quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Qual a vantagem de se morar em uma mansão?



Eis a mansão gigantesca que a modelo brasileira com cara, corpo e nome de alemã, Gisele Bundchen comprou com seu marido, o esportista Tom Brady, para viverem junto com o filho que tiveram em comum. Tem praticamente um tamanho e estrutura de um shopping de médio porte, só que feito para uma única família.

Muita gente sonha em viver numa mansão dessas, o que é algo que para mim foge de qualquer lógica. Que vantagem poucas pessoas viverem em um lugar tão grande e cheio de compartimentos? Só se for para se exibir aos outros, como se isso fosse uma qualidade da pessoa.

Eu nunca gostei de casas ou apartamentos grandes justamente pela sensação de vazio que geram. É a mesma sensação de um acasa vazia, ou uma casa abandonada, em construção, etc.. Um vazio total. Uma inevitável sensação de solidão.

Mansões, além de serem símbolos da arrogância das celebridades, é na verdade um pesadelo que contribui ainda mais para a manutenção da tristeza de uma vida normalmente sem amor e sem simplicidade, cuja única manifestação de algum romantismo se dá por gestos apenas aparentes, numa falsa fachada que acaba por iludir os fãs dessa celebridade, que correm o sério risco de serem decepcionadas pelo - aí sim, natural e legítimo - comportamento antipático da tal celebridade que, com razão, pede desesperadamente pelo sossego que não consegue ter.

E o benefício que a mansão dará para quem a adquiriu? A resposta certa: nenhum. Vai confinar a família numa solidão tenebrosa, onde os membros da família permanecerão isolados entre si e do mundo, acompanhados apenas da verdadeira tristeza que o isolamento sabe dar como ninguém.

Nem o pseudo-prestígio que o fato de ter uma mansão irá compensar a tristeza do isolamento de um imenso ambiente desolador. Uma verdadeira casa mal assombrada, cujos fantasmas são a ganância, o isolamento e a arrogância típica das celebridades que não tem nada melhor a fazer do que se trancar do mundo em castelos inúteis e sombrios.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Site de falso nerd atribui falso esquerdismo a direitista assumido



Hoje, em tempos de politicamente correto, legal é fingir ser bom, legal, espirituoso, humanista. Mas ser, o que é bom, exige muito conhecimento, além da abstinência de valores e hábitos consagrados socialmente. Como ser de fato competente e correto exige esforço, mas ter rótulos relacionados a isso dá prestígio, o jeito é fingir ser isso. Bingo! Nada mais legal do que se assumir correto e competente sem ter que ser de fato.

E algo interessante relacionado a isso achei na internet. O site "Judão", que se assume "nerd" sem ser de fato, publicou uma nota que atribui um falso engajamento por parte do "cineasta" José Padilha. responsável pelos dois pancadas-brazucas Tropa de Elite e que vai filmar uma nova versão do tolo Robocop. Tudo isso fingindo ser o "must must" do cinema "intelectualizado".

O texto passa a ideia de que Padilha é um cara consciente, a favor das classes oprimidas e que fez os filmes para supostamente denunciar o estilo de vida sofrido pela população humilde. Lindo, para quem não está por dentro da pessoa que se esconde por trás do "cineasta" José Padilha. Poucos sabem, mas um verdadeiro Nosferatu assume a verdadeira personalidade de Padilha.

Ele é um palestrante convidado do Instituto Millenium e é articulista do site oficial do mesmo instituto. Sabem o que é o Instituto Millenium?

O Instituto Millenium foi criado por capitalistas e simpatizantes do capitalismo (sem se assumirem como tais - eles se assumem "democratas"), para discutir temas que possam manter os interesses dos capitalistas intactos e que possam impedir que ideias renovadoras possam mudar a sociedade e tirar esses capitalistas do poder.

Gente retrógrada como Otávio Frias Filho, dono da Folha, A Famiglia Marinho, dona da Globo, jornalistas ranzinzas como Merval Pereira e até o Casseta Marcelo Madureira (que numa palestra mostrou um mau mor inacreditável para um humorista), entre muitos outros, incluindo membros da medieval Opus Dei.

O Instituto Millenium ficou famoso durante as eleições de 2010, em que declarou apoio explícito a José Serra, o candidato dos grandes empresários. As pautas discutidas neste instituto, apesar de usarem - em vão - o nome de "democracia" (como se a democracia fosse um patrimônio das elites), claramente mostram conteúdos típicos de apoio ao capitalismo, como a manutenção do direito à propriedade e a resolução dos problemas dos pobres através de paliativos e da cultura e educação de má qualidade. Todo capitalista sabe que povo conscientizado é uma ameaça ao capitalismo e manter a população emburrecida garante a tranquilidade dos poderosos.

Os caras do Judão, que não são nerds coisas nenhuma (seus hábitos, gostos e ideais são incoerentes aos de um nerd legítimo), não perceberam isto. E Padilha, ao associar seu nome ao nefasto instituto, confirma o que pessoas esclarecidas, como eu, perceberam a o assistir trechos de seu filme: um sistema falido, que tem que se manter falido para que os intereesses dos "fortes" nunca seja abalado.

É pelo jeito, para Padilha, não é só a tropa que é de elite. A sua mentalidade e a de seus amigos mais íntimos, lá do instituto, também.

Todos querem estar do lado dos coitados. Mas para tirar os coitados de seus sofrimentos, ninguém está disposto.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"Ônibus? Não sei o que é! Não ando nele!"



Todos estão carecas de saber que quem dita as regras do transporte público são justamente quem não usa com frequência os mesmos transportes. Por isso que os transportes representam um setor que há séculos sempre demonstra muitas falhas que não são realmente resolvidas.

Para tentar acalmar os usuários - ou talvez iludí-los - foi criado o modismo da "Mobilidade Urbana", nome pomposo dado a uma série de medidas que são claramente inspiradas no modelo lançado em 1974 pelo político e arquiteto Jaime Lerner, que já mostrou, do contrário que muitos pensam, que não é um sistema perfeito e nem universal, cabendo a cada prefeito escolher um modelo que respeitar as características de cada cidade.

Mas como no Brasil, é hábito colocar paliativos no lugar de soluções definitivas e dar muita ênfase ao aspecto visual (é evidente que a música, por exemplo, faz mais sucesso entre os brasileiros pelo apelo visual do que pelas canções em si - o falecido Michael Jackson que o diga).

E por causa desse aspecto visual, dá-lhe estações bonitas, ônibus compridos, vias elegantes, verdadeiras passarelas que levam o belíssimo sistema para lugar nenhum. Não que o sistema fosse ruim, mas ele não pode ser visto como uma solução em si. Vários fatores deveriam ser analisados - que não o farei aqui, pois não é a proposta dessa postagem).

Aí ficou fácil para as autoridades posarem de "heróis" do sistema de transporte, com os belos "minhocões" deixando todos de queixo caído, vias - cujas obras já surgem com polêmicas, por derrubarem residências, algumas reservas florestais, inclusive - que embelezam as avenidas, deixando-as com cara de cenário de road movie americano. Uma beleza.

Mas e o sistema como um todo? Todo o novo sistema do Rio já está um fiasco. Nem os BRSs conseguiram melhorá-lo, dando apenas uma aparência de moderno que só os que não utilizam o transporte coletivo têm condições de aplaudir. Em outras capitais que já utilizam sistema semelhante, as falhas se estendem a denúncias de corrupção e favorecimentos ilícitos, além de falcatruas facilitadas pela não-identificação de empresas - motivo de muito escândalo em Brasília, capital do país, onde a padronização visual favoreceu até a pirataria.

Os defensores do sistema argumentam que as críticas vem de gente "infantil" e "irritada com o fim da diversidade visual" dos ônibus, como se este fosse o único problema no sistema atual de ônibus nas capitais brasileiras.

Eles é que estão por fora, pois os defeitos, que são muitos, não possuem grande visibilidade para quem, como eles, não utiliza o sistema, enxergando maravilhas que só possam ser vistas por binóculo. Como se a existência de micróbios num ambiente aparentemente limpo não pudesse justificar a existência de sujeiras e doenças neste ambiente.

Aqueles que não utilizam o transporte têm o dever de ficarem calados e pararem de puxar o saco das autoridades que, igualmente não utilizam o transporte que administram. Se não derem razão aos usuários, que sofrem pelos defeitos cotidianos que aumentam cada dia, nunca saberão os reais problemas que as autoridades insistem em não resolver.

E não conte com as "minhoconas" para resolvê-los. Talvez as coisas piorem ainda mais.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O "mercado" não é Deus

Os capitalistas vivem exigindo muito de todos. Tanto na hora de contratar pessoas ou vender produtos, os empresários estão acumulando exigências e regras numa burocracia sem fim que acaba prejudicando a todos, inclusive a eles mesmos. Mas porque eles continuam, mesmo com os fracassos? Eles argumentam que é culpa do "mercado".

O que esse "mercado" tem de tão importante cujas regras nunca podem ser mudadas? Será ele o "deus" dos capitalistas? Ou será que os capitalistas na verdade são tão incompetentes que são incapazes de criar outros meios de controlar esse mercado sem precisar se submeter às "suas" regras?

A ganância capitalista é obviamente paranoica. Na ânsia de ganhar dinheiro, não para sobreviver, mas para ser rico e "melhor" que os outros, capitalistas tem se arriscado de todas as maneiras, levando empresas à falência e prejudicando funcionários e consumidores, estabelecendo regras e requisitos que beiram o absurdo, muitas vezes incoerentes ao objetivo que se pretende alcançar.

E quando preguntados sobre tais exigências, o bordão vem na ponta da língua: "é por causa do mercado". Mercado, esse ser invisível que ninguém sabe quem é, mas que todos se submetem sem negar.

Não sai até quando essa paranoia irá acabar. O que se sabe é que muita gente está sendo prejudicada com isso e se continuar assim, o capitalismo - e os capitalistas - vão acabar falindo definitivamente, num suicídio freneticamente inevitável.

Não acham melhor afrouxar as regras e baratear preços, além de reduzir o padrão de vida, hein, ricos? Repensar as exigências poderá ser bom para todos, vocês não acham?

Até porque o "mercado" não de deus. Aliás, nem Deus gosta desse tal de "mercado".

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Nunca é bom estar "em cima do muro"

Respeito quem se assume como "cimista". Mas falta uma explicação sobre o que querem os "cimistas", já que ficar sem ideologia própria é um perigo, por estar bastante vulnerável ao "abutres" capitalistas, que adoram "cimistas" Muitos "cimistas" famosos hoje se assumem como capitalistas, torcendo para que todas as injustiças econômicas se mantenham.

Sei que a dita esquerda brasileira sempre decepcionou. Mas não vou abrir mão de um pensamento que prega a igualdade social. Pessoas sem ideologia, com o tempo, em muitos casos, acabam virando direitistas. Os empresários, gente sem caráter e com muita grana, contrata publicitários e "artistas" para fazerem a cabeça da população para que cedo ou tarde comecem a defendê-los e o sistema que os mesmos "líderes da humanidade" administram com suas mãos de ferro, cérebro de ameba e coração de aço.

Sou de esquerda, sim, mas aquela esquerda original. O ideal era haver o anarquismo (que não é bagunça e sim um sistema sem líderes - os capitalistas criaram a associação com "bagunça" para desmoralizar e imobilizar o anarquismo), pois não confio em líderes, que sempre levam os seus defeitos e interesses pessoais para suas atividades de liderança. Mas como a sociedade não está preparada para tal, fiquemos com o socialismo, a opção mais coerente com a imatura sociedade atual, ainda sem consciência de seus direitos e deveres.

Não sei porque os "cimistas" tanta raiva do socialismo. O socialismo NUNCA EXISTIU no Brasil, a não ser como palavra morta, um rótulo promotor. Rótulos são meros nomes quando não se põe em prática o que eles sugerem. Os erros que os "esquerdistas" cometem, são tipicamente capitalistas.

Os "cimistas" precisam explicar pra quê vieram, o que pensam e para onde pretendem ir, antes que os capitalistas venham conquistá-los com uma conversa bem sedutora, com juros e correções monetárias.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Nova Onda de Conservadorismo de Direita

O nosso país está bem longe de se desenvolver. Por enquanto, o país apenas se estaca no ramo do entretenimento, fazendo muita gente pensar que é por esse caminho que o Brasil se tornará um país de primeiro mundo.

Enquanto isso, ideologicamente, nossa sociedade se encontra em uma marcha a ré. Estamos recuperando tudo aquilo que o intelectualismo dos anos 60 conseguiu (ou pelo menos tentou) acabar. Estou vendo muita gente, vários mais jovens que eu, defendendo ideias de cadentes, envolvendo crenças religiosas, defesa dos mais ricos, do capitalismo e de valores antiquados. isso tudo mantendo a fachada de modernidade através de roupas modernas, palavrões, tatuagens e piercings. Nas redes sociais, defender ideias velhas (e decadentes) está cada vez mais comum.

Pelo jeito a sociedade, iludida com o desenvolvimento tecnológico, resolveu deixar a evolução para as máquinas apenas. Como se com a evolução da informática, por exemplo, o ser humano não precisasse mais se evoluir. Voltamos literalmente aos caquéticos anos 40 da América macartista. Isso no Brasil dos anos 2010.

Não sei até onde isso vai. Só sei dizer que está travando a evolução social de nossa sociedade, agravando problemas e perpetuando as injustiças, numa situação sem solução que não pode ser resolvida com os paliativos cedidos pela elite, pelas autoridades e pela mídia.

O jeito é esperar esse neomacartismo mostrar seus erros aos seus próprios não assumidos seguidores. Ideologia de teimoso só morre de suicídio.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"Rap da felicidade" não é música de protesto. E é ruim pacas

O troço pavoroso e humilhante que é conhecido como "funk" carioca, é um exemplo de decadência musical. Seus expoentes não possuem informação musical e tudo que eles conhecem sobre música é através do rádio e da televisão, péssimos professores de música. O que significa que nada tem de cultural, representando mais um braço da indústria de entretenimento, mesmo quando os projetos são feitos "por conta própria". E dá muito dinheiro aos seus envolvidos, embora ninguém goste de admitir isso.

A ideia de transformar o "funk" carioca em "movimento cultural", se deu pela necessidade de isenção fiscal por parte dos - poderosos - donos das equipes de som, além do acesso dos mesmos á vida política no Estado do Rio de Janeiro. Existe até uma bancada "funkeira" e um partido (o pseudo-esquerdista PSOL). Mesmo assim, essa conquista se dá através de vias alternadas, já que instituições oficiais não reconhecem essa patetice evidente como "cultura".

Além da péssima qualidade musical, caracterizada pela ausência de melodia, por arranjos fracos e vozes de calouro fracassado (abacaxi neles!), o "funk" ainda humilha o povo pobre através de letrinhas imbecis e coreografias ridículas.

O "Rap da Felicidade" não foge disso, já que é tosco e sua letra parece um trabalho escolar feito por uma criancinha de 7 aninhos de idade. Além disso, a "música" não é "rap" coisa nenhuma. É uma cirandinha mal cantada, com instrumental feito por teclado de centésima categoria, daqueles comprados "lá em Acari".

Reproduzo aqui a letrinha desta musiquetinha sem-vergonha que está sendo considerada pelos leigos como "música de protesto". Somente quem não conhece ou despreza a verdadeira música de protesto, sobretudo a da segunda metade dos anos 60 para achar uma tolice como essa, uma "música de protesto". Vou provar aqui que isso é uma mentira, inventada por quem quer promover - e se promover com - o "funk" carioca. Uma novíssima forma de paternalismo e gerar lucros com o sofrimento alheio.

Vão ler e estudar antes de cuspir uma droga como essa.

Vamos à letrinha, com autoria atribuída a um elemento que assina como Julinho Rasta e uma garota que assina somente como "Kátia". Vejam se não parece coisa de criancinha pequena.

Eu só quero é ser feliz / Andar tranqüilamente na favela onde eu nasci, é
E poder me orgulhar /E ter a consciência que o pobre tem seu lugar
- Esse verso é claramente conformista. Como uma letra "de protesto" pode ter um verso que estimula acomodação? Ser pobre é bom? Não ter dinheiro é bom? Esgoto na porta de casa é bom? Morrer de fome é bom? Não ter acesso a serviços básicos é bom?
Esses versos claramente são uma apologia da pobreza.

Fé em Deus... DJ
- Todos sabem que religiões tem muita força na população carente. Quem tem menos instrução é mais suscetível a manobras, da mídia e das igrejas.

Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer / Com tanta violência eu tenho medo de viver / Pois moro na favela e sou muito desrespeitado / A tristeza e a alegria aqui caminham lado a lado
- Esses versos só falam o óbvio. Quem é que gosta de violência? Somente quem a pratica, claro. Mesmo assim a letra fala em "alegria", mais um sinal de acomodação com os problemas com a pobreza.

Eu faço uma oração para uma santa protetora / Mas sou interrompido a tiros de metralhadora / Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela / O pobre é humilhado,esculachado na favela
- A religiosidade aparece novamente aqui. Mais uma vez se confirma a ingenuidade de quem escreveu, esperando que um ser invisível e sem existência comprovada possa resolver o seu problema. Há, pelo menos o reconhecimento de que os ricos vivem com melhor "qualidade de vida" (mesmo que seja apenas "grande" e bela", o que não significa qualidade explícita) e que o morador da favela é realmente humilhado.

Já não agüento mais essa onda de violência / Só peço, autoridade, um pouco mais de competência
- Mais um verso óbvio, que poderia ter sido escrito por qualquer pessoa sem vocação artística. Até mesmo um portador de Síndrome de Down é capaz de escrever versos como estes.

Diversão hoje em dia não podemos nem pensar / Pois até lá no baile eles vêm nos humilhar / Ficar lá na praça, que era tudo tão normal / Agora virou moda a violência no local
- Mais um versinho óbvio. Quer diversão? Vai trabalhar, malandro!

Pessoas inocentes, que não têm nada a ver / Estão perdendo hoje o seu direito de viver / Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela / Só vejo paisagem muito linda e muito bela
- Como é que é? Enlouqueceu? Cartão postal com favela? Favela é uma construção provisória e improvisada, uma caverna moderna feita para quem não tem condições de arrumar uma casa para morar. Não segue nenhuma regra de arquitetura e são lugares bem inseguros, visto que há "gatos" de energia, construções em áreas de deslizamentos, acessos apertados, além de serem claramente feios e sem qualquer infra-estrutura básica, vamos reconhecer. Somente masoquistas gostariam de viver eternamente num lugar de péssima qualidade, sem dignidade.

Quem vai pro exterior da favela sente saudade / O gringo vem aqui e não conhece a realidade / Vai pra Zona Sul pra conhecer água de coco / E pobre na favela,vive passando sufoco
- Uma contradição. O autor reconhece que a vida "de rico" é melhor que a dele, mas ainda mantém seu amor pela vida na favela. Qualé? Quer viver bem ou viver mal? Decide, pô! Recentemente, favelas viraram pontos turísticos para "gringos", o que no ponto de vista destes, é encarado como um "habitat" natural desta "espécie animal" conhecida como "favelado". Ou seja, mesmo quando a favela se torna objeto de atração para estrangeiros, existe humilhação ao povo pobre. Humilhação que é ignorada pelos autores.

Trocaram a presidência, uma nova esperança / Sofri na tempestade, agora eu quero a bonança / O povo tem a força, só precisa descobrir / Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui.
- Um detalhe a observar: "trocaram a presidência" na época, se refere ao governo Collor, um governo direitista que desagradou "gregos" e "troianos" após o confisco da poupança, algo que irritou bastante os ricos. O povo tem a força? Só se for a força troglodita dos brucutus. Sem educação (não me refiro a instrução escolar, mas ao preparo intelectual que desenvolve o senso crítico, que nem escola, nem mídia e nem sociedade dão a qualquer indivíduo), o povo não é nada.

Conselho aos defensores dessa joça. Vão aprender o que é cultura, arte e protesto. Vão estudar música. Vocês não sabem nada de coisa nenhuma.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Dorian Gray, Lenin e a Esquerda Brasileira

A obra mais famosa do escritor e intelectual Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray é interessante e criativa. Mostra a história de um sujeito que nunca envelhece, enquanto percebe que seu retrato vai envelhecendo. Isso me pôs a pensar sobre o que acontece com a esquerda brasileira e explica porque ela insiste em ser tão retrógrada até hoje.

Vale lembrar que o irlandês Wilde era um militante socialista e usou boa parte de sua obra para fazer, em forma de metáfora, críticas ao sistema. Vemos os ricos que bajulam os pobres (O Amigo Dedicado), os ricos que fingem ser pobres (O Modelo Milionário), os gananciosos (O Gigante Egoísta) e até mesmo as mulheres interesseiras (O Rouxinol e A Rosa) não escapam das críticas.

Mas talvez mesmo para ocultar a mensagem subversiva de suas obras, a mídia hoje, se preocupa mais em divulgar a vida pessoal de Wilde, um homossexual assumido, como se hoje dissessem: "não dê ouvidos aquela bicha louca". Como se homossexualismo tirasse a dignidade de uma pessoa, o que não é verdade. Existem muitos homossexuais dignos. Além disso a homossexualidade de Wilde é totalmente irrelevante para o entendimento da obra do autor.

E aí nos vem a obra sobre Dorian Gray. Pra variar ela não é metáfora anti-capitalista como as outras obras e sim, poderia ser colocada, atualmente, como uma não-intencional crítica à esquerda mofada. Na época certamente isso não passava na cabeça do bardo irlandês. Pois enquanto conservam o corpo de Lenin, que nunca apodrece, o sistema difundido por ele se encontra atualmente às traças.

O embalsamento de Lenin e o apodrecimento da esquerda brasileira

Quem conhece Lenin sabe que seu corpo atualmente se encontra embalsamado. Ele foi um dos principais difusores do socialismo mundial (como Trostsky e Marx, mas não como Stalin, que distorceu o socialismo, favorecendo sem querer o capitalismo ao influenciar o sucateamento do Leste Europeu). Até hoje seu corpo mantem a aparência dele quando vivo, dentro de uma redoma.

Enquanto o cadáver de Lenin não apodrece, os ideais da esquerda brasileira ficam presos nos tempos áureos em que Lenin estava vivo, como se uma utópica revolta bolchevique estivesse para acontecer a qualquer momento nos dias atuais. Um absurdo, se levarmos em conta toda a circunstância e todas as características do nosso cotidiano atual.

E é isso que mantem a esquerda mofada, repelindo seguidores, fortalecendo a direita (sempre inovadora) e impedindo o fim das injustiças consagradas com o capitalismo, mantendo a grossa massa da população na ignorância e na credulidade ao sistema e à mídia que difunde as regras desse sistema.

Os partidos que restam que se cuidem. Vários partidos que surgiram com pensamento socialista, já abraçaram o capitalismo como o PPS de Roberto Freire e o PV, partido em que fui simpatizante e hoje não sou mais, graças a essa "guinada". O PT está indo pelo mesmo caminho, com um governo claramente direitista e submisso ao PMDB, um partido que sempre foi de direita. Outros partidos, mesmo ainda admitindo o socialismo, resolveram adotar um discurso paternalista de "proteção" aos pobres, típico da direita existente na Republica Velha.

Se a esquerda não arrumar um jeito de se modernizar, vai acabar morrendo. Viver de glórias passadas é um erro. Do passado só devemos pegar as lições. A esquerda ainda tem que aprender a caminhar para a frente.

É preciso reconhecer que Lenin (junto com o contexto de seu tempo) morreu há muito tempo e um corpo nunca ganha vida com um simples embalsamento.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Administração forma direitistas

Eu estou fazendo um curso de Técnico Administrativo porque é a minha vocação e gosto de administrar. E nisso, acabei confirmando algo que sempre acreditei: cursos de Administração têm a intenção de formar ideólogos de direita.

Como hoje em dia há muita confusão sobre o que é esquerda ou direita, quero esclarecer que "direita" é uma ideologia que privilegia os mais ricos, priorizando seus interesses e transformando o resto da humanidade em servos das classes dominantes, com a obrigação de se conformarem com o que o sistema permite a elas. "Esquerda" seria o que se opõe a isso, defendendo que todos os seres humanos são iguais e merecedores dos mesmos direitos.

Mas cresce na sociedade um culto aos bem-sucedidos. O bem-sucedido se torna uma espécie de "herói" para a sociedade, como se "chegar lá" em si já fosse um benefício à humanidade, como se o exemplo dos bem-sucedidos servisse para alguma coisa. Na minha opinião só serve para impulsionar o "trabalha desgraçado!".

Parece que as pessoas hoje aceitam melhor as desigualdades, baseados naquela ideia medieval de que quem tem privilégios, tem porque merece. Mesmo que esses privilégios sejam conquistados de maneira ilícita. Claro, "os fins justificam os meios", não é o que dizem?

E isso é ensinado nos cursos de Administração, porque, embora sejam cursos de formação de líderes, eles se baseiam na ideia idiota de que a liderança não é uma missão e sim um privilégio e de que o "líder" é melhor do que os outros, justamente por ser um "líder". E isso acaba legitimando as injustiças e desigualdades, pois "quem é melhor merece sempre o melhor".

Já escutei coisas bem arcaicas em várias aulas, mas não vou ficar dizendo aqui. Só posso dizer que são daquelas ideias que colocam os capitalistas e seu sistema em posição de conforto, como se os capitalistas e seus defensores fossem "deuses perfeitos" que "nunca erram".

Mas sabem qual o problema maior? É que a maioria das pessoas envolvidas com os cursos, sejam docentes ou discentes, entram com aquela intenção de ficarem ricos, não de usar a administração para ajudar a sociedade. Ficar rico é a meta. Isso pode explicar tudo.

Administração com ideal socialista não é contradição. E é possível

Eu não penso assim, pois vejo a administração como uma missão, como algo prazeroso de se trabalhar, fazendo algo que pode beneficiar os outros.

Administrar deve sempre observar o bem estar de todos os envolvidos, sejam os próprios administradores, funcionários e a clientela. Privilegiar um deles nunca é bom e o serviço prestado deve sempre levar em conta o benefício de todos.

Nunca vejo a liderança como um privilégio. Ser líder é saber um pouco mais que o outro e usar esse conhecimento a mais para conduzir o subalterno a um aprendizado que possa ser útil ao seu desenvolvimento pessoal. E não preciso ganhar uma fortuna gigantesca para isso.

Até porque não gosto do estilo de vida fútil dos ricaços, gente que não sabe se divertir, só pensa em lucrar e tem pouco assunto para falar com os amigos e parentes, que se unem a eles apenas visando interesses mesquinhos e inúteis.

E mais: é possível ser administrador e socialista ao mesmo tempo. A aplicação de ideias socialistas na administração cria um equilíbrio salutar entre o progresso típico do capitalismo e a dissolução das classes sociais do socialismo, aniquilando injustiças e contribuindo para uma sociedade onde todos possam viver com dignidade e conforto.

Eu sou administrador, mas também sou socialista. Não abro mão de seguir essas duas ideologias.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Fernando Henrique Superstar

Ultimamente tenho notado que é maior do que eu imaginava o número de pesoas satisfeitas e até felizes com os anos em que o Brasil foi governado pelo sociólogo pseudo-esquerdista Fernando Henrique Cardoso, se esquecendo - ou até se lembrando - de que foi nesse governo que o capitalismo brasileiro ganhou o seu maior impulso, vendendo importantes empresas ao capital privado, sobretudo estrangeiro e piorando cada vez mais a situação dos pobres, apesar de ter conseguido estabilizar a moeda, o que só melhorou bem pouco a vida da classe mais carente.

Esse novo culto ao FHC mostra que o conservadorismo está em alta e que o verdadeiro altruísmo está sendo enterrado de vez, substituído pelo assistencialismo, uma forma tosca de altruísmo caracterizada pela distribuição de esmolas, sejam grandes ou não e pela utilização de paliativos para resolver os problemas dos mais carentes. As pessoas têm se mostrado cada vez mais egoístas e alheias aos problemas do cotidiano. Óbvio, já que os fãs de FHC n~]ao são vítimas desses problemas, já que muitos pertencem as classes abastadas.

É preciso tomar cuidado com a onda de neoconservadorismo que está chegando por aí, ressuscitando ideias decadentes, defendendo valores duvidosos e perpetuando todas as injustiças que estamos cansados de ver por aí.

FHC é símbolo máximo da decadência do Brasil. Dizer que o governo dele foi o melhor é o mesmo do que mandar toda a população brasileira para o raio que a parta.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Como é um moderador de internet ou como colocar pessoas comuns para liderar

Diz um ditado famoso que: para se conhecer uma pessoa, é preciso dar poder a ela. E é uma verdade. O poder é um narcótico viciante que dá uma estranha liberdade que pode ser desastrosa na mão de quem não tem vocação para liderar.

No poder, uma pessoa age da maneira que quer. Confunde a sua missão de liderar como se fosse um privilégio para agir da maneira que entende, satisfazendo seus interesses particulares ( e de quem ele se simpatiza) e colocando suas próprias convicções subjetivas como critério de aceitação e eliminação de ideias ou pessoas.

Na internet, observamos muito isso, pois existe a chamada "moderação", uma espécie de liderança de sites ou fóruns e que cuja tecnologia favorece a liderança irresponsável, ao mesmo tempo que impede o diálogo. As punições são muitas vezes automáticas, para quem não concorda com os termos de uso (muitas vezes cheios de regras subjetivas), sem oportunidade de diálogo, muitas vezes causando um grande estrago ao prejudicado pela eliminação.

O moderador muitas vezes é uma pessoa comum que abusa da liderança conquistada facilmente para fazer o que quer, obter o que deseja e eliminar do seu caminho as pessoas que poderão ferir seus interesses.

Mesmo assim, a internet ainda é o meio mais democrático de comunicação. Na grande rede de computadores é que pessoas simples, que não concordam com as injustiças de nosso mais-do-que falho sistema social, tem a oportunidade de divulgar suas ideias. Coisa impossível de se fazer em outros meios como a televisão. mas como citei, a internet também dá privilégios aos líderes ruins.

O ideal é que houvesse uma oportunidade de diálogo, uma revisão de conceitos e interesses e uma negociação ampla para quem nenhum lado fosse prejudicado. Privilegiar apenas os fortes é um ato retrógrado que não combina mais em tempos de informatização ampla em que vivemos.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Que país é esse?, com Aborto Elétrico e os 15 anos sem Renato Russo

Hoje lembramos os 15 anos de desencarne de Renato Russo, um dos compositores que mais escreveram letras bem críticas ao nosso sempre falido sistema político-econômico-social.

Essa gravação é uma relíquia, pois não se trata da Legião Urbana e sim do Aborto Elétrico, banda punk liderada por Russo. A gravação, segundo que postou a mesma, data de 1978, ainda na ditadura militar (apesar de ser o ano que encerrou o temido AI5. Um dos momentos mais marcantes do rock de Brasília.

Saudades de Renato. Ela nos faz muita falta. Justamente quando cada vez mais precisamos de compositores e pessoas como ele.

Obrigado por tudo, Renato.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Acreditar que "benefícios" da copa serão "eternos" é o mesmo que confiar em autoridades corruptas

Uma onda de otimismo exagerado tomou conta do país por causa dessa copa desnecessária. O Brasil virou a meca do entretenimento e por isso os gastos com diversão viraram prioridades, mesmo com os problemas típicos de terceiro mundo ainda mantidos.

E com isso, muita gente se alegra com as obras de mobilidade urbana que serão feitas por causa do evento. Há uma polêmica, já que muitos dizem que não estão sendo feitas por causa da copa, mas ao memo tempo que provam que estão. Se estas obras não são para a copa, porque precisam desse evento para serem feitas? E porque os projetos priorizam trajetos que estão diretamente ligados ao evento?

Quem pensam que querem enganar? Tá na cara que estas obras estão sendo feitas para a copa. Mas aí eu pergunto, porque não cancelar essa copa e simplesmente concluir as obras. Os alienados vão argumentar que somente com a copa é que estas obras poderão ser construídas. Falta de raciocínio lógico adequado.

Das duas uma: Ou essas obras são para a copa e dependem dela para serem feitas, ou são para a população, podendo cancelar o evento e continuar tranquilamente. Para mim, apesar dessas obras não dependerem de copa para serem feitas - ao menos que queiram jogar uma pelada numa estação de BRT - é por causa desses eventos que elas estão sendo feitas, com a única finalidade de promover os políticos responsáveis diante de uma demanda estrangeira - que não será tão grande assim - e mostrarem uma fachada primeiro-mundista de nosso país, numa tentativa de esconder ainda mais os problemas crônicos , que aliás não serão resolvidos com os BRTs. Ou os enormes ônibus articulados vão tirar dinheiro dos ricos para dar aos pobres. Melhorias para mim, só se houver um Robin Hood no Brasil. Só ele salva.

De repente, todos começaram a confiar em políticos corruptos

E pelo jeito o plano desses políticos não só está ajudando a promover a imagem diante do mundo como diante dos brasileiros também. De uma hora para a outra, a população começou a confiar nos políticos, normalmente corruptos, na conclusão e manutenção dessas obras. Vários acreditam que elas estão sendo feitas para a população, quando a realidade mostra que não é bem assim.

Mesmo que permaneçam, essas obras de mobilidade urbana irão perder a eficiência com o encerrar dos grandes eventos. Não é tradição de nossos políticos fazer algo que agrade a população. Com o tempo, os enormes articulados vão se mostrar grandes "elefantes brancos" que não ajudarão a reduzir os automóveis - simbolo de status para muita gente ainda - e muito menos resolverão os problemas de trânsito das cidades onde estarão instaladas.

Com o tempo, os articulados irão apodrecer com a má conservação e se mostrarão caros, podendo ser substituídos a longo prazo por ônibus menores e muito mais baratos de se conservar. Para os fanáticos por articulados, isso parece um pesadelo, mas experiências passadas mostram que são grandes as chaces disso acontecer. Até mesmo em Curitiba, que antes desse modismo da mobilidade estava comprando mais ônibus convencionais de motorização dianteira, só aderiu aos belos Megas BRT por causa desse mesmo modismo. Quando a festinha acabar, voltamos aos velhos "cabritos" também na capital paranaense. Para quem não sabe, já se fala na extinção dios biarticulados, com a conclusão das obras do metrô curitibano. É aguardar para ver.

Muitos problemas, muitas cidades, mas uma só solução

Outra coisa a observar é que todas as cidades estão usando uma só solução para o transporte, inspirados no BRT de Curitiba. Parece que toda cidade resolveu brincar de "Mamãe eu sou Curitiba". Até a apertadíssima São Gonçalo, resolveu aderir ao modismo. Todas se esquecendo de que colocar articulados em vias exclusivas não é a única solução para o transporte e que apesar de ser mitologicamente considerado perfeito, também possui desvantagens, como veículos grandes demais e a longa distância entre os pontos de ônibus e o destino de muitos passageiros, já que os BRTs não rodam em todas as ruas.

O brasileiro tem tradição modista. Adora modismos, que pagam aqui com muita rapidez. E os modismos duram, como o secular modismo do futebol que atrai gerações e gerações e que faz todo mundo ficar feliz em sediar o seu esporte "preferido", em muitos casos, colocando acima de interesses mais sérios e necessários. Divertir virou a palavra de ordem. Divertir ficou mais importante que do que viver.

E justamente essa mentalidade de diversão e fascínio pelo espetáculo que faz todos babarem pelos enormes articulados que irão circular nas vias exclusivas. Uma admiração claramente subjetiva, apaixonada, ao mesmo tempo irresponsável. Não adianta argumentar que a defesa dos BRTs visa o bem estar de seus usuários. Isso não convence quem sabe que cada caso é um caso e que muita coisa tem que ser feita para melhorara mobilidade urbana, que colocar articulados, além de ser apenas um detalhe desse projeto de mobilidade, ele não serve para qualquer localidade.

Defender essas obras como única solução do transporte e ignorar as suas consequências negativas, seja a sua inadequação, seja o descaso em sua conservação após os eventos, é na verdade aderir a um espetáculo miraculoso proposto pelas corruptas autoridades, muito mais interessadas em ganhar dinheiro enganando a população, do que oferecer um serviço de qualidade que possa causar um bem estar à mesma.

Acordem, população, isso é Brasil. Milagres não existem. E segurem as suas carteiras! Tem gatuno por perto!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

10 passos para se construir um país idiota

Vejam o primeiro video que diz tudo e ouçam a música da banda Eletronic, que tem o ex-New Order Bernard Sumner e o ex-Smiths Johnny Marr, que se chama "País Idiota" e aproveitem para desabafar!



terça-feira, 13 de setembro de 2011

Postagem depois do almoço



Hoje por motivos alheios a nossa vontade, postaremos após o almoço. Aguarde-nos e tenha um ótimo apetite. Daqui a pouco estaremos de volta.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Porque o grande interesse e comoção da grande mídia com o "11 de setembro"?

Ontem, foi a "comemoração" (ou o que querem que isso signifique) dos 10 anos aos ataques ao World Trade Center, ocorridos em 11 de setembro de 2001.

A semana do episódio foi, pessoalmente para mim, uma época de mudanças. Primeiro, aconteceu no 30° ano de minha vida. Era o terceiro dia que passei a morar na Rua Cassilandro Barbuda (minha última residência em Salvador, antes de voltar a Niterói após 18 anos). Era também o início do segundo semestre que eu cursei na volta a faculdade, após ter trancado para trabalhar como supervisor no Censo de 2000.

Vi pela TV a notícia, ligada no Hospital da Marinha que ficava na Cidade Baixa, buscar o resultado de um exame para a minha mãe. Estranhei aquela cena vista na tela da TV. Só fui realmente entender o que aconteceu quando eu cheguei em casa.

Mas o que eu questiono aqui é porque tanto culto a esse episódio se ele interessa mais aos EUA e seu número de vítimas, embora grande, é inferior a muitos desastres e atos de violência que vemos por aí.

Interessante que os estadunidenses, com sua clássica histeria (todo arrogante é histérico quando ferido, seja fisicamente, materialmente ou psicologicamente) acharam que o ataque foi contra "o mundo", achando que todos os países estavam em risco tanto com os EUA. Pelas informações que eu sei, e que os histéricos insistem em ignorar, é que o ataque era claramente contra os EUA, como uma forma - péssima, diga-se de passagem - de protesto contra a mania ianque de ficar se metendo nos assuntos de outras nações.

Não confundam esse questionamento como uma espécie de "apoio" aos ataques. É até óbvio dizer que os ataques são totalmente reprováveis. Quem apóia ou é ignorante ou tem más intenções.

O que quero dizer é: pra quê ficar cultuando esse episódio? Cultuar não vai trazer as vítimas de volta. Cultuar, não vai diminuir nossa insegurança diante dos perigos existentes. Cultuar não vai ajudar em nada a melhorar a sociedade.

Claro que lá nos EUA, sobretudo em Nova York, o episódio tem muita razão de ser lembrado, já que é incontestável admitir que houveram muitas consequências a nível local. Mas a nível mundial, quase nada.

É inútil ficarmos fazendo especiais, dedicando páginas, textos e deixarmos de fazer nossas coisas para ficar cultuando esse episódio. Isso só confirma mais ainda nossa insegurança e submissão aos ditames dos EUA. Como se cultuar o episódio fosse melhorar nossas relações com o país mais poderoso do mundo. Como se cultuar o ocorrido fosse provar que somos "boas pessoas" (e não somos mesmo - estamos aprendendo a ser).

Pelo jeito, o culto maciço da mídia brasileira ao episódio é um verdadeiro ato de bajulação aos EUA. Já é de longe o fato de que a grande mídia brasileira é totalmente submissa aos EUA. Pelas propagandas, pelos produtos vendidos e pelo fato de que quase todos os termos técnicos surgidos nos últimos anos sejam em inglês, para percebermos que vivemos abaixando nossas cabeças aos ianques, desmentindo totalmente a utópica soberania que só existe nas páginas da Constituição Federal e na letra do Hino.

Ainda não declaramos nossa independência dos EUA. E não sabemos quando iremos.

O que sabemos é que o sangue e as lágrimas derramadas por causa das mortes do 11 de setembro de 2001, nunca irão lavar a nossa sujeira cotidiana. Esta, que deveria ser limpa com o nosso suor e não com a inércia de ficarmos cultuando os desastres alheios.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Poder e visibilidade dá credibilidade a decisões subjetivas de tecnocratas

Todos sabem que um diploma de nível superior facilita e muito as coisas na vida profissional. E isso até é bom, pois o profissional que possui a teoria ensinada nas universidades, é bem mais preparado para encarar dos desafios que a profissão - e a vida também - oferecem a cada dia.

Mas tem gente que exagera. Tem gente que usa o diploma como instrumento de poder, se achando melhor do que os outros e dono da verdade só porque possui uma graduação universitária ou pós. A esses sujeitos que acham que o diploma é a voz da consciência coletiva, impondo suas ideias, mesmo erradas ou subjetivas, damos o nome de tecnocratas.

Esse profissionais se encasquetaram de pensar que sabem melhor do que os outros e, se baseando nisso, impor suas vontades e convicções subjetivas, simplesmente porque "possuem o conhecimento necessário" para tomarem alguma atitude.

Mas aí, se esquecendo de que são seres humanos, acabam cometendo equívocos simplesmente porque o diploma e a visibilidade lhes dá o direito de decidirem pela maioria, mesmo que seja algo contra o interesse dessa mesma maioria.

Mas o bom senso deveria prevalecer. Temos que entender que diploma não é atestado de inteligência ou sabedoria, que aprendizado acadêmico não é tudo. E que os tecnocratas são sers humanos como nós, passíveis de erros. Afinal todos os dias somos surpreendidos por situações que desafiam o nosso conhecimento. E isso não é coisa para ser resolvida com um simples diploma.

Que os tecnocratas engavetem sua arrogância e reconheçam que eles não sabem tudo. É preciso passar por muitas experiências, algumas desagradáveis , para que conheçamos os fatos e possamos realmente discutir sobre qual a melhor solução para determinado problema.

Porque posar de deuses e impor decisões pode acarretar numa responsabilização de uma consequência desagradável, que pode prejudicar a muita gente. Pensem nisso.

Enquanto para a população, eu aconselho não confiar em qualquer autoridade. Eles também cometem erros.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

As trapalhadas do Rio de Janeiro para a copa e olimpíadas

Com absoluta certeza, foi sem pensar que as autoridades lançaram a candidatura do Brasil para a copa e do Rio para as olimpíadas. Do mesmo jeito que um jovem que não sabe dirigir pega um carro para sair de madrugada e beber antes de pegar no volante.



Falarei do Rio porque vivo em Niterói, cidade vizinha e observo bem o que está acontecendo. E muitas trapalhadas tem aparecido demonstrando a total incompetência de nossas autoridades, muito mais preocupadas em lucrar financeiramente e em visibilidade com esse eventos.



O episódio dos bueiros, a queda de qualidade no transporte municipal - onde o BRT só vai servir como um tapete para tapar o buraco do transporte carioca - que ganha mais um capítulo com o fatal acidente dos bondes (que curiosamente são administrados pelo estado), além dos problemas que estamos cansados de ver.



E em alguns desses episódios, turistas estrangeiros se encontram entre as vítimas, podendo render uma imagem negativa ao exterior. Se bem que os embriagados hooligans que virão para a copa até gostarão dos problemas daqui porque representarão uma "aventura" para eles se divertirem.



BRT pode ser um engodo na capital do Rio



Agora, sobre o recente fato dos bondes, uma pergunta: quem não sabe cuidar de bondes, vai saber cuidar do BRT? E será que não tinha outra solução melhor para o Rio que não fossem os onerosos BRTs. Planejar melhor o transporte que já existe, conservando e renovando a frota constantemente, não seria melhor?



Mas tem que ter esse trenzão sobre pneus para mostrar serviço. As coisas têm que melhorar na aparência para os trouxas poderem ficar deslumbrados e pensar que tudo está melhorando. Melhorias que não são vistas de longe, mesmo sendo concretas, não empolgam visualmente.



Numa época em que até a música tem que ser visual para fazer sucesso, as melhorias também tem que ser visuais para que possam ser percebidas.



O BRT (que segundo o plano proposto para Niterói, é adequado, mas chega a ser nocivo para São Gonçalo), pode não ser o ideal para a capital fluminense. Era melhor replanejar o sistema que já existe (e não dividindo em consórcios, que é a mesma coisa que colocar judeus e muçulmanos no mesmo balaio), alterando itinerários e pontos, sem a necessidade de derrubar casas para uma via que na verdade só serve para separar os turistas da população local.



Essa copa e essa olimpíada ainda vão dar o que falar. mesmo que dê certo, vai render uma recessão financeira que será paga pela mesma população que, ingenuamente, aplaude essas caras obras. Quem viver, chorará.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Machismo em alta: homens defendem piada insana de Rafinha Bastos

Está virando um bordão em minha vida essa história de que o país não está evoluindo a sua sociedade. Cada vez mais noto que a população brasileira está parecendo um espantalho: sem inteligência e sem sensibilidade, apenas com vontade de sobreviver e querer provar que é "melhor" que os outros.



Em vários fóruns e sessões de cometários, noto que os homens em geral, estão defendendo o Rafinha Bastos, naquele triste episódio em que o comediante, famoso por seu estilo truculento, disse que toda vítima de estupro é feia e deveria agradecer o estuprador com um abraço. Isso não é piada que se diga, mas a machistada - que prefere ver todos os finais de semana um monte de suados correndo atrás de uma bola do que uma gata toda cheirosa - se bandeou para o lado do crápula.



Felizmente, nunca passei por isso e por não ser machista e me solidarizar com as mulheres, além de reconhecer que estupro não é sexo e sim violência, não gostei da piada e coloquei Rafinha e toda a sua turma de pró-capitalistas do CQC - que é "cover" do horrendo Pânico (ou Penico?) na TV na lista negra das celebridades brasileiras que contribuem para o atraso intelectual da sociedade brasileira. Uma lista que digamos, é muito longa.



Seus defensores afirmam que o que foi dito "era uma piada ingênua" e que patrulhar e punir o comediante era perda de tempo e algo inútil. Tá, piada ingênua.



Imagine esses defensores se eu fizesse piadas estigmatizando os torcedores de futebol como viados não-assumidos (o que cá pra nós, a maioria é de fato). Será que eles gostariam?



Daqui a pouco, andar pelado na rua "não será nada demais", muito menos falar palavrão diante autoridades executivas.



Piada tem que ter um limite. Rir de estereótipos, tudo bem, mas brincar com o sentimento alheio, aí é inaceitável.



Durante muitos anos, os danosos atos de bullying, sempre foram tratados como "brincadeira sadia", causando uma impunidade aos causadores desse ato infeliz e arruinando para sempre a vida de muitas vítimas. O que Rafinha fez foi um bullying com as vítimas de estupro, algo que mereceria punição rigorosa em país sério.



Para quem não sabe, principalmente para o Rafinha, que curiosamente é casado - porque um traste como esse merece ter mulher mais do que eu? - um estupro é um ato de violência caracterizado pelo ato sexual imposto a força, acompanhado de agressão física. Quem foi vítima - ou quem se sensibiliza com as vítimas - sabe que é um ato horrendo, traumatizante e pode gerar danos irreversíveis a personalidade e ao corpo, ocorrendo grande possibilidade de danos físicos e gravidez indesejada.



Rafinha brincou com fogo e lançou as labaredas para cima das indefesas vítimas. O que ele disse não teve a menor graça e ele e seus defensores deveriam pagar junto como cúmplices dessa horda de estupradores, gente perversa, que na ânsia de satisfazer instintos puramente animais, estraga a reputação de respeitáveis mulheres, com atos que toda pessoa sensata deveria ter a obrigação de reprovar.



Ou será que Rafinha e os defensores dessa infeliz piada têm que ser estuprados para poder conhecer a verdadeira "graça" de sua "ingênua" piada?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Direito Autoral: uma histeria em forma de lei - mas que pode ser negociada

Eu não sou favorável a pirataria. Eu mesmo gosto de comprar obras, não vendo muita graça em downloads - exceto para obrar raras.

Mas temos que reconhecer que, pelo menos no Brasil, a lei de Direitos Autorais é cumprida de forma truculenta e muitas vezes precipitada.

Os assuntos relacionados a Direito Autoral sempre são tratados de forma histérica e gananciosa, se esquecendo que podem ser resolvidos com um diálogo tranquilo e racional.

Vídeos e fotos tirados na marra de sites, exigências para comprar uma obra que não está a venda, prisões, danos a obras adquiridas de forma não oficial, gravadoras e produtoras que tomam posse de obras de autores que autorizaram a livre reprodução, mas que cobram por isso etc., entre outras formas de cumprimento da lei de Direitos Autorais que poderiam ser resolvidos com conversa e negociação.

Porque não chegar a um acordo antes de partir para a agressividade? Conhecer a real situação e negociar, inclusive com alternativas de pagamento.

Todos tem o direito de fazer o que quiser e lucrar com as obras que criam. Mas, ao publicar as obras, o criador na verdade está repartindo com o publico - verbo publicar - o uso de sua obra. Para manter a exclusividade é melhor nem publicar e guardar para si.

Outra coisa: o dinheiro tem estragado a cultura há décadas e faz com que ela piore cada vez mais. Cultura não combina com dinheiro e a associação das duas coisas tem facilitado com que criadores medíocres usem as suas obras como ganha pão, fazendo de tudo para garantir os lucros.

A lei de Direitos Autorais deveria ser discutida amplamente para que nenhum dos lados possa ser prejudicado e para que as cadeias não fiquem lotadas de gente que não é bandida e que poderia resolver esse impasse de modo mais civilizado e responsável.

Uma boa sugestão: o detentor dos direitos de uma obra deveria criar meios de contato com as pessoas para que haja uma negociação direta. Duvido que desta forma, algum problema em relação a isso continue.

E para obras raras e/ou fora de catálogo, desobrigar da venda, liberando totalmente o copyright. Ninguém pode ser obrigado a comprar por uma obra que não está a venda.

Chega de truculência. Toda e qualquer forma de acordo é necessária. Quando todos dialogam, todos saem ganhando.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Chega de otimismo: o Brasil não mudou, nunca mudou e não vai mudar tão cedo, enquanto toda a estrutura de poder e sua ideologia estiverem intacta!s



Os brasileiros são tradicionalmente um povo que não pensa ou pensa errado. Vivem otimistas pensando que nossa sociedade se evoluiu, melhorou e que estamos caminhando rumo a prosperidade. Mas não é isso que eu e as pessoas esclarecidas vemos ao redor.

Muito fácil fingir que se está evoluindo instalando um computador em casa ou colocando um piercing no umbigo. Mas não adianta: a manutenção dos problemas, das injustiças, dos preconceitos, a superestimação de ideias, hábitos e ídolos fúteis, o ódio ao intelectualismo e a defesa de tradições arcaicas, mostram que o Brasil não teve mudança realmente significativas desde o início do século XX.

Uma das principais razões para isso está na manutenção das relações de poder. Os poderoso, salvo a mudança de indivíduos, são os mesmos desde o início do século XX. A mesma classe poderosa que controla as grandes empresas, manda nos governantes, distorce as informações na mídia e vivem negando vagas de emprego a quem realmente precisa - ou dá, em troca de submisso fechamento de boca. E essa classe rica concentra em suas mãos, mais de 70% da renda que circula no país.

E a população, desestimulada a pensar, até porque a mesma elite trata de sucatear a educação pública - e a privada também, pois se não tem problemas de infra-estrutura da pública, tem os problemas curriculares que também existem na pública -, para que o jovem, contestador por vocação, seja estimulado a não contestar e admirar a elite como a sua "tutora responsável" que a fará "feliz".

Aliás essa elite teve uma ideia "brilhante" para manter essa juventude ainda mais imobilizada: priorizar o entretenimento. E tomem carnaval, rodeios, copa, olimpíada, Rock in Rio e o escambau, para iludir as massas e dar a impressão de que elas estão sendo valorizadas quando na verdade não estão.

E a elite ainda lucra com isso, perpetuando ainda mais a má distribuição de renda que nunca se resolve, mas que todos pensam estar sanada pelas esmolas que o governo oferece sob os nomes de "bolsa disto", "bolsa daquilo". Esmolas que além de não resolverem a má distribuição de renda, estimulam a preguiça e o crescimento irresponsável da natalidade. Some-se a isso a mania das mulheres no Brasil, que só conseguem se auto-afirmar após alguma gravidez. Crescidos, esses rebentos aumentarão drasticamente a demanda pelos bens mal repartidos de nossa sociedade.

Não estou sendo pessimista. Pessimista é aquele que acha que as coisas são piores do que realmente são. Sou realista, pois observo o que está ao meu redor. Otimista é aquele que acha que tudo é melhor do que realmente é e isso é ruim porque gera desilusões.

O que estou falando aqui, infelizmente é uma realidade. Ainda estamos engatinhando na sociedade brasileira. Somos praticamente os mesmos de 100 anos atrás. As mudanças foram muito poucas. Não adianta digitalizar antigas ideias: antigas ideias sempre serão antigas ideias, mesmo que construídas com o mais moderno silício.

Portanto, povo brasileiro. Somos todos os mesos de 100 anos atrás. Nada mudou de fato. Os poderosos querem nos enganar dizendo que mudamos muito. Mas o cheiro de mofo ainda é forte. As teias de aranha garantem a firmeza dos andaimes podres de nossa elite. Os privilégios dessas elites ainda são bem garantidos.

Não nos iludamos com as promessas de evolução. Ainda há muito o que fazer. Muito mesmo. Estamos ainda na infância da sociedade brasileira e erramos muito mais do que acertamos. E confiar na mídia controlada por essa elite egoísta e mentirosa é o nosso maior erro. Desligar todas as televisões e trocar por atividades mais produtivas já seria um bom começo para evolução de nossa sociedade.

Continuamos na velha sociedade de séculos atrás. Há muito o que fazer. A luta continua.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Precisamos de outra forma de protesto

Várias classes entraram recentemente em greve. É justo protestar por melhores condições de trabalho e de remuneração. Mas muitas dessas greves, além de causar transtornos a população, que nada tem a ver com os sofrimentos desses trabalhadores, já não incomodam a classe patronal, já que esse tipo de protesto se tornou previsível.

Num país que vive alardeando de um canto ao outro que está "mudando" (embora eu não consiga ver alguma mudança significativa na sociedade brasileira, em qualquer setor dela), deveria pensar em outras formas de protesto que não prejudiquem a população e que prive dos interesses da classe patronal, o verdadeiro - ou o que deveria ser - alvo de todo protesto.

Não vou aqui ficar dando sugestões, pois é uma coisa a se pensar e cada tipo de profissão exige uma nova forma de protesto própria. Mas a classe trabalhadora deveria pensar em novas formas, já que greves são uma forma obsoleta e já não incomoda mais os patrões, que continuarão lançando medidas paliativas para que os trabalhadores voltem a rotina de trabalho.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Os benefícios que a copa não trará

A população brasileira, em sua totalidade, não é muito racional, embora pense que seja. Age visando mais as sensações e prioriza a satisfação de instintos. Ainda precisa aprender muito para ser realmente um povo responsável e consciente. Não basta apenas dizer que é, é preciso ser de fato.

Países em que a população é melhor educada, não quiseram organizar as próximas copas e olimpíadas, mesmo com todas as condições para isso. Preferiram empurrar para os países periféricos, cujas populações de menor escolaridade e total submissão à mídia e as convicções das regras sociais, ficaram estranhamente felizes com a escolha como sede, mesmo sem saber que tipo de "benefício" teriam com a escolha.

Para parecer lógica, sem ser de fato, muitos brasileiros começaram a argumentar que a copa era necessária porque traria benefícios para a população do nosso país. mas na hora de perguntar quais benefícios ou o cérebro travava, ou lá vinha alguma besteira. Coisa de criança esperando os brinquedos de Papai Noel.

É como aquele cara que deixa de arrumar e limpar a casa para fazer uma festinha e diz que essa festinha trará recursos para manutenção e reforma da casa, que posteriormente nunca é feita, já que ele terá que arcar com as dívidas geradas para a organização da tal festa. Com a copa é o mesmo raciocínio.

Está na cara que os brasileiros não estão nem aí para benefícios. isso é apenas um argumento para escapar dos rótulos de "ignorante" e "alienado". na verdade, a população quer a copa por puro fanatismo futebolístico, pois foram educados desde a infância a achar que o futebol é a coisa mais importante para o brasileiro. Dane-se o resto, pensam. É um orgulho para os fanáticos ver o principal campeonato mundial de seu objeto de adoração intensa acontecer na "própria casa". Esse é o verdadeiro motivo que faz com que a maioria dos brasileiros seja pró-copa, mesmo que custe os olhos da cara.

Na verdade, esse argumento de "benefícios" é uma desculpa esfarrapada, pois nem eles sabem que benefícios serão estes. Uma cidade mais bonita? BRT? Hotéis? Legal.

Mas com certeza os benefícios que virão com o evento, foram feitos para o evento. Mesmo que durem, o público-alvo dessas medidas serão os turistas que chegarão para ver os eventos. Que não serão tantos como os brasileiros pensam (a maioria dos países, sobretudo os mais desenvolvidos, o futebol não é supostamente unânime, como no Brasil) e nem aplicarão tanto dinheiro assim.

Mesmo que a população possa usufruir desses benefícios, não foi pensando nelas que eles foram criados. As autoridades nunca governam para a população. Será que de uma hora para outra resolveram governar para ela? Impossível.

Mas muitas melhorias deixarão de ser feitas, para que sobre orçamento para as melhorias para a copa. A educação, que já recebe a menor verba de qualquer orçamento em épocas normais, vai receber menos ainda. Saúde, só se for para cuidar de turistas e atletas. Segurança? Idem. Infra-estrutura? Ibidem.

A casa de um "Mané da Silva" não será reformada pelo governo por causa da copa. O atendimento de "Dona Creuza de Alguma Coisa" no hospital não vai ficar mais rápido por causa da copa. "Fulaninho de Almeida" não passará a ter melhor qualidade de aulas por causa da copa. Ninguém terá empregos melhores por causa da copa, já que os reservados para o evento serão temporários. Acabarão com a copa.

Portanto, vamos parar de fingir. O verdadeiro motivo é a diversão pura, crua e nua. Não me convencem os argumentos de que a "copa é importante por causa dos benefícios que vai gerer". Isso é papo de burro fingindo ser intelectual. O povo quer farra: quer pular, quer beber, quer berrar e a copa vai permitir isso. A liberação dos instintos. A catarse. O desejo de explodir as suas sensações sem que isso seja considerado gafe. E desabafar de algo que não podiam fazer durante o ano. É como um carnaval do meio do ano, onde os instintos reprimidos são literalmente defecados pela população.

Chega de defender a copa e a olimpíada com argumentos "nobres". A população brasileira ainda está bem longe de se livrar de seus instintos animais e pode demorar mais de um milênio para aprender a "ser gente", priorizando o que realmente é útil.

Os brasileiros ainda vivem numa infância eterna. Quando será que irão aprender?

terça-feira, 21 de junho de 2011

Porque núcleos pobres de novelas têm que ser alegres?

Já repararam que em todas as novelas o núcleo pobre sempre tem que ser bem humorado? Porque não transformar os problemas de uma classe tradicionalmente problemática em um drama choroso sem fim? Ajudaria muito a conscientizar a população sobre o sofrimento desta classe.

Que nada! Bom mesmo é fazer as classes mais abastadas pensarem que os pobres são felizes. Já mencionei várias vezes que a mídia está com uma intensa, mas discreta campanha de defesa do suposto "Orgulho de Ser Pobre", onde a classe dominada se sente feliz em sua humilhante condição de ter pouco dinheiro, baixo nível cultural e muitos problemas, se tornando acomodada e com isso, não incomodando as classes superiores, que continuam mantendo toda a injustiça social intacta, onde ricos ficam mais ricos e pobres cada vez mais pobres.

Essa glamourização da pobreza, já consagrada pelo cinema brasileiro, aparece desta forma em novelas, mostrando pobres sorridentes e engraçados.

Como se fosse bom viver quase sem dinheiro e com problemas que não param de crescer.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Nem toda teoria conspiratória é mentirosa

A turma neo-conservadora, que defende os pontos de vistas da mídia e da elite e que só consegue acreditar em valores pré-estabelecidos, mesmo errados, adotou a nova mania de achar que qualquer tentativa de desmitificar ideias consagradas é mentirosa. Essa defesa é óbvia, já que os neocoms só acreditam naquilo que os beneficia.

As ideias que surgem para desmitificar valores consagrados são conhecidos como "Teorias Conspiratórias". Estas surgem para desvendar algo que está por trás de alguma ideia consagrada, defendida pela maioria ou pelos detentores do poder.

Sabemos que a elite tem relações íntimas com o poder. Grandes empresários falam grosso com presidentes e aproveitam as estreitas relações com os três poderes para perpetuarem e aumentarem seus privilégios. E não medem esforços para isso. Daí que muitos valores consagrados de nossa sociedade são na verdade resultados de estratégias feitas pelos poderosos, explorando a ingenuidade da população comum. A televisão é o principal meio para por em prática os resultados dessas estratégias.

Para que os interesses dos poderosos sejam mantidos, foi lançada a ideia de que toda teoria conspiratória é mentirosa. Claro. Se essas teorias tem como objetivo desmascarar o estabelecido e que o estabelecido mantem interesses de privilegiados, classificá-las como "mentiras" é um bom meio de manter os interesses.

E o que é mentira? O que é verdade?

Claro que assim como nem toda teoria conspiratória é mentirosa, nem toda e verdadeira. Há teorias falsas e verdadeiras. A lógica é que deve ser usada para classificar.

Quando uma teoria conspiratória é verdadeira, ela deixa de ser considerada como tal e passa a ser fonte de revisão histórica, corrigindo fatos e desfazendo mitos.

Portanto, antes de condenarmos as teorias conspiratórias, verifiquemos o seu sentido e analisemos para que possamos colocar os fatos no lugar dos mitos.

O povo brasileiro adora acreditar em mitos, consagrando mentiras que satisfaçam interesses de privilegiados. Desfazer mitos é uma obrigação para quem quer e a verdade se estabeleça no coração de nossa população.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Depois de emburrecer os pobres, a elite e a mídia querem ajudá-los

Interessante a elite. Quando os pobres eram mais esclarecidos, eram desprezados e humilhados. Depois da verdadeira chacina cultural que matou a cultura verdadeira, colocando na goela do pobre uma cultura falsificada, submissa e alienada, caracterizada pelo popularesco e pelos valores morais/intelectuais nulos ou de baixo calão, agora a elite que ouvir e ajudar a classe oprimida.

Para a elite, foi preciso domesticar os pobres para que não venham deles alguma atitude considerada subversiva. Como vivem em condições precárias de vida, os pobres são subversivos em potencial. Aliená-los foi uma maneira da elite proteger os interesses dela, transformando o povo pobre em animais domesticados que "alegram" as outras classes empinando seus rabinhos.

Por isso mesmo, só agora, as autoridades querem fazer alguma coisa para os pobres, dando lhe voz e fornecendo cursos, abrindo os espaços. Para a elite, é preferível melhorar a vida dos pobres de maneira superficial, para que as classes oprimidas tenham a ilusão de que estão sendo ajudadas e se domestiquem ainda mais, substituindo as reais melhorias de vida pelo consumismo e abandonando de vez a vontade de lutar por melhores condições, algo que sinceramente, a elite detesta.

A meta é calar a boca do pobre com melhorias superficiais e muito consumismo. Um aparelho de televisão é uma ótima forma de fazer o pobre parar de "latir".

Para a elite é melhor manter essa disparidade na qualidade de vida, caracterizada pela péssima distribuição de renda. Os poderosos sempre acham que felicidade não é para qualquer um. Somente para os abastados da vida.

(Publicado ontem no Planeta Laranja)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Respeito às "instituições" é mais importante que a vida?



Interessante o nosso sistema. O conservadorismo permite alguns absurdos que a lógica não consegue explicar. O culto aos símbolos pátrios e o respeito às instituições, mais do que a seres humanos são exemplos disso.

A greve dos Bombeiros trouxe esse assunto à tona. O que é mais importante, a qualidade de vida dos bravos soldados que vivem para socorrer os outros ou o respeito a uma instituição abstrata criada por seres humanos tão falhos quanto qualquer um? Para mim, nada pode ser mais importante que amar e respeitar o ser humano.

O que os Bombeiros fizeram pode até ter parecido agressivo demais e um tanto subversivo. Mas é um ato de desespero. Com certeza o salário do Governador e de muitas autoridades é muito superior aos R$ 950,00 percebidos pelos Bombeiros. O Governador Sérgio Cabral, inclusive, não sabe o que é passar fome, pois é filho de um intelectual famoso. Por isso, para ele, o Corpo de Bombeiros pode até passar fome, mas tem que kmanter a "disciplina".

Coloco entre aspas a palavra "disciplina" porque ela é muito utilizada por autoritários que querem supostamente manter a ordem, mas na verdade, querem garantir seus interesses pessoais intactos em detrimento dos interesses de seus sub-alternos. Ditadores devem sempre pensar que sub-alterno é sinônimo de sub-humano.

Não estou muito por dentro dos fatos, já que a TV só mostra o seu ponto de vista. Para a TV, o respeito às instituições é bem mais importante que a qualidade de vida, esta substituída pelo consumismo e pela adoração fanática pelo futebol. Mas pelo que imagino, os bombeiros devem ter tentado meios mais pacíficos para negociar a melhoria de suas condições de vida e de trabalho, que são mais que justas, ainda mais para profissionais que são o orgulho de qualquer nação. Invadir o quartel deve ter sido último recurso, sinal claro de desespero pelo fracasso das negociações.

R$ 950,00 parece muito para o governo? saiba que esse valor já é ridículo para uma pessoa viver sozinha, imagine com vários deles tendo uma família cada um? Segundo meus cálculos, o gasto mínimo de minha vida, somente eu, sem esposa ou filhos, sem bicho de estimação e sem automóvel (que gasta como se fosse outra família), incluindo todos o pegamento de todos os compromissos e sobra para o - necessário - lazer, é de R$ 1500,00. O Governo deveria prever um salário melhor em seu orçamento. Mas não. Prefere incinerar dinheiro nessa bobagem inútil chamada Copa de 2014. É bom para manter a massa em estado de coma, quase literal.

Bombeiro é pior que traficante?

Outra coisa que me indignou: a prisão dos Bombeiros foi violenta e imediata. Não pouparam nem os familiares dos manifestantes. O mesmo Governo que costuma avisar antecipadamente sobre a instalação de UPPs para que bandidos possam fugir em paz e numa sociedade em que as organizações de Direitos Humanos reagem a torturas contra marginais acostumados a matar por qualquer motivo.

Pois os Bombeiros foram tratados muito pior que os traficantes, dando a entender que bandido é quem protesta, mesmo desesperadamente, por suas melhores condições de vida e não quem espalha o terror pela cidade, matando qualquer desconhecido que entre por engano em seu território.

Recado às autoridades do RJ: reflitam sobre o que estão fazendo. Essa incoerência administrativa só vai piorar mais ainda a imagem que políticos transmitem a população.

E sobre a qualidade de vida desses verdadeiros heróis, os Bombeiros - no mesmo final de semana, curiosamente, uma ambulância da corporação socorreu o meu pai, que desmaiou por causa da queda de pressão - , bravos trabalhadores, profissionais do altruísmo e que merecem por isso um dos melhores salários que um país pode pagar.

Merecem muito mais um salário alto, normalmente pago a analfabetos que só sabem correr atrás de uma bola e a executivos e empresários ranzinzas que vivem de distribuir ordens, dentro de seus muito bem refrigerados escritórios.

Bombeiros, palmas a vocês! Tomara que tudo se resolva.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Até tu Bono?... ou não dá para confiar em ninguém

"Fact is fiction, TV is Reality"
(BONO VOX, no ano de 1983)

Apesar do U2 ser minha banda favorita, nunca pus a mão na fogueira de Bono Vox. Para mim, se um cara que diz fazer caridade continua rico, é porque ele não distribuiu toda a grana que deveria. Soa hipócrita. Mas a hipocrisia do cidadão Paul Hewson é bem pior do que surpreendentemente poderia se imaginar.

Eu já havia notado que, desde o álbum Achtung Baby, de 1991, os temas políticos foram abandonados das letras escritas por Bono. Coincidentemente, isso aconteceu ao mesmo tempo que a banda irlandesa se tornou a maior do mundo em atividade. É realmente estranho que uma banda que se consagrou e angariou fama por causa das letras politizadas, tenha abandonado o assunto que era relatado como ninguém faria, justamente no auge da carreira.

Se observarmos a face oculta por trás do cantor/letrista do U2, e lembrarmos da existência, não de Bono Vox, mas do especulador Paul Hewson, poderemos entender que a despolitização das letras (que ajudaram a diminuir a qualidade musical do U2 - desde Pop, não lançam um disco que seja considerado ótimo), nada tem de incoerente.

O Paul que está por trás de Bono

Li em um site na internet um texto que desmascara a suposta farsa por trás de Bono Vox. Suposta, porque as informações ainda são novidade para mim, para confirmá-las preciso ler bastante a respeito.

Tudo bem, Hewson criou uma ONG e sai por aí "negociando" (sic) - será mesmo, ou será pose? - com autoridades sobre projetos - onde estão? - para "melhorar" a vida da população pobre. Mas além da perda do ativismo-social em suas letras, algumas coisas entram em contradição com a imagem de bom moço associada ao músico. Bono pode ser um personagem fictício, criado e interpretado pelo ator Paul Hewson, assim como o Macphisto mostrado na foto que lustra este tópico. Aliás, Hewson parece ter mais a ver com Macphisto do que com Bono Vox.

A decepcionante descoberta começou quando se soube que Hewson, através da Elevation Partners, empresa que criou ( interessante, Bono é dono de várias empresas...), possui 1,5% das ações do Facebook, que segundo Julian Assange, do Wikileaks (nada a ver com Wikipedia), tem a função de investigar pessoas comuns para que possa impedir qualquer atitude que possa prejudicar os interesses das classes poderosas. Já vou mesmo cancelar minha conta.

1,5% pode parecer pouco. Mas se lembrarmos que os lucros do Facebook são gigantescos, ainda mais com a adesão cada vez maior e maciça de pessoas, essa porcentagem representa cerca de 750 milhões de dólares. Isso em ações. Em lucros, Hewson já deve receber 525%, desde a aquisição das ações.

Acharam muito? Pois as estrepolias do cidadão Paul Hewson (que tem um patrimônio declarado de mais de 700 milhões de euros e mora em um castelo) não param por aí. E são coisas que negam a fama altruísta de Bono e que podem deixar os fãs - como eu - de cabelos em pé (ainda bem que raspei minha crespa cabeleira).

A Elevation Partners ainda é acionista de duas empresas de jogos que fabricam jogos violentos, numa total contradição à imagem de pacifista difundida por Hewson. Além disso, Hewson é membro de uma estranhíssima entidade conhecida como The Bohemian Club, um cruzamento com Opus Dei e Maçonaria que realiza rituais que lembram os de magia negra. Um horroroso clube que tem muitos membros da elite como membros. Será que foi daí que ele tirou a inspiração para criar o Macphisto?

E mais: Hewson é acusado de sonegar os impostos transferindo o controle dos direitos autorais para editoras e gravadoras sediadas na Holanda. Eu percebi que os registros das músicas do U2 nos últimos 10 anos vinham creditadas a Universal Music International, BV, filial holandesa da Universal Music e antiga sede administrativa da PolyGram (adquirida pela Universal em 1998).

Além disso, Hewson é participante ativo do Fórum Econômico de Davos, que se reune anualmente para discutir medidas de proteção e incentivo aos interesses das classes mais ricas de todo o mundo. Hewson, que nunca foi a algum fórum social, para não manchar sua imagem de bom-moço, argumenta que quer ser um "representante dos excluídos" no Fórum Econômico Mundial.

Tudo isso reunido, representa uma triste decepção para quem, como eu ainda acreditava na imagem que Hewson difundia através de "Bono Vox", o Mcphisto bonzinho. Continuarei sendo fã das musicas do U2, mas as letras politizadas serão atribuídas ao modo de pensar antigo do letrista/cantor, ausente no mesmo atualmente. Bono, o revolucionário, morreu em 1987 e eu nem sabia. O que veio depois é apenas um espectro do que ele era.

Se Bono, que foi o que foi, tem uma imagem bem suja por trás de sua imaculada imagem, que dirá o Luciano Huck, que não consegue enganar ninguém com aquela cara de tanso. Se investigar, nem esterilizando se limpará toda a sujeira que aparecerá. O nariz do Huck até que cresceu pouco diante das mentiras que conta.

Realmente não dá para confiar em ninguém.

domingo, 15 de maio de 2011

É um absurdo ter que pagar caro para ir a uma cidade vizinha

Estive pensando nesses últimos dias: eu, um morador de Niterói, classe média, não posso ir à capital fluminense a todo momento. Motivo: é caro demais.

Saindo de Santa Rosa de ônibus, pago no mínimo R$ 4,35. Se optar ir ao centro e pegar barcas, pago R$ 5,10. Isso só de ida.

Niterói ainda não tem uma infra-estrutura adequada, principalmente no que se refere a comércio. faltam bons shoppings e boa variedade de produtos. Comprar CD em Niterói nem pensar. Se eu quiser, por exemplo comprar um CD de R$ 24,90, no Rio, na verdade ele sairia a R$ 33,60, com a passagem mais barata incluída.

Ou as autoridades fazem uma revolução no comércio de Niterói ou criam um acesso gratuito para atravessar a Baía da Guanabara. A galeria interna da ponte poderia ser reformada para permitir a passagem de pedestres, sem cobrar nada. Facilitaria bastante, embora do Gasômetro ao centro do Rio propriamente dito seria uma boa andada.

Ou pelo menos baixar em 50% o preço dos ônibus que levam ao Rio. Já pesaria bem menos no bolso, embora ainda pese bastante. Se bem que o valor máximo que acho justo para ir a uma cidade vizinha é 1 real na ida e 1 real na volta.

Porque do jeito que está, querem que o orçamento nosso seja incinerado, quase que literalmente.

É um absurdo ter que pagar caro para ir a uma cidade vizinha.

terça-feira, 10 de maio de 2011

A TV influencia muito mais do que se imagina

No Brasil, apesar do crescimento da utilização da internet, a televisão ainda é de longe o meio mais influente para os brasileiros em geral, embora muitos neguem. A internet, na verdade só existe para confirmar e consagrar tendências lançadas pela televisão. Mesmo que um "artista" tenha surgido através de vídeos divulgados pela internet, ele segue sempre tendências lançadas antes pela TV.

Além disso, se a internet realmente fosse mais influente, nossos costumes e convicções teriam mudado radicalmente (o que não acontece, já que pensamos, agimos como há 80 anos atrás, com pouquíssimas mudanças). E isso é um fato.

A televisão é tão influente que chega a influenciar até na noção de realidade. As pessoas costumam definir a realidade da mesma forma como acontece na ficção, nas novelas e filmes.

Dois fatos acontecidos no último final de semana mostraram a influência que a ficção pode fazer na cabeça das pessoas: o casamento real e a morte do terrorista Osama Bin Laden. Ambos foram tratados com absoluto subjetivismo, pela mídia e pela população, com direito a histeria notada em vários meios.

Para a população, enquanto o casamento real era visto como "a prova concreta de amor" (sic), Laden era tratado como vilão de filme de ação, como se somente ele fosse capaz de fazer as maldades que fez. Eu acredito na hipótese que ele não foi o único mentor dos ataques de 11 de setembro de 2001. Uma catástrofe daquele porte só poderia ter ocorrido por decisão de várias mentes perversas.

Já quanto ao casamento real, não conheço os dois, mas pompas e aparição na mídia não provam existência de amor. A lógica e a coerência não impedem que duas pessoas que se desprezam possam realizar um casamento como aquele. Até porque aparências servem para esconder imperfeições. Não estou confirmando nada. Apenas digo que o evento não serve como prova da existência do amor, que pelo que sei, deve vir de dentro. Não são matrimônios que fazem nascer o amor. Deveria ser o oposto.

Ninguém é 100% bom nem 100% mau no estágio de planeta em que vivemos. Há sim, o predomínio de um, dependendo da evolução espiritual e da experiência de vida de um indivíduo. Mas escolher alguém para fazer os papéis de "heróis" e de "vilões", é muita submissão à mídia.

Não existem "heróis" nem "vilões", existem seres humanos, que podem ser bons ou maus dependendo das circunstâncias. pelas injustiças que ainda existem, fica muito bem entendido que o mal ainda pulsa livremente em nosso cotidiano. Para piorar, a noção de "bem" e "mal" da sociedade pode não coincidir com a realidade. Quer um exemplo?

Na minha opinião, os ricos estão entre as pessoas mais más desse mundo. Concentram a renda em suas mãos para gastar besteira e aumentar a sua influência para ganhar poder. Além de não distribuir renda (a não ser paliativamente, com esmolas ou pequenas doações), ainda decidem as regras sociais para que impeça o surgimento de possíveis subversivos que possam tirar os seus privilégios. Mas nem eles servem como "vilões", pois não são 100% maus, pois tratam muito bem aqueles que fazem parte de seu meio.

O "santo" e o "vilão" hollywoodiano

O "santinho" da hora e candidato a "herói nacional" sabe-se lá por que motivo (dever ser pela coragem de apresentar um programa tão ruim como o Caldeirão ou por ter abandonado a vida irresponsável de playboy, graças a um casamento com uma mulher decente como a Angélica), escreveu um comentário sobre Bin Laden que soa subjetivo demais e típico de quem não está por dentro dos fatos, sabendo só porque "ouviu falar":

"Já vai tarde, Bin Laden! Sem dúvida a morte mais cara da história da humanidade! Um tributo as famílias das vítimas de atentados covardes e de soldados que deram a vida por este infeliz."

O comentário, que poderia ter sido feito por qualquer pobre mortal, mostra claramente que as convicções sociais se baseiam claramente no maniqueísmo lançado pela televisão. Laden é o "vilão" da hora. Matá-lo deu a ilusão de que o mal desapareceu da face da Terra (e não desapareceu). Um "vilão" construído seguindo as regras impostas pelo padrão hollywoodiano.

E dá para perceber a histeria neste ou em qualquer comentário subjetivo sobre qualquer tema. A histeria bloqueia qualquer capacidade de raciocínio. Lembrem das besteiras homéricas ditas a respeito de Michael Jackson depois de seu falecimento, com distorções historiográficas a respeito do astro e a colocação de qualidades e funções que de fato não eram dele, não faziam parte de seu currículo.

Do mesmo modo que o casamento real, visto como o fato mais romântico dos últimos anos. Vi um trecho do casamento e não vi nada disso. Tenho a absoluta certeza que o meu, apesar de mais barato e menos pomposo (ou por causa disso, até), será muuuito mais romântico. Pois o romantismo têm que vir de dentro, da alma.

E não adianta dizer que "Deus abençoou, então é legítimo". Deus mesmo só abençoa relacionamentos realmente apaixonados. Em casamentos por interesse (seja financeiro ou não, já que casamento por interesse não é somente por dinheiro, mas é sempre sem amor), nem adianta o padre invocar Deus com palavras em latim ou aumentar o a pompa e o rigor do ritual: Deus é amor e fala a língua do amor. Sem amor, sem sintonia com Deus. E não adianta negociar. Com Ele é assim.

Não estou dizendo que o casamento real é assim. O que quero dizer, repito, é que ele não serve como prova de que o romantismo existe. Experimente tirar todo o luxo e depois verifique. Se o romantismo se manter sem o luxo, aí poderemos imaginar a hipótese da existência do amor. Imaginar, eu falei.

A influência da Televisão

As pessoas definem seus conceitos com base na televisão, que infelizmente tomou o lugar dos verdadeiros educadores, totalmente esquecidos. Ela é que dita as regras sociais, os hábitos, os costumes e o modo de pensar das pessoas. A copa de 2010 mostrou como a influência da TV ainda é monstruosa, com o país completamente paralisado e os brasileiros com visual padronizado de camisetinhas amarelas e numa hipnotizados pela histeria imposta pela TV.

Não por acaso, as atrações de TV recebem o nome de "programas" pois programam o indivíduo a fazer compulsivamente o que os donos de emissoras desejam que a sociedade faça.

A internet não consegue competir com a TV por dar a oportunidade do aparecimento de vários pontos de vista, causando confusão na mente das pessoas, que já foram "educadas" a não pensar, sobretudo nos momentos de lazer.

Graças a TV, uma bebida de gosto ruim e bastante nociva à saúde física e mental é a mais popular; todos querem se tatuar, ter carro e fazer filhos, sem medir as consequências disto; se arriscam a sair de madrugada, entre outras barbaridades, só porque a TV mandou e faz acreditar nisso como forma de inclusão social.

Através da TV que se pensa que moral depende da religiosidade, que futebol é um dever do cidadão brasileiro, que todo político é ladrão, que todos se casam por amor e or aí vai.

Pois usar o cérebro para discernir exige esforço, algo desincentivado pela TV que quer que a massa encefálica se atrofie pela inércia e garanta a soberania da "máquina de fazer doidos" no consciente coletivo no Brasil.

A TV é o cérebro do Brasil. E estimula a alienação para que não haja concorrência a ela.