quinta-feira, 29 de março de 2012

Fazer obras de ficção sobre pobres pode ter intenções manipuladoras

No Brasil, praticamente só se escreve obras de ficção onde os protagonistas ou os principais núcleos sejam de pessoas financeiramente carentes. Uma obra como o seriado setentista Dallas, que mostra o cotidiano de uma grande família de ricaços, é algo praticamente impensável nas mentes de produtores e diretores das obras realizadas no Brasil.

Argumentam esses diretores e produtores que a vida dos pobres é mais interessante, tem mais coisas a se falar. Ué, se a vida de pobre é "tão interessante", porque boa parte desses diretores e produtores vivem - ou anseiam viver - com toda a fartura caracterizada pela família que protagonizava Dallas? Fazer filmes sobre pobres deve ter na verdade outra intenção.

Embora os responsáveis pelos meios de comunicação vivam negando o tempo todo, estamos carecas de saber que a mídia manipula a população, ditando costumes, impondo ideias e induzindo a gostos bem duvidosos, que acabam prendendo a população numa alienante inércia que só tranquiliza a classe poderosa, que permanece tranquila na manutenção das injustiças que satisfazem seus interesses.

E como isso acontece?

Pode parecer estranho enxergar más intenções na criação dessas obras que "pretendem mostrar o lado humilde da humanidade brasileira", mas não podemos esquecer que quem patrocina, quem investe dinheiro nestas obras, é gente interessada diretamente na manutenção das injustiças sociais. Falando curto e grosso, as obras são financiadas por gente que se beneficia com as injustiças sociais. Até porque para existir ricos, tem que existir pobres e vice versa, já que os ricos possuem o excesso que deveria estar na mão de quem está na pobreza.

E essas obras são feitas para criar uma identificação, mostrando apenas pobres mansos, tranquilos, que nunca prejudicam as classes abastadas. Como animaizinhos dóceis que sorriem diante do imponente dono. Uma beleza.

Aí usa-se essas obras como uma espécie de "manual" de como os pobres devem se comportar, que para sair da pobreza deve sofrer e muito, lutando contra os obstáculos ("sabiamente" colocados pelas classes abastadas para dificultar ainda mais a subida dos pobres) atá sangrar, para depois utilizar essa experiência passada como escudo para possíveis críticas futuras, como é comum hoje em dia.

O curioso que a sociedade quer que o pobre se esforce para vencer, mas cria condições para que esse esforço fracasse. É como se a mesma pessoa que estende a mão para salvar alguém que está no fundo de um poço, empurre a mesma pessoa para baixo com a outra mão.

E assim vemos muitas obras sobre pobres "batalhadores", mostrando que se as classes carentes quiserem sair de sua humilhante condição, devem seguir as regras impostas pelas classes abastadas, neste interminável jogo de poucos vencedores, onde a realidade consegue ser muito mais cruel do que a ficção, graças justamente a essa glamourização que transforma qualquer vida de pobre em um conto de fadas, com doces "Cinderelas" que logo se transformarão em "Gatas Borralheiras", assim que passarem os créditos finais de qualquer obra que as retrate.

terça-feira, 27 de março de 2012

Só as mulheres são felizes: desemprego



Analisem essas duas historinhas:

HISTORINHA 1:

Mulher - Puxa, estou desempregada, eu não sei o que fazer...
Amiga - É, emprego está difícil.
Mulher - Pois é. Mas ainda bem que tenho o meu marido que me ajuda.
Amiga - Você é uma mulher de sorte! Se não fosse seu marido, você iria sofrer muito.
Mulher - É mesmo. Agradeço a ele todo apoio. Por isso estou tranquila.

HISTORINHA 2:

Homem - Puxa, estou desempregado, eu não sei o que fazer...
Amigo - É, emprego está difícil.
Homem - Pois é. Mas ainda bem que tenho a minha esposa que me ajuda.
Amigo - O quê? Seu explorador barato! Malandro sem-vergonha!
Homem - O que foi? Calma!
Amigo - Vagabundo salafrário! Vai arrumar emprego, desgraça!
Homem - Mas você concordou que está difícil...
Amigo - Difícil, sim! Mas não impossível! Macho não recusa luta! Mexa-se, vagabundo e pare de explorar sua mulher!
Homem - Tá certo, já vou...

***
Nem é preciso comentar...

quinta-feira, 22 de março de 2012

Iniciativa privada prefere profissionais sociáveis do que profissionais competentes

Vejo em muitos anúncios de emprego da iniciativa privada (põe privada nisso) coisas do tipo "profissionais com garra, vontade de vencer", "que saibam trabalhar em equipe", "que tenham ambição", e outras exigências SUBJETIVAS, que muitas vezes nada tem a ver com o cargo da vaga oferecida.

Os empresários, quando fazem essas exigências, demonstram um certo tipo de burrice. Pelo jeito, são tão burros, que acham que a inteligência e competência estão nos ternos-e-gravatas e não no cérebro. Para piorar, seguem a equivocada filosofia da "Inteligência Emocional", engodo excludente que tem a milagrosa proeza de fazer com que um profissional seja ao mesmo tempo obediente e decidido, agressivo e calminho. Interessante que todos os livros de "Inteligência Emocional" podem ser classificados também sob o rótulo de "auto-ajuda", gênero de livro mais nefasto que se pode ter.

Mesmo com essas exigências todas, a qualidade de serviços e produtos oferecidos por essas empresas vem caindo bastante. Para os "magnânimos" empresários, creio que estejam priorizando um profissional que seja sociável e "ambicioso", em detrimento do profissional competente que faz tudo para oferecer um serviço melhor e mais eficiente e eficaz, com resultados encontrados em serviços e produtos de alta qualidade. Trocando em miúdos, querem um profissional que possa conviver com colegas e patrões, não interessando a qualidade de seu serviço. Ou melhor, acreditam que a qualidade de um serviço tenha a ver com uma personalidade ao mesmo tempo obediente e agressiva, coisa meio difícil de se equilibrar.

Ah, vão dizer: "mas queremos um profissional capaz de trabalhar em equipe". Equipe? Essa personalidade desejada pelos patrões sempre faz que os ambientes de trabalho se tornaram ninhos de cobras (no mau sentido), onde os membros querem acabar uns com os outros, sempre procurando algum pretexto para o nocaute final. É esse o ambiente que os "líderes" da humanidade querem?

O capitalismo vai deixar vazar seus defeitos, pois como o planeta vai entrar numa nova fase de evolução, onde o altruísmo e o auto-conhecimento cada vez mais serão exigidos, o "líder" ganancioso, arrogante e excessivamente competitivo vai ser obrigado a sair de cena, fracassando de maneira irreversível. Competição estimula o egoísmo e estamos vendo todos os dias a que destino chega uma sociedade egoísta. Os noticiários não cansam de mostrar atitudes sempre coerentes com a mentalidade egoísta, tão valorizada pelos "honrosos" capitalistas.

Se preocupem mais em contratar profissionais competentes, sem exigir características de "faraós gananciosos" ou de "gladiadores sanguinários". Um dia saberão que um profissional mais humilde e menos extrovertido é que terá condições de fazer a sociedade e todos os que a integram (inclusive empresas) evoluirem. Profissionais humildes negociam com mais facilidade e não levam empresas ao prejuízo, já que não se envolvem em extravagâncias (situações perigosas, corrupção, embriaguez, atos imorais).

Lembrem: agressividade, ganância não levam a nada. Nem submissão. Auto-conhecimento e humildade serão as qualidades verdadeiras do homem do futuro.

Só aquele que sabe repartir o excesso de seus bens e respeitar as diferentes formas de gosto, comportamento e pensamento possui realmente a capacidade de trabalhar em equipe.

Porque o "funk" carioca é ruim

Os defensores do "funk" carioca são gente sem noção. São tão tapados que para defender o "estilo", lançam mão de argumentos superficiais e padronizados, confirmando a ideia de que somente toscos defendem um gênero tão boçal.

Um dos argumentos é de que o "funk" sofre críticas por ter um conteúdo que faz apologias à violência e/ou ao sexo. Para eles, basta tirar o sexo e a violência para o "funk" ter qualidade. Verdade? Claro que não.

Esse é mais uma ideia tosca defendida pelos toscos defensores. Tá na cara que o "funk" é ruim porque É RUIM. Tirando a manjada associação com o sexo e a violência, vamos aos defeitos:

- Pra começar, "funk" é parte do que chamamos de "produto", uma música comercial ou influenciada pela música comercial, puramente lúdica, sem compromisso com intelectualidade e ênfase no visual e na dança. Mesmo que se torne válido, a função é puramente diversão e nada mais.

- Falta de melodia, de criatividade, de algo quer possa fazer do "funk" uma música agradável. Não vai além de uma ciranda infantil com instrumental tosco, muitas vezes inspirado nas "musiquinhas" de vídeo-game ou nos gaguejos presentes em várias versões remix feitos nos anos 80.

- Quem faz "funk" além de ter baixíssima escolaridade, não possui informação cultural decente, se baseando apenas no que vê na TV aberta ou nas rádios mais populares. Quando usa a internet, não vai além daquilo que já estava acostumando nos outros meios de comunicação. É um som típico de analfabetos, trogloditas e gente sem grandes perspectivas na vida, além de ganhar dinheiro para se sustentar.

- A pose de cultura se dá por "tiração de onda", pois não há nenhuma característica que o defina como cultura pura. Como falei, é um integrante da indústria cultural, comercial e feito apenas como diversão. O puxa-saquismo de "intelectuais" oportunistas é uma farsa. Pelas letras inócuas e estereotipadas e pela pobreza rítmica dá para perceber que é algo feito para ser descartado, mas não é devido aos interesses de quem lucra com isso.

- As danças do gênero são claramente ridicularizantes e humilhantes. Quem adere às danças do "funk" carioca faz papel de ridículo e comete gafes cada vez mais constrangedoras, dignas de um palerma completo. Seus defensores com absoluta certeza não são dotados do senso do ridículo.

Os defensores do "funk" inventaram esse papo de "cultura" para obter mais benefícios do Governo e tentar perpetuar seus lucros através da perenidade. Mas felizmente, as pessoas verdadeiramente intelectualizadas reprovam o "funk" carioca, que abandonado por quem tem senso crítico (e senso do ridículo também), vai perdendo simpatizantes a medida que estes desenvolvem seu intelecto.

Não adianta vir irritadinhos atacando este texto que está sendo lido. A raiva é sinal de derrota, pois quem sabe que tem consistência e dura, age com tranquilidade. Somente derrotados se revoltam diante uma crítica coerente.

E nem tirar sexo e violência de suas letras. Além de ser quase impossível essa dissociação (faz parte do universo cotidiano dos "apreciadores" do gênero), mesmo assim a tosqueira, a ridicularização e a burrice artística são coisas vitais para o gênero, e que se eliminados, acaba a razão de ser do "funk", extingindo definitivamente o gênero.

Portanto, defensores do "funk", vão aproveitando quando o gênero estiver na moda. Quando a humanidade se intelectualizar, vai abandonar essa "chupeta" musical e alçar voos mais altos, se lembrando que o cérebro foi feito para ser utilizado e que o senso do ridículo é na verdade o regulador de nossa honra e amor-próprio.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Notícia chata? Gente chata? Postagem chata? Hoje não!



Hoje é o dia do meu aniversário e por isso mesmo não estou a fim de colocar postagens em um blogue especializado em dar notícias ruins e criticar o sistema.

Prefiro colocar este blogue para descansar e curtir o meu dia de forma alegre, divertida e tranquila.

Deixemos os poderosos, seus simpatizantes e a grande massa hipnotizada por eles com os seus problemas nunca resolvidos, mergulhados em muita ilusão, sobretudo as ilusões do futebol, da bebedeira e das emoções baratas que geram falsas alegrias. Eles que se virem.

Hoje é o meu dia e não irei me chatear com nada.

terça-feira, 20 de março de 2012

Depois de emburrecer os pobres, a elite e a mídia querem ajudá-los

Interessante a elite. Quando os pobres eram mais esclarecidos, eram desprezados e humilhados. Depois da verdadeira chacina cultural que matou a cultura verdadeira, colocando na goela do pobre uma cultura falsificada, submissa e alienada, caracterizada pelo popularesco e pelos valores morais/intelectuais nulos ou de baixo calão, agora a elite que ouvir e ajudar a classe oprimida.

Para a elite, foi preciso domesticar os pobres para que não venham deles alguma atitude considerada subversiva. Como vivem em condições precárias de vida, os pobres são subversivos em potencial. Aliená-los foi uma maneira da elite proteger os interesses dela, transformando o povo pobre em animais domesticados que "alegram" as outras classes empinando seus rabinhos.

Por isso mesmo, só agora, as autoridades querem fazer alguma coisa para os pobres, dando lhe voz e fornecendo cursos, abrindo os espaços. Para a elite, é preferível melhorar a vida dos pobres de maneira superficial, para que as classes oprimidas tenham a ilusão de que estão sendo ajudadas e se domestiquem ainda mais, substituindo as reais melhorias de vida pelo consumismo e abandonando de vez a vontade de lutar por melhores condições, algo que sinceramente, a elite detesta.

A meta é calar a boca do pobre com melhorias superficiais e muito consumismo. Um aparelho de televisão é uma ótima forma de fazer o pobre parar de "latir".

Para a elite é melhor manter essa disparidade na qualidade de vida, caracterizada pela péssima distribuição de renda. Os poderosos sempre acham que felicidade não é para qualquer um. Somente para os abastados da vida.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Ricardo Teixeira larga CBF. E isso muda alguma coisa?

Foi noticiado que o grande responsável pela entrada e pela vitória da "seleção" na copa de 2002 (que abriu as portas para a copa de 2014), Ricardo Teixeira, renunciou à presidência da CBF. os futebosteiros, sempre desinformados com o que acontece nos bastidores do poder, comemoraram. Mas o que muda com isso? Nada. Simplesmente nada.

Pra começar, quem tomou o lugar foi um político da linha malufista, José Maria Marin, capaz de fazer tantos estragos quanto Teixeira era capaz de fazer.

Segundo, que isso não vai mudar o fanatismo doente e alienado do povo brasileiro, que trata o futebol como prioridade absoluta, "sinônimo" de qualidade de vida, numa exageradíssima importância que um simples divertimento, como é o esporte gerenciado pela CBF, não merece ter.

Até porque os torcedores, alienados como sempre, pouco estão interessados nos bastidores do próprio esporte que cultuam, mais preocupados com títulos, mesmo sabendo que os prêmios conquistados pelos seus times nunca vão parar nas mãos dos próprios torcedores. É muita vibração energética e muito barulho por nada.

Para mim, nada mudou. É como trocar seis por meia-dúzia. E assim a nossa população caminha alegremente torcendo para que 11 analfabetos milionários tragam mais um "caneco", como crianças que ficam encantadas ao verem um velhinho de barba e casaco vermelho todo o final de ano. Senso do ridículo não é especialidade do povo tupiniquim, todos filhos dos degredados do além-mar.

Ricardo Teixeira largou a CBF? Grande coisa. Isso não vai mudar bulhufas...

terça-feira, 13 de março de 2012

Tudo por dinheiro



O legal em nosso país (mas não para mim) é que se pode ser mercenário a vontade, se fingindo de humanitário, artístico e amoroso.

Tropa de Elite, um filme comercial, na linha do Stallone, e similares são "filmes de arte". Sganzerla e Glauber não estão vivos para contestar.

O popularesco (axé, pagode, "sertanejo", "funk", brega e similares), claramente e puramente comercial agora é "underground" e a "cultura oficial de nosso país", soterrando de vez a legítima MPB, hoje considerada "velha" e "chata".

Os mercenários jogadores de futebol ainda são rotulados de "artistas da bola", fazendo crer que o futebol-arte ainda não morreu. Faleceu em 1986 e ainda não deu sinais de que vai reencarnar. Os cartolas de futebol, cada vez mais ricos e corruptos, que o digam.

Que todos se casam por amor. Só se "amor" levasse a infelicidade, pois a maioria dos casais são infelizes. Acharam que o dinheiro poderia ser depositado no coração. Quando falta comida em casa, é só o casal cantar "Andança" que tudo se resolve.

A copa e a olimpíada estão sendo organizadas apenas por amor ao nosso povo. Esperem 2017 chegar para ver o bem estar que nosso povo irá se encontrar.

Corrupção só existe na política, feita por políticos. Donos de gravadoras, meios de comunicação, clubes e entidades esportivas e os funcionários de todos esses meios, são todos santos. Deveriam ser beatificados.

Que bonitinho. Ninguém é mercenário. Todo brasileiro é mendigo, come do lixo e dorme embaixo da ponte. Lindo isso. O ganancioso interesse financeiro de todos deve ser delírio meu.

Lindo esse nosso Brasil, o país do faz-de-conta.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Os benefícios que a copa não trará

A população brasileira, em sua totalidade, não é muito racional, embora pense que seja. Age visando mais as sensações e prioriza a satisfação de instintos. Ainda precisa aprender muito para ser realmente um povo responsável e consciente. Não basta apenas dizer que é, é preciso ser de fato.

Países em que a população é melhor educada, não quiseram organizar as próximas copas e olimpíadas, mesmo com todas as condições para isso. Preferiram empurrar para os países periféricos, cujas populações de menor escolaridade e total submissão à mídia e as convicções das regras sociais, ficaram estranhamente felizes com a escolha como sede, mesmo sem saber que tipo de "benefício" teriam com a escolha.

Para parecer lógica, sem ser de fato, muitos brasileiros começaram a argumentar que a copa era necessária porque traria benefícios para a população do nosso país. mas na hora de perguntar quais benefícios ou o cérebro travava, ou lá vinha alguma besteira. Coisa de criança esperando os brinquedos de Papai Noel.

É como aquele cara que deixa de arrumar e limpar a casa para fazer uma festinha e diz que essa festinha trará recursos para manutenção e reforma da casa, que posteriormente nunca é feita, já que ele terá que arcar com as dívidas geradas para a organização da tal festa. Com a copa é o mesmo raciocínio.

Está na cara que os brasileiros não estão nem aí para benefícios. isso é apenas um argumento para escapar dos rótulos de "ignorante" e "alienado". na verdade, a população quer a copa por puro fanatismo futebolístico, pois foram educados desde a infância a achar que o futebol é a coisa mais importante para o brasileiro. Dane-se o resto, pensam. É um orgulho para os fanáticos ver o principal campeonato mundial de seu objeto de adoração intensa acontecer na "própria casa". Esse é o verdadeiro motivo que faz com que a maioria dos brasileiros seja pró-copa, mesmo que custe os olhos da cara.

Na verdade, esse argumento de "benefícios" é uma desculpa esfarrapada, pois nem eles sabem que benefícios serão estes. Uma cidade mais bonita? BRT? Hotéis? Legal.

Mas com certeza os benefícios que virão com o evento, foram feitos para o evento. Mesmo que durem, o público-alvo dessas medidas serão os turistas que chegarão para ver os eventos. Que não serão tantos como os brasileiros pensam (a maioria dos países, sobretudo os mais desenvolvidos, o futebol não é supostamente unânime, como no Brasil) e nem aplicarão tanto dinheiro assim.

Mesmo que a população possa usufruir desses benefícios, não foi pensando nelas que eles foram criados. As autoridades nunca governam para a população. Será que de uma hora para outra resolveram governar para ela? Impossível.

Mas muitas melhorias deixarão de ser feitas, para que sobre orçamento para as melhorias para a copa. A educação, que já recebe a menor verba de qualquer orçamento em épocas normais, vai receber menos ainda. Saúde, só se for para cuidar de turistas e atletas. Segurança? Idem. Infra-estrutura? Ibidem.

A casa de um "Mané da Silva" não será reformada pelo governo por causa da copa. O atendimento de "Dona Creuza de Alguma Coisa" no hospital não vai ficar mais rápido por causa da copa. "Fulaninho de Almeida" não passará a ter melhor qualidade de aulas por causa da copa. Ninguém terá empregos melhores por causa da copa, já que os reservados para o evento serão temporários. Acabarão com a copa.

Portanto, vamos parar de fingir. O verdadeiro motivo é a diversão pura, crua e nua. Não me convencem os argumentos de que a "copa é importante por causa dos benefícios que vai gerar". Isso é papo de burro fingindo ser intelectual. O povo quer farra: quer pular, quer beber, quer berrar e a copa vai permitir isso. A liberação dos instintos. A catarse. O desejo de explodir as suas sensações sem que isso seja considerado gafe. E desabafar de algo que não podiam fazer durante o ano. É como um carnaval do meio do ano, onde os instintos reprimidos são literalmente defecados pela população.

Chega de defender a copa e a olimpíada com argumentos "nobres". A população brasileira ainda está bem longe de se livrar de seus instintos animais e pode demorar mais de um milênio para aprender a "ser gente", priorizando o que realmente é útil.

Os brasileiros ainda vivem numa infância eterna. Quando será que irão aprender?

sexta-feira, 9 de março de 2012

O problema do Ecad: fim da democracia digital?

Ontem eu soube que o ECAD,Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, que controla e fiscaliza os direitos autorais no Brasil, decidiu cobrar uma gorda mensalidade para que blogues e redes sociais possam colocar videos incorporados em suas postagens. O preço a pagar é de mais de trezentos reais, mais da metade do salário mínimo. Mas essa cobrança pode estar escondendo algo muito além da simples cobrança de direitos autorais que, pelo que se sabe, não é paga aos verdadeiros autores e sim a donos de gravadoras e editoras, as verdadeiras detentoras de direito autoral no Brasil.

"SOPA" brasileira de caldo bem grosso

Há algum tempo, embora tardiamente, as autoridades e donos de grandes empresas perceberam o potencial da internet. Antes a internet não era levada a sério porque as autoridades ainda pensavam se tratar de divertimento de nerds solitários que nunca saem nas ruas.

Apesar da televisão ser ainda o meio de comunicação mais influente, apesar de já não ser o mais utilizado, a internet já começa a incomodar. A grande rede de computadores se mostrou o único meio de comunicação realmente democrático, onde as ideias defendidas pelas minorias começam a ganhar espaço, já que para os outros meios, só a vontade e as crenças da maioria da população é que interessam. E a possibilidade da internet de questionar o pensamento único difundido pelos outros meios, acaba incomodando os donos do poder, sobretudo os grandes empresários, verdadeiros "mandachuvas" do país, embora poucos saibam.

E esses empresários poderosos, favorecidos pela má distribuição de renda e pela mão de obra baratíssima, não querem que a verdadeira democracia se instale no país, com o risco da população, ao perceber toda as armações que mantem as estruturas do poder, se rebelem maciçamente. E 200 milhões de inconformados gerariam um imensurável estrago aos poderosos.

Por isso a alienação tem que ser mantida. Alienação que consegue ser garantida pelos meios de comunicação, exceto pela internet, onde sites gratuitos garantem a voz daqueles que não se compactuam com os ditames do poder.

E essa cobrança, o que tem a ver com censura?

Essa gratuidade dos blogues, que pode ser ameaçada por essa cobrança, que possibilita que pessoas de opiniões diferentes aos tradicionais pontos de vista, possam emitir suas opiniões, mostrando ao mundo que existem muitas ideias além do que é difundido pelas mídias tradicionais.

E como a maior parte dos incomodados é de classe média, não possuem verba o suficiente para adquirir e manter um meio tradicional de comunicação. É imensuravelmente caro.

Por outro lado, os donos dos meios tradicionais, gananciosos pelo poder que adquiriram (quarto poder), usam os meios que possuem para uma manipulação ideológica que possa garantir a manutenção desse poder, evitando que o povo se rebele, dando uma ilusão de satisfação e de - tosca - participação. Para isso, fazem dos programas transmitidos por seus meios uma via de transmissão do ponto de vista que possa evitar qualquer tipo de inconformação.

Mas o crescimento da internet já preocupa a grande mídia, que aliada ao ECAD, decidiu tomar uma atitude, talvez inspirada na "SOPA", iniciativa dos meios estrangeiros para frear a liberdade na internet usando os direitos autorais como pretexto.

Como a mídia tradicional não quer ficar como vilã, ela decidiu atacar aos poucos. Está utilizando o bloqueio de vídeos como cobaia de seu projeto de censura que possa impedir a internet de difundir ideias que possam ir contra aos interesses da mídia tradicional.

Com a censura a internet, aqueles que pensam diferentemente do que a mídia tradicional impõe a sociedade, como aqueles que não curtem futebol, cerveja e música brega, por exemplo, ficarão semdireito de expor os seus pontos de vista, transformando as ideias predominantes em verdades absolutas, consagrando o pensamento único, transformando a sociedade como um todo num bando de robôs executores das vontades da grande elite que controla os rumos desse país.

Não queremos que a sociedade se transforme num bando de robôs, além de ver os direitos dos excluídos serem desprezados. Temos que garantir a liberdade da internet para que a diversidade de pontos de vista se mantenha circulante e que a robotização social não se concretize, embora tradicionalmente ela ocorra aos nossos olhos.

Excelentes meios de divulgação, vetados, poderão prejudicar os verdadeiros autores

Esse pagamento também poderá prejudicar a difusão dos vídeos produzidos, já que os blogues e as redes sociais eram excelente meios de divulgação. Sem essa divulgação os criadores de vídeos, já comumente prejudicados por uma industria cada vez mais predadora, se tornarão desconhecidos de um grande grupo de pessoas, além de deixar de ganhar dinheiro com isso (embora eu ache pessoalmente nocivo o casamento entre arte e dinheiro - mas aparecem custos para manter, fazer o quê?).

E o tiro pela culatra se dará ao ECAD que, ao invés de usar a medida para lucrar pode acabar indo a falência, pois ninguém estará disposto a pagar por esse absurdo. Até porque ninguém tem R$300 para dar assim, de bandeja.

Com o fim da indústria fonográfica - o CD está prestes a ser extinto neste ano, prejudicando colecionadores como eu - , o ECAD está desesperadamente a procura de outros meios de lucrar dinheiro, não o dinheiro justo para a sobrevivência do ser humano e sim o excesso de renda que faz alguém viver melhor que a maioria dos seres humanos, empinando cada vez mais o seu nariz, erguendo o queixo as custas do sofrimento dos outros, já que os custos que garantem o seu supérfluo impedem que a maioria tenha direito de obter o necessário.

Os poderosos falam muito em democracia, se achando seus paladinos. Mas querem transformar a democracia em um produto privado, onde todos terão que pagar para obtê-la.

Que democracia é essa em que temos que pagar para obtê-la?

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Marketing da Exclusão

A era da mediocridade em que vivemos considera a perfeição como um defeito. Todos querem se sentir um pouco "inferiores" para poder com isso, obter mais benefícios. Daí nasce o que eu chamo de Marketing da Exclusão, onde uma pessoa bem sucedida ou sem defeitos se traveste de pessoa excluída para atrair atenção dos outros e obter vantagens desta forma. É uma versão ampliada da falsa humildade.

E aí não cansamos de nos deparar com exemplos disso:
- atores de comportamento claramente extrovertido se rotulando de tímidas;
- mauricinhos ricos posando de esquerdistas com direito a camisetas com a face de Che Guevara;
- caras normais que só por estarem um pouco fora de forma e usam computador mais de 4 horas por dia, se auto-rotulam de nerds;
- mulheres com vida social intensa que reclamam da falta de homens;
- cantores mercenários que se dizem alternativos e longe da mídia.

E só são alguns exemplos, já que fingir de "coitadinho" virou moda nos últimos tempos. E isso pode ser nocivo, já que pode impedir ajuda aos verdadeiros sofredores, já que os falsos receberão a ajuda no lugar dos verdadeiros.

Cabe a sociedade não confiar nesses farsantes e ajudar apenas a quem realmente precisa. Falsos coitados são tão oportunistas quanto qualquer ladrão.

terça-feira, 6 de março de 2012

Porque todos querem a copa no Brasil

Estranho, mas parece que só eu estou contra a - delirante - ideia de realizar a copa num país ainda em desenvolvimento, provinciano, cheio de problemas para resolver (que nunca são resolvidos) e uma população com péssimo nível intelectual e ainda bastante crédula no que a mídia, as autoridades e as regras sociais dizem. Certamente a resposta tem muito a ver com o último aspecto citado: o da população inculta e crédula.

Sabemos do fanatismo estrondoso que o brasileiro tem pelo futebol. A importância exagerada que dão a aquilo que deveria ser apenas um esporte é tanta, que chaga a influenciar nas relações das pessoas e invadir outros assuntos. Em todos os lugares, das igrejas aos escritórios das grandes empresas, passando por favelas, ouve-se falar em futebol.

E para essa população que trata o futebol como se fosse a salvação da humanidade, é uma honra incalculável a realização do maior evento de seu esporte favorito, a copa do mundo de futebol, em seus próprio país. É como a chegada do Papa para os católicos. Ou melhor: é como a chegada do "messias" para toda a humanidade.

E é com essa mesma expectativa da chegada de um "messias" que a população quase em seu total, encara os preparativos para a copa de 2014. Como se a copa, acontecendo no Brasil pudesse sanar todos os problemas. E dá-lhe sentimentalismo histérico, típico de beatos.

De repente, todos passaram a priorizar as obras para a copa. E o mais incrível: da noite para o dia todos passaram a confiar nas autoridades. Parece que além de chegar muito dinheiro para o Brasil (não vai ser tanto assim...), o mesmo será utilizado pelas autoridades para melhorias essenciais. Como se os serviços públicos como saúde e educação pudessem melhorar após a copa de 2014. Há várias coisas a esclarecer, muitos mitos a destruir:

- Não vai chegar tanto dinheiro assim. Turistas gastam muito, mas não gastam como empresas, gastam como pessoas. Por maior que seja a quantia, ela não será suficiente para cobrir os gastos feito com as obras para os eventos.

- Futebol só é unanimidade (quase, saibam disso; novidade: há brasileiros que não curtem) no Brasil. Nos outros país, não há essa "ditadura da bola", que transforma o futebol em regra social e dever cívico. E futebol, pelas regras simples e pela facilidade que dá aos pobres de enriquecer com rapidez, normalmente é curtido por gente de baixa escolaridade. São esses que virão para assistir aos jogos por aqui, havendo possibilidade inclusive da chegada de hooligans.

- Mesmo que o dinheiro seja suficiente, ele não será aplicado em melhorias para a população. Primeiro, ele irá arcar com as dívidas geradas pelas obras. Segundo, conhecendo a fama de nossas autoridades e o trato que eles dão aos serviços públicos, não será um mísero campeonato de futebol que vai mudar a mentalidade de políticos e empresários num piscar de olhos, transformando-os em "anjos da guarda" da população brasileira. Boa parte do que sobrar vai para os bolsos particulares de autoridades e empresários que com certeza gastarão com algum supérfluo.

- As melhorias que virão com os eventos estão diretamente relacionadas a eles. Por exemplo, a copa não vai nos dar escolas melhores, hospitais melhores, etc.. As obras são apenas de infra-estrutura para favorecer o deslocamento dos turistas (o verdadeiro público-alvo dessas melhorias) durante o evento. E os empregos gerados serão temporários. Acabada copa e olimpíadas, os empregos acabam. Bom que os contratados saibam gastar o seu dinheiro para que ele possa ser aplicado durante o desemprego.

- Não é necessário a ocorrência de eventos desse tipo para melhorar a vida dos brasileiros. Basta compromisso e responsabilidade por parte de autoridades e empresários, visando o bem estar comum de todos. Se nossas autoridades fossem realmente responsáveis, essas melhorias já teriam existido há muito mais tempo, em todo o território.

Eu sempre fui contra a realização dessa copa (e da olimpíada também), continuarei sendo, e ainda considero uma imaturidade estar a favor (os argumentos e o comportamento dos defensores da realização da copa lembram muito os das crianças que defendem com ardor a existência de Papai Noel). Pobre gente crédula. Não percebem que os eventos vieram numa péssima hora. Vai bagunçar tudo! Vamos ter que reconstruir o país praticamente do nada após a saída do último atleta.

Há países bem mais preparados para realizar os eventos sem aumentar os custos. Mas o interesse de projeção dos cartolas esportivos brasileiros (estranhamente ignorados pela população, que se comporta como se pensasse que quem controla o esporte são humildes garotos favelados de 15 aninhos de idade) nas entidades internacionais (no caso a FIFA e o COI), favoreceu essa realização, que pode dar mais poder aos controladores do esporte brasileiro, que inclusive, poderão controlar o esporte mundial.

DeGaulle disse uma vez que o Brasil não é um país sério. Muitos fatores provaram que isso é uma verdade, embora a população não goste dessa declaração, chegando a usar argumentos "sérios" para justificar a realização desses grandes circos em nosso país. Aliás, só a decisão de lançar a candidatura do Brasil a esses grandes eventos já é uma prova de que DeGaulle estava mais do que certo.

Outra frase famosa, dita por Stefan Sweig, dizia que o Brasil é o país do futuro. Quanto a isso, podemos observar:

- Verdade, se entendermos que "futuro" é sinônimo de adiamento.
- Detalhe importante: Sweig se suicidou no Brasil, por descobrir que esse "futuro" é uma utopia.

Pode ser que a população brasileira se suicide em massa, se continuar com essa ilusão de que a copa salvará o país (e não vai). O cenário que se mostrará a nação em 2015 com certeza não será dos melhores e poderá decepcionar essa gente alienada que quer mostrar "seu valor".

segunda-feira, 5 de março de 2012

O Mito de Platão e a sociedade brasileira de hoje em dia



O Mito da Caverna, citado pelo filósofo Platão em uma de sua obras, é frequentemente - e com muita razão - utilizado para explicar a alienação de nossa população atual, sobretudo a brasileira.

Trocando em miúdos, já que o link explica melhor, o caso é o seguinte: prisioneiros isolados em uma caverna, não conseguem enxergar o mundo exterior de maneira perfeita, a não ser através das sombras projetadas na parede. Se um deles resolve sair e descobrir realmente o que estava por trás de tais sombras e se ao retornar, resolver contar aos seus colegas de claustro, seria ridicularizado e até espancado, talvez morto. Não é o que acontece atualmente?

A TV é a parece que mostra as sombras. As sombras são suas atrações e todo o ponto de vista difundido pelas emissoras. O cara que sai é o individuo que larga a TV e vai pesquisar profundamente as coisas da vida, descobrindo que os valores difundidos pela TV, em sua maioria, são falsos.

A noção que os brasileiros têm de moral, amor, patriotismo, altruísmo, etc., segue exatamente o que é difundido pela TV, a grande educadora da população brasileira. Mesmo que a internet seja o meio mais usado pelos brasileiros, ainda só serve para confirmar as convicções e convenções impostas pelos meios televisivos. E sabe o que acontece com quem se esclarece e tenta desmentir as "sombras"?

Há bastante tempo bloqueei os comentários em meus blogues. Comentários ruins estressam. Eles vem daqueles que preferem continuar acreditando nas "sombras". Eu saí da caverna, me esclareci, mas meu esclarecimento incomoda a muita gente, já que acreditar nas tais "sombras" satisfaz interesses e traz conforto. Gente que esculhamba meu blogue não quer sair da caverna e deseja manter as convicções impostas pela TV pensando que se tratam de ideias que nasceram na mente deles.

O mundo está prestes a evoluir. Mas os brasileiros ainda não deram sinais de que estão dispostos a seguir esta evolução, já que muitos valores existentes há 80 anos atrás, ainda seguem bem fortes, com poucas rupturas. E não adianta dizer que a internet está mudando tudo , que não está.

A internet apenas está digitalizando valores retrógrados, protegendo interesses mesquinhos e separando ainda mais as pessoas (quando deveria fazer o contrário). Na grande rede, ideias novas não têm grande difusão, e conceitos inovadores são distorcidos (exemplo: uma pessoa que acha que revolução é botar a língua pra fora) para que não acabem com os privilégios de quem está no poder.

Está ainda muito longe da sociedade brasileira sair da "caverna". A copa de 2010 mostrou que se depender dos brasileiros, nada de significante mudará. E que a caverna é aconchegante demais para ser abandonada.

Bom, resta a mim, que saiu da caverna, não voltar lá e tirar os colegas dela. Eles podem querer me esculhambar, mandar vírus, no mínimo.

Mas, com certeza, o ar puro da sabedoria é muito melhor que a fétida caverna da ignorância midiática. Somente medrosos e preguiçosos preferem viver nela.