quinta-feira, 24 de maio de 2012

Os Bananas de Gravata

No sistema capitalista, há uma supervalorização das profissões de grande prestígio, sobretudo aquelas em que o uniforme cotidiano é o terno e gravata e ainda mais aqueles ligados a caros de liderança. Os profissionais com estas características não são apenas valorizados quando estão trabalhando, mas em toda a sua vida social. Eles deixam de ser eles mesmos e passam a ser o que representam nestas profissões.

O super sucesso social desses profissionais de prestígio, favorece a substituição da própria identidade pela profissão que exerce. Um executivo de nome Marcos, por exemplo, deixa de ser o Marcos, para ser o Executivo Marcos. A sua personalidade passa a ser a sua profissão.

Excelentes profissionais, péssimos seres humanos

Como profissionais, fazem o que é necessário para justificar o sucesso que possuem. Para isso, dedicam ao máximo seu tempo para satisfazer o que a sua profissão exige. Passam a juventude toda se dedicando a isso e quando finalmente alcançam seu objetivo, percebem que não desenvolveram suas qualidades de ser humano. Não apenas utilizam o sucesso profissional como identidade, como de fato, na prática, a profissão substituiu a sua personalidade. As qualidades que possui são as de um excelente profissional. E só.

Isso é evidente nas horas de lazer, onde mostram uma personalidade medíocre, convencional, sem espontaneidade, exatamente o contrário do que mostram na profissão. Muitos só conseguem conversar sobra a profissão durante os eventos sociais de lazer. Quando mudam de assunto, é sempre aquilo que a sociedade medíocre sempre conversa. Nenhuma ideia original que possa ser conversada por alguém do tipo.

Os piores maridos do mundo

O estrago maior a gente vê na vida afetiva. Para estes profissionais, ter uma esposa aumenta ainda mais o prestígio, já que vivemos em uma sociedade ignorante que pensa que ser solitário é sinônimo de ser fracassado. Para cerejar o bolo do profissional bem sucedido, nada melhor que uma mulher. E quanto mais linda e inteligente, melhor.

E o tal profissional demonstra um "zero" de romantismo, nada indo além do que a etiqueta social manda. Muitas vezes, quem demonstra ter personalidade brilhante é a mulher, que age como se fosse um misto de porta-voz e diplomata do marido que é bem sucedido no trabalho, mas um verdadeiro e completo idiota em seu tempo livre.

Isso tudo mostra que mais importante que o sucesso profissional, é a formação de sua personalidade. É lembrar a ideia de que o objetivo da profissão é nos dar o sustento e desenvolver aptidões ligadas a tal profissão. Essas aptidões não são todas as qualidades que devemos ter e sempre é bom aproveitarmos as horas livres para desenvolver qualidades pessoais, sobretudo a humildade, ausente em 90% desses profissionais, que cometem a imbecilidade de colocar a profissão no lugar de suas identidades, como se fora do escritório não existisse vida.

É triste saber que excelentes profissionais, por causa de pura vaidade besta, não sabem separar o profissional do ser humano, deixando de ser eles mesmos para serem aquela ilusão que vive principalmente para lhes dar o dinheiro que vivem gastando para satisfazer inúteis vaidades. Como verdadeiros bananas de gravata.

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