segunda-feira, 16 de julho de 2018

Estávamos certos: Ciro começa a adaptar seu programa para agradar ao DEM

Eu estava disposto a repensar meu conceito sobre Ciro Gomes quando ele foi vaiado pelos empresários quando criticou a reforma trabalhista. Parecia que Ciro estava confirmando seu atribuído esquerdismo, festejado por várias forças progressistas.

Mas leio recentemente que a equipe responsável pelo seu programa começa a adaptá-lo na tentativa de agradar ao DEM, partido que governou a ditadura militar e que estaria disposto a se aliar a Ciro Gomes. Mesmo que divirja ideologicamente, o DEM parece sedutor para Ciro porque daria visibilidade ao político cearense, favorecendo-o na corrida presidencial.

Mas é uma operação suicida para Ciro. O DEM foi um dos principais articuladores do golpe de 2016, além de ser o novo nome da velha Arena dos militares da gestão 1964-1985. Apesar de incluir político relativamente jovens em seu cast (vários descendentes de antigos nomes da sigla), é um partido ideologicamente velho, com alergia a mudanças progressivas.

A aliança com o DEM significa que Ciro terá que aceitar as medidas do golpe, como a eliminação de direitos e o fim da soberania nacional. Terá que governar um país em falência crônica, cuja melhora econômica deve satisfazer apenas aos interesses dos grandes capitalistas, tornando insolúveis os problemas cotidianos de nosso país, mantendo o Brasil aprisionado no subdesenvolvimento.

Caso Ciro não desista da aliança com o DEM, ele migará para a direita, representando a alternativa dos golpistas para ganhar a eleição e legitimar o golpe, que será naturalizado e oficialmente deixará de ser visto como tal. O Brasil perderá muito com isso, pois se há uma coisa que não interessa aos membros do DEM e a seus patrocinadores é ver um país soberano com salários e direitos repartidos igualmente entre todos os brasileiros.

Um Brasil em crise e com graves desigualdades sociais interessa muito aos direitistas e mais ainda ao DEM. O mesmo DEM especialista em arrasar com a soberania, com a dignidade e com os direitos dos brasileiros, todos em franca extinção desde 2016.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Lula no meio de um tiroteio ideológico

Acabou a copa para os brasileiros. A copa de futebol. Pois agora começa uma outra copa, que tem muito mais a ver com o cotidiano da população: a liberdade de Lula. A direita e a esquerda jogando futebol uma com a outra usando Lula como bola. Um fato que rendeu inúmeras confusões e que até o fechamento deste texto - escrito na manhã de hoje - não teve um desfecho decisivo.

Ontem, o desembargador Rogério Favreto expediu uma ordem exigindo que Lula fosse solto o mais rápido possível. O motivo da decisão são as muitas irregularidades do processo que colocou Lula em cárcere. Mas até as pedras sabem que o verdadeiro motivo é impedir que Lula volte a ser presidente. Lula presidente vai contra os interesses das classes que controlam o Judiciário, A mídia e as maiores empresas instaladas no país.

Forças de direita saíram da toca feito vespas enfurecidas, todas com o ferrão muito bem empinado, prontos para atacar. A mídia oficial tratou a decisão como a liberação de um bandido. Personalidades de direita vomitaram asneiras, tentando confirmar a absurda tese. Todos estes incomodados com a probabilidade de voltar a ser comandado por um inimigo mortal da gananciosa elite rentista.

Não vou escrever muito porque eu nem sei como está o andamento. A briga está acirrada. Moro e seu BFF Gebran largaram suas folgas para tentar manter o petista encarcerado. É preciso colocar um plutocrata no poder para que os ricos não tenham que perder privilégios. 

Vamos ficar de plantão. Há muitos interesses particulares em jogo. A elite não quer que os brasileiros tenham qualidade de vida e se empenham em tirar do caminho qualquer um que tente melhorar as condições da população de uma forma que vai além da filantropia religiosa, a única forma de altruísmo permitida pelas elites.

Aguardemos mais informações a respeito desta verdadeiro tiroteio ideológico. Seja qual for o resultado, tomara que o povo brasileiro não fique com o pior.

sábado, 7 de julho de 2018

A ilusão das esquerdas com as pesquisas é fonte de seu otimismo irreal

Eu estou convencido de que o Brasil não possui uma esquerda desenvolvida. Os ideais progressistas, no Brasil, estão em processo de amadurecimento ainda bastante pueril e ainda longe de se tornar o ideal. Os que se assumem de esquerda ainda estão aprendendo a ser esquerdistas e este processo de aprendizado ocorre através de uma sucessão de tombos. São muitos os erros que esquerdistas cometem, nenhum deles relacionado com o estereótipo negativo - e falso - criado pela direita.

Um dos maiores erros que os esquerdistas brasileiros cometem é confiar cegamente em pesquisas. Mesmo honestas, reais e justas, pesquisas são feitas com uma minoria de entrevistados. Mas as esquerdas sempre tratam o resultado destas pesquisas como se elas tivessem sido feitas com todos os brasileiros. Ou seja, não é 100% mas é tudo.

Mas 90% de 10 não é a mesma coisa que 90% de 1000. O que dirá diante de 90% de 220 milhões de habitantes. Se você perguntar a 10 pessoas se elas preferem  votar no esquerdista A ou no direitista B e 90% destas dez disserem que votariam no candidato esquerdista A, acharia que a maior arte dos brasileiros quer A, mesmo que os outros 219.999.991 prefiram o candidato B?

Mesmo a pesquisa sendo feita com apenas 10 pessoas, os esquerdistas pegaram o cacoete de achar que o resultado se refere a opinião de grande maioria dos brasileiros. Eu mesmo sinto que no meu meio social, os resultados vão contra as perspectivas otimistas das esquerdas. A maioria das pessoas que eu conheço prefere um direitista no poder, mesmo que ele arrase o país todo. O que importa é a moralidade supostamente garantida pelos conservadores seja preservada. 

Lula em baixa, Bolsonaro em alta

Com a proximidade das eleições, parece que os resultados das pesquisas estão oferecendo resultados mais realistas, de acordo com o que pensa a população mal informada, ainda bastante confiante na mídia oficial. 

Recentemente, pesquisas indicam crescimento de Bolsonaro no Rio Grande do Sul e em São Paulo, mesmo com a presença de Lula entre os concorrentes. Em São Paulo também foi revelada uma rejeição de 60% a Lula por parte da class média (geralmente profissionais de nível superior), o que é um índice bem alto. Pesquisas mais antigas indicavam o contrário.

É estranho ver pesquisas com habitantes do sul e do sudeste colocando Lula como absoluto nas pesquisas. Mesmo sendo muitas pessoas, milhares até, bom lembrar que culturalmente, o cenário do sul e do sudeste não favorece o crescimento de ideais progressistas e personalidades de esquerda.

A liberdade concedida a José Dirceu foi contestada por direitistas nas redes sociais, levando o termo #STFVergonhaDoBrasil ao topo dos trend topics, como se José Dirceu fosse um bandido. Enquanto isso os mesmos se silenciam diante do "bom homem" Aécio Neves, amigo íntimo de Neymar e de Luciano Huck, admirados até por esquerdistas.

Bolsonaro cresce silenciosamente entre os jovens de classe média em quase todos os estados e entre alguns pobres em estados do sul e do sudeste. Bom lembrar que Bolsonaro é um candidato cujo único programa de governo é resolver tudo na base da porrada. Simplista, mas compreensível diante de uma juventude mal educada e revoltada por não ter motivos para se revoltar. Revoltada talvez por não ter o "direito" de usar chupeta na adolescência.

O discurso de Bolsonaro seduz porque ele faz promessas simples e aparentemente fáceis de ser cumpridas. Isso faz aumentar a sua popularidade entre os que não possuem o senso crítico desenvolvido, interessados em soluções rápidas, mesmo que não totalmente eficazes. Por isso que ele lidera as pesquisas, somando ao fato dele ser evangélico e ex-militar, fatores associados a um estereótipo de moralidade entendido pelos mais incautos.

Mídia confiável garante vilania de Lula, mesmo sem comprovar


Quanto a Lula, apesar dele ter sido um comprovado político de sucesso, responsável pela melhor fase que o Brasil já teve, tem uma imagem que não agrada tanto à classe média neoliberal quanto aos ingênuos revoltados que desejam um presidente-boxeador como Bolsonaro. 


Uma campanha muito bem sucedida de difamação, feita pelos meios de comunicação consagrados na opinião pública, conseguiu destruir a imagem de Lula, tratado como "um pobretão que subiu fácil na vida e que atualmente lidera uma poderosa máfia que arrasou com o país". 

Mesmo sem pé nem cabeça e comprovadamente falsa, esta tese é facilmente aceita por quem acredita em estereótipos e confia cegamente nos meios de comunicação tradicionais. Estas pessoas estão pouco interessadas em verificar os fatos e a própria confiança que depositam nos meios de comunicação as poupam do esforço de correr atrás de fontes para saber o que realmente aconteceu.

É importante lembrar que as classes médias de qualquer estado e ainda mais as do sul e as do sudeste, desejam ser governadas por forças acima delas e não por um cidadão vindo das classes trabalhadoras e desprovido de diploma de nível superior, apesar de ter uma comprovada inteligência a níveis impressionantes, com facilidade para resolver problemas relativamente complexos.

O orgulho que impede a aceitação de ser governado por alguém que essas classes consideram "inferior" e que supostamente "não passou pelo esforço que as classes médias passaram para chegar onde chegaram" aumenta a rejeição a Lula, que é facilmente linchado nas conversas cotidianas dessas classes que se acham entendidas de política, ignorando o que se passa realmente nos bastidores, nunca divulgado pela mídia tradicional.

A ingenuidade das esquerdas

Enquanto isso, as esquerdas continuam deslumbradas com a suposta liderança de Lula, se baseando em pesquisas feitas com meia duzia de gatos pingados. Se esquecendo que tudo será feito para impedir a volta dele ao Palácio do Planalto. Certamente Lula fara coisas que desagradam às classes dominantes controlados do Judiciário e da mídia tradicional.

Por isso, é importante manobrar as mentes da população em geral para que acredite que Lula é o vilão e Bolsonaro e qualquer direitista são os heróis. Mesmo que na prática estes "heróis" destruam o país" enquanto o "vilão" seria o único capaz de resolver os problemas com relativa facilidade.

É bom as esquerdas acordarem. Pesquisas não dizem tudo. Fatos dizem. E o cenário que se mostra no país não indica soluções esperançosas. A elite e a classe média bajuladora não deram o golpe para que a prosperidade das classes desfavorecidas nos governos petistas voltasse. O golpe é com o supremo, com tudo. Com tudo para arrasar o país e lotar os cofres das elites.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Ciro é vaiado por empresários ao criticar a reforma trabalhista

Ciro pode estar dando sinais de que nosso blogue pode estar errado quando a ele. Falamos várias vezes sobre seu suposto direitismo. Mas pode ser que estejamos enganados a respeito dele. Se estivermos, assumimos e faremos nossa correção.

Uma das coisas que pode fazer nosso blogue mudar a opinião a respeito de Ciro aconteceu durante uma palestra dele para empresários da Confederação Nacional da Indústria, a CNI. Mesmo tendo a possibilidade de ter um apoiador da reforma trabalhista como vice, Ciro criticou a reforma, sendo imediatamente vaiado pelos empresários presentes.

Para quem não sabe, a reforma trabalhista é um conjunto de medidas que tem como objetivo reduzir o custo com a mão de obra. Trocando em miúdos, é uma iniciativa para reduzir salários para que o patrimônio particular dos empresários possa crescer livremente. 

A meta dos empresários é reduzir o salário mínimo, hoje de quase 980 reais, para apenas 200 reais. Mas o descontentamento popular com o golpe pode fazer com que o direitista que ocupar a presidência em 2019 decida reduzir apenas para 500 reais, na tentativa de diminuir possíveis revoltas populares.

Ao fazer tal crítica, Ciro se coloca ao lado das forças progressistas, as únicas que lutam em prol da população. A direita só trabalha para o "mercado", nome dado ao conjunto de regras que favorece a ganância e o poder dos mais ricos. Com o golpe, estamos começando a perceber isto.

No mesmo evento da CNI, em outra oportunidade - a CNI está organizando uma série de palestras com presidenciáveis - Bolsonaro foi aplaudido pelos mesmos empresários que vaiaram Ciro. E olha que Bolsonaro não tem projeto para salvar a economia, área onde estão os maiores problemas do Brasil. Bolsonaro pretende resolver tudo prendendo, torturando e se possível, matando. O negócio de Bolsonaro é resolver as coisas na porrada.

A reforma trabalhista é o maior dano cometido pelo governo Temer, depois do congelamento dos gastos públicos. Estar contra a reforma trabalhista é sinal de conscientização político-humanitária, pois salário é essencial para que as pessoas vivam dignamente em um mundo civilizado.

Se Ciro Gomes é contra a reforma trabalhista, ficam aqui as nossas desculpas. Se ele revogar pelo menos a reforma trabalhista, já deu um grande passo para se consagrar como um presidente progressista prometendo ser um dos melhores do país.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

México vence na política e perde no futebol. No Brasil acontece exatamente o oposto

Brasileiro é povo infantil e como tal, prioriza o lazer. Não importa se vamos bem ou mal na política e na economia. O futebol é aquilo que nos empolga e que nos orgulha. Se faltar salário digno, damos um jeitinho e vamos sobrevivendo. O futebol brasileiro deve ser sempre campeão, não importa qual seja a situação do resto. Assim será enquanto não amadurecermos.

Por uma estranha coincidência, a seleção mexicana enfrentou a brasileira no dia seguinte em que o México, desafiando uma tendência recente, tem o resultado das eleições confirmando Lopes Obrador, um esquerdista. Os mexicanos não precisam da alegria do futebol, pois a tem no mundo real. 

Obrador, que curiosamente tem trabalho no nome, promete combater as mafias do Neoliberalismo que interferem na economia mexicana. Se conseguir, dará um gigantesco avanço na política local, o que pode mudar a médio-longo prazo os conceitos sobre política que temos até agora. mas não será um trabalho fácil. Mas felizmente, opositores reconheceram a vitória e prometem não sabotar o governo de Obrador.

Enquanto isso, no Brasil...

Mais abaixo temos um país grande em tamanho e pequeno em mentalidade. Ainda queremos brincar. Sem saber que a brincadeira pode nos custar bem caro depois. O golpe de 2016 foi muito fácil de ser dado. E até agora não reagimos da maneira adequada, assistindo como palermas nossos direitos serem cortados um a um. Mas apenas um direito foi preservado: o de gostar de futebol.

E ganhamos no jogo que ocorreu hoje. Foi uma vitória no futebol, muito bem patrocinada pelos banqueiros e rentistas que patrocinam a "seleção" e também patrocinaram o golpe. Os magnatas que controlam a nossa a política e a nossa economia sabem muito bem que para nós, a vitória no futebol compensa muito bem a derrota sofrida em nosso cotidiano. 

O futebol é um excelente anestésico. Dopados, aceitamos melhor a exploração que favorece a ganância dos mais ricos. Chegamos ate a aplaudir a ganância, tratando a mesma não como um defeito e sim um direito de "que chegou lá", os vencedores da economia predatória. Bons no futebol, não fazemos mais questão de sermos bons no resto. Com o futebol campeão poderemos morrer felizes. De fome, de violência, ou doenças ou até de suicídio. Mas morreremos felizes.

Vencedor no futebol, perdedor no cotidiano

Até porque o cenário político que se encontra o Brasil não favorece a população que sonha com o supérfluo e banal hexacampeonato. Corremos o grande risco de uma ditadura, senão militar, mas do mercado financeiro. Pode até ser que para "não pegar mal" o mercado faça algumas concessões. Mas nunca a dignidade conquistada quando estávamos sob o comando do PT no poder executivo.

A vitória no futebol parece que está garantida. Mesmo sem jogar bem, a "seleção" de amarelados conta com a nobre ajuda de banqueiros, rentistas e especuladores dispostos a derramar dinheiro para facilitar o caminho dos brasileiros para a vitória do futebol para que possa perder no cotidiano. 

Mas não faz mal, um título no futebol é tudo o que queremos. Dignidade? Deixa para os mais fortes. deixa para o México, que hoje sai da copa de cabeça erguida, sabendo que o mundo real tem muito mais coisa boas a oferecer do que o abstrato circo do futebol, feito para entreter otários que se contentam com qualquer migalha.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

O tal "Pacto pela Democracia"

Ainda não tive tempo de saber mais informações a respeito, mas soube da existência de um pacto a ser acordado por várias forças políticas que se auto-rotulam de "centro". Na verdade são os direitistas (PMDB, PSDB, DEM, Rede) e os esquerdistas (PDT, PSOL, PSB) mais moderados que pretendem se reunir para impedir o que eles chamam de "extremismo político" e lutar pelo o que chamam de "democracia".

Na verdade é um pacto entre os mais fortes e os mais fracos, seguindo as regras dos mais fortes. Tipo assim: "pobres, vocês ficam com a sua miséria e nós os ricos ficamos com a fartura, mas sem brigas, cada um no seu canto, na mais santa paz". Há detalhes no acordo que denunciam isto.

Para começar pelos próprios integrantes do movimento, composto por burgueses do lado direitista e de pequenos-burgueses do lado esquerdista. É um pacto que interessa muito mais à burguesia, preocupada com a crise econômica surgida com o golpe do que com a situação dos pobres. A "democracia" é um nome bonito para atrair a´poio popular à causa. Mas é óbvio que neste pacto, o povo nada levará de positivo.

Até porque em outro detalhe importante, há a ausência de proposta para revogar as maldades de Temer. Ou seja, sem empresas públicas fortes, sem direitos e com salário bem reduzido - incapaz de pagar o mínimo necessário, como moradia - teremos que lutar em prol deste ente abstrato chamado "democracia". Porque a democracia concreta se mostrou uma utopia para o país. Tivemos apenas esboço de democracia concreta nos governos progressistas.

Outro detalhe é a ausência de Lula. Este pacto pretende fazer democracia sem o mais popular líder da história política brasileira? Como assim? Logo o mais competente líder a propor um pacto que beneficia a todos? Fazer um pacto sem Lula, mantendo-o injustamente na prisão é querer impor uma democracia de fachada, que só agrada aos inimigos da verdadeira democracia. Ou acham eles que "democracia" é o governo dos engravatados?

Este pacto é muito estranho e me soa apenas uma forma de aceitar o golpe de forma tranquila. É assumir as atrocidades de Temer como algo a ser aceito sem revolta, sem protestos. Ganha-se pouco, temos empregos instáveis, a economia não favorece o consumo por grande parte da população, mas viveremos felizes e de mãos dadas, com os ricos em suas mansões e nós nas calçadas das ruas. 

Pelo jeito o pacto é este mesmo. E os membros que assinarem este pacto são gente que gosta mesmo de enganar os outros. Enganar um povo que deveria estar cansado de ser enganado.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Ciro se encontra com DEM e diz que partido será atuante em seu governo

Rui Costa Pimenta falou, eu falei e ninguém acreditou. Pois um fato começa a mostrar as verdadeiras intenções de Ciro Gomes, que pode ser o candidato dos golpistas, visto que a direita assumida não possui um candidato com capacidade de atrair eleitorado. 

Sem candidato para dar continuidade às maldades do golpe, a direita mostra estar se aliando com Ciro Gomes, pré-candidato do PDT e que seria uma alternativa na esquerda brasileira. Mas o encontro com o DEM (ex-Arena) e com outras forças conservadoras enterrou de vez o sonho dos esquerdistas de ter um candidato conciliador como opção a Lula, que está preso sem motivos justos.

Ciro disse que a possível aliança com o DEM será posta em prática, com participação ativa do partido em seu governo, com direito a interferir no programa. Resta saber como Ciro, que promete revogar as maldades de Temer e anular as vendas de empresas nacionais, se sairá tendo o DEM, um dos articuladores do golpe de 2016, dando pitacos em seus projetos de governo.

Para piorar, ACM Neto disse que o programa de Ciro não entra em atrito com o programa do DEM, dando a entender que na verdade, Ciro seguirá com o golpe, sem revogar qualquer maldade. Ou seja, com Ciro aliado ao DEM, continuaremos com um país sem soberania e com um povo sem direitos.

Claro que gostaríamos que Ciro estivesse no lado dos progressistas. Quanto mais gente do nosso lado, melhor. Mas infelizmente a promessa do cearense de revogar todas as maldades do golpe parece ter sido papo furado, como bem lembrou o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta. O DEM nunca deixará Ciro revogar as maldades do golpe.

Ciro Gomes é bom de conversa, convence bem, mas na verdade esconde a verdadeira fidelidade ideológica ao tipo de política que o gerou: a política neoliberal de partidos como PSDB e DEM, muito bem vindos em seu governo. Do contrário de Lula e do PT, os verdadeiros progressistas, com que Ciro deveria se aliar.

O acordo com o DEM mostra cada vez mais que Ciro merece ser observado. E cada dia a mais ele dá sinais claros de que dará uma rasteira nas esquerdas. 

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Mundo sabe que prisão de Lula é política


Está mais do que na cara o fato de que Lula foi preso injustamente, por motivos políticos. Curiosamente, após a sua prisão, nunca mais s falou dos motivos que o levaram a mesma, um risível pseudo-escândalo envolvendo apartamentos medianos, pedalinhos ridículos e um sitiozinho pra lá de simples.

Tudo não passou de apenas um pretexto que a plutocracia encontrou para impedir que o campeão das pesquisas, alguém a ameaçar a ganância burguesa, voltasse a presidir o Brasil.

Com Lula preso, agora o trabalho dos brasileiros mais ricos e tentar colocar um representante deles o poder e dar continuidade ao golpe, para que as desigualdades possam se perpetuar, impedindo que a satisfação das necessidades da maioria prejudique a ganância dos poucos ricaços que vivem no país.

Mesmo com o empenho da plutocracia em manter o golpe, ele se torna cada vez mais desmoralizado. Muitos dos ingênuos a saldar o pato amarelo pensando em combater a corrupção já se arrependem do feito. Foram todos enganados pela mídia cúmplice dos plutocratas, interessadas em prejudicar a população para garantir a ilimitada melhoria do já melhorado bem estar dos mais ricos. 

Mas a plutocracia se esquece que vivemos em um mundo globalizado, com a internet facilitando muito a comunicação entre lugares imensamente distantes. Um espirro aqui já pode ser sentido numa cidade interiorana do Japão, em poucos minutos. 

O mundo em geral, tirando os líderes das grandes corporações interessados na falência do Brasil, segue perplexo sobre o que acontece em nosso país. Conhecedores do passado político mundial, sabem muito bem que a prisão de Lula é injusta e tem motivação política. 

Novas formas de guerra mais baratas e que não derramam sangue - o que favorece a repercussão diante da opinião púbica, acostumada a conceitos antigos de guerra com soldados e armas - vem sido usadas para derrubar forças progressistas pelo mundo. Os homens mais ricos do mundo não desejam abrir mão de sua vida nababesca e de seu poder de influência e sabem que forças progressistas trabalham muito os gananciosos planos residentes em suas egoístas cabecinhas.

O famoso caso de Nelson Mandela, preso por lutar contra o regime do Apartheid (de inspiração nazista) deu ao mundo a capacidade de entender o que aconteceu com Lula. Por isso que a campanha pela sua liberdade cresce a cada dia. Não vai demorar para vermos outro festival musical - o primeiro aconteceu na Argentina  - talvez bem maior, com os maiores nomes da música cantando pela liberdade de Lula.

O plano dos plutocratas vem fracassando bastante. A prisão serviria para macular a imagem de Lula diante dos moralistas, estimulando-os a não votar em  um homem aprisionado, supostamente criminoso. Mas tudo deu errado e até as pedras sabem que a prisão de Lula é injusta.

Talvez reste aos golpistas pararem de fingir que são bonzinhos e partir para o ataque explícito, assumindo publicamente a real intenção de destruir o Brasil e prejudicar a população.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

George Soros e futebol: o direitismo da esquerda brasileira

Está na cara a facilidade com que a direita deu o golpe no governo em 2016. As esquerdas, conservadoras sem assumir, aceitaram numa boa tudo o que aconteceu, sem reagir, confiando nas instituições e na democracia supostamente estabilizada. É claramente um sinal do direitismo existente na esquerda brasileira que ainda está aprendendo a ser uma esquerda.

As esquerdas brasileiras pelo jeito não sabem caminhar sozinhas. Precisam de apoio e não recusam quando vem de forças direitistas, desde que não sejam as tradicionais. Por isso precisam exaltar a direita, pelo menos nos assuntos mais inócuos como lazer e religião. Isso prova que na verdade as esquerdas não querem mudar o mundo e sim a sua inclusão no injusto mundo capitalista que está aí.

As esquerdas que existem no Brasil vivem com medo de mudanças. Não culpemos a esquerda disso, pois o conservadorismo é um traço inerente ao brasileiro. A esquerda brasileira em seu todo é conservadora porque o brasileiro é conservador. A diferença é que a esquerda é menos conservadora que a direita. Mas nunca deixou de ser conservadora.

Isso me faz imaginar se o que é considerado como "esquerda" no Brasil não seria na verdade o centro. Gosto de imaginar esta tese, embora ela seja ousada demais para o centro comum que prefere admitir a existência de uma esquerda brasileira. Tá, fiquemos com a tese do senso comum, embora eu seja obrigado a admitir o conservadorismo das chamadas esquerdas brasileiras. E provas existem de sobra para comprovar o conservadorismo dos esquerdistas brasileiros.

Manutenção de costumes antigos

Um dos traços que denunciam o direitismo da esquerda brasileira é o apego a costumes antigos. Isso está cada vez mais claro em tempos de copa em que o futebol, um esporte direitista, símbolo máximo de nosso conservadorismo, é exaltado de forma eufórica por esquerdistas que se recusam a escolher um esporte alternativo que pudesse substituir o futebol na preferência popular.

O mesmo acontece com religião e bebidas alcoólicas. Indispensável lembrar que tanto religiões, futebol e bebidas alcoólicas estão todos sob o controle das forças conservadoras. O não rompimento das esquerdas com estes três aspectos já é um sinal de recusa em romper com o sistema dos direitistas, optando pela inclusão dos progressistas no mundo conservador.

Trocando em miúdos, o que as esquerdas querem é ser incluídos em um mundo onde os direitistas dão as cartas e fazem as regras. As esquerdas não abrem mão de seus direitos, mas estão dispostos a fazer concessões para que não sejam excluídos do paraíso capitalista.

Na minha opinião pessoal, as esquerdas deveriam criar um mundo novo, com novas regras e novas lideranças. Querer ser incluído em um mundo velho, com costumes antiquados é fortalecer antigas regras e as mesmas lideranças que zelam pleo mundo conservador em que vivemos.

Futebol, carro-chefe do conservadorismo esquerdista

O futebol, tem sido uma importante zona de conforto direitista a ser mantida pelos esquerdistas. As esquerdas não abrem mão de um mundo conservador desde que possam ganhar dinheiro, consumir e frequentar os lugares da moda. Só isso basta para as esquerdas brasileiras, que se contentam com pouco, para ficarem felizes em nosso país.

O futebol, que além de ser controlado por cartolas-magnatas, ser patrocinado pela mesma mídia direitistas e ainda ser usado como alavanca de manobra de uma sociedade cada vez mais alienada, ainda desperta encanto nas esquerdas pela capacidade, mesmo artificial, de atrair multidões para se reunirem em um único canto, em prol de uma diversão que nunca trouxe prosperidade aos torcedores que demonstram pelo futebol o empenho que nunca demonstram na reivindicação de direitos essenciais, atualmente negados.

George Soros, o mecenas direitista das esquerdas

Outra demonstração de apego esquerdista em relação a direita é o fato de recorrer ao mega-especulador George Soros para patrocinar causas e instituições progressistas. Há fortes indícios de patrocínio de Soros em causa progressistas não para ajudá-las, mas para secretamente tetar imobilizá-las, para que as esquerdas não prejudiquem os interesses de magnatas especuladores.

Está mais do que na hora das esquerdas se emendarem. Ou precisarão apanhar muito para aprender a não se aliar com o sistema?

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Com Brasil em frangalhos, esquerda foca a copa

Desde 2016 o Brasil não é mais um país. Arrasado, sem soberania e sem direitos, resta-nos a admitir que não temos mais um país. Brasil desde já é o nome de um time de futebol. Um reles time de futebol.

Sim. Brasil se resume a 11 bonecos vestidos de amarelo a correr na grama atrás de uma bolinha para ver se faz uma multidão histérica berrar feito alce no cio. 

E pelo jeito as forças progressistas estão cientes disso, num verdadeiro ato de bandeira branca diante dos golpistas que patrocinam a"seleção" na copa. É nítido o fato de que os esquerdistas resolveram deixar a política de fato e aderir de vez a sua famosa cocaína: o fanatismo futebolístico. 

Até porque se não somos bons em nada - porque o Tio Sam nunca nos deixou ser alguma coisa - pelo menos parecemos ser bons no futebol. Mesmo que cartolas soltem verdadeiras fortunas a serem dadas a adversários para perderem e manter a magia que transforma 11 analfabetos em soldados a lutar pela pátria. Sem guerra de verdade, lutemos para vencer a guerra de mentirinha.

Vários portais de esquerda decidiram criar seus "debates-bola" na tentativa de prender os seguidores da esquerda no seu viciante ópio social. Uma verdadeira e monumental chatice. Mais chato que jogo de futebol é debate sobre futebol. Os esquerdistas se esqueceram que é chato ficar durante uma hora discutindo o sexo da bola quando temos muitos problemas sérios para resolver.

Pelo jeito esses debates de "esquerda" devem ser ainda mais chatos que os debates futebolísticos da mídia corporativa, que dão um verdadeiro show de chatice, driblando o bom senso e fazendo a minha paciência perder de goleada. Enquanto eu quebro a minha cabeça para pagar contas altas com um misero salário, lá vem uns bobos falar em drible de fulano contra sicrano como se isso fosse mudar o mundo.

Sei que é importante de vez em quando esquecer dos problemas e pensar em se relaxar através do lazer. Mas não é nisso que pensam os histéricos fanáticos em futebol, loucos para berrar e usar o futebol como uma compensação artificial e postiça para o nosso fracasso na economia e na política. Afinal, para quem gosta, futebol é um baita desabafo, sendo uma oportunidade de berrar sem cometer gafes. Além de ser um símbolo cívico a forjar um otimismo ilusório.

Ou seja, futebol não é diversão para quem quer relaxar. É adrenalina - palavra usada para denominar o stress positivo - um meio de desocupados se agitarem para criar alguma movimentação para a vida tediosa de um mundo sem diversidades. A propósito, onde está a diversidade no gosto pelo esporte? Só existe o futebol? E as outras modalidades? Onde estão?

Mas sinceramente não é hora de pensarmos em futebol. Pelo menos como prioridade. assistamos aos jogos, mas sabendo que a alegria será falsa e momentânea. Futebol nunca deixou de ser e nem vai deixar de ser um mero lazer. Uma diversão. Uma brincadeira. E pelo que sei brincadeiras nunca mudaram o mundo, nunca fizeram história.

Por causa de uma brincadeira, podermos ver o Brasil se afundar ainda mais. É isso que a plutocracia deseja. Que nos distraiamos no futebol enquanto perdemos ainda mais a soberania. A vitória no futebol nuca foi a vitória do Brasil no mundo real. A direita sabe disso. Falta a esquerda abrir os olhos. Porque a vitória no futebol é na verdadeiro tremendo gol contra a nossa dignidade.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Caos Total: Eu nem sei o que postar aqui!

Nem sei o que vou escrever aqui. Nem sei bem o que está acontecendo. Falta alimentos e transportes em minha cidade. Classes trabalhadoras estão - com justiça - cada vez mais indignadas. Todos prometem parar  esta semana, pelos mais diversos motivos, mas todos contra as medidas do golpe.

A única coisa que eu sei é que o caos anunciou a sua chegada,se estabilizando e que os golpistas estão encurralados. O golpe iniciado em 2016 começa a assumir seu nome: Golpe. São as únicas informações que eu tenho. O resto? Pura especulação...

Se vamos retomar a democracia ou se vamos ter uma ditadura sanguinária? Não se sabe. Há uma parcela da sociedade pedindo, pasmem, uma solução através de uma ditadura. Bom, qualquer um pode aplaudir uma ditadura até o momento de perceber que algum parente foi desaparecido de forma misteriosa, para mais tarde ser comprovadamente morto. Até porque ditadores odeiam seres humanos. Inclusive eles próprios.

A única liderança capaz de realmente botar ordem nesta confusão está presa sem motivos. Prisão justificada de modo risível e explicitamente falso. Mesmo liderando a pesquisas e ganhando maior admiração da população, nada está sendo feito para tirá-lo do cárcere. Há forte chance dele ser impedido de voltar ao poder, mesmo com a extrema necessidade de sua alta competência para tirar o país do caos.

Já um monte de inocentes desejam colocar no poder uma figura patética, um militar meio rebelde que satisfaz a tara de sadismo violento de uma parcela mal informada da população, sobretudo a de jovens em boa situação de vida, mas com sede de sangue. Há um grande risco desta figura patética tomar o poder. Aí o caos promete criar o caos do caos, ao invés de estabelecer a ordem, a desculpa criada para aumentar o caos.

Não sei. Só sei que o golpe finalmente disse a que veio. Quem acreditou no combate a corrupção agora começa a entender que isso é mera desculpa para tomar o poder de forma agressiva e ilegal. Não há combate contra a corrupção. Há o combate contra a população.

E a população já está sendo combatida. os magnatas que todos acreditavam ser benfeitores seguem felizes em seus castelos distantes, contando os lucros que ganham ao administrar o caos instalado...

O jeito é ouvir o multi-instrumentista inglês Mike Oldfield e seu rock progressivo falando sobre crise. Até aparecer alguma solução para ela.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

O golpe de 2016 e a destruição definitiva de um país

Tenho muitos amigos e parentes conservadores. Eles nunca acreditavam quando eu dizia que o que ocorreu em 2016 faria o Brasil a estar numa situação que misturaria os piores aspectos de um Haiti (miséria extrema) e de um Porto Rico (falta de soberania e mais miséria). O que aconteceu ontem, 24/05, praticamente 2 anos após o começo do golpe, comprovou a minha tese.

Crentes de que o golpe teria como finalidade acabar com a corrupção - que ninguém sabe realmente o que significa, mas deseja ser extirpada - na verdade um abstrato motivo para que as elites impeçam a soberania nacional e o bem estar dos mais humildes, mas sem demonstrar sadismo explícito, os conservadores agora assistem a tudo sem entender nada, pois os fatos estão ocorrendo de uma forma que fica impossível usar a lenda da corrupção e da "irresponsabilidade petista" para justificar.

Na verdade, tudo ocorre graças a ganância capitalista. A crise de 2008, espermatozoide que, enfiado dentro do óvulo do neoconservadorismo, ajudou a gerar o golpe, mostrou que o Capitalismo e sua faceta mais gananciosa, o Neoliberalismo, é um sistema obsoleto e que se mostra altamente nocivo a uma sociedade que pede mais altruísmo e mais conscientização política (frequentemente confundida com ódio aos políticos).

O país parou por causa de aumento dos combustíveis. Não é preciso ser economista (embora os economistas saibam ainda mais o porquê) para entender que combustíveis estão relacionados com tudo. Aumentar os combustíveis para agradar empresas estrangeiras a saquear nossas fontes energéticas é um grave erro que cria violento impacto para a economia como um todo.

O que acontece no país nada mais é do que a consequência real da infeliz decisão tomada em 2016, em que um monte de irresponsáveis decidiu tirar a presidente honesta, condutora de um país relativamente equilibrado (com problemas, verdade, que dependem de muitas décadas para serem solucionados), usando a corrupção como desculpa. 

Golpe não era contra a corrupção. Era a favor da ganância capitalista

Posteriormente, tudo acabou revelando depois que os motivos eram na verdade o saque do petróleo e o impedimento de desenvolvimento do Brasil, que retoma a sua condição de colônia de exploração de matéria-prima. A explosão que aconteceu no dia 24/05/2018 deixou a olhos vistos o fato de que cometemos o maior erro de toda a história nacional, ao expulsar Dilma da cadeira presidencial.

Para piorar, a crise não somente é forte como ela surge sem solução. A única solução é a que as elites não querem: a volta dos progressistas ao poder. Progressistas são mais responsáveis em administração pública e não seguem ideologias que tem a ganância como base, como fazem os capitalistas, úteis na destruição da Idade Média, mas altamente nocivos para as perspectivas do século XXI.

Não sabemos o que ocorrerá agora. A volta dos progressistas é mais do que urgente. A solução estão nas mãos deles. Mas as elites não querem a volta dos progressistas. As elites, que remuneram todas as instituições a agir a favor delas, deverão optar pela agressividade, desde o cancelamento das eleições a instauração de uma nova ditadura militar, este o desejo de muitos mal-informados sobre política, que acha que problemas econômicos devem ser resolvidos na porrada.

Vamos ficar atentos ao andar do Cavalo de Tróia de 2016, que está baleado, mas segue em pé, mesmo com chances reais de queda. O que se sabe é que o golpe de 2016 foi nocivo a todos os brasileiros, mesmo os alienados que o apoiaram. Virou questão de honra cívica o desejo pelo fim do golpe de 2016 e pela volta da soberania nacional. 

Soberania nacional garantida pelas forças progressistas odiadas por quem não entende de política e só pensa em si mesmo.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Ciro Gomes desuniu as forças progressistas

Ciro Gomes havia dado uma declaração que dizia que não recomendaria a candidatura de Lula porque o ex-presidente criaria uma polarização, desunindo os brasileiros. Isso não é fato, pois Lula, mesmo preso ainda continua a unir os brasileiros, exceto os teimosos coxinhas. Mas o que se vê de fato é que quem está provocando uma divisão nas forças progressistas é o próprio Ciro.

Isso acontece em uma época ruim para o país, quando deveríamos estar unidos contra o golpe. Apesar de descreditados, os golpistas seguem vitoriosos, com suas medidas sádicas aprovadas a toda velocidade, mesmo diante de vaias. Vaia, mas nenhum protesto concreto.

Estranho perceber que Ciro não desperta ódio nos golpistas. Suposto representante de uma esquerda moderna, ele começa aos poucos a mostrar seu direitismo, ao mesmo tempo que angaria apoio maciço de importantes intelectuais progressistas. Paulo Henrique Amorim, Flávio Dino, Mino Carta, Leonardo Stoppa e Miguel do Rosário, já declararam apoio a Ciro, ignorando alguns detalhes sobre o político cearense.

Ciro nunca foi de fato um esquerdista. Foi amamentado nas tetas da Arena e teve o PSDB como seu educador político. É ligado a setores um pouco mais progressistas do grande empresariado e é neste detalhe que deveríamos focar a nossa análise sobre Ciro. Pois esta é a verdadeira classe para a qual ele irá trabalhar, caso chegue ao Planalto. Coisa que começa a dar cada vez mais sinais de que será possível.

Mídia Golpista começa a se interessar por Ciro

Apesar de aumentar o seu prestígio entre os progressistas, as forças conservadoras já começam a "namorar" o cearense. Além de nunca ter sofrido qualquer tipo de ataque vindo das forças conservadoras (a não ser pelo MBL, por motivos que creio serem pessoais), a mídia e setores do golpe começam a se interessar por Ciro, pois ele tem importantes características que podem forjar um consenso nacional.

Apesar de ligado a setores empresariais e de ter sido educado na direita brasileira, Ciro é nordestino (nascido em Sao Paulo, mas criado no Ceará, de onde herdou o sotaque carregado - sotaque que pode favorecê-lo diante dos progressistas) e está filiado ao PDT, fundado por Leonel Brizola (na minha opinião pessoal, a verdadeira maior liderança de esquerda que o Brasil já teve), mas hoje ideologicamente divorciada do político gaúcho, falecido de forma suspeita.

Ou seja, Ciro pode representar alguém que agrade aos dois lados, mas sem prejudicar a burguesia e o golpe arquitetado por ela. Dá uma aparência de democracia e de tolerância às forças progressistas. O que pode ser bom para que os golpistas melhorem sua imagem diante da opinião pública. Por isso que a mídia já começa a "namorar" Ciro Gomes. Ele é perfeito para forjar uma união nacional.

Ciro pode  "endireitar" esquerdistas

Mas quanto as esquerdas, Ciro faz exatamente o oposto. Mesmo fazendo declarações que agradam a vários esquerdistas, é preciso verificar se as declarações sensatas de Ciro não passam de conversa fiada. Falar é fácil, mas difícil é ver um ex-direitista, ainda amigo de boa parte do empresariado, e sem tradição de vínculo com a classe trabalhadora, pôr em prática medidas que desagradam as classes dominantes e revogam as cruéis medidas do golpe.

Para entender o que está acontecendo, esta união causada pelo apoio ao Ciro Gomes tem levado setores da esquerda a se inclinarem para a direita, o que causa desentendimento às forças progressistas. Com o tempo, esquerdistas poderão mudar de lado por uma questão de sobrevivência econômica, se tornando novos direitistas.

Isso não é bom, pois sabemos que os direitistas mais ranhetas como Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, entre outros, foram esquerdistas um dia. Ninguém se lembra que o próprio Bolsonaro integrou a base governista dos governos do PT. Um esquerdista virar direitista é a coisa mais fácil do mundo, pois todos sabem que do lado dos direitistas a farto dinheiro a ser distribuído a apoiadores.

Sendo representante das elites financeiras de cunho nacionalista, Ciro poderá atrair, como um flautista de Hamelin, vários esquerdistas para a vala direitista, estabilizando o golpe e enterrando de vez a esperança de vermos o país retomando sua soberania e seu protagonismo mundial. É esperar para ver.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Uma quimera chamada Ciro Gomes

As eleições de 2018 estão sendo as de maior expectativa desde 1989, quando foi a primeira depois de um longo tempo de ditadura militar. Hoje vivemos em uma ditadura diferente, mais sutil e a perspectiva da maior parte da população é do fim desta fase triste iniciada com um irresponsável golpe em 2016, em que as elites decidiram, com franca ajuda dos EUA, a eliminar os direitos da população e as riquezas do país. 

A finalidade era a de que o Brasil mantivesse a sua condição de sub-desenvolvimento, sem ameaçar a hegemonia dos EUA, além de manter as desigualdades, tranquilizando as elites brasileiras, fartamente remuneradas pelas grandes corporações mundiais fazendo-as continuar a ganhar grandes fortunas praticamente sem trabalhar, através do rentismo e da sonegação permitida de impostos.

Mas o golpe se mostra nocivo a grande parte da nação, sem excluir os que inicialmente eram favoráveis a ele, já começando a sofrer os prejuízos decorrentes. Quem não é rentista começa a desejar de forma quase desesperada pelo fim do golpe e o favoritismo de Lula, que causou a prisão decretada pelo Poder Judiciário, majoritariamente golpista, para que fosse possível um representante da impopular plutocracia pudesse ganhar a eleição de 2018.

A plutocracia havia tentado vários candidatos, todos fracassados. Mas a grande carta debaixo da manga para governar para os mais ricos está justamente do lado oposto da plutocracia, em alguém que ganha cada vez mais confiança das esquerdas mais ingênuas e que também começa a mostrar as suas garras, provando que o verdadeiro lado onde está não é o que aparenta estar. O nome desta carta debaixo da manga atende pelo nome de Ciro Gomes. 

Ciro Gomes, unindo as esquerdas para favorecer a direita

Ciro representaria nas eleições deste na uma esperança para as esquerdas. Assumiu uma postura anti-golpe e prometeu revogar as medidas nefastas aprovadas pela equipe de Temer. Vem dado palestras inteligentes e tem atraído muitos jovens com ideias progressistas e promessas de soluções realistas e práticas. Mas Ciro tem um passado que prejudica a imagem progressista que tenta associar a si.

Ciro tem um passado direitista. Sua educação política foi amamentando nas tetas do PSDB. Seu padrinho político é o mega-empresario direitista Tasso Jereissatti, representante da Coca Cola no nordeste brasileiro e dono de uma grande rede de shopping-centers. As relações com Aécio Neves não são de inimizade. Por motivos desconhecidos, com o tempo foi mudando de lado e hoje se torna o principal nome da esquerda após Lula, se associando com o PDT, fundado por Leonel Brizola, mas hoje ideologicamente rompido com seu fundador.

Mas atitudes assumidas por Ciro durante a sua campanha e as circunstâncias em torno dele denunciam que o candidato do PDT pode não ter rompido com as suas origens tucanas. Chamado frequentemente de candidato-abutre, por se aproveitar da retirada de Lula da corrida eleitoral, ele pode estar mostrando que o tipo de ave que ele é não é bem o de abutre. 

Ciro, candidato do Golpe?

Algumas coisas estranhas tem acontecido com Ciro e que deveriam fazer a esquerda apoiadora abri os olhos. Vários esquerdistas têm declarado apoio incondicional a Ciro tratando seu direitismo como resultado de boataria de grupos que tentam desestabilizar as esquerdas. Mas se esquecem que o próprio Ciro é que pode estar começando a desestabilizar o campo progressista.

Para começar, a grade mídia ate agora não fez nenhuma crítica destrutiva contar o político cearense, como ela tem feito com políticos do PT e de alguns partidos progressistas. Isso dá a impressão de que Ciro seria um plano B da direita caso fracassasse, como está acontecendo, os planos de criação de um candidato dos plutocratas.

O descaso que Ciro tem demonstrado em relação a Lula é outro fator a ser levado em conta. Depois de declarar que faria de tudo para evitar a prisão do ex-presidente petista, Ciro parece ter visto vantagem na prisão e segue a sua campanha percebendo que aos poucos começa a conquistar não apenas vários esquerdistas como também setores sensíveis da direita como o DEM, que na ditadura militar atendia pelo singelo nome de "ARENA", o partido dos milicos.

Foi revelado que Ciro seria o verdadeiro plano do PC do B, que teria lançado a jovem Manuela D'Ávila como uma espécie de balão de ensaio para com o tempo favorecer o pedetista cearense.  Lideranças do PC do B, incluindo a própria Manuela, já admitem apoiar Ciro na corrida presidencial.

Ciro vem assumindo compromisso de revogar as medidas do golpe, diante de muitos aplausos eufóricos. Mas quem o conhece diz que é papo furado e que com as alianças que pretende fazer, deverá desistir das revogações e se empanhar em apenas amenizá-las, para não prejudicar os interesses dos plutocratas que o apoiam.

Ciro e o sanduíche de traíra 

Mas o sinal mais grave de que Ciro pode trair os esquerdistas é a possibilidade deter como vice o magnata do aço Benjamin Steinbruch. Acontece que Steinbruch é um capitalista estereotipado, ex-presidente da CSN, famoso pela ganância e pão-durismo e que apoiou não somente o golpe quanto a reforma trabalhista. 

É de Steinbruch a asneira de que seria "moderno" o trabalhador segurar um sanduíche com uma mão e uma alavanca de máquina com a outra, dispensando o tempo livre para almoço, que seria descontado com a reforma. Uma declaração considerada ofensiva, mas que virou piada no país todo, reforçando a imagem negativa já associada ao magnata.

Apesar de apoiar o golpe, demonstra insatisfação com Temer, pois começa a se sentir prejudicado por algumas reformas. O que facilitaria a associação com Ciro Gomes, seu ex-subalterno na CSN. Resta saber se ele poderá ser vice-presidente da república, pois ele está quase garantido como o próximo presidente da FIESP, a entidade que agiu em 2016 como maestro dos manifestoches nos protestos a favor do golpe.

A entrada de Steinbruch como vice de Ciro é perigosa e sinaliza que desta forma, Ciro esteja querendo secretamente preservar o golpe, o que agradaria as forças conservadoras, traindo as esquerdas, levando o país a um caminho sem volta para se esborrachar de forma definitiva no despenhadeiro do sub-desenvolvimento. 

Streinbruch não é José Alencar

Bom lembrar que é um erro comparar a associação Ciro/Steinbruch com a de Lula com José Alencar.  Por mais defeitos que possa ter tido o falecido Alencar, o empresário tinha a mente aberta e não criou grandes barreiras para Lula realizar sua quase brilhante gestão. Nem mesmo o filho de Alencar, Josué, demostra ser mente aberta como o pai. Steinbruch é um golpista e será um verdadeiro freio de mão na gestão Ciro.

As esquerdas devem ter cuidado com Ciro. Melhor seria unirmos todos para tirar Lula da cadeia na marra. As leis não estão sendo respeitadas, o que permite uma retirada agressiva de Lula por uma imensa multidão, de forma revolucionária, como uma defesa contra os abusos da direita. As grandes mudanças políticas na história mundial sempre aconteceram de forma agressiva e deve ser a todo o custo manter Lula como principal opção das esquerdas para o Planalto.

Se ficarmos com planos M, B e C, poderemos nos dar mal e perpetuar o golpe, levando multidões à miséria absoluta e o país a condição de colônia exploradora de matéria prima. Até porque boa parte dos esquerdistas pró-Ciro estão muito bem de vida, com seus empregos estabilizados e muitos amigos e contatos que podem ajudá-los, criando uma imunidade aos danos que as reformas de Temer ainda tarão com a estabilização do Golpe, provavelmente incluída nos planos de Ciro Gomes.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Porque a direita é burra

Até hoje eu não consegui ler nenhum texto e ver nenhum vídeo mostrando alguma coisa convincente vindo de algum direitista. Até agora, a única coisa que vejo vinda de direitistas são ofensas e mentiras contra quem não se conforma com um sistema injusto onde apenas os mais ricos e aqueles que tem algum nível de conforto se dão bem.

Todas as manifestações de direita demonstram uma certa ignorância em relação a realidade. Ás vezes por desconhecimento, às vezes pela necessidade de difamar, de distorcer a realidade para que as elites e seus apoiadores continuem se dando bem. Mas logo eles, que se dizem "tão sábios", portadores de uma coleção de diplomas e títulos?

Na verdade a "sabedoria" da direita está limitada ao mercado de trabalho e a luta pelo interesse próprio. Mas por incapacidade ou desprezo, preferem não perceber os problemas cotidianos de forma realista. Até porque, se passarem a perceber, seu interesses gananciosos seriam prejudicados.

A direita, além de burra, é conservadora porque ela tem como finalidade manter uma rede de privilégios e uma organização social que permita que somente ela possa controlar o cotidiano e o destino de milhões de indivíduos. Mudanças bruscas na sociedade pode ser nocivas para quem tem a ganância como sua principal, digamos, "qualidade".

Até mesmo a noção de altruísmo defendida pelos direitistas não vai muito além do que já é praticado pelas religiões, uma caridade paliativa, seletiva, que ajuda uns poucos pobres, pré-escolhidos por critérios nem sempre justos, e que dispensa os mais ricos de repartirem renda de forma efetiva. É uma esmola institucionalizada, incapaz de eliminar problemas e injustiças na sociedade como um todo. 

Enfim, é inútil esperar algo de realmente inovador vindo de direitistas. Hipócritas, eles vivem falando de progresso e altruísmo que se limitam a retórica pura e vazia. Na prática, direitistas desejam que tudo fique como está, mudando apenas quando a manutenção dos interesses dos mais ricos exigir. 

Mas nem tente conversar com algum direitista, esperando ouvir dele algo que possa ajudar de fato a melhorar a sociedade. melhorar a sociedade é algo que passa bem longe dos objetivos de qualquer direitista.