terça-feira, 24 de julho de 2012

Importante não é estudar muito, mas saber estudar


Existe um mito bastante solidificado que diz que para se dar bem numa prova se deve estudar muito. Esse mito começa a ser quebrado aos poucos. Estudei relativamente pouco para a última prova de concurso que fiz e acertei quase tudo. Conheço gente que passou em provas sem estudar absolutamente nada.

Então, pensei, analisei e cheguei a conclusão que me dei bem porque aprendi a estudar. Isso mesmo: aprendi a estudar.

Não adianta você ficar um longo tempo com a cara grudada em uma página de livro ou apostila se você não sabe como assimilar o conteúdo de maneira adequada. Ainda mais sabendo que as provas, no Brasil, privilegiam a memória acima de tudo. A proibição da consulta é uma prova disso.

Claro que dá para fazer prova de consulta sem encontrar a resposta pronta (um professor de física que tive em 1989, demonstrou essa possibilidade: uma prova de consulta que manteve seu grau de dificuldade). Mas os organizadores de provas são gente que não quer que você seja preguiçoso, mas acham que podem ser preguiçosos (tanto é que é uma maquina que "corrige" as provas) e por isso são incapazes de bolar uma boa prova. "Faça o que eu digo e não faça o que eu faço" é o lema dos organizadores de provas.

Continue estudando o tempo que quiser. Quem tem mais dificuldade deve estudar por mais tempo, não que o tempo seja importante para a prova, mas para que haja oportunidade de resolver dúvidas. Mas acima de tudo, aprenda a estudar. Crie métodos de memorização, procure ler mais sobre assuntos relacionados com o conteúdo e se possível, converse com outras pessoas sobre os assuntos do programa. Fazendo isso, o sucesso na realização de uma prova estará mais garantido.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Cuidado! Eles já estão aí!!!

Começou a campanha  pelas eleições de 2012! Prefeitos e vereadores novinhos em folha (ou nem tanto...) se digladiarão para conquistar o trono cobiçado que vai cuidar de cada cidade, ainda mais na época dos grandes eventos de entretenimento, onde muita maquiagem irá ser feita para enganar os turistas que chagarão em nosso país para se iludir com supérfluos eventos esportivos.

Cuidado quando andarem nas ruas, pois além de serem atropelados por multidões segurando bandeiras gigantescas, poderão sujar suas mãos apertando-as nas mais sujas ainda mãos de políticos que só vão dar as caras nesta época, para sumir de vez quando o objetivo for conquistado.

Eu mesmo me tombei com alguns candidatos de minha cidade, com o direito de ouvir pessoalmente as mentiras de um deles. Fingi que acreditei, pra não dar briga, inclusive prometendo votar no cara. De fato, meu voto será nulo, não interessa quem ganhe.

É assim em todas as eleições. E desta vez não será diferente.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Não tem jeito: esquerdistas ainda exaltam futebol

Os esquerdistas brasileiros normalmente acertam quando o assuntos se referem à qualidade de vida e à política. Mas no ramo do entretenimento, os que se consideram discípulos de Karl Marx demonstram total afinidade com os capitalistas que vivem puxando o saco dos poderosos dos EUA. E dá-lhe canções de consumo, blockbusters cinematográficos, best sellers literários e ... futebol, muito futebol.

Ontem, vários blogueiros que se consideram progressistas, fizeram de um modo ou de outro, referências e reverências ao jogo que aconteceu ontem com o Corinthians, o time do Lula. E sempre que há oportunidade, tem sempre um socialistinha de plantão para gritar "goool!" diante de uma capitalista tela de televisão. Ligada inclusive em alguma emissora do PIG que eles insistem em criticar.

Os esquerdistas demonstram uma certa ingenuidade nos assuntos relativos a diversão. Como se os grandes empresários não metessem o dedo na diversão (quanta utopia...), pensando que o lazer é controlado por três favelados punheteiros que não saem do quarto onde fica um computador, de onde eles bolam as obras que servem para distrair tantos brasileiros.

Não é assim. O entretenimento cada vez mais se mostra politiqueiro e capitalista, iludindo as massas e estimulando o consumismo como substituto da qualidade de vida que nunca melhora. E o futebol, cada vez mais mercenário e trapaceiro é a cereja do bolo deste entretenimento capitalista.

Há tantos esportes por aí. Porque os esquerdistas não procuram um esporte mais alternativo, onde cartolas autoritários e atletas mercenários não estejam envolvidos? Que não seja um instrumento de manipulação e de estímulo ao fanatismo alienante? É uma incoerência amar o futebol e ser socialista no contexto atual. Soa hipócrita.

Mas no Governo Dilma que se diz de esquerda mas que cada vez mais assume características de direita, além de fazer pacto com direitistas, é coerente que os simpatizantes desse governo se empolguem com o esporte favorito dos capitalistas que, apesar de ser "curtido" por gente de todo o tipo (obrigação cívico/social do Brasil), é certamente controlado e difundido pelos poderosos que se beneficiam com as injustiças sociais que são imediatamente maquiadas com um belo chute de uma bola em uma rede. Algo que segundo a lógica, não deveria ser motivo de orgulho para ninguém.

Chutes de bola em uma rede não mudam a vida de ninguém. Nem para melhor.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O censo 2010 e suas limitações

ESPREMENDO A LARANJA: Eu trabalhei como supervisor no Censo de 2000. Sei como funciona o esquema. Além disso, meu irmão, responsável por este texto, conversou com um recenseador de 2010 que revelou que cerca de 100.000 pessoas do sexo masculino estavam fora do recenseamento, por nunca estarem em seus domicílios ou por empecilhos que impediam as visitas de recenseadores.

É interessante para a sociedade brasileira e também para o governo, forjar uma maioria feminina para satisfazer os interesses machistas e reforçar a - má - fama que o Brasil tem de paraíso sexual. Para os machistas, os "produtos" (mulheres) nunca devem ser em menor quantidade que a "demanda" (homens).

Mas as circunstâncias do cotidiano mostram justamente o contrário, com uma impressionante maioria masculina nas ruas e nas redes sociais, com uma maioria de mulheres muito bem comprometida.Convém lembrar que uma pesquisa de outra instituição provou que o Brasil é o país dos casados, com uma pequena minoria de solteiros. 

Mesmo que os cálculos do IBGE estejam certos, sempre é bom lembrar que neste número estão incluídas mulheres idosas (que pra muitos homens não são consideradas interessantes) e crianças. Talvez o excedente esteja neste limite.

É bom acabarmos com esta farsa e esquecermos essa perversão de "paraíso sexual" atribuída ao Brasil. Temos muitas belezas naturais para servir de atrativo, sem a necessidade de transformar nossas respeitáveis mulheres, que são acima de tudo, seres humanos, em produtos para consumo irresponsável.

O CENSO 2010 E SUAS LIMITAÇÕES

Por Alexandre Figueiredo - Mingau de Aço

Mais uma vez, o Censo diz que "aumentou" a proporção de mulheres para cada homem no Brasil. Em relação a 1980, quando parecia haver 99,8 homens para cada grupo de 100 mulheres, a situação "melhorou" fabulosamente 30 anos depois, com 96 homens para cada grupo de 100 mulheres.

Como se as milhares de mulheres mortas pela violência conjugal, pelos latrocínios, pelos péssimos atendimentos à saúde, pelos acidentes de trânsito, pelas chacinas, pelos temporais e trovoadas, pelas "queimas de arquivo", fossem ocultadas pela informação "feliz" de que "mulher, no Brasil, existe que nem capim".

Em tese, Mércia Nakashima e Eliza Samúdio estão vivas e leves e soltas, pelos dados de 2010, levantados há algum tempo. Isabella Nardoni segue tranquila nas suas tarefas de escola e a juíza Patrícia Acioli segue naturalmente com seu trabalho. Em compensação, o Censo 2010 aponta sérias limitações e critérios em seu trabalho que põem em xeque a ilusão de que "tem mulher para todo mundo no Brasil".

A hipótese, além de, por incrível que possa parecer, favorecer mais o machismo do que o feminismo, é afirmada e confirmada dentro das limitações de alcance dos recenseadores e dos critérios viciados que o IBGE adota nos últimos 40 anos.

LOCAIS DIFÍCEIS E PERIGOSOS

No primeiro caso, o Censo dificilmente consulta locais de difícil acesso, seja pelo aspecto geográfico, seja pelo sentido sociológico ou de segurança pública. Estima-se que cerca de 100 mil brasileiros do sexo masculino sejam ignorados em todo recenseamento. São pessoas situadas nos dois extremos da pirâmide social, que por diversos motivos não são sequer citados em consultas censitárias, quanto mais entrevistados.

São homens de negócio que vivem sempre viajando, e não há como creditar aviões de passageiros como extensões do território brasileiro. Mas isso é uma parte menor da pirâmide social. Do outro extremo, se vê desde pessoas que vivem em locais dificilmente acessíveis no interior do país ou nas favelas, como pessoas consideradas "socialmente desagradáveis", como mendigos e marginais, muitos deles de difícil acesso para entrevistas, por razões óbvias.

Além disso, a população masculina, que continua tendo o peso maior nas migrações, acaba sofrendo uma distorção geográfica por causa do êxodo rural. A distorção consiste nesses homens viverem nas capitais, mas ainda serem creditados como moradores das cidades de origem no interior do país.

Salvador é o sintomático caso. A cidade possui maioria de homens na sua população, fato claramente visto no cotidiano, sobretudo nos bairros populares, mas oficialmente os dados do Censo declaram o contrário, ou seja, maioria feminina. Isso porque a cidade, não bastasse os mendigos e marginais, além dos favelados localizados em lugares de difícil acesso, ainda mantém uma demanda de homens que vive "clandestinamente" de acordo com os padrões censitários.

São homens que chegam das cidades do interior - uns transportados por ônibus da Secretaria da Saúde, a pretexto de só passarem uns dias em tratamento ou consulta médicos - e que, vivendo na pobreza e no desemprego, não são considerados "moradores" de Salvador, mas ainda vinculados a suas cidades de origem, que são "esvaziadas" pelo poder político tanto pela opressão coronelista quanto pelo "higienismo" de políticos regionais indispostos a arcar com a dívida pública.

VALE O QUE SE DIZ


Outro aspecto do Censo é o critério viciado adotado em suas pesquisas. Vale o que diz. Se, por exemplo, uma dona-de-casa que brigou com seu marido na véspera da visita de um recenseador disser a este que ela não tem marido, por uma simples questão de desabafo, então o marido não existe. É "menos um homem" nos dados censitários.

Há, nas boates e no eventos noturnos em geral, uma "maneira de dizer" das jovens moças, quando afirmam que "não existe homem" nesses locais. Assediadas com frequência por pretendentes masculinos, o que essas moças querem dizer, na verdade, é que não há homens atraentes para o gosto delas, que os demais homens, por serem "feios e desajeitados", simplesmente "não são homens". É como alguém que diz "não bebo" quando, na verdade, apenas diz que não bebe bebidas alcoólicas, mas bebe água, café, sucos e outros líquidos.

PAÍS DAS MARAVILHAS

Numa época em que as mulheres viviam de forma mais restrita que hoje, o ano de 1960, o Censo de então apontava uma maioria masculina na população brasileira, num quadro social menos complexo que o de hoje. Estimava-se, na época, cerca de 102 homens para cada grupo de 100 mulheres.

Seria natural que, com a vulnerabilidade feminina no confuso quadro social em que vivemos significasse uma redução drástica do número de mulheres, e não seu aumento. Não se quer, com isso, que se deseje que as mulheres vivam trancadas nos seus lares, mas elas de uma forma ou de outra se tornaram mais vulneráveis a tragédias do que em 1960.

Além disso, não parece que mais homens morreram de uma forma mais intensa do que antes, mas dentro de uma proporção que não difere muito da de cinquenta anos atrás. Em compensação, a alta mortalidade feminina pelos assassinatos conjugais, latrocínios, acidentes de trânsito, doenças e outros infortúnios mostra o quanto é necessário, em vez de ocultar os cadáveres femininos pela fantasia censitária, adotar medidas para evitar que mais mulheres morram em acidentes de trânsito, violências ou pelo descaso dos hospitais.

A informação de que o Brasil "tem mais mulheres" não protege a mobilização feminista. Antes ela atenua a culpa dos machistas e marginais que dizimam muitas mulheres, inclusive jovens. Esse mito, anunciado aos quatro ventos, apenas revela um "país das maravilhas", um Brasil de fantasia feito para o turismo sexual que, embora seja oficialmente combatido por lei, é informalmente defendido e mantido pelos bastidores do mercado hoteleiro e estimulados pelo entretenimento da velha grande mídia.

Enquanto isso, cerca de 100 mil homens vivem no Brasil, na sua maioria, praticamente sem direitos reais de cidadania. E, o que é pior, nem mesmo para contar número nos Censos do IBGE eles servem. É uma dívida social que as autoridades empurram com a barriga, escondendo a miséria por debaixo do tapete.