quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Nova Onda de Conservadorismo de Direita

O nosso país está bem longe de se desenvolver. Por enquanto, o país apenas se estaca no ramo do entretenimento, fazendo muita gente pensar que é por esse caminho que o Brasil se tornará um país de primeiro mundo.

Enquanto isso, ideologicamente, nossa sociedade se encontra em uma marcha a ré. Estamos recuperando tudo aquilo que o intelectualismo dos anos 60 conseguiu (ou pelo menos tentou) acabar. Estou vendo muita gente, vários mais jovens que eu, defendendo ideias de cadentes, envolvendo crenças religiosas, defesa dos mais ricos, do capitalismo e de valores antiquados. isso tudo mantendo a fachada de modernidade através de roupas modernas, palavrões, tatuagens e piercings. Nas redes sociais, defender ideias velhas (e decadentes) está cada vez mais comum.

Pelo jeito a sociedade, iludida com o desenvolvimento tecnológico, resolveu deixar a evolução para as máquinas apenas. Como se com a evolução da informática, por exemplo, o ser humano não precisasse mais se evoluir. Voltamos literalmente aos caquéticos anos 40 da América macartista. Isso no Brasil dos anos 2010.

Não sei até onde isso vai. Só sei dizer que está travando a evolução social de nossa sociedade, agravando problemas e perpetuando as injustiças, numa situação sem solução que não pode ser resolvida com os paliativos cedidos pela elite, pelas autoridades e pela mídia.

O jeito é esperar esse neomacartismo mostrar seus erros aos seus próprios não assumidos seguidores. Ideologia de teimoso só morre de suicídio.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"Rap da felicidade" não é música de protesto. E é ruim pacas

O troço pavoroso e humilhante que é conhecido como "funk" carioca, é um exemplo de decadência musical. Seus expoentes não possuem informação musical e tudo que eles conhecem sobre música é através do rádio e da televisão, péssimos professores de música. O que significa que nada tem de cultural, representando mais um braço da indústria de entretenimento, mesmo quando os projetos são feitos "por conta própria". E dá muito dinheiro aos seus envolvidos, embora ninguém goste de admitir isso.

A ideia de transformar o "funk" carioca em "movimento cultural", se deu pela necessidade de isenção fiscal por parte dos - poderosos - donos das equipes de som, além do acesso dos mesmos á vida política no Estado do Rio de Janeiro. Existe até uma bancada "funkeira" e um partido (o pseudo-esquerdista PSOL). Mesmo assim, essa conquista se dá através de vias alternadas, já que instituições oficiais não reconhecem essa patetice evidente como "cultura".

Além da péssima qualidade musical, caracterizada pela ausência de melodia, por arranjos fracos e vozes de calouro fracassado (abacaxi neles!), o "funk" ainda humilha o povo pobre através de letrinhas imbecis e coreografias ridículas.

O "Rap da Felicidade" não foge disso, já que é tosco e sua letra parece um trabalho escolar feito por uma criancinha de 7 aninhos de idade. Além disso, a "música" não é "rap" coisa nenhuma. É uma cirandinha mal cantada, com instrumental feito por teclado de centésima categoria, daqueles comprados "lá em Acari".

Reproduzo aqui a letrinha desta musiquetinha sem-vergonha que está sendo considerada pelos leigos como "música de protesto". Somente quem não conhece ou despreza a verdadeira música de protesto, sobretudo a da segunda metade dos anos 60 para achar uma tolice como essa, uma "música de protesto". Vou provar aqui que isso é uma mentira, inventada por quem quer promover - e se promover com - o "funk" carioca. Uma novíssima forma de paternalismo e gerar lucros com o sofrimento alheio.

Vão ler e estudar antes de cuspir uma droga como essa.

Vamos à letrinha, com autoria atribuída a um elemento que assina como Julinho Rasta e uma garota que assina somente como "Kátia". Vejam se não parece coisa de criancinha pequena.

Eu só quero é ser feliz / Andar tranqüilamente na favela onde eu nasci, é
E poder me orgulhar /E ter a consciência que o pobre tem seu lugar
- Esse verso é claramente conformista. Como uma letra "de protesto" pode ter um verso que estimula acomodação? Ser pobre é bom? Não ter dinheiro é bom? Esgoto na porta de casa é bom? Morrer de fome é bom? Não ter acesso a serviços básicos é bom?
Esses versos claramente são uma apologia da pobreza.

Fé em Deus... DJ
- Todos sabem que religiões tem muita força na população carente. Quem tem menos instrução é mais suscetível a manobras, da mídia e das igrejas.

Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer / Com tanta violência eu tenho medo de viver / Pois moro na favela e sou muito desrespeitado / A tristeza e a alegria aqui caminham lado a lado
- Esses versos só falam o óbvio. Quem é que gosta de violência? Somente quem a pratica, claro. Mesmo assim a letra fala em "alegria", mais um sinal de acomodação com os problemas com a pobreza.

Eu faço uma oração para uma santa protetora / Mas sou interrompido a tiros de metralhadora / Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela / O pobre é humilhado,esculachado na favela
- A religiosidade aparece novamente aqui. Mais uma vez se confirma a ingenuidade de quem escreveu, esperando que um ser invisível e sem existência comprovada possa resolver o seu problema. Há, pelo menos o reconhecimento de que os ricos vivem com melhor "qualidade de vida" (mesmo que seja apenas "grande" e bela", o que não significa qualidade explícita) e que o morador da favela é realmente humilhado.

Já não agüento mais essa onda de violência / Só peço, autoridade, um pouco mais de competência
- Mais um verso óbvio, que poderia ter sido escrito por qualquer pessoa sem vocação artística. Até mesmo um portador de Síndrome de Down é capaz de escrever versos como estes.

Diversão hoje em dia não podemos nem pensar / Pois até lá no baile eles vêm nos humilhar / Ficar lá na praça, que era tudo tão normal / Agora virou moda a violência no local
- Mais um versinho óbvio. Quer diversão? Vai trabalhar, malandro!

Pessoas inocentes, que não têm nada a ver / Estão perdendo hoje o seu direito de viver / Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela / Só vejo paisagem muito linda e muito bela
- Como é que é? Enlouqueceu? Cartão postal com favela? Favela é uma construção provisória e improvisada, uma caverna moderna feita para quem não tem condições de arrumar uma casa para morar. Não segue nenhuma regra de arquitetura e são lugares bem inseguros, visto que há "gatos" de energia, construções em áreas de deslizamentos, acessos apertados, além de serem claramente feios e sem qualquer infra-estrutura básica, vamos reconhecer. Somente masoquistas gostariam de viver eternamente num lugar de péssima qualidade, sem dignidade.

Quem vai pro exterior da favela sente saudade / O gringo vem aqui e não conhece a realidade / Vai pra Zona Sul pra conhecer água de coco / E pobre na favela,vive passando sufoco
- Uma contradição. O autor reconhece que a vida "de rico" é melhor que a dele, mas ainda mantém seu amor pela vida na favela. Qualé? Quer viver bem ou viver mal? Decide, pô! Recentemente, favelas viraram pontos turísticos para "gringos", o que no ponto de vista destes, é encarado como um "habitat" natural desta "espécie animal" conhecida como "favelado". Ou seja, mesmo quando a favela se torna objeto de atração para estrangeiros, existe humilhação ao povo pobre. Humilhação que é ignorada pelos autores.

Trocaram a presidência, uma nova esperança / Sofri na tempestade, agora eu quero a bonança / O povo tem a força, só precisa descobrir / Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui.
- Um detalhe a observar: "trocaram a presidência" na época, se refere ao governo Collor, um governo direitista que desagradou "gregos" e "troianos" após o confisco da poupança, algo que irritou bastante os ricos. O povo tem a força? Só se for a força troglodita dos brucutus. Sem educação (não me refiro a instrução escolar, mas ao preparo intelectual que desenvolve o senso crítico, que nem escola, nem mídia e nem sociedade dão a qualquer indivíduo), o povo não é nada.

Conselho aos defensores dessa joça. Vão aprender o que é cultura, arte e protesto. Vão estudar música. Vocês não sabem nada de coisa nenhuma.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Dorian Gray, Lenin e a Esquerda Brasileira

A obra mais famosa do escritor e intelectual Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray é interessante e criativa. Mostra a história de um sujeito que nunca envelhece, enquanto percebe que seu retrato vai envelhecendo. Isso me pôs a pensar sobre o que acontece com a esquerda brasileira e explica porque ela insiste em ser tão retrógrada até hoje.

Vale lembrar que o irlandês Wilde era um militante socialista e usou boa parte de sua obra para fazer, em forma de metáfora, críticas ao sistema. Vemos os ricos que bajulam os pobres (O Amigo Dedicado), os ricos que fingem ser pobres (O Modelo Milionário), os gananciosos (O Gigante Egoísta) e até mesmo as mulheres interesseiras (O Rouxinol e A Rosa) não escapam das críticas.

Mas talvez mesmo para ocultar a mensagem subversiva de suas obras, a mídia hoje, se preocupa mais em divulgar a vida pessoal de Wilde, um homossexual assumido, como se hoje dissessem: "não dê ouvidos aquela bicha louca". Como se homossexualismo tirasse a dignidade de uma pessoa, o que não é verdade. Existem muitos homossexuais dignos. Além disso a homossexualidade de Wilde é totalmente irrelevante para o entendimento da obra do autor.

E aí nos vem a obra sobre Dorian Gray. Pra variar ela não é metáfora anti-capitalista como as outras obras e sim, poderia ser colocada, atualmente, como uma não-intencional crítica à esquerda mofada. Na época certamente isso não passava na cabeça do bardo irlandês. Pois enquanto conservam o corpo de Lenin, que nunca apodrece, o sistema difundido por ele se encontra atualmente às traças.

O embalsamento de Lenin e o apodrecimento da esquerda brasileira

Quem conhece Lenin sabe que seu corpo atualmente se encontra embalsamado. Ele foi um dos principais difusores do socialismo mundial (como Trostsky e Marx, mas não como Stalin, que distorceu o socialismo, favorecendo sem querer o capitalismo ao influenciar o sucateamento do Leste Europeu). Até hoje seu corpo mantem a aparência dele quando vivo, dentro de uma redoma.

Enquanto o cadáver de Lenin não apodrece, os ideais da esquerda brasileira ficam presos nos tempos áureos em que Lenin estava vivo, como se uma utópica revolta bolchevique estivesse para acontecer a qualquer momento nos dias atuais. Um absurdo, se levarmos em conta toda a circunstância e todas as características do nosso cotidiano atual.

E é isso que mantem a esquerda mofada, repelindo seguidores, fortalecendo a direita (sempre inovadora) e impedindo o fim das injustiças consagradas com o capitalismo, mantendo a grossa massa da população na ignorância e na credulidade ao sistema e à mídia que difunde as regras desse sistema.

Os partidos que restam que se cuidem. Vários partidos que surgiram com pensamento socialista, já abraçaram o capitalismo como o PPS de Roberto Freire e o PV, partido em que fui simpatizante e hoje não sou mais, graças a essa "guinada". O PT está indo pelo mesmo caminho, com um governo claramente direitista e submisso ao PMDB, um partido que sempre foi de direita. Outros partidos, mesmo ainda admitindo o socialismo, resolveram adotar um discurso paternalista de "proteção" aos pobres, típico da direita existente na Republica Velha.

Se a esquerda não arrumar um jeito de se modernizar, vai acabar morrendo. Viver de glórias passadas é um erro. Do passado só devemos pegar as lições. A esquerda ainda tem que aprender a caminhar para a frente.

É preciso reconhecer que Lenin (junto com o contexto de seu tempo) morreu há muito tempo e um corpo nunca ganha vida com um simples embalsamento.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Administração forma direitistas

Eu estou fazendo um curso de Técnico Administrativo porque é a minha vocação e gosto de administrar. E nisso, acabei confirmando algo que sempre acreditei: cursos de Administração têm a intenção de formar ideólogos de direita.

Como hoje em dia há muita confusão sobre o que é esquerda ou direita, quero esclarecer que "direita" é uma ideologia que privilegia os mais ricos, priorizando seus interesses e transformando o resto da humanidade em servos das classes dominantes, com a obrigação de se conformarem com o que o sistema permite a elas. "Esquerda" seria o que se opõe a isso, defendendo que todos os seres humanos são iguais e merecedores dos mesmos direitos.

Mas cresce na sociedade um culto aos bem-sucedidos. O bem-sucedido se torna uma espécie de "herói" para a sociedade, como se "chegar lá" em si já fosse um benefício à humanidade, como se o exemplo dos bem-sucedidos servisse para alguma coisa. Na minha opinião só serve para impulsionar o "trabalha desgraçado!".

Parece que as pessoas hoje aceitam melhor as desigualdades, baseados naquela ideia medieval de que quem tem privilégios, tem porque merece. Mesmo que esses privilégios sejam conquistados de maneira ilícita. Claro, "os fins justificam os meios", não é o que dizem?

E isso é ensinado nos cursos de Administração, porque, embora sejam cursos de formação de líderes, eles se baseiam na ideia idiota de que a liderança não é uma missão e sim um privilégio e de que o "líder" é melhor do que os outros, justamente por ser um "líder". E isso acaba legitimando as injustiças e desigualdades, pois "quem é melhor merece sempre o melhor".

Já escutei coisas bem arcaicas em várias aulas, mas não vou ficar dizendo aqui. Só posso dizer que são daquelas ideias que colocam os capitalistas e seu sistema em posição de conforto, como se os capitalistas e seus defensores fossem "deuses perfeitos" que "nunca erram".

Mas sabem qual o problema maior? É que a maioria das pessoas envolvidas com os cursos, sejam docentes ou discentes, entram com aquela intenção de ficarem ricos, não de usar a administração para ajudar a sociedade. Ficar rico é a meta. Isso pode explicar tudo.

Administração com ideal socialista não é contradição. E é possível

Eu não penso assim, pois vejo a administração como uma missão, como algo prazeroso de se trabalhar, fazendo algo que pode beneficiar os outros.

Administrar deve sempre observar o bem estar de todos os envolvidos, sejam os próprios administradores, funcionários e a clientela. Privilegiar um deles nunca é bom e o serviço prestado deve sempre levar em conta o benefício de todos.

Nunca vejo a liderança como um privilégio. Ser líder é saber um pouco mais que o outro e usar esse conhecimento a mais para conduzir o subalterno a um aprendizado que possa ser útil ao seu desenvolvimento pessoal. E não preciso ganhar uma fortuna gigantesca para isso.

Até porque não gosto do estilo de vida fútil dos ricaços, gente que não sabe se divertir, só pensa em lucrar e tem pouco assunto para falar com os amigos e parentes, que se unem a eles apenas visando interesses mesquinhos e inúteis.

E mais: é possível ser administrador e socialista ao mesmo tempo. A aplicação de ideias socialistas na administração cria um equilíbrio salutar entre o progresso típico do capitalismo e a dissolução das classes sociais do socialismo, aniquilando injustiças e contribuindo para uma sociedade onde todos possam viver com dignidade e conforto.

Eu sou administrador, mas também sou socialista. Não abro mão de seguir essas duas ideologias.