quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Qual a vantagem de se morar em uma mansão?



Eis a mansão gigantesca que a modelo brasileira com cara, corpo e nome de alemã, Gisele Bundchen comprou com seu marido, o esportista Tom Brady, para viverem junto com o filho que tiveram em comum. Tem praticamente um tamanho e estrutura de um shopping de médio porte, só que feito para uma única família.

Muita gente sonha em viver numa mansão dessas, o que é algo que para mim foge de qualquer lógica. Que vantagem poucas pessoas viverem em um lugar tão grande e cheio de compartimentos? Só se for para se exibir aos outros, como se isso fosse uma qualidade da pessoa.

Eu nunca gostei de casas ou apartamentos grandes justamente pela sensação de vazio que geram. É a mesma sensação de um acasa vazia, ou uma casa abandonada, em construção, etc.. Um vazio total. Uma inevitável sensação de solidão.

Mansões, além de serem símbolos da arrogância das celebridades, é na verdade um pesadelo que contribui ainda mais para a manutenção da tristeza de uma vida normalmente sem amor e sem simplicidade, cuja única manifestação de algum romantismo se dá por gestos apenas aparentes, numa falsa fachada que acaba por iludir os fãs dessa celebridade, que correm o sério risco de serem decepcionadas pelo - aí sim, natural e legítimo - comportamento antipático da tal celebridade que, com razão, pede desesperadamente pelo sossego que não consegue ter.

E o benefício que a mansão dará para quem a adquiriu? A resposta certa: nenhum. Vai confinar a família numa solidão tenebrosa, onde os membros da família permanecerão isolados entre si e do mundo, acompanhados apenas da verdadeira tristeza que o isolamento sabe dar como ninguém.

Nem o pseudo-prestígio que o fato de ter uma mansão irá compensar a tristeza do isolamento de um imenso ambiente desolador. Uma verdadeira casa mal assombrada, cujos fantasmas são a ganância, o isolamento e a arrogância típica das celebridades que não tem nada melhor a fazer do que se trancar do mundo em castelos inúteis e sombrios.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Site de falso nerd atribui falso esquerdismo a direitista assumido



Hoje, em tempos de politicamente correto, legal é fingir ser bom, legal, espirituoso, humanista. Mas ser, o que é bom, exige muito conhecimento, além da abstinência de valores e hábitos consagrados socialmente. Como ser de fato competente e correto exige esforço, mas ter rótulos relacionados a isso dá prestígio, o jeito é fingir ser isso. Bingo! Nada mais legal do que se assumir correto e competente sem ter que ser de fato.

E algo interessante relacionado a isso achei na internet. O site "Judão", que se assume "nerd" sem ser de fato, publicou uma nota que atribui um falso engajamento por parte do "cineasta" José Padilha. responsável pelos dois pancadas-brazucas Tropa de Elite e que vai filmar uma nova versão do tolo Robocop. Tudo isso fingindo ser o "must must" do cinema "intelectualizado".

O texto passa a ideia de que Padilha é um cara consciente, a favor das classes oprimidas e que fez os filmes para supostamente denunciar o estilo de vida sofrido pela população humilde. Lindo, para quem não está por dentro da pessoa que se esconde por trás do "cineasta" José Padilha. Poucos sabem, mas um verdadeiro Nosferatu assume a verdadeira personalidade de Padilha.

Ele é um palestrante convidado do Instituto Millenium e é articulista do site oficial do mesmo instituto. Sabem o que é o Instituto Millenium?

O Instituto Millenium foi criado por capitalistas e simpatizantes do capitalismo (sem se assumirem como tais - eles se assumem "democratas"), para discutir temas que possam manter os interesses dos capitalistas intactos e que possam impedir que ideias renovadoras possam mudar a sociedade e tirar esses capitalistas do poder.

Gente retrógrada como Otávio Frias Filho, dono da Folha, A Famiglia Marinho, dona da Globo, jornalistas ranzinzas como Merval Pereira e até o Casseta Marcelo Madureira (que numa palestra mostrou um mau mor inacreditável para um humorista), entre muitos outros, incluindo membros da medieval Opus Dei.

O Instituto Millenium ficou famoso durante as eleições de 2010, em que declarou apoio explícito a José Serra, o candidato dos grandes empresários. As pautas discutidas neste instituto, apesar de usarem - em vão - o nome de "democracia" (como se a democracia fosse um patrimônio das elites), claramente mostram conteúdos típicos de apoio ao capitalismo, como a manutenção do direito à propriedade e a resolução dos problemas dos pobres através de paliativos e da cultura e educação de má qualidade. Todo capitalista sabe que povo conscientizado é uma ameaça ao capitalismo e manter a população emburrecida garante a tranquilidade dos poderosos.

Os caras do Judão, que não são nerds coisas nenhuma (seus hábitos, gostos e ideais são incoerentes aos de um nerd legítimo), não perceberam isto. E Padilha, ao associar seu nome ao nefasto instituto, confirma o que pessoas esclarecidas, como eu, perceberam a o assistir trechos de seu filme: um sistema falido, que tem que se manter falido para que os intereesses dos "fortes" nunca seja abalado.

É pelo jeito, para Padilha, não é só a tropa que é de elite. A sua mentalidade e a de seus amigos mais íntimos, lá do instituto, também.

Todos querem estar do lado dos coitados. Mas para tirar os coitados de seus sofrimentos, ninguém está disposto.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"Ônibus? Não sei o que é! Não ando nele!"



Todos estão carecas de saber que quem dita as regras do transporte público são justamente quem não usa com frequência os mesmos transportes. Por isso que os transportes representam um setor que há séculos sempre demonstra muitas falhas que não são realmente resolvidas.

Para tentar acalmar os usuários - ou talvez iludí-los - foi criado o modismo da "Mobilidade Urbana", nome pomposo dado a uma série de medidas que são claramente inspiradas no modelo lançado em 1974 pelo político e arquiteto Jaime Lerner, que já mostrou, do contrário que muitos pensam, que não é um sistema perfeito e nem universal, cabendo a cada prefeito escolher um modelo que respeitar as características de cada cidade.

Mas como no Brasil, é hábito colocar paliativos no lugar de soluções definitivas e dar muita ênfase ao aspecto visual (é evidente que a música, por exemplo, faz mais sucesso entre os brasileiros pelo apelo visual do que pelas canções em si - o falecido Michael Jackson que o diga).

E por causa desse aspecto visual, dá-lhe estações bonitas, ônibus compridos, vias elegantes, verdadeiras passarelas que levam o belíssimo sistema para lugar nenhum. Não que o sistema fosse ruim, mas ele não pode ser visto como uma solução em si. Vários fatores deveriam ser analisados - que não o farei aqui, pois não é a proposta dessa postagem).

Aí ficou fácil para as autoridades posarem de "heróis" do sistema de transporte, com os belos "minhocões" deixando todos de queixo caído, vias - cujas obras já surgem com polêmicas, por derrubarem residências, algumas reservas florestais, inclusive - que embelezam as avenidas, deixando-as com cara de cenário de road movie americano. Uma beleza.

Mas e o sistema como um todo? Todo o novo sistema do Rio já está um fiasco. Nem os BRSs conseguiram melhorá-lo, dando apenas uma aparência de moderno que só os que não utilizam o transporte coletivo têm condições de aplaudir. Em outras capitais que já utilizam sistema semelhante, as falhas se estendem a denúncias de corrupção e favorecimentos ilícitos, além de falcatruas facilitadas pela não-identificação de empresas - motivo de muito escândalo em Brasília, capital do país, onde a padronização visual favoreceu até a pirataria.

Os defensores do sistema argumentam que as críticas vem de gente "infantil" e "irritada com o fim da diversidade visual" dos ônibus, como se este fosse o único problema no sistema atual de ônibus nas capitais brasileiras.

Eles é que estão por fora, pois os defeitos, que são muitos, não possuem grande visibilidade para quem, como eles, não utiliza o sistema, enxergando maravilhas que só possam ser vistas por binóculo. Como se a existência de micróbios num ambiente aparentemente limpo não pudesse justificar a existência de sujeiras e doenças neste ambiente.

Aqueles que não utilizam o transporte têm o dever de ficarem calados e pararem de puxar o saco das autoridades que, igualmente não utilizam o transporte que administram. Se não derem razão aos usuários, que sofrem pelos defeitos cotidianos que aumentam cada dia, nunca saberão os reais problemas que as autoridades insistem em não resolver.

E não conte com as "minhoconas" para resolvê-los. Talvez as coisas piorem ainda mais.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O "mercado" não é Deus

Os capitalistas vivem exigindo muito de todos. Tanto na hora de contratar pessoas ou vender produtos, os empresários estão acumulando exigências e regras numa burocracia sem fim que acaba prejudicando a todos, inclusive a eles mesmos. Mas porque eles continuam, mesmo com os fracassos? Eles argumentam que é culpa do "mercado".

O que esse "mercado" tem de tão importante cujas regras nunca podem ser mudadas? Será ele o "deus" dos capitalistas? Ou será que os capitalistas na verdade são tão incompetentes que são incapazes de criar outros meios de controlar esse mercado sem precisar se submeter às "suas" regras?

A ganância capitalista é obviamente paranoica. Na ânsia de ganhar dinheiro, não para sobreviver, mas para ser rico e "melhor" que os outros, capitalistas tem se arriscado de todas as maneiras, levando empresas à falência e prejudicando funcionários e consumidores, estabelecendo regras e requisitos que beiram o absurdo, muitas vezes incoerentes ao objetivo que se pretende alcançar.

E quando preguntados sobre tais exigências, o bordão vem na ponta da língua: "é por causa do mercado". Mercado, esse ser invisível que ninguém sabe quem é, mas que todos se submetem sem negar.

Não sai até quando essa paranoia irá acabar. O que se sabe é que muita gente está sendo prejudicada com isso e se continuar assim, o capitalismo - e os capitalistas - vão acabar falindo definitivamente, num suicídio freneticamente inevitável.

Não acham melhor afrouxar as regras e baratear preços, além de reduzir o padrão de vida, hein, ricos? Repensar as exigências poderá ser bom para todos, vocês não acham?

Até porque o "mercado" não de deus. Aliás, nem Deus gosta desse tal de "mercado".

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Nunca é bom estar "em cima do muro"

Respeito quem se assume como "cimista". Mas falta uma explicação sobre o que querem os "cimistas", já que ficar sem ideologia própria é um perigo, por estar bastante vulnerável ao "abutres" capitalistas, que adoram "cimistas" Muitos "cimistas" famosos hoje se assumem como capitalistas, torcendo para que todas as injustiças econômicas se mantenham.

Sei que a dita esquerda brasileira sempre decepcionou. Mas não vou abrir mão de um pensamento que prega a igualdade social. Pessoas sem ideologia, com o tempo, em muitos casos, acabam virando direitistas. Os empresários, gente sem caráter e com muita grana, contrata publicitários e "artistas" para fazerem a cabeça da população para que cedo ou tarde comecem a defendê-los e o sistema que os mesmos "líderes da humanidade" administram com suas mãos de ferro, cérebro de ameba e coração de aço.

Sou de esquerda, sim, mas aquela esquerda original. O ideal era haver o anarquismo (que não é bagunça e sim um sistema sem líderes - os capitalistas criaram a associação com "bagunça" para desmoralizar e imobilizar o anarquismo), pois não confio em líderes, que sempre levam os seus defeitos e interesses pessoais para suas atividades de liderança. Mas como a sociedade não está preparada para tal, fiquemos com o socialismo, a opção mais coerente com a imatura sociedade atual, ainda sem consciência de seus direitos e deveres.

Não sei porque os "cimistas" tanta raiva do socialismo. O socialismo NUNCA EXISTIU no Brasil, a não ser como palavra morta, um rótulo promotor. Rótulos são meros nomes quando não se põe em prática o que eles sugerem. Os erros que os "esquerdistas" cometem, são tipicamente capitalistas.

Os "cimistas" precisam explicar pra quê vieram, o que pensam e para onde pretendem ir, antes que os capitalistas venham conquistá-los com uma conversa bem sedutora, com juros e correções monetárias.