terça-feira, 15 de maio de 2012

Porque cultuar e seguir conselhos capitalistas?

Quase todo mundo é capitalista. O dinheiro ainda é a única forma de conseguirmos ter acesso às nossas necessidades - e não-necessidades também, já que vivemos numa sociedade fútil e submissa a mídia, que regula até mesmo o que nós devemos comprar. E isso faz com que na hora do aperto, corramos para os braços dos grandes capitalistas na esperança de que eles nos protejam da miséria.

Mas assumir-se capitalista pega mal. Fica a impressão de que a pessoa que assume é egoísta. Então, fingir-se de socialista ou se rotular como "neutro" fica mais conveniente. Mas sempre acatando e até cultuando conselhos de capitalistas.

Já vi em meu facebook muitos "memes" mostrando "lições de sabedoria" de grandes capitalistas. Muita gente até pensa que eles são altruístas, só porque geram emprego - graças, esquecem os admiradores destes "mestres", a mão de obra baratíssima ( nosso salário mínimo é humilhante) e a personalidade "pau-mandado" típica de 90% dos brasileiros. Ainda mais que estes "mestres do altruísmo" continuam ricos, contribuindo para a manutenção da má distribuição de renda, que é disfarçada pelo governo por meio de esmolas conhecidas como "bolsa", "auxílio" e outras bobagens que mal pagam bisnaga de pão.

E porque cultuar capitalistas como se estes estivessem certos, se os mesmos contribuem para o aniquilamento econômico da sociedade. Talvez o desconhecimento em economia, ou o simples egoísmo, possam explicar a adoração por gente tão nociva a vida das pessoas mais carentes.

Egoísmo não é considerado defeito

Sempre que procuro ler alguma entrevista de qualquer pessoa, que inclua aquelas perguntas "pingue pongue", em que o entrevistador cita uma ideia para ser respondida por frases curtas, noto que quando se pergunta "pior defeito" ou algum valor que seja reprovável pelo entrevistado, a palavra "egoísmo" nunca é citada. Porque? Egoísmo não é defeito?

Para sair na tangente, quando qualquer pessoa é perguntada porque não acha egoísmo um defeito, argumenta confundindo a preocupação exclusiva consigo mesmo em detrimento das outras pessoas com a "lei de sobrevivência". 

Vivemos num mundo competitivo, onde os benefícios são dados apenas a uma minoria. Desejar o prejuízo de outros é o único método de vencer qualquer competição, embora muitos achem o ato de competir justo. A existência de competições é um sintoma claro de que algo não está sendo distribuído com justiça, pois, do contrário que a maioria esmagadora pensa, competição é uma "crueldade lícita", quando demos um murro no concorrente para pegarmos o troféu desejado.

E é essa valorização da competitividade que faz com que os capitalistas sejam admirados, já que o que eles mais fazem é ensinar como se dá murro em concorrente. Só faltava eles defenderem o assassinato, o que eliminaria na marra muitos concorrentes. Ainda bem que nossas leis consideram a vida como bem básico, condenando indubitavelmente o homicídio (embora infelizmente não o considere como crime mais grave).

Consumismo não significa sucesso

Porque estou falando disso tudo? Porque a competitividade é altamente consagrada pelo capitalismo. É até um dos pontos básicos, além do direito a propriedade (este muito mal interpretado no país, o que gera infinitos processos e disputas) dessa doutrina retrógrada que defende que só poucos merecem viver com total dignidade.

Até porque dignidade não é sinônimo de consumismo, onde, graças a publicidade controlada por estes mesmos capitalistas, temos a falsa ideia que transforma supérfluos em necessidades. Não é que a sociedade brasileira esteja tendo um acesso maior ao consumo que vá se vangloriar de "sociedade mais justa", pois os muitos e graves problemas ainda existem e não podem nunca ser disfarçados pelo consumismo e pelas lindas palavras de engravatados que só entendem a linguagem do dinheiro e que gostariam de ver a sociedade ocupada apenas pela elite podre da  qual pertencem, matando as outras classes senão pela violência, mas pela fome, impedindo o real acesso ao necessário.

Concluindo, não vale a pena cultuar os capitalistas e nem ouvir os seus conselhos. Quem não sabe ouvir a população, não sabe falar com a população.

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