquer um que se propõe a falar em nome da população.

Parece que o novo lema da revista mudou para "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Triste.