terça-feira, 16 de outubro de 2012

A morte das mulheres e suas consequências na vida afetiva brasileira

Um fato silencioso acontece no Brasil. A morte quase rotineira de mulheres jovens que acontece nos últimos meses em várias localidades por todo o país. Em contraste, se observa uma maioria masculina entre crianças e adolescentes. O que o destino quer dizer com isso?

Talvez os fatos existam para que possamos refletir sobre os mitos que  acreditamos. O povo brasileiro, educado pleas religiões, se acostumou a não pensar e formar suas convicções usando apenas a fé ou a confiança em instituições tradicionais e pessoas prestigiadas. 

Graças a essa não utilização frequente do raciocínio, muitos mitos são construídos sem o menor discernimento, acabando por consagrar muitos absurdos que se tornam influentes nas regras sociais. Na maioria dos casos, acreditar nestes mitos é um irrecusável ingresso para uma vida social ativa e constante. O que ajuda ainda mais na consagração desses mitos.

E um dos maiores mitos que a sociedade brasileira adora crer é no excesso de mulheres. Somando conceitos do machismo com outros do Capitalismo, é confortável para a maioria acreditar que há muitos "produtos" (mulheres) para a sua demanda de consumidores (homens). É um pensamento cruel, mas arraigado na sociedade e defendido também pelas mulheres brasileiras, que aceitam nua boa a sua "missão" de serem brinquedos sexuais de seus maridos ou de aspirantes a marido.

E o que começa a ser rotina em nossa sociedade surge para derrubar este mito, tentando mudar os pensamentos e costumes de uma sociedade que, mesmo com a evolução tecnológica, ainda age e pensa, salvo em raros casos, como há oitenta anos atrás.

Porque as mulheres morrem mais?

Antes os óbitos masculinos eram maiores, visto a vida frenética que os machistas tradicionais eram educados a ter. Hoje em dia, os homens, ao invés de eliminar o machismo, preferiram atualizá-lo, moldando suas arestas e aceitar algumas conquistas femininas, mas sem negar a elas o atributo de "objetos".

Com a atualização do machismo, os homens deixaram de ter uma vida mais arriscada. Já cuidam mais da saúde e adotam uma vida senão pacata, pelo menos sem riscos. Os homens morrem cada vez menos e mais tarde.Com as mulheres, se observa o contrário. E são vários tipos de morte.

Umas, na ânsia de se vingar do machismo, adotam um estilo de vida arriscado, na tentativa de negar o estigma "carola" imposto às mulheres, resultando em mortes por acidente ou por saúde. Outras morrem assassinadas em assaltos ou em brigas com cônjuges, já que, como felei nesta postagem, o machismo não acabou, apenas se atualizou, amenizando alguns aspectos. Mas o sentimento possessivo do macho em relação ao seu "objeto" (tratado como "patrimônio"), não só permaneceu como foi fortalecido. Lamentavelmente.

Mas o que o destino quer dizer com isso? Não há resposta para isso. O nascimento de pessoas do sexo masculino aumenta cada vez mais. E o que acontecerá com esta grande demanda masculina. Bem, é a confirmação de que a solidão possa ser o mal deste século.

Com o excesso masculino, o processo de conquista das mulheres será mais competitivo. Não sabemos que tipo de mentalidade terá a mulher do futuro - há sinais de que, do contrário do que deveria, as mulheres estão retrocedendo na evolução moral e intelectual. Mas o que se sabe é que os homens terão que mudar, se quiserem estar na dianteira dessa acirrada competição que, pelo que se percebe, é pior do que vestibular e concursos públicos, já que, em tese, são mais de 1000 candidatos para uma só vaga: a de namorado/marido de uma dessas mulheres.

E os homens estão realmente mudando. Estão mais sensíveis, são pais mais presentes e aos poucos fogem daquela vida irresponsável de noitadas, festas e similares. Do contrário das mulheres, os homens já se esforçam para evoluir em alguma coisa.

O machismo ainda é forte, mas o número de homens que se recusam a ser machistas cresce rapidamente. Os homens querem se livrar do estigma de durões, já percebendo os estragos que o machismo tem feito na sociedade como um todo.

A diminuição do número de mulheres vai servir como um motivo de reflexão aos homens. Pode ser que a taxa de natalidade reduza - homens não podem gerar filhos sozinhos , mas mulheres podem - , mas não é a único aspecto dessa nova sociedade que está por surgir, pelo menos no Brasil.

Será realmente o fim, talvez não apenas de um, mas de muitos mitos sociais que existem há séculos e que só travam a evolução intelectual e moral de uma sociedade perdida, que ainda vê os seus problemas seculares ainda existirem, como mortes cruéis de donzelas, algo que sinceramente só combina com os tempos mais antigos, onde havia mais doenças e mais violência.

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