terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Socialismo vai mal? Vai. Mas não tentem resolver com o Capitalismo senão a coisa piora

A visita da blogueira Yoani Sanchez acendeu os debates entre esquerdistas e direitistas. Enquanto esquerdistas exageraram nas críticas, chegando até a ameaçar agressões contra a blogueira (que de fato representa os interesses de capitalistas), direitistas exageraram do outro lado, transformando a dita cuja em heroína e tentando de todo modo dissociá-la do Capitalismo, como se estivessem protegendo da luz solar utilizando uma peneira.

Ambos os lados vem exagerando muito na defesa de suas teses. Os governos petistas espalham a todos os campos que estão distribuindo renda através de "bolsas" que o bom senso caracteriza como meras esmolas, além de definir a burrice das classes menos escolarizadas como nova forma de "inteligência".

Enquanto isso, os direitistas, incluindo os maiores empresários do país e seus simpatizantes, continuam a estimular o consumo, aumentar preço e enganar a população com produtos de qualidade cada vez pior e preços cada vez mais altos, sem elevar salários e mantendo o regime escravocrata do salário mínimo para funções básicas em suas empresas. Quem tem bom senso sabe que o nosso salário mínimo não paga todas as necessidades básicas de quem ganha, necessidades garantidas pela constituição apenas na teoria. Para quem ganha apenas salário mínimo é obrigado a viver de favor, a se unir com outra pessoa que também trabalhe ou negociar fiados e doações, senão morre. Pode até ser exagero acusar os Grandes Empresários de assassinato, mas o sistema que eles controlam contribui muito para a morte de muitos indigentes.

Do outro lado, a impossibilidade (incompetência? medo?) de enfrentar os interesses dos Grandes Empresários para melhorar a distribuição de renda, fez com que o governo petista lançasse mão de uma malandragem para dizer que estava eliminando a pobreza: reclassificou o povo pobre como "nova classe média", usando unicamente como critério o consumismo. Mas o povo pobre continua tão alienado como há muitos anos e se tornou ainda mais burro do que as gerações anteriores. Burrice que não consegue ser resolvida com o acesso a internet, já que todos sabem que os incultos só usam a internet para escrever besteira e consultar notas sobre futilidades. Reclamem de mim, mas não digam que isso não é um fato.

Tanto as esquerdas como as direitas estão erradas. Ambas, agindo de forma até oposta, partem da mesma raiz: de que o pobre deve permanecer na burrice e sem acesso aos verdadeiros bens, se conformando com o supérfluo. Mesmo que em outros aspectos haja divergência entre brasileiros socialistas e capitalistas, todos se afinam na intenção de deixar tudo como está, sem melhorar nada e mantendo as injustiças que separam as classes.

Falam tanto que os governos petistas estão uma droga, que Lula é um mentiroso, que o Socialismo está falido. O Socialismo está realmente falido porque não quis crescer. Ainda vive nos tempos de Lenin e Trostsky. O embalsamento do corpo de Lenin chega a ser uma ironia, pois o Socialismo está cada vez mais apodrecido. Um prédio velho prestes a cair.

Mas para quem acha que no lugar desse "prédio velho" deve ser construir um belíssimo e iluminado shopping capitalista, se enganou. E como resolver um problema criando outro. Há anos atrás o Capitalismo brasileiro se mostrou falho. Falam tanto que o Capitalismo é democrata, mas como ser democrata sendo excludente e egoísta? Foram os capitalistas que patrocinaram a ditadura militar. Os mais ricos sempre foram os mais beneficiados pela ditadura brasileira. Collor, o primeiro presidente eleito democraticamente só caiu quando feriu o interesse dos brasileiros mais ricos. Se ele tivesse confiscado a poupança apenas dos mais pobres, teria completado seu governo tranquilamente.

E aí, direitistas? Colocar um empresário ou um representantes desta classe na presidência vai resolver? Claro que não. Empresários não são humanistas. Tratam funcionários como máquinas. Quando a crise aperta, demitem sem dó nem piedade. fazem de tudo para se manter ricos e no poder, com direito a todos os supérfluos que mal sabem que possuem. E com a mentalidade de quem compra máquinas é que eles irão governar o país, tratando o povo que nem formiga e pisando em cima para esmagar, se for necessário e/ou inevitável.

E que tal ao invés de propor o Capitalismo como solução para esta esquerda falida, propor uma ideia nova inédita, que não pudesse beneficiar apenas uma classe e sim toda?  Que proponha uma sociedade sem divisões e que todos os seres humanos, sem exceção, pudessem ter direito ao mínimo de qualidade de vida, tal como está no artigo 7º da Constituição Federal:


Porque ainda insistir num sistema falido só porque ele representa - em tese - a imagem do sucesso conquistado pelos ricos e o heroísmo de si mesmo que os brasileiros se acostumaram a admirar? É melhor que apenas alguns atinjam o sucesso? E o resto, que morra de fome ou vá ganhar migalhas empinando o traseiro na televisão?

Sinceramente está mais do que na hora de aparecer alternativas, pois o bolor da esquerda mofada e o ouro de tolo capitalista já mostraram incapazes de resolver qualquer problema, somada a vocação de criar outros problemas ainda maiores.

Os bundas moles de esquerda e os cabeças duras de direita falam a mesma ladainha. A diferença é que cada um fala em seu idioma. Mas a mensagem é absolutamente a mesma: "Que continue tudo como está, com problemas e injustiças intactos. Quem quer se livrar deles que se vire. farina pouca , meu pirão primeiro."

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O alvo das protestos contra Yoani não deveria ser ela, mas quem a paga

Brasileiro é povo medroso. Mesmo sabendo que um povo tão numeroso é capaz de tirar do poder qualquer abusado, prefere se retrair e "respeitar" os interesses dos poderosos por acreditar que a manutenção deles no poder "mantém a sociedade em ordem". 

Se esquecem que os abusos de ricos e poderosos é que perpetuam os problemas que estamos cansados de ver todos os dias. E não adianta se esconder em religião, futebol, música brega e bebedeira para fugir desses problemas. Eles voltam à tona quando recobrada a lucidez, já que ao invés de serem resolvidos, foram "colocados embaixo do tapete".

Esse medo faz com que as pessoas, ao invés de criarem uma repulsa aos verdadeiros responsáveis, já que se tratam de "peixes" grandes, se prefere canalizar a raiva para "peixes" menores, responsabilizando eles pelos erros, injustiças e preconceitos tão conhecidos. É como culpar o cobrador de ônibus pelo aumento das passagens. É cortar o mal pelo caule.

Em Feira de Santana (cidade que conheço e tenho uma simpatia), a blogueira cubana Yoani Sanchez, que supostamente luta pela liberdade de expressão (só se for dos cumpinchas dela, do povo que não é), mas na verdade representa o interesse dos grandes capitalistas que a remuneram muito bem, foi hostilizada por estudantes supostamente socialistas (prefiro dizer supostamente - não acredito nas esquerdas atuais), que protestaram até com razão, mas de modo errado. Talvez tenha sido uma tática infeliz, pois Sanchez saiu fortalecida do episódio, com apoio maciço da sociedade conservadora.

Achei hipocrisia. Os mesmos que tentaram humilhar Sanchez nunca fazem protestos legítimos contra os patrocinadores da blogueira. Se esquecem que se não fosse o apoio de Grandes Empresários, a blogueira nem seria conhecida. A fama dela se deu justamente por esse patrocínio, tanto a boa fama como a má.

A boa fama fez dela uma "porta voz da humanidade" (sic), uma lutadora dos direitos humanos. E o patrocínio dos Grandes Empresários, fez com que ela repartisse com eles essa fama, como se os donos do poder fossem também seres solidários (e não são: se fossem realmente solidários não seriam ricos).

A má fama, a gente sabe. Mesmo posando de coitadinha, a blogueira cubana vive uma vida muito bem sustentada, de alto padrão e tem respaldo de autoridades interessadas em manter o poder de poucos sobre muitos (iluminati?) e a briga dela não é a favor da democracia e sim a favor da estadunização de Cuba, um dos poucos países do mundo a recusar a influência da nação do Tio Sam, claramente hegemônica no planeta e intruso tradicional na cultura de qualquer país. 

A propósito. Não estou aqui para defender Cuba, que me parece um país meio atrasado em alguns aspectos. Estou aqui mais para criticar a blogueira, que passa uma imagem fraudulenta de "boa moça", mas defendendo claramente interesses dos poderosos que garantem seu sustento.

Ela não quer derrubar a "ditadura" de Cuba para instalar a democracia, mas sim a ditadura midiática, que hoje domina o mundo e sobretudo o Brasil, onde a sociedade é uma incurável refém da mídia, considerada a sua reguladora dos costumes sociais, já que estes não estão contidos na Constituição Federal.

Somado a isso, se torna cada vez mais forte o neodireitismo, jovens bem vividos que acham "justas" as injustiças sociais e resolvem defender o Capitalismo, como se ser rico fosse um direito básico. Tadinhos, se os ricos trocarem caviar por angú, morrem entoxicados...

Mas voltando aos protestos contra a blogueira, como eu falei, ela saiu fortalecida. Era melhor arrumar outros meios mais criativos de protesto ou atacar mesmo os "peixes" grandes. Se bem que isso ia custar empregos dos manifestantes. Se todos os brasileiros se dispusessem a largar o emprego (uma grande maioria, não uns e outros), os Grandes Empresários ficariam sem empregados para lhes fazer o serviço e iriam a falência a médio prazo, perdendo poder. Mas cortar pelo caule é mais conveniente pois mantem o sistema "em ordem". Os problemas alimentam o sistema.

Por isso é melhor cutucar o gatinho. A onça, selvagem e feroz, a gente deixa solta, fazendo o que bem entende. Ainda temos o medo de seu rugido e de seu ataque certeiro. E enquanto esse medo existir, os problemas e injustiças continuarão. Para o mal de quase todos e o bem de uns poucos. Ou das próprias onças, apenas.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Bolsa Novela: Governo quer estimular povo a assistir mais TV

Eu sabia. O anúncio de redução da energia elétrica era uma pegadinha. Somente eu percebi que nesta pegadinha estava a intenção de intensificar a audiência televisiva, alienando a população e enriquecendo ainda mais as elites, mantendo tudo do jeito que está.

Está sendo anunciada uma nova esmola para manter a população na inércia e aumentar a natalidade (mais gente neste mercado de trabalho já tão escasso) que prepara o Brasil para ser uma nova China (no aspecto de densidade populacional).

Conhecida pejorativamente como "Bolsa-Novela" (ainda não foi oficialmente definido o nome), é uma esmola para que a população possa comprar TV de última geração. Para os incautos, a TV se tornou um artigo de "primeira" necessidade, já que, cá para nós, cérebro inerte tem que ser ativado com uma máquina e nada melhor que a hipnotizante televisão para direcionar qual caminho a população deve seguir.

Em época de copa do mundo, o mais alienador de todos os eventos, encarado pelo população como a "chegada do Messias", essa nova esmola veio a calhar.

Legal (para eles) ver as massas pensando que uma entrada de uma simples bola em uma rede e a conquista de uma simples jarra de ouro pudesse trazer dignidade para toda a população. Parece surreal, mas grande parte da população pensa desta maneira. E para elas, a TV é mais do que necessária, é indispensável. Deixa-se de comer, mas deixar de assistir ao jogo para cumprir o dever supostamente cívico, não.
É risível e vergonhoso um governo decidir por este tipo de esmola. Mesmo observando os estragos feitos pelas outras esmolas, estimulando a preguiça e a "fábrica de filhos" para piorar a competitividade já bem alta em nosso país, é de se esperar que o estrago seja ainda maior, com uma população cada vez mais submissa as regras difundidas pelas redes de televisão, porta vozes dos interesses e convicções de seus donos, pobres mortais tão cheios de defeitos como qualquer um de nós. Certamente com defeitos ainda piores.

Triste viver num país onde o governo engana a população com esmolas paliativas, ao invés de melhorar o sistema como um todo para que toda a população pudesse andas com as próprias pernas, vivendo com dignidade.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Todos querem se divertir como peão. Trabalhar como peão ninguém quer

Toda vez que passo perto do supermercado Pomar, localizado na Rua 5 de julho, no Jardim Icaraí, Niterói, penso sobre o assunto. Há um bom tempo esta placa está colocada na frente do supermercado, com letras bem grandes e estrategicamente colocado para chamar a atenção. E a placa continua lá. Até hoje.

Se a placa continua lá é porque ainda não apareceu algum interessado para ocupar a vaga descrita. Por ser uma profissão mal remunerada, pesada, estressante e acima de tudo, desprovida de prestígio social, nenhuma alma aparece disposta a pegá-la. Nem mesmo numa sociedade cada vez mais burra e alienada. Se os alienados não querem esta vaga, sou eu que vou querer?

Tenho notado que as funções menos prestigiadas estão sendo ocupadas por gente cada vez  mais pobre e menos escolarizada ( e não necessariamente mais burra - inteligência não vem de escola mas do discernimento desenvolvido por conta própria). isso não é sinal de que a sociedade está melhorando, pelo contrário, já que muita gente que recusa esse tipo de vaga é tão ou até menos inteligente do que quem se se propõe a aceitá-la. Vejam só, a sociedade brega, que tem nojo de intelectualidade, que quer se divertir como "peão", não quer trabalhar como "peão".

O mercado de trabalho encasquetou que todo mundo deveria fazer nível superior para ter direito a vida digna, desprestigiando as profissões de nível médio e básico e aumentando monstruosamente a concorrência pela entrada nas faculdades, de gente sem vocação para tal. Isso tem gerado uma aberração cultural que tem arruinado toda a sociedade.

É uma verdadeira hipocrisia social. Na hora da diversão estamos cansados de ver: riquinhos lindinhos falando gíria de pobre, ouvindo música de pobre, odiando música erudita, desprezando intelectuais, e o principal: se recusando a raciocinar. Todos querem construir réplicas de lajes de favelas dentro de seus condomínios de luxo, com direito aquelas musiquinhas horríveis que irritam qualquer ouvido sadio. Mas na hora de pegar em uma enxada, todos fogem. Todos querem ser "dotô".

E aí vemos aberrações como, por exemplo, as "Chopadas de Medicina", "de Direito", que servem como um bom exemplo de "Dotôs" que se divertem como "peões", de cara bem cheia e gestos bastante ridículos. Festas como essa soam como verdadeiras contradições ao prestígio normalmente atribuído a profissões como esta.

Legal ganhar salário e prestígio de "dotô", mas agir feito doutor de fato durante o lazer é chato, não é? Chato ter classe, linha e sobretudo inteligência durante os horários de lazer, pois para eles o cérebro cansa. Bom mesmo é torrar o gigantesco salário de "dotô" em uma festa tipicamente ralé, esdrúxula e cheia de gente ignorante pagando mico, dando nome a isso de "felicidade".

A sociedade está cheia de advogados, médicos e engenheiros que, na hora do lazer, se comportam bem pior do que qualquer trabalhador braçal. Aliás, conheço muitos trabalhadores braçais que dão show de classe e inteligência a esses "dotôs" metidos, que não sabem o que fazer com o prestigio e o dinheiro que tem de sobra. Não seria melhor esses "dotôs" trabalharem como "peões" e deixar as vagas de faculdades e de escritórios ou consultórios para quem realmente está preparado para ter nível superior?

De que adianta você se matar para entrar em uma faculdade, trabalhando numa profissão prestigiada, se você não se prestigia como ser humano, achando que seu intelecto deve se limitar ao trabalho, agindo, no lazer, de forma bem oposta ao que seu prestigio profissional diz afirmar? Não adianta.

O resultado está aí, faltam empregos para "dotô" e sobram os de "peão". Vai acontecer a longo prazo uma inversão de valores, pois os trabalhos de "peão" são tão importantes do que os trabalhos de "dotô" (a diferença se dá apenas pelo tipo de formação), mas a pouca procura pelos de "peão" poderá fazer com que estas funções passem a ser melhor remunerada para compensar a falta de prestígio que acaba por espantar uma demanda cada vez mais metida, achando que um simples pedaço de papel conhecido como "diploma" irá lhes dar a inteligência que não conseguem desenvolver por vontade, coragem, discernimento e principalmente humildade e bom senso.

Um dia os grandes "dotôs" da sociedade, que se acham as "grandes mentes do mundo" aprenderão grandes lições com os "peões" que acostumaram a desprezar e humilhar.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Para entender porque o Capitalismo não presta


Infelizmente, com a decepção do Governo Lula e com o enriquecimento cada vez maior dos ricos brasileiros, está havendo uma onda de neo-direitismo que exalta o Capitalismo, pensando ser este um sistema mais justo. 

Como aceitar como justo um sistema excludente e que dá o direito a uns de serem melhores que os outros e de concentrar renda, deixando os outros na miséria?

Mas não é preciso ser muito inteligente para entender que o Capitalismo não presta. Uma metáfora irá explicar facilmente.

Uma pessoa que possua uma garrafa de água tem o direito de colocar uma quantidade maior em seu copo no que o de outra pessoa? Claro que não. Mas para quem apoia o Capitalismo, certamente vai achar justo que o dono da garrafa coloque menor quantidade ou nenhuma no copo de outra pessoa. Afinal, ele é o dono da garrafa e faz o que quiser com ela.

Para os simpatizantes do Capitalismo, os ricos têm direito a qualquer abuso financeiro, afinal são os donos do capital e para eles, não deve haver limites de benefícios e de poder.

Entenderam porque o Capitalismo não presta? É porque ele é abusivo. Faz com que os ricos sejam "melhores" que os outros e tenham mais "direitos".

Se um dia entenderem que os seres humanos são todos iguais em capacidades e direitos, o que é fato incontestável, pois o que difere as pessoas são as oportunidades dadas a elas, o Capitalismo acaba.