sexta-feira, 25 de maio de 2012

Como deveria ser um serviço de TV por assinatura

O sistema de oferta de canais que é padrão nas empresas fornecedoras de TV por assinatura é injusto e cruel. Paga-se por pacotes fixos onde cerca de 70% dos canais não interessa ao comprador. No meu caso (Via Embratel), é de 85% de canais dispensáveis. Um desperdício.

Pensei muito a respeito e imaginei um esquema que não resultaria em prejuízo tanto para a empresa fornecedora, como para os usuários. Oferece os canais separadamente e cada um monta seu pacote personalizado.

Para que as empresas não entrem em prejuízo, os preços de cada canal seriam variáveis. Os canais que estão nos pacotes básicos seriam os mais baratos. Os que estejam apenas nos pacotes médios seriam mais caros, os dos avançados mais caros ainda e assim por diante.

Por exemplo: eu poderia montar um pacote que tenha a Globo News (R$ 5 - preço fictício), o Canal Brasil (R$ 10), a Nickeloedon (R$ 10), o Eurochannel (R$ 20)e a BBC inglesa (R$ 30). Pagaria um preço pelos mais básicos e os avançados seriam oferecidos por um preço maior. O preço a ser pago é a soma dos preços dos canais (R$ 75 - mais barato que o preço de um avançado). Os avançados estariam todos em meu pacote e pago apenas pelos canais que me interessam, favorecendo a relação custo/benefício. Duvido que isso prejudique alguma empresa fornecedora.

A relação custo/benefício é essencial para que um produto qualquer possa ser oferecido. Ninguém gosta de pagar mais por algo que não irá usar.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Os Bananas de Gravata

No sistema capitalista, há uma supervalorização das profissões de grande prestígio, sobretudo aquelas em que o uniforme cotidiano é o terno e gravata e ainda mais aqueles ligados a caros de liderança. Os profissionais com estas características não são apenas valorizados quando estão trabalhando, mas em toda a sua vida social. Eles deixam de ser eles mesmos e passam a ser o que representam nestas profissões.

O super sucesso social desses profissionais de prestígio, favorece a substituição da própria identidade pela profissão que exerce. Um executivo de nome Marcos, por exemplo, deixa de ser o Marcos, para ser o Executivo Marcos. A sua personalidade passa a ser a sua profissão.

Excelentes profissionais, péssimos seres humanos

Como profissionais, fazem o que é necessário para justificar o sucesso que possuem. Para isso, dedicam ao máximo seu tempo para satisfazer o que a sua profissão exige. Passam a juventude toda se dedicando a isso e quando finalmente alcançam seu objetivo, percebem que não desenvolveram suas qualidades de ser humano. Não apenas utilizam o sucesso profissional como identidade, como de fato, na prática, a profissão substituiu a sua personalidade. As qualidades que possui são as de um excelente profissional. E só.

Isso é evidente nas horas de lazer, onde mostram uma personalidade medíocre, convencional, sem espontaneidade, exatamente o contrário do que mostram na profissão. Muitos só conseguem conversar sobra a profissão durante os eventos sociais de lazer. Quando mudam de assunto, é sempre aquilo que a sociedade medíocre sempre conversa. Nenhuma ideia original que possa ser conversada por alguém do tipo.

Os piores maridos do mundo

O estrago maior a gente vê na vida afetiva. Para estes profissionais, ter uma esposa aumenta ainda mais o prestígio, já que vivemos em uma sociedade ignorante que pensa que ser solitário é sinônimo de ser fracassado. Para cerejar o bolo do profissional bem sucedido, nada melhor que uma mulher. E quanto mais linda e inteligente, melhor.

E o tal profissional demonstra um "zero" de romantismo, nada indo além do que a etiqueta social manda. Muitas vezes, quem demonstra ter personalidade brilhante é a mulher, que age como se fosse um misto de porta-voz e diplomata do marido que é bem sucedido no trabalho, mas um verdadeiro e completo idiota em seu tempo livre.

Isso tudo mostra que mais importante que o sucesso profissional, é a formação de sua personalidade. É lembrar a ideia de que o objetivo da profissão é nos dar o sustento e desenvolver aptidões ligadas a tal profissão. Essas aptidões não são todas as qualidades que devemos ter e sempre é bom aproveitarmos as horas livres para desenvolver qualidades pessoais, sobretudo a humildade, ausente em 90% desses profissionais, que cometem a imbecilidade de colocar a profissão no lugar de suas identidades, como se fora do escritório não existisse vida.

É triste saber que excelentes profissionais, por causa de pura vaidade besta, não sabem separar o profissional do ser humano, deixando de ser eles mesmos para serem aquela ilusão que vive principalmente para lhes dar o dinheiro que vivem gastando para satisfazer inúteis vaidades. Como verdadeiros bananas de gravata.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Porque cultuar e seguir conselhos capitalistas?

Quase todo mundo é capitalista. O dinheiro ainda é a única forma de conseguirmos ter acesso às nossas necessidades - e não-necessidades também, já que vivemos numa sociedade fútil e submissa a mídia, que regula até mesmo o que nós devemos comprar. E isso faz com que na hora do aperto, corramos para os braços dos grandes capitalistas na esperança de que eles nos protejam da miséria.

Mas assumir-se capitalista pega mal. Fica a impressão de que a pessoa que assume é egoísta. Então, fingir-se de socialista ou se rotular como "neutro" fica mais conveniente. Mas sempre acatando e até cultuando conselhos de capitalistas.

Já vi em meu facebook muitos "memes" mostrando "lições de sabedoria" de grandes capitalistas. Muita gente até pensa que eles são altruístas, só porque geram emprego - graças, esquecem os admiradores destes "mestres", a mão de obra baratíssima ( nosso salário mínimo é humilhante) e a personalidade "pau-mandado" típica de 90% dos brasileiros. Ainda mais que estes "mestres do altruísmo" continuam ricos, contribuindo para a manutenção da má distribuição de renda, que é disfarçada pelo governo por meio de esmolas conhecidas como "bolsa", "auxílio" e outras bobagens que mal pagam bisnaga de pão.

E porque cultuar capitalistas como se estes estivessem certos, se os mesmos contribuem para o aniquilamento econômico da sociedade. Talvez o desconhecimento em economia, ou o simples egoísmo, possam explicar a adoração por gente tão nociva a vida das pessoas mais carentes.

Egoísmo não é considerado defeito

Sempre que procuro ler alguma entrevista de qualquer pessoa, que inclua aquelas perguntas "pingue pongue", em que o entrevistador cita uma ideia para ser respondida por frases curtas, noto que quando se pergunta "pior defeito" ou algum valor que seja reprovável pelo entrevistado, a palavra "egoísmo" nunca é citada. Porque? Egoísmo não é defeito?

Para sair na tangente, quando qualquer pessoa é perguntada porque não acha egoísmo um defeito, argumenta confundindo a preocupação exclusiva consigo mesmo em detrimento das outras pessoas com a "lei de sobrevivência". 

Vivemos num mundo competitivo, onde os benefícios são dados apenas a uma minoria. Desejar o prejuízo de outros é o único método de vencer qualquer competição, embora muitos achem o ato de competir justo. A existência de competições é um sintoma claro de que algo não está sendo distribuído com justiça, pois, do contrário que a maioria esmagadora pensa, competição é uma "crueldade lícita", quando demos um murro no concorrente para pegarmos o troféu desejado.

E é essa valorização da competitividade que faz com que os capitalistas sejam admirados, já que o que eles mais fazem é ensinar como se dá murro em concorrente. Só faltava eles defenderem o assassinato, o que eliminaria na marra muitos concorrentes. Ainda bem que nossas leis consideram a vida como bem básico, condenando indubitavelmente o homicídio (embora infelizmente não o considere como crime mais grave).

Consumismo não significa sucesso

Porque estou falando disso tudo? Porque a competitividade é altamente consagrada pelo capitalismo. É até um dos pontos básicos, além do direito a propriedade (este muito mal interpretado no país, o que gera infinitos processos e disputas) dessa doutrina retrógrada que defende que só poucos merecem viver com total dignidade.

Até porque dignidade não é sinônimo de consumismo, onde, graças a publicidade controlada por estes mesmos capitalistas, temos a falsa ideia que transforma supérfluos em necessidades. Não é que a sociedade brasileira esteja tendo um acesso maior ao consumo que vá se vangloriar de "sociedade mais justa", pois os muitos e graves problemas ainda existem e não podem nunca ser disfarçados pelo consumismo e pelas lindas palavras de engravatados que só entendem a linguagem do dinheiro e que gostariam de ver a sociedade ocupada apenas pela elite podre da  qual pertencem, matando as outras classes senão pela violência, mas pela fome, impedindo o real acesso ao necessário.

Concluindo, não vale a pena cultuar os capitalistas e nem ouvir os seus conselhos. Quem não sabe ouvir a população, não sabe falar com a população.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Posar de ofendido exige menos esforço

Quando a gente faz uma crítica sobre o defeito de alguém, esse alguém (ou seu defensor) sempre posa de ofendido, dizendo que quer ser respeitado e coisas parecidas. Porque ao invés de "exigir respeito", o cara não aceita as críticas como construtivas e corrige aquilo que foi criticado? Simples: exige menos esforço.

As pessoas mais atrasadas intelectualmente (parece que ser burro hoje em dia virou moda, inclusive entre os ricos) gostam de ter bons rótulos, mas sem realmente seguir o que o rótulo exige. Porque para adquirir qualidades não é nada fácil, pois exige esforço.

Portanto é muito mais conveniente para a maioria das pessoas ter um rótulo positivo, sem ter a qualidade atribuída pelo rótulo. E aí vem burros que pensam que são "inteligentes", mentirosos que se dizem "sinceros", conservadores que posam de "modernos", insensíveis que se acham "românticos", ditadores que querem ser donos da "democracia" (a burguesia brasileira é bem assim), egoístas que posam de caridosos, marias-vão-com-as-outras que se auto-rotulam de "esquisitas". Até mesmo a comunidade "Odeio Hipocrisia" é a que mais tem hipócritas (visite os perfis de cada membro e veja as referências), o que gerou até piadas sobre isso.

Sempre digo aos meus conhecidos: o primeiro passo para a correção de um defeito, é admitir que tal defeito existe. Mas o mesquinho orgulho humano não permite. Vivemos num país em que as pessoas se consideram prontas quando chegam a idade adulta, chegando a envelhecer com o mesmo defeito que possuia aos 17 anos.

Para gente desse tipo, é mais conveniente (e menos trabalhoso) chamar o defeito de "característica diferente" e posar de ofendido, quando criticado.

Desse modo, as pessoas não evoluem, a sociedade conserva suas injustiças e tudo fique na mesma, com problemas se acumulando. Até que algum fracasso ou até desastre, mostre a essa gente excessivamente vaidosa que defeito é defeito, e por ser defeito, tem que ser corrigido. Com urgência.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O Princípio da Legalidade garante o direito de sermos diferentes da maioria

A Constituição é clara: Item II do Artigo 5º do Título II da Constituição Federal do Brasil, conhecido como Princípio da Legalidade: "II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". A Carta Magna dando o livre arbítrio ás pessoas nos pontos em que a Consitituição não obriga.

Mas porque a sociedade, principalmente no lazer e nas regras de convívio, são tão rigorosas no cumprimento de "formalidades"? porque quase todos os brasileiros pensam da mesma maneira, agem da mesma maneira, tem mesmos gostos, hábitos, se a lei não os obriga a tal?

Para refletir sobre isso, é importante lembrar que o ser humano é um ser social. E ter uma vida social é um direito básico. Até aí qualquer um sabe, inclusive as crianças. E para facilitar a aquisição desse direito, um pouco mais de prestígio ajuda bastante.

No Brasil, a aceitação social se dá pela afinidade de costumes, gostos e ideias. Muitas vezes, uma pessoa não é "simpática" porque é realmente simpática, mas porque faz aquilo que a maioria faz. Essa busca pela aceitação social é que faz com que os brasileiros abram mão da personalidade e até do prazer para imitar os outros, fazendo aquilo que os integrantes do grupo escolhido faz. E o que este grupo faz nem sempre é correto ou necessário.

No Brasil, muita gente resolveu aderir a atividades fúteis e inúteis com a única finalidade de aceitação social. Bebidas alcoólicas, festas, religião, futebol, tatuagem, consumismo e até mesmo na escolha de namorados/as, são adotadas como obrigações sociais, na intenção de alguém  parecer agradável as pessoas a que se quer conquistar. Infelizmente as qualidades pessoais contam muito pouco na conquista de amizades, quando não se satisfaz a exigência que a sociedade decreta.

Só que estas exigências, além de não trazerem nenhum benefício moral ou intelectual, não estão na Constituição ou em qualquer lei formal. São regras passadas de boca-em boca, ou pelo menos consagradas pela mídia e por costumes sociais. Mas há quem não esteja disposto a aderir, como eu. E para estes, como fica a vida social? Não fica. Porquê?

Brasil, o país dos Marias-vão-com-as-outras

Apesar dessas regras, além de desnecessárias, não estarem em nenhuma lei formal, elas são exigidas com rigor. Aquele que não as segue, é "punido" com limitações sociais, muitas vezes com a recusa de uma vida social digna. na melhor das hipóteses, é aceito, mas com algum rótulo pejorativo, já que a sociedade brasileira não aceita, embora tolere, as vezes, pessoas consideradas "diferentes".

É algo cultural, mas estranhamente não-assumido (quem gosta de assumir defeito?) e arraigado em nossa sociedade o hábito de imitarmos a maioria para sermos aceitos pela sociedade. Isso é tão arraigado que tem muita gente que pensa que esse hábito é "biológico", fazendo crer que, aqueles que não seguem a maioria possuem algum tipo de retardamento mental. Não é raro vermos pessoas diferentes sendo chamadas de "loucas", acusadas de terem algum problema mental, o que já pode caracterizar um tipo de desrespeito, punível da mesma forma que a lei de racismo (contra a "raça" dos "esquisitos").

O direito de ser diferente deve ser respeitado

Esta lei mencionada no início do texto deveria ser impressa em um cartão para ser levado a qualquer lugar, podendo até estar junto da carteira de identidade. Para podermos justificar o nosso direito de não ter que aderir a futilidades só para agradar a sociedade, colocando na cabeça desta que nem todas as exigências são justas e obrigatórias. Que dá para ser feliz e principalmente, normal, sem ter as mesmas preferências da maioria, mas tendo, aí sim, garantido o acesso aos mesmos benefícios que a maioria tem, pois a vida social em si  é que é realmente biológica (não as exigências sociais), pois não há ser humano que consiga viver bem isolado, sem dar sequer um "bom dia" a um vizinho qualquer.

Ninguém é obrigado a agradar com costumes e gostos para ser aceito. O que importa mesmo, deveria ser as qualidades pessoais que todos nós possuímos e que possam ser utilizadas para o bem estar e desenvolvimento da sociedade.